Capítulo 171: Precursor de uma Crise Menor
O amanhecer já despontava quando Inala voltou para casa e desabou na cama para descansar. Estivera constantemente ocupado com inúmeras tarefas, muitas vezes a ponto de sacrificar o próprio sono.
“Eu só quero cultivar e vagar por Sumatra em paz”, pensou, fechando os olhos e adormecendo imediatamente. Para seu azar, um Batedor Zinger Empíreo em sua forma miniatura surgiu ao lado da cama, emergindo de uma entrada de túnel próxima.
A criatura abriu a boca e soltou um guincho curto. Os olhos de Inala se abriram de supetão, levemente avermelhados.
— É verdade?
— Keek! — respondeu o Batedor Zinger Empíreo, recuando para o túnel e fechando a entrada atrás de si.
Inala sentou-se ereto, franzindo a testa em reflexão.
“Algo está prestes a acontecer.”
Os Batedores Zinger Empíreos haviam sido despachados por toda a Cidade Ellora, posicionados em locais aglomerados onde as pessoas evitavam o uso de Prana. Era o melhor lugar para permanecer escondido enquanto se espionava os arredores.
Após a provação da noite anterior, ele enviara centenas deles para fora, mantendo-os empoleirados nas árvores em suas formas em miniatura. Era uma medida de contingência.
Caso Gudora, o Senhor da Cidade Ellora, descobrisse sua identidade e decidisse eliminá-lo, esses Zingers Empíreos infestariam a cidade. Como eram todos Bestas Prânicas de Grau Prata, a cidade entraria em estado de alerta total.
Isso obrigaria Gudora a focar primeiro em conter a crise. Ele poderia recorrer a prender Inala após quebrar-lhe os membros para impedi-lo de escapar.
Contanto que isso acontecesse, Inala sobreviveria. Ele poderia facilmente se recuperar de tal ferimento e aguardar o resgate de Asaeya.
Além disso, esses batedores dispersos também serviriam como sua rede de informações, lançando uma ampla teia sobre a região. Ele acabara de retornar após estabelecer essa rede quando uma notícia preocupante veio à tona.
O nível da água do rio que fluía através do Reino Ganrimb baixava constantemente. Já havia diminuído alguns metros durante a noite e o ritmo apenas acelerava.
Isso por si só já era motivo de preocupação, conforme relatado por pessoas que saíram da cidade ao amanhecer para viajar. Os Batedores Zinger Empíreos seguiram alguns indivíduos bem informados, filhos e filhas dos poderosos da cidade.
Através das informações obtidas com eles, Inala percebeu que aquele não era um evento comum. E a reunião para a qual fora convidado estava relacionada a isso.
“É uma Crise Menor para o Reino Ganrimb?”, Inala pensou. Ao chegar a essa conclusão, perdeu o sono. Uma Crise Menor era perigosa demais para ser subestimada.
Ele só sobrevivera à Primeira Crise Menor graças à sua localização. Como resultado, seu assentamento perdera metade da população. E aquele não era um grupo normal de pessoas, mas Membros do Clã Mamute, vinte mil deles.
Além disso, estavam situados no topo de uma Presa Empírea, lutando em condições favoráveis. Ademais, assim que a 44ª Presa Empírea se afastou o suficiente do ninho da Víbora de Lama, a Primeira Crise Menor terminou prematuramente.
Isso ocorreu porque as Víboras de Lama detestavam se afastar de seu habitat.
Mas as coisas seriam diferentes em terreno plano. O grupo invasor chegaria com força total e não se dispersaria até que o último alvo estivesse morto.
A força das pessoas ali era imensamente inferior à do Clã Mamute. Além do mais, havia gente demais.
O poderio do Clã Mamute no 44º Assentamento estava concentrado nos mais de quarenta mil Membros do Clã. Todos podiam lutar, inclusive os estudantes, já que eram treinados principalmente para isso.
O Reino Ganrimb, porém, não era assim. Havia muitas pessoas pertencentes a profissões não combatentes. Portanto, quando o desastre atacasse, os combatentes estariam dispersos por todo o vasto Reino, excessivamente dispersos ao tentar proteger uma população majoritariamente indefesa.
Como resultado, algo no nível de uma Crise Menor seria dez vezes mais perigoso ali. Por isso, Inala ficou inquieto.
“Por que agora? Dois anos depois, minhas preparações estariam perfeitamente completas. Eu teria partido logo em seguida.”
Levantou-se, vestiu-se de forma extravagante, pendurou sua Lanterna de Armazenamento no quadril e saiu da Cidade Ellora pelos portões frontais. Assim que estava longe da vista de todos, trocou pelas suas roupas do Clã Mamute, confortáveis para se mover e lutar.
Armado com suas duas Mãos de Prana e duas Mãos Vitais, Inala correu na direção do rio. Alguns dos Batedores Zinger Empíreos nas proximidades pousaram em sua cabeça, escondendo-se entre os cabelos.
Ele acessou as memórias deles e compreendeu melhor a situação. Chegou ao rio e, de fato, pôde notar a queda no nível da água. Mas isso não era tudo. Conseguia ver alguns Lagartos Vacilantes nadando nas profundezas, agitados por algum motivo.
Ele observou a reação deles enquanto sua expressão se tornava solene.
“Estão com medo. Que tipo de inimigo causaria uma reação tão forte neles?”
— Kieek! — Ele ouviu um som repentino e correu na direção correspondente, parando diante de um cacto enorme. Havia um buraco minúsculo nele, criado por um Batedor Zinger Empíreo três anos atrás.
Os batedores entravam por ali e espiavam a Tribo Molusco que vivia lá dentro. Em intervalos regulares de uma semana, um dos batedores saía e transmitia a informação para o Rei Zinger Empíreo, que se dirigia à Cidade Ellora.
O Rei Zinger Empíreo então informava Inala através de uma Tabuleta Óssea, arremessando-a nele como fazia com as Bombas de Prana.
Mas agora, o batedor trazia notícias perturbadoras.
Ao aumentar seu peso corporal através de sua Natureza Secundária de Gravidade Inercial Interna, Inala chutou o cacto e escancarou a entrada, sentindo imediatamente um fedor espesso de sangue. Correu escada abaixo e chegou à grande cúpula.
— Mas que… porra é essa?
Todos os membros da Tribo Molusco jaziam no chão, cadáveres em seus estados transformados. Suas transformações pareciam ter sido ativadas por longos períodos, tornando suas mutações instáveis, levando à falência múltipla de órgãos.
Somado a isso, seus corpos haviam colidido forçosamente uns com os outros, num método semelhante ao controle de Armas Espirituais. Era evidente que o Caracol Carniceiro tomara medidas para se livrar de sua Tribo Devastada.
Inala olhou para baixo, fitando o Caracol Carniceiro, que gradualmente deslocava seu corpo maciço para dentro da cúpula. Originalmente, metade de seu corpo ficava exposta no rio. Mas agora, ele planejava entrincheirar-se na cúpula, secretando um muco que, ao se misturar com seu Musgo de Concha, criava uma armadura de quitina para vedar o buraco.
Inala observou o Caracol Carniceiro, notando que, protegidos dentro de seu corpo, estavam dois Membros da Tribo Molusco: um rapaz e uma moça, mal saídos da adolescência pelos padrões deste mundo. Eles estavam sob a proteção do Caracol Carniceiro.
Afinal, a transformação deles como Membros da Tribo Molusco era a mais avançada na Tribo. Por isso, o Caracol Carniceiro priorizou proteger apenas os dois, com a intenção de que, enquanto estivessem vivos, ele poderia repovoar a Tribo. Seriam superiores à atual Tribo Molusco.
A criatura empanturrava-se com o máximo possível do leito do rio, preparando-se para hibernar por um longo tempo. O fato de até mesmo uma Besta Prânica de Grau Prata Avançado estar tomando medidas tão drásticas para se esconder só poderia significar que o perigo que se aproximava era, de fato, aterrorizante.

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