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    『 Tradutor: Crimson 』


    No dia seguinte.

    Souta estava deitado na cama, de olhos fechados, e não havia saído do quarto desde sua chegada. Ele sabia que era mais prudente ficar ali, pois havia o risco de problemas o encontrarem. Afinal, alguns membros da família Rulman queriam Fadu fora do caminho, e ele havia escoltado o garoto de volta em segurança.

    Aos olhos deles, isso o transformou em um inimigo.

    Embora não os temesse, preferia evitar conflitos desnecessários.

    Uma batida seca ecoou da porta.

    Souta virou a cabeça.

    “O que foi?”

    “A matriarca deseja vê-lo”, respondeu uma voz calma.

    “Entendido”, disse Souta, levantando-se da cama.

    Ele sorriu por dentro. Chegou a hora. A matriarca provavelmente fará sua jogada agora. Ajeitou as roupas e caminhou em direção à porta. Uma criada esperava do lado de fora, com postura serena e profissional.

    “Siga-me”, disse ela após um breve olhar. “Eu o conduzirei até a Matriarca.”

    Souta assentiu com a cabeça e acompanhou-a.

    Enquanto caminhavam, ele estudava os arredores. Gramados bem cuidados e árvores esparsas ladeavam os caminhos entre casas de quatro andares, todas conectadas por passarelas bem pavimentadas. Perto do portão principal, uma enorme piscina se estendia por quase cem metros de profundidade, repleta de Searan e outras criaturas que nadavam preguiçosamente, enquanto guardas patrulhavam o perímetro.

    Pelo que ele pôde ver, a propriedade dos Rulman abrangia aproximadamente duzentos metros.

    Ele resistiu à tentação de examiná-lo com seu feram. Provocar os moradores da casa, especialmente os figurões, muito mais poderosos do que ele, era um risco que não estava disposto a correr. Mesmo um único passo em falso poderia expô-lo.

    Em pouco tempo, a empregada parou em frente a uma porta ornamentada.

    “A matriarca está esperando lá dentro, só posso guiá-lo até aqui.” disse ela.

    Souta assentiu com a cabeça. Deu um passo à frente, colocou a palma da mão na porta e a empurrou, abrindo-a. Uma rajada de vento soprou para fora.

    –Whoosh!

    Seus cabelos chicotearam quando ele entrou.

    No instante seguinte, a porta bateu atrás dele, e a atmosfera mudou instantaneamente.

    ‘A mana…’

    Seu olhar recaiu sobre a Matriarca, sentada como uma rainha em um trono que dominava a sala. Todo o seu corpo irradiava uma energia imensa, quase palpável.

    Ela era uma especialista de alto nível da Casa Rulman, uma das famílias mais poderosas do Reino Tarrant. Dizia-se que ela superava até mesmo o Senhor da Cidade. Além disso, ela era um dos três especialistas governantes do Grupo Mercante das Marés, uma potência mercantil com influência nas três nações da Profundeza de Banquet.

    Essa era ela, Freida Rulman.

    Abaixo dela, duas fileiras de pessoas estavam sentadas frente a frente. A maioria era de Searans, mas alguns pertenciam a outras espécies, como Aquarans e Octodas. Os Octodas eram demis com características semelhantes às dos polvos. Ao contrário dos Searans ou Aquarans, não tinham membros, apenas oito tentáculos ágeis que se moviam independentemente.

    Eles eram os membros da alta hierarquia, também conhecidos como os Anciãos da Casa Rulman, os segundos em autoridade, logo abaixo da própria Matriarca.

    Do trono, o olhar de Freida percorreu o corpo até Souta. Ela o estudou atentamente antes de falar.

    “Atos, estou correto?”

    “Sim, senhora”, respondeu Souta calmamente, acenando com a cabeça.

    Alguns dos anciãos franziram a testa ao ouvir seu tom. Havia um leve toque de desagrado em suas expressões.

    Souta os ignorou. Não importava, sem a permissão da Matriarca, nenhum deles podia agir contra ele. Afinal, fora ele quem salvara seu filho.

    “Primeiramente, gostaria de expressar minha gratidão por terem salvado meu filho”, disse Freida, levantando-se. Ela fez uma leve reverência. “Como mãe, agradeço do fundo do meu coração.”

    “Obrigado, senhora. Não foi nada. Eu estava apenas de passagem”, respondeu Souta com naturalidade.

    Freida sorriu e voltou para o seu lugar. Com um estalar de dedos, duas criadas entraram na sala, carregando uma caixa de metal.

    De repente, outra empregada irrompeu no quarto, respirando com dificuldade. Ela olhou para Freida com pânico nos olhos.

    “Matriarca! Alguém tentou envenenar o jovem mestre!”

    A atmosfera mudou instantaneamente. A temperatura na sala despencou.

    “O QUÊ?!”

    A voz de Freida ecoou pelo salão. Ela se levantou de sua cadeira e uma imensa onda de mana emanou de seu corpo.

    “Comecem!”

    As palavras mal haviam saído de seus lábios quando toda a família Rulman pareceu estremecer. Rajadas de energia irromperam de todos os cantos, sacudindo o chão e fazendo o ar vibrar. Muitos dos presentes ficaram atônitos, pegos de surpresa pela demonstração repentina e avassaladora de poder.

    “Parece que terei de fazer uma limpeza completa nesta casa”, disse ela friamente.

    E então, num piscar de olhos, Freida desapareceu.

    –Ohm!

    Souta inclinou a cabeça e imediatamente sentiu uma poderosa matriz se espalhando pela propriedade. Freida havia isolado toda a casa, preparando-se para eliminar qualquer um dos envolvidos.

    Ele não pôde deixar de se perguntar: se não tivesse salvado Fadu, que caos teria irrompido ali?

    Ao voltar o olhar, ele percebeu os anciãos saindo da sala um a um para seguir Freida.

    ‘Será que há algum traidor entre eles?’, pensou ele.

    Souta moveu-se silenciosamente, passando pelas criadas ajoelhadas. Saiu da sala, esticando os braços casualmente, um sorriso surgindo em seus lábios.

    “Que matriz poderosa”, murmurou ele.

    Seus olhos percorreram a barreira semitransparente que envolvia a propriedade como uma cúpula gigantesca. Um risinho suave escapou-lhe enquanto a observava.

    Souta escolheu Fadu.

    Por quê? Era simples.

    Ele estava à procura de uma oportunidade quando viu Fadu sendo perseguido por vários especialistas poderosos. Ao ouvir a conversa deles, descobriu que o rapaz era o jovem mestre de uma família proeminente.

    Salvar Fadu e conseguir entrar para sua família fazia parte do planejamento inicial para sua missão nessa cidade.

    “Hora agir.”

    Souta virou a cabeça, deixando sua energia se expandir para examinar a área. Ele ansiava por explorar a propriedade por completo, mas se conteve, não querendo ofender os figurões da Família Rulman. Ser expulso agora arruinaria seus planos.

    Mas agora era diferente. Com o caos reinando na casa dos Rulman, Souta liberou sua energia.

    Com meticulosa precisão, ele concentrou-se e localizou rapidamente a posição de Fadu.

    Dobrando os joelhos, Souta lançou-se para a frente, movendo-se em direção ao menino com a velocidade de um raio.

    –Swoosh!

    No céu acima da Casa Rulman, Freida pairava, seu corpo irradiando uma enorme onda de mana. Sua expressão era fria e inflexível enquanto encarava o velho à sua frente.

    “Ancião Reklor”, disse ela, inserindo intenção assassina na voz antes de continuar “Você é o pai do meu marido, e eu respeito isso, mas não se coloque no meu caminho enquanto lido com os traidores desta família.”

    Abaixo dela estava um homem idoso, segurando um poderoso tridente. Ele era um Ancião da Casa Rulman, uma das figuras de mais alta posição na família.

    “Se puder… poupe meu filho, Dihra”, disse o Ancião Reklor, com o olhar fixo nela.

    O olhar de Freida endureceu.

    “Impossível. Eu sou a Matriarca e tenho um dever a cumprir. Ele não só tentou matar meu filho, como também vendeu nossos segredos. Eu o matarei. E se você tentar me impedir, serei obrigada a levar sua cabeça também.”

    Sem hesitar, a energia de Freida avançou em sua direção.

    O Ancião Reklor não hesitou. Firmou os pés no chão, respondendo ao ataque dela com uma contraforça.

    –Boom!

    Faíscas irromperam no ar quando suas energias colidiram.

    Freida torceu a mão esquerda, desenhando uma forma no ar. Em instantes, o espaço ao redor se contraiu, como se uma força invisível tentasse prendê-los no lugar.

    “Ativei a Proteção das Águas Profundas”, disse ela calmamente e explicou: “Posso me mover livremente, e a família Rulman permanecerá praticamente imune aos meus ataques. Agora… eu vou te matar.”

    “Podem expulsar meu filho, e eu não direi nada”, respondeu o Ancião Reklor com firmeza e continuando: “Mas se pretendem matá-lo, terão que passar por mim primeiro.”

    Num instante, desapareceram de vista, movendo-se tão rápido que os olhos mal conseguiam acompanhar. Colidiram novamente no ar, seus ataques explodindo com uma força inigualável.

    –BOOM!

    O ar tremia, e o próprio céu parecia se estilhaçar com a intensidade da batalha.

    A propriedade da família Rulman abrangia duzentos metros. Era enorme, mas para alguém do nível de Souta, percorrer essa distância era fácil.

    Logo, ele chegou ao local onde Fadu estava. Parou na porta e a empurrou, abrindo-a.

    Dentro do quarto estavam duas pessoas: Fadu e seu pai, Wresho Rulman.

    “Atos!” Exclamou Fadu, com alívio e entusiasmo na voz.

    “Por que você está aqui?”, perguntou Wresho, com um tom cauteloso e carregado de suspeita.

    Souta sorriu levemente, compreendendo a reação do pai.

    “Ouvi dizer que alguém tentou envenenar Fadu”, explicou calmamente e disse: “Não precisa se preocupar. Se eu tivesse a intenção de lhe fazer mal, não o teria trazido para cá.”

    Ele permaneceu onde estava, sem fazer qualquer movimento para se aproximar do pai e do filho.

    Os olhos de Wresho se estreitaram, mas ele manteve distância. Posicionou Fadu atrás de si, pronto para reagir a qualquer ameaça repentina.

    Souta simplesmente sentou-se, contemplando o céu.

    Acima, o ar fervilhava com violentas flutuações de energia. Explosões ribombavam intermitentemente enquanto forças elementais giravam no ar, agitando-se como uma tempestade desencadeada.

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