Dren tentou respirar, mas a dor apertou seu peito e ele rolou pela areia.

    O rugido da multidão ainda cobria os sons da arena.

    Quando conseguiu erguer o rosto, viu Grimmehack com os dois braços erguidos.

    E o mostrador marcava:

    0.

    “Senhoras e senhores.”

    “A cruz negra chega ao fim.”

    “Grimmehack, o último de pé!”

    “Os sete Breakers falharam!”

    “E agora, vocês decidem se vão continuar respirando ou se a arena os devora!”

    ” Perdoem ou condenem. Que a justiça seja feita!”

    A plateia gritou.

    Massacre!

    Massacre!

    Massacre!

    As vozes se juntaram em um só grito.

    Dren virou o rosto para a plateia.

    Os olhos de Breaker 27 estavam abertos, mas ela permanecia imóvel no chão.

    Os demais eram arrastados um a um para o centro da arena.

    “O público já escolheu.”

    “Não haverá perdão!”

    Um carcereiro agarrou Dren pelos cabelos e o arrastou até o centro da arena. Dren se contorcia e tentava segurar o carcereiro com uma mão, enquanto o braço quebrado batia na areia.

    Grimmehack caminhava em direção à saída, onde um carcereiro já o esperava. Ao deixar a arena, apoiou as costas na parede do corredor, voltou a olhar para onde os Breakers eram arrastados e limpou o suor que escorria pela testa.

    — Porra, eu não vou cair. Não ainda.

    Dren foi colocado de joelhos na fila, ao lado de Breaker 14.

    Outro carcereiro apontava um machado para ele.

    — Não se mexa. Olhe para frente, coloque as mãos para trás e espere sua vez de morrer.

    Breaker 03 foi jogado ao seu lado enquanto Breaker 27 era puxada pela perna até a última posição.

    Breaker 05, Breaker 19, Breaker 08, Breaker 14, Breaker 41, Breaker 03 e Breaker 27 estavam enfileirados nessa ordem.

    Dren olhou para a saída por onde havia entrado.

    As grades estavam entreabertas.

    Ele mexeu os dedos atrás das costas e sussurrou para Breaker 03.

    — Ainda não acabou. Consigo invocar a arma mais uma vez.

    — Olha. Dá para passar por ali.

    — 03? Merda, responde.

    Dren virou o rosto.

    Os braços de Breaker 03 tremiam. Os olhos estavam fixos na areia e ele sussurrava repetidamente o mesmo nome.

    — Reya, Reya, Reya, Reya, Reya, Reya…

    O corpo de Breaker 27 oscilava de um lado para outro, tentando permanecer de joelhos.

    O cabo do machado acertou a lateral da cabeça de Dren.

    — Se se mexer de novo, corto sua cabeça aqui mesmo, 41.

    Dois carrascos tiraram Breaker 05 da fila e o arrastaram para a frente dos outros, onde todos pudessem ver.

    — Esperem, esperem um pouco, esperem.

    Ele permaneceu ajoelhado enquanto seus braços eram esticados pelos carrascos.

    A lâmina penetrou seu pescoço e cortou até a metade, o segundo golpe lançou sua cabeça para frente.

    A multidão gritou por mais e o corpo foi arrastado para o lado.

    Breaker 19 foi arrastado sem resistência. Parecia já ter desistido.

    A execução foi rápida. A lâmina separou a cabeça do corpo e a lançou pela areia.

    “Senhores, mais uma cabeça saiu rolando.”

    “Próximo!”

    Antes que tocassem em Breaker 08, ele se ergueu e correu cambaleando na direção do carrasco à sua frente.

    O braço restante tremeu e a arma surgiu.

    Mas antes que pudesse erguer a lâmina, seu corpo foi cortado ao meio, uma das suas metades demorando mais a cair do que a outra.

    A cada cabeça que caía, Breaker 03 tremia ainda mais.

    Breaker 27 permanecia imóvel, com os olhos fixos nos carrascos.

    O sangue escorria de Breaker 14 desde a luta contra as feras, desde então ele jamais havia despertado.

    Quando os carrascos tocaram nele, o corpo caiu para o lado.

    Já estava morto.

    Não se deram ao trabalho de arrastá-lo e a lâmina separou sua cabeça onde ele estava.

    O sangue respingou no rosto de Dren.

    “A arena ainda não está satisfeita!”

    “Quatro cabeças rolaram.”

    “Senhores, restam três!”

    Dren encarou o carrasco que caminhava na sua direção.

    Enquanto as execuções aconteciam, Major Rennick caminhou até Boca Branca.

    — Quero comprar alguns nominados. E quero aquele que acabou de sair da arena. Pago um preço justo.

    Ela cruzou os braços.

    — Entendo, major, mas prefiro manter minhas propriedades. A audiência e as apostas têm caído. Não posso fornecer nominados agora.

    Fez uma pausa.

    — Seu pai é um grande amigo da minha família.

    Tharion observou a expressão de Rennick mudar.

    — Pare a execução. Compro quem está na arena.

    Boca Branca deu um passo para o lado.

    — A plateia já exigiu sangue. Parar isso está além de mim.

    Na arena, a cabeça de Breaker 14 rolou pela areia.

    Rennick voltou a se sentar.

    — Acha que essa casa de espetáculos ruins sobrevive sem minha influência?

    Boca Branca continuou olhando para a arena.

    — Fique com seus nominados, mas vai me negar os Breakers?

    Ele apontou para Dren, Breaker 03 e Breaker 27.

    — Citou meu pai para manter sua propriedade. Quando eu o encontrar, também citarei que me negaram escravos inúteis.

    Rennick chamou o serviçal e pegou outra taça.

    — A República planeja reajustar a arrecadação de impostos, vamos ver se até lá ainda terá apoio.

    Ele olhou de volta para ela.

    — Eu pago o valor de um pelos três. E quero eles vivos.

    Boca Branca abaixou o rosto e estendeu a mão para Rennick.

    — Como desejar.

    Enquanto o carrasco caminhava em sua direção, Dren sussurrou uma última vez para Breaker 03.

    — Já lutei contra essas armaduras. As lâminas não vão atravessar, mas as articulações ficam vulneráveis. Olha!

    Dren virou rápido o rosto na direção dele.

    Breaker 03 olhava para cima, com lágrimas escorrendo pelo rosto.

    — Esse desgraçado desistiu?

    Um carrasco agarrou o braço quebrado de Dren e começou a arrastá-lo até a posição de execução.

    Outro estalo ecoou quando o braço foi esticado.

    Dren cerrou os dentes.

    Dois carrascos o seguravam, um em cada braço. Abaixo dos ombros, as armaduras tinham pequenas aberturas.

    A grade continuava entreaberta.

    Atrás de Dren, a sombra de um machado subia devagar.

    Antes que a lâmina descesse, um grito atravessou a arena.

    — REND BLADE: CAPRICÓRNIUS!

    A espada surgiu na mão de Dren e perfurou a abertura abaixo do ombro de um dos carrascos, que soltou seu braço.

    O outro ainda segurava o braço quebrado.

    Dren torceu o braço quebrado. O osso estalou de novo. Com a outra mão, ergueu Capricórnius na direção do pescoço do carrasco que ainda o prendia.

    O homem soltou Dren e deu um passo para trás.

    A lâmina riscou a armadura do peito do carrasco. Dren e ele caíram e rolaram pela areia.

    O carrasco atrás de Dren atacou com o machado. A arma abriu um buraco no chão. Quando ergueu o rosto, Dren já corria em direção à grade entreaberta.

    Outro carrasco entrou na frente empunhando uma clava.

    Dren saltou com uma das espadas erguida.

    A sombra de um elmo com chifres cresceu atrás dele.

    Capricórnius atingiu a clava, o impacto afundou os pés do carrasco na areia fazendo-o cambalear para o lado.

    Dren passou por ele e continuou avançando para a grade.

    Nesse momento, dezenas de carrascos ergueram as armas na direção de Dren.

    Rend Guns.

    Grimmehack observava pelas grades.

    A multidão parou de gritar.

    Os disparos ecoaram pela arena.

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