Índice de Capítulo


    『 Tradutor: Crimson 』


    “Boa sorte”, disse Souta friamente, e disparou [Bestrou] mais uma vez.

    Um enorme feixe de energia disparou em direção aos dois traidores restantes. Eles mal tiveram tempo de reagir antes que seus corpos fossem completamente engolfados.

    –BOOM!!!

    Dentro do quarto, Fadu sentiu o chão tremer violentamente sob seus pés. Ele agarrou-se com força às roupas do pai.

    “Pai… o que está acontecendo?”

    Wresho sorriu suavemente, estendendo a mão para acariciar a cabeça do filho.

    “Não é nada, Fadu. Vai ficar tudo bem.”

    Mas o calor se dissipou de sua expressão quando seu olhar se voltou para a porta. Ele sabia que Souta já havia lidado com os traidores. Um monstro de quinto estágio, sim, mas ainda fraco para seu estágio. Mesmo assim, seu poder era mais do que suficiente para lidar com esses três.

    A família Rulman estava em anarquia. Depois disso, nada seria como antes.

    Freida, esposa de Wresho, era a pessoa mais forte da casa. Por isso, os traidores não ousaram confrontá-la diretamente. Eles pretendiam usar seu filho como moeda de troca.

    O próprio Wresho também era formidável, um ancião da Casa Rulman.

    Do lado de fora do quarto, a paisagem era irreconhecível. Apenas uma única casa permanecia de pé; todo o resto havia sido reduzido a escombros.

    Souta pairava no ar, sua forma retornando ao normal, fumaça saindo de sua pele revelando uma queimadura.

    Ele olhou para os três corpos estendidos no chão, aqueles que ousaram capturar Fadu. Não havia mais nenhum sinal de vida.

    “Imagino o que virá a seguir”, murmurou ele, desviando o olhar. Seus olhos se voltaram para o céu, onde a batalha ainda se desenrolava.

    Mas isso não duraria muito mais tempo.

    Os especialistas que lutavam ali liberaram toda a sua força. A matriz sob eles tremia, repleta de rachaduras como se pudesse desabar a qualquer momento, mas resistiu teimosamente aos tremores secundários. Um enorme buraco se abriu em sua seção sul, e a área ao redor ficou completamente destruída.

    O perímetro sul da Casa Rulman fora completamente arrasado. Runas protetoras que outrora guardavam os edifícios jaziam em pedaços. O terreno desabou e o ar vibrava com uma energia bruta e violenta. Qualquer um que ali estivesse provavelmente teria sido obliterado, sem deixar vestígios. Apenas alguns sobreviveram, protegidos pelas habilidades de especialistas de elite.

    ‘Todos os seres abaixo do Reino da Primeira Algema… desapareceram…’, pensou Souta em silêncio.

    Até mesmo os outros seres da Cidade Ondas Ligadas provavelmente sentiram a perturbação na Casa Rulman. Nada dessa magnitude poderia passar despercebido. Apesar da tentativa da matriz de amortecer os tremores secundários, diante de especialistas de alto nível, foi inútil, pois os sentiriam.

    Souta ergueu uma sobrancelha.

    “Hum?”

    Um sorriso curvou seus lábios.

    “Acabou.”

    Acima da residência dos Rulman, o ar estava extremamente frio, com geada se formando em redemoinhos ao redor do campo de batalha.

    Freida pairava no céu, seu olhar firme. Em uma das mãos, segurava o Ancião Reklor, completamente congelado. Ao seu redor, outros flutuavam, traidores da Casa Rulman, todos envoltos em gelo.

    Ela havia executado todos.

    “Se essa batalha tivesse durado mais um pouco…” Freida murmurou, olhando para os cadáveres suspensos e congelados.

    A matriz abaixo deles quase ruiu sob a força do choque. Se ela não tivesse agido com decisão, teria desmoronado. O poder deles teria obliterado a Casa Rulman, espalhando destruição pelos territórios vizinhos.

    Ela acenou com a mão, e os corpos congelados se estilhaçaram em inúmeros fragmentos cristalinos, espalhando-se como cacos ao vento.

    “A família Rulman sofreu grandes perdas”, disse ela friamente.

    Seus inimigos eram muitos, rondando como lobos famintos, à espera de uma fraqueza. A família não podia se dar ao luxo de demonstrar sequer um indício de vulnerabilidade após tanta turbulência.

    “Está tudo resolvido!” A voz de Freida ressoou, autoritária e categórica para então concluir: “Os traidores da nossa família estão mortos! Vamos iniciar uma investigação minuciosa para descobrir quaisquer outros. E quando eu os encontrar… vou garantir que desapareçam deste mundo!”

    Suas palavras reverberaram por toda a casa, ecoando como um decreto imperial. Todos ouviram, todas as mentes compreenderam: a deslealdade não seria tolerada.

    Após fazer sua proclamação, o olhar de Freida percorreu as terras abaixo. Inúmeros edifícios e estruturas haviam sido reduzidos a escombros; tudo teria que ser reconstruído.

    Ela desceu ao chão, onde vários anciãos apareceram diante dela.

    “Matriarca!!” Gritaram em uníssono.

    Freida os observou em silêncio por um momento. Ela ainda não sabia se havia outros traidores, mas sabia que eles haviam se oposto ao grupo do Ancião Reklor.

    “Dihra conseguiu escapar… junto com alguns outros”, disse ela.

    Os anciãos se enrijeceram. Eles não esperavam que Dihra escapasse de suas mãos.

    “Vamos”, disse Freida, sem dar mais explicações, e caminhou em direção ao prédio principal que havia sobrevivido à destruição.

    Sua mente reproduzia os eventos em detalhes precisos.

    Ela havia isolado toda a Casa Rulman com a matriz, impedindo que qualquer um saísse. Sua intenção era clara: matar Dihra. Mas o Ancião Reklor e alguns anciãos traidores se colocaram em seu caminho. Ela conseguiu passar por eles, mas não havia previsto que Dihra possuía um artefato capaz de perfurar a matriz.

    Por meio dessa brecha, os traidores abriram uma rota de fuga. Normalmente, isso não teria representado um obstáculo sério, já que seu poder por si só facilitaria os alcançar. Mas então surgiu uma complicação inesperada: o Ancião Reklor e vários outros anciãos traidores a atacaram com desespero imprudente, tentando matá-la.

    Em meio à batalha, ela desferiu um golpe devastador, afastando os anciãos traidores por um instante. Essa breve abertura deveria ter lhe permitido atacar Dihra também, pondo fim à luta.

    E, no entanto… algo interceptou seu ataque. Uma força misteriosa colidiu com seu poder. Freida não foi parada por ela, mas ganhou tempo o suficiente para salvar a vida de Dihra.

    Foi por isso que Dihra escapou de suas garras.

    E, quando Freida se preparava para atacar novamente, os anciãos traidores já haviam se recuperado e a atacaram por todos os lados.

    ‘Alguém salvou Dihra de fora…’, pensou Freida, calculando tudo com a mente. Talvez suas ações estejam sendo guiadas por uma mão desconhecida.

    Ela entrou no prédio principal, seguida pelos anciãos leais restantes.

    O estado da Casa Rulman era deplorável. Quase um quarto de seus membros havia desertado, um golpe devastador para a força de trabalho. A própria matriz havia sido severamente danificada, e repará-la exigiria um esforço imenso.

    Na Terra da Luz de Fogo…

    Uma colossal tempestade de douion agitava-se nas nuvens, girando violentamente como um vórtice vivo. Em seu centro, Souta pairava, escuridão e luz colidindo ao seu redor, distorcendo o ar a cada pulso de sua energia.

    –Argh!!

    Uma dor lancinante o dilacerava. Cada nervo, cada fibra do seu corpo gritava de agonia. Sua consciência interior tremia violentamente enquanto milhares de filamentos de energia irrompiam dela, perfurando-o para fora e dilacerando seu corpo por dentro.

    –AHHHH!!

    Seu mundo dos sonhos desceu, engolindo o espaço ao seu redor.

    O fragmento da Semente da Origem havia penetrado sua consciência interior, despertando algo profundo, algo primordial.

    ‘Não sei o que está prestes a acontecer… mas deve me beneficiar’, pensou Souta, rangendo os dentes.

    A dor ultrapassava todos os limites do corpo físico. Ele sentia como se a inconsciência estivesse a um passo de distância, mas forçou-se a concentrar-se, perseverando apesar do tormento.

    –Boom!!

    O ar tremia com intensas ondas de energia.

    Embora ainda estivesse imerso no mundo dos sonhos, a energia violenta de Souta irrompeu na realidade.

    O povo do Reino Eterno olhou para cima com espanto e medo. Nuvens escuras se agitavam sobre eles; trovões sacudiam a terra e relâmpagos vermelhos como sangue iluminavam o céu em rajadas irregulares.

    Tudo ali prenunciava uma calamidade.

    Tasman, Rei do Reino Eterno, olhou para cima. Ele sabia que Souta pairava no céu, mas não conseguia compreender o propósito da tempestade ou a imensidão do poder em ação.

    Ele precisava acalmar seu povo, que sussurrava em terror, temendo que outra catástrofe atingisse sua nação.

    –Boom!!

    A energia da tempestade continuava a oscilar violentamente, num ritmo caótico de destruição, como se a própria realidade tremesse sob a presença de Souta.

    –ARGHHHHH!!

    Souta rugiu, sua voz ecoando pela terra como um trovão.

    O mundo dos sonhos desmoronou num instante. As nuvens escuras sobre o Reino Eterno foram varridas, despedaçadas pela força de sua libertação.

    Ele estava parado no centro, respirando com dificuldade, olhando fixamente para o céu agora calmo. A agonia que percorria seu corpo começara a diminuir.

    “Ufa… ufa…”

    Os olhos de Souta percorreram o próprio corpo, examinando e buscando qualquer mudança.

    O fragmento fundiu-se com sua consciência interior, unindo-se ao núcleo que produzia seu douion. Uma camada de energia formou-se ao seu redor, dois elementos girando como um yin e yang perfeitos, e no centro, uma pequena e delicada planta pulsava com vida.

    Essa era a fonte de seu douion.

    “Está mais forte… Alcancei o próximo nível: [Douion IV].” Ele esfregou o queixo pensativamente e murmurou: “É bom, mas… tem algo mais. Alguma mudança que não consigo detectar…”

    Era estranho. No instante em que o fragmento entrou em sua mente, ele sentiu uma dor excruciante enquanto seu douion se transformava. Contudo, instintivamente, ele sabia que aquilo era apenas parte do efeito. Algo mais profundo estava em ação, algo que ele não conseguia perceber.

    “Recuperei-me completamente… mas ainda há algo que não consigo compreender.”

    Uma fraca sensação de desconforto o invadiu. Ele não conseguia descrevê-la, mas tinha certeza de que vinha do fragmento.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (5 votos)

    Nota