Capítulo 170: Arremessar e Pegar
O Rei Zinger Empíreo impulsionou-se com vigor total, levantando voo sob a carga massiva de Bombas de Prana. Ao atingir a altitude máxima, desfraldou as asas e planou.
Era escoltado por vinte Batedores Zinger Empíreos, todos carregando as respectivas cargas. Como esses batedores foram criados por Inala, compartilhavam a Natureza Secundária de Gravidade Inercial Interna, permitindo-lhes carregar tal peso e planar com velocidade.
Essas bombas continham o Prana acumulado noite após noite a partir dos Lagartos Vacilantes; tratava-se do excedente da reserva. Cada unidade armazenava 100 de Prana.
O destino era a Cidade Ellora. Afinal, Inala não podia mais caçar livremente, sob o risco de expor sua identidade. Por isso, precisava ser discreto na acumulação das Bombas de Prana.
Tais recursos eram vitais para a Pequena Gannala, pois seria impossível saciar seu apetite voraz de outra forma. Ela consumia tantas bombas que o número de Lagartos Vacilantes atacando as cidades declinava lenta, porém constantemente.
Ninguém notava a redução ainda, mas, em alguns anos, a diferença seria óbvia para qualquer um. Os Zingers Empíreos caçavam os lagartos tanto para estocar Bombas de Prana quanto para permitir que a Rainha Zinger Empírea gerasse mais de sua espécie por meio das Bombas Vitais.
Após uma hora de viagem, o Rei Zinger Empíreo alcançou um ponto a três quilômetros das muralhas da Cidade Ellora, um local isolado e com boa vantagem de altitude.
Assim que chegaram, os Batedores formaram um perímetro e caçaram os Lagartos Vacilantes nas imediações. Enquanto isso, o Rei reuniu todas as Bombas de Prana.
Posicionou-se na plataforma elevada e aguardou, emitindo uma série de guinchos agudos numa frequência inaudível ao ouvido humano. Segundos depois, uma resposta chegou na mesma frequência.
O Rei Zinger Empíreo ajustou a postura, voltando-se na direção da Cidade Ellora. Agarrou uma Bomba de Prana e assumiu posição de arremesso: calmo, contido e focado no alvo.
— Skeree! — Com um grito, arremessou a Bomba de Prana com força total. O projétil descreveu um arco no ar, avançando em velocidade vertiginosa e adentrando o espaço aéreo da Cidade Ellora.
No terraço do Teatro, Inala preparava-se para o impacto ao ouvir o sinal. Quatro Mãos de Prana flutuavam ao seu redor, controladas por psicocinese.
Arte Mística Óssea — Marionetismo!
Atualmente, o alcance ideal de sua Arma Espiritual era de cem metros, definindo a zona alvo ao seu redor.
A Bomba de Prana zuniu ao aproximar-se. Uma Mão de Prana disparou para interceptá-la e recuou dezenas de metros até dissipar o ímpeto do projétil.
Após a captura, a Mão Vital posicionou-se diante do cano aberto e depositou a bomba em seu interior.
A Bomba de Prana rolou pela rede de túneis, guiada pelos Batedores Zinger Empíreos posicionados no local, até ser empurrada para uma sala de armazenamento nas profundezas do subsolo, onde repousou sobre uma pilha de outras bombas.
Era a reserva que Inala acumulara constantemente nos últimos três anos, preparando-se para qualquer eventualidade. O conhecimento desse estoque levou a Pequena Gannala a afirmar que ele poderia caçar a Rocatriz.
Assim que a Mão de Prana liberou a carga na tubulação, outra bomba voou em direção ao Teatro, ligeiramente desviada. Ainda assim, estava dentro do alcance; Inala enviou sua segunda Mão de Prana para agarrá-la.
Logo, suas quatro mãos auxiliares operavam incessantemente, agarrando os projéteis continuamente. Nesse meio tempo, Inala assumiu a forma feminina e criou uma Bomba Vital, sacrificando uma década de sua longevidade no processo, já que era uma variante capaz de gerar uma rainha.
Carregando-a no Zinger de Sumatra, disparou na direção geral do Rei Zinger Empíreo, tomando cuidado para evitar fogo amigo.
A Bomba Vital atingiu um Lagarto Vacilante, pulverizando-o e absorvendo toda a sua Força Vital. Ao notar a remessa, um Batedor aproximou-se e golpeou a bomba com um galho, lançando-a pelos ares como uma bola de golfe, direto na cara de outro lagarto.
Assim que a Força Vital foi absorvida, o Batedor continuou a rebater o projétil para que pousasse sobre os corpos dos lagartos, até a bomba transbordar de Força Vital, incapaz de absorver mais.
Com a capacidade esgotada, o Batedor apresentou a Bomba Vital ao Rei, que a devolveu para Inala.
Uma hora depois, Inala ordenou um breve descanso, imaginando que o braço do Rei Zinger Empíreo devia estar em agonia. Comandou que ele bebesse a Força Vital da Bomba de Prana que haviam acabado de começar a encher.
Enquanto o Rei se recuperava, Inala verificou se a Pequena Gannala dormia. Ao vê-la bem acordada, rabiscando numa tabuleta de madeira, repreendeu-a:
— Vá dormir!
— Papai! — A Pequena Gannala saltou alegre para seu abraço. Ao tocá-lo, leu suas memórias e, percebendo o plano, pediu: — Posso ir ver também?
— Não! — Inala retrucou, rabugento.
— Por favor, não serei um estorvo — implorou ela. — Ficarei quietinha, só assistindo. Não consigo dormir mesmo.
— Está bem. — Inala a carregou, saltando entre os andares do Teatro até o terraço. — Mas, se me atrapalhar um milímetro sequer, jamais a trarei aqui novamente.
— Prometo! — disse a pequena, levando o dedo à boca em sinal de obediência.
Um minuto depois, Inala retomou o processo. A cada dez minutos, uma Bomba Vital retornava. Ele perfurava uma e bebia o conteúdo ocasionalmente, preservando sua aparência de 27 anos.
Embora tivesse 17 anos na realidade, fingia ser um adulto dez anos mais velho para interagir livremente. Enquanto apanhava as Bombas de Prana e as ocasionais Bombas Vitais, dez Batedores alcançaram um trecho de floresta repleto de detritos vegetais. Havia uma camada de vinte centímetros de húmus no solo, formada por anos de decomposição de folhas, grama e árvores.
Os Batedores recolheram fragmentos de cascas de suas Bombas de Prana e ativaram a Arte Mística Óssea para refiná-las, moldando pás. Começaram a cavar o solo rico em nutrientes, empilhando-o num canto.
Após cavarem o suficiente, um Batedor moldou um recipiente similar a uma Bomba de Prana e o encheu com essa terra, selando a entrada em seguida. Pararam após trinta unidades, julgando ser suficiente para a noite, e as transportaram para o Rei Zinger Empíreo, que as arremessou em direção a Inala.
O processo foi concluído duas horas antes do amanhecer, quando os Zingers Empíreos partiram para o assentamento da Tribo Galo em busca de descanso.
Inala terminou de coletar uma grande reserva, com um sorriso de satisfação. Como não existiam inimigos voadores em Sumatra, nenhum soldado ou cidadão costumava vigiar os céus. Os soldados estavam ocupados defendendo as muralhas contra os Lagartos Vacilantes.
Assim, a operação de tal magnitude ocorrida entre um humano e uma Besta Prânica permaneceu oculta. Era um segredo exclusivo de Inala.

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