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    『 Tradutor: Crimson 』


    Freida encarava a pilha de papéis espalhados sobre sua mesa, mas as palavras se misturavam. Por mais que tentasse, não conseguia se concentrar.

    Seu olhar insistia em se desviar para a janela, seus pensamentos vagando para a mesma pessoa que a atormentava há dias.

    Seu filho.

    Ele desapareceu sem deixar rastro há vários dias. Os guardas designados para protegê-lo também desapareceram. Nenhum relatório. Nenhum corpo. Nenhuma pista.

    Nada.

    Ela nem sequer sabia se ele ainda estava vivo.

    A incerteza corroía seu coração de uma forma muito mais cruel do que qualquer tragédia confirmada jamais poderia.

    Knock, knock.

    O som repentino quebrou o silêncio pesado da sala.

    “Entre”, ordenou Freida, embora a tensão já lhe apertasse o peito.

    A porta se abriu e um dos guardas da família entrou apressadamente. Caiu de joelhos, com a voz trêmula de urgência.

    “Matriarca… o jovem mestre retornou!”

    Por um breve instante, Freida simplesmente o encarou, como se sua mente se recusasse a processar as palavras.

    Então, os olhos dela se arregalaram.

    “O que você disse?” Sua voz era aguda, quase sem fôlego.

    “O jovem mestre retornou, Matriarca. Ele está no portão principal.”

    A cadeira arrastou-se ruidosamente contra o chão.

    Antes que o guarda pudesse sequer levantar a cabeça, a porta se abriu com um estrondo violento. Uma forte rajada de vento varreu a sala enquanto Freida passava por ele como um raio azul.

    Ele mal conseguiu vislumbrar sua silhueta antes que ela desaparecesse de vista.

     –Whoosh!!

    Em menos de um segundo, Freida reapareceu no portão principal da propriedade.

    A súbita aparição dela assustou os guardas de plantão, mas rapidamente recuperaram a compostura ao reconhecê-la.

    “Matriarca!!”

    “Saudações, Matriarca!!”

    Suas vozes ressoaram em uníssono, mas Freida mal as percebeu. Ela acenou distraidamente com a cabeça antes de seus olhos se fixarem nas duas figuras do outro lado do portão.

    Ela prendeu a respiração.

    Lá estava ele.

    Seu filho.

    Um alívio tomou conta, tão avassalador que seus joelhos quase fraquejaram. A opressão em seu peito finalmente se dissipou quando ela soltou um longo suspiro trêmulo.

    Ele estava vivo.

    Fadu a viu.

    “Mãe!”

    Um grito irrompeu dele, repleto de emoções.

    Freida se virou a tempo de pega-lo quando ele caiu em seus braços. Ela o envolveu instantaneamente, segurando-o com uma força que vibrava por baixo da superfície.

    Sua mana fluiu sem que ela percebesse.

    Invadiu seu corpo como uma maré impetuosa, penetrando ossos, carne e sangue.

    Sem fraturas. Sem hemorragia interna. Sem maldição. Sem veneno residual.

    Ele saiu ileso.

    A sensação de aperto que comprimia seus pulmões diminuiu.

    Então, Fadu falou.

    “Mãe…” Seus dedos se agarraram às roupas dela. Seu corpo tremia violentamente, mas ainda informou: “Tio… O Tio Wiptar… ele está morto…”

    A última palavra se dissolveu em soluços.

    Freida parou de respirar.

    Fadu enterrou o rosto no peito dela, a voz embargada entre suspiros.

    “Eles mataram todos… os guardas… massacraram todos… Nós fugimos… mas eles continuaram nos perseguindo… Tio…”

    Seu corpo estremeceu como se estivesse revivendo tudo.

    “Ele me disse para continuar correndo. Ele voltou. Ele os bloqueou… Eu não consegui… eu não consegui ajudá-lo…”

    Freida sentiu algo frio percorrer suas veias.

    “Wiptar… está morto?” Ela sussurrou.

    O mundo pareceu silenciar quando sua mana irrompeu. Uma violenta força de maré emanou de seu corpo, distorcendo o ar e rachando a pedra sob seus pés. O chão se partiu em linhas irregulares. Os guardas próximos cambalearam quando uma pressão invisível os atingiu, forçando alguns a se ajoelharem. O vento uivava de sua posição.

    Wiptar.

    Seu irmão.

    O menino que estivera diante dela quando ela era pequena.

    Aquele que enfrentava qualquer um que ousasse fazê-la chorar.

    Quando Fadu nasceu, Wiptar colocou a mão no ombro dela e riu.

    “Deixe-o comigo. Eu o protegerei da mesma forma que protegi você.”

    Seus dedos cravaram-se levemente nas costas de Fadu.

    Sua visão tremia não por fraqueza, mas por uma fúria imensa demais para conter. Por um breve instante, a dor ameaçou fazê-la ceder de joelhos.

    Mas ela engoliu.

    A mana furiosa se comprimiu em vez de se dispersar, tornando-se mais densa e pesada como o oceano antes de um tsunami devastador.

    Ela baixou a cabeça e pressionou suavemente a bochecha contra os cabelos do filho. Sua mão deslizou lentamente pelas costas dele, acalmando-o.

    Sua voz, quando falava, era assustadoramente calma.

    “Não chore.”

    O chão continuou a tremer.

    “Encontrarei quem matou Wiptar.”

    O ar parecia sufocante.

    “E farei com que deseje ter morrido antes de me conhecerem.”

    –Whoosh!!

    Diversas figuras materializaram-se atrás dela em rajadas bruscas de espaço distorcido.

    Os figurões da família Rulman haviam chegado.

    Cada um deles irradiava um poder imenso. Sua mana vazava instintivamente em resposta à fúria da Matriarca, sobrepondo-se à dela até que a própria propriedade tremeu sob a pressão.

    A pedra rachou.

    Poeira caía das paredes próximas.

    Os guardas comuns podiam sentir a pressão esmagadora sobre seus corpos.

    Freida finalmente notou a pessoa que havia chegado com Fadu. Ela estava tão concentrada em seu filho que não havia prestado atenção à outra figura ao lado dele.

    Seu olhar se voltou para Souta.

    “E quem seria você?”, perguntou ela calmamente.

    Souta ofereceu um sorriso educado. “Saudações, Matriarca. Meu nome é Atos. Quanto aos detalhes, pode perguntar a Fadu.”

    Freida assentiu levemente com a cabeça enquanto seus sentidos o examinavam silenciosamente. Ela rapidamente concluiu que ele era um monstro, mas não um nativo daquele lugar.

    “Mãe”, disse Fadu, enxugando as lágrimas dos olhos, “Atos me salvou. Eu prometi a ele que ele seria recompensado se me escoltasse de volta em segurança.”

    A expressão de Freida suavizou-se ao olhar para o filho. “Não se preocupe, meu filho. Não maltratarei seu salvador. Retribuirei devidamente o favor por ter salvado sua vida.”

    Ela então virou a cabeça e olhou para uma das figuras atrás dela. Seus olhos se fixaram em um homem de meia-idade com cabelos espessos e barba cheia.

    Ele era o marido dela.

    Wresho Rulman.

    “Cuide do nosso filho”, disse Freida enquanto entregava Fadu delicadamente nos braços do marido.

    Ela então olhou para os outros figurões que estavam reunidos.

    “Retornem às suas funções. Não há necessidade de todos vocês permanecerem aqui.”

    A imensa pressão no ambiente foi diminuindo gradualmente.

    Freida instruiu um de seus subordinados a preparar um quarto para Souta e garantir que ele estivesse devidamente acomodado.

    Assim que tudo foi acertado, ela lançou um último olhar para o filho e saiu rapidamente do local.

    Souta lançou um olhar na direção em que Freida havia saído antes de voltar sua atenção para os superiores.

    ‘Forte… A família Rulman é muito mais poderosa do que eu imaginava’, pensou ele, com o olhar fixo em Wresho, que carregava Fadu.

    Mesmo sem examiná-los diretamente, Souta conseguia avaliar aproximadamente suas habilidades de combate pela enorme densidade de energia que emanava de seus corpos. A pressão por si só já dizia tudo.

    Se ele tentasse lutar contra eles agora, seria completamente dominado.

    Este clone não era o suficiente.

    Para um confronto direto, seria necessário o seu corpo principal.

    “Senhor, por favor, siga-me.”

    Uma voz suave soou ao lado dele.

    Souta se virou e viu uma criada parada respeitosamente ao seu lado. Ele acenou levemente com a cabeça, e ela o conduziu para o interior da propriedade. Depois de guiá-lo até um quarto de hóspedes espaçoso, ela o informou que ele poderia chamá-la se precisasse de algo, e então se retirou discretamente.

    A porta se fechou suavemente atrás dela.

    Souta ficou sozinho. Sentou-se na beira da cama e olhou para a janela, com os pensamentos dispersos.

    A força da família Rulman não era brincadeira. Ver os figurões pessoalmente permitiu que ele avaliasse melhor suas capacidades.

    Eles estavam em um nível completamente diferente.

    Souta suspirou e estendeu a mão preguiçosamente.

    “Não tenho nada para fazer agora…”

    Murmurando para si mesmo, recostou-se ligeiramente e fechou os olhos, repassando mentalmente os acontecimentos anteriores.

    Em algum lugar da casa dos Rulman, um homem caminhava inquieto em um quarto fechado. O suor escorria por sua testa, e sua expressão era sombria, quase selvagem.

    Ele era Dihra Rulman, irmão de Wresho.

    Um dos figurões que aparecera no portão principal momentos antes, vira tudo. O retorno de Fadu, vivo e ileso.

    ‘Aquele pirralho… ele voltou vivo?! Que diabos estavam pensando?! Como puderam deixá-lo voltar para cá?’

    O pânico dominou Dihra. A ideia de que Fadu pudesse sobreviver jamais lhe passara pela cabeça. Ele ordenara que seus homens capturassem o garoto e matassem todos os que estivessem com ele.

    Como puderam falhar?! Como?!

    Mesmo que capturar Fadu fosse impossível, deveria ter sido morto a todo custo. O fracasso deles agora significava desastre.

    ‘Serei desmascarado. Preciso agir… ou serei morto.’

    A mente de Dihra trabalhava a mil. A Matriarca logo descobriria seu plano, e quando isso acontecesse, ele não passaria de um cordeiro levado ao matadouro. Ele conhecia muito bem o poder dela e não tinha nenhum desejo de um confronto direto.

    ‘Não tenho escolha… Vou fazer isso.’

    Ele parou de andar de um lado para o outro, com o maxilar cerrado. Decisão tomada, preparou-se para agir.

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