Capítulo 174: Você é um Membro do Clã Mamute
Na noite anterior, assim que Gudora e Hanya chegaram à Mansão do Senhor da Cidade, uma investigação foi iniciada por insistência de Hanya.
Em questão de horas, entregaram um longo pergaminho a Gudora. O documento continha o histórico de compras de Inala, abrangendo não apenas ele, mas toda e qualquer pessoa relacionada a ele.
Ao examiná-lo, Gudora surpreendeu-se:
— Por que um dono de Teatro precisa de tudo isso?
Remédios, Elixires, Técnicas de Cultivo, vastos volumes de comida e, acima de tudo, contratações frequentes de cartógrafos e exploradores. Praticamente todo e qualquer mapa disponível no mercado, fosse legítimo ou falso, fora adquirido por Inala através de diversos canais.
Ele também subornou oficiais do alto escalão com grandes somas de dinheiro e recursos valiosos para comprar quaisquer mapas em posse deles. Isso começou há cerca de trinta meses, e a escala da atividade aumentava mensalmente.
A situação tornou-se crítica no último mês, quando Inala encontrou o Conselheiro da Cidade de Ellora em sua residência, no que parecia ser uma reunião informal. Estranhamente, porém, o filho inapto do Conselheiro tornou-se um gênio da noite para o dia.
De repente, ele parecia demonstrar uma série de Habilidades para se destacar em qualquer situação. O Conselheiro da Cidade fez o possível para esconder o fato e fazer seu filho revelar seus talentos gradualmente. Mas Gudora mantinha um controle de ferro sobre a rede de informações da cidade, aprimorando-a geração após geração.
Ele possuía infiltrados nas casas de cada nobre. E, através deles, obteve essa informação, murmurando ao compreender a gravidade:
— Seja quem for esse sujeito, ele não é nada simples.
— Ele tem grandes ambições. E suas ações sugerem que ele está preparando um exército.
— Por isso não consegui confiar nele — comentou Hanya. — Externamente, ele parecia perfeito demais. E qualquer passado que ele tenha é praticamente forjado. Não há evidências para sustentá-lo, mas, por alguma razão, todas as instituições relacionadas afirmam que seu histórico é válido. Isso só é possível mediante suborno pesado.
— Hah, eu não queria suspeitar dele — Gudora suspirou. — Não tenho nenhuma prova. Além disso, ele é poderoso demais. Muitas pessoas o adoram como se fosse um herói.
— Ele sozinho reverteu a situação e trouxe prosperidade para a vida de milhares — analisou Hanya. — No momento em que tomarmos qualquer ação legal, essas pessoas sairiam em sua defesa e até dariam a vida pela causa dele. Afinal, até hoje, ele só fez o bem por elas.
— Esse é o problema — Gudora franziu a testa. — Não há uma única mancha em seus registros. Não temos justificativa para torná-lo um inimigo. Se eu fizer isso, até o Conselheiro da Cidade agirá contra mim. Inala é a única razão pela qual seu filho inútil se tornou um gênio com um futuro brilhante.
— Se não houver uma razão, nós criaremos uma — disse Hanya, com o olhar gélido. — Ele é um sujeito esperto. Contanto que revelemos a mínima inclinação para prejudicar sua preciosa filha, ele perceberá e retaliará. Mas, aos olhos dos outros, não teremos feito nada.
— Será que isso é o certo a se fazer? — declarou Gudora, preocupado.
— Não temos outra escolha — murmurou Hanya. — A água do nosso rio está se esgotando a uma taxa dezenas de vezes superior aos nossos registros. O que enfrentamos será um desastre diferente de qualquer outro no passado. Com base na previsão anterior de nossos estudiosos, o desastre iminente não deveria ser tão perigoso. Mas, nos últimos três anos, houve uma aceleração na atividade. E essa data coincide perfeitamente com a chegada de Inala.
— Temo que tenha sido ele quem acelerou o desastre para um nível de perigo sem precedentes.
— Além disso, não há registros de que ele tenha usado as grandes quantidades de comida e remédios que comprou — disse Hanya. — E se ele for um Membro de Tribo agindo sob as ordens dos Centingers*? Já confirmamos se ele é um Humano Livre?
— Ele não está sempre se misturando com cultivadores no Estágio Vital? Já teríamos notado a essa altura se ele usasse seu Prana… — Gudora interrompeu-se, murmurando ao compreender: — Ele nunca usou o Prana na nossa frente.
— Ninguém sabe do que é feito o Avatar Humano dele.
— Também não há garantia de que ele tenha um — disse Hanya, com expressão solene. A dupla discutiu durante toda a noite e, assim que o amanhecer se aproximou, um de seus soldados informou que Inala estava deixando a cidade.
— Vamos — disse Hanya. — Se ele for um Membro de Tribo, a filha dele também será. Ela é parecida demais com ele para não ser sua filha.
Meia hora depois, uma carruagem luxuosa parou diante da casa de Inala. Gudora e Hanya desceram, observando os servos abrirem a porta enquanto entravam na sala de estar.
Gudora liberou um vestígio de Prana e observou os servos, sussurrando:
— Eles são todos Humanos Livres.
Um minuto depois, Asaeya correu para a sala de estar, curvando-se em desculpas:
— Por favor, sentem-se. Peço desculpas por não cumprimentá-los antes.
— Por mim, tudo bem — Gudora disse e sorriu educadamente. — Eu tinha algo urgente para discutir com o Mestre Inala. Por isso, tive de vir sem avisar. Por favor, perdoe-me.
— Não, não, o senhor não precisa se desculpar, Senhor da Cidade — Asaeya acenou com as mãos apressadamente. — Não tenho certeza de quando meu marido voltará. Ele saiu da cidade.
— Oh, ele foi sozinho? — Gudora expressou surpresa. — Ele não está apenas no Estágio Corporal? Você não se preocupa que algo aconteça com ele?
— Só existem Lagartos Vacilantes lá fora. E eles não emergem durante o dia — Asaeya não pareceu se importar com a pergunta. — Então, não há problema em passear lá fora.
— Eu me pergunto… — Gudora deixou a frase no ar. Ao seu sinal, Hanya levantou-se e entrou no quarto próximo, encarando a figura da pequena Gannala dormindo ao lado de Erwahllu.
— Oh, deixe-me mostrar a casa… — Asaeya levantou-se, mascarando sua preocupação enquanto fingia guiar Hanya. Ela discutia e brigava com a pequena Gannala o tempo todo. Mas, no fim das contas, ela era um Membro do Clã Mamute e a pequena Gannala, uma Presa Empírea.
A principal preocupação de um Membro do Clã Mamute era sempre uma Presa Empírea, especialmente contra uma parte externa como Hanya. Asaeya sentiu que algo estava errado e, portanto, tencionou intervir, não querendo permitir que Hanya entrasse em contato com a pequena Gannala.
— Está tudo bem… — Dizendo isso, o vulto de Hanya brilhou ao desviar de Asaeya e agarrar a pequena Gannala, para infiltrar Prana nela e observar se era ou não uma Humana Livre. Mas, um momento depois, ela ficou atordoada, exclamando:
— Ela não sai do lugar.
Sua voz foi suave, mas Gudora ouviu. Se até Hanya se sentia perplexa, então a pequena Gannala devia pesar além do que um humano deveria. Ele avançou a mão rapidamente e agarrou Asaeya pelo pulso, falando secamente enquanto exercia pressão:
— Sente-se.
— O-O que está acontecendo? — Asaeya demonstrou nervosismo externamente, mas internamente, estava pronta para liberar seu ataque mais forte.
Crack!
Sua intenção de atacar foi interrompida por um estalo seco. Quando Gudora agarrou o pulso dela, o aperto danificou a pulseira dela, fazendo com que uma das protuberâncias se quebrasse e revelasse uma Bomba de Prana em miniatura no interior.
Gudora disparou um fio de Prana em direção a Asaeya. A energia mal perfurou a pele antes que a expressão dele se tornasse grave:
— Você…
— Você é um Membro do Clã Mamute!

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