Índice de Capítulo

    No instante em que Hanya entrou na sala, Erwahllu paralisou. Imediatamente, memórias do passado lampejaram em sua mente. Recordou-se dos rostos de seu filho e nora, mortos por soldados sob o comando de Hanya.

    Ao ver a invasora agarrar a pequena Gannala, Erwahllu ferveu de ódio. Após a morte do filho, ela apenas vivera como um cadáver, aguardando o dia de seu fim.

    Porém, nos últimos dois anos e meio, desfrutou de uma vida agradável observando o crescimento da neta. Lembrou-se do dia em que a pequena Gannala completou dois anos e, de repente, começou a falar sem parar, demonstrando uma inteligência muito superior à sua idade.

    Inala. — Erwahllu abordou-o mais tarde naquela noite, assim que a pequena Gannala e Asaeya adormeceram.

    Sentado na sala de estar, Inala estudava um mapa recém-adquirido. Ao ser chamado, enrolou o pergaminho e fez sinal para que ela se sentasse.

    — Vovó, aceita um chá? — Ele se levantou e dirigiu-se à cozinha para prepará-lo.

    — Obrigada. — Erwahllu acomodou-se em uma almofada confortável, observando a mansão que agora substituíra seu antigo casebre. Inala reconstruíra e reformara o local com luxo. Seu Teatro também prosperara, gerando grande receita e tornando-o um homem ocupado.

    Isso significava que ele passava pouco tempo em casa, o que levava a pequena Gannala a ficar a maior parte do tempo com Erwahllu. Como resultado, criaram um vínculo profundo.

    Ao sorver o chá servido por Inala, a senhora organizou os pensamentos.

    — Conte-me a verdade.

    — Quem é ela, exatamente? — indagou. — Ela é mesmo sua filha?

    — Ela não está ficando a minha cara? — Inala inclinou a cabeça, confuso. — Por que a pergunta, vovó?

    — Não falo da aparência. Ela se parece com você, sim. Mas não é a isso que me refiro. — Ela o encarou com total seriedade. — Diga a verdade.

    — A Gannala é humana, afinal?

    — Tem certeza de que quer saber? — Inala perguntou. — Vovó, saiba que não revelarei nada sem as devidas consequências.

    — Por mim, tudo bem. — Erwahllu assentiu. — Posso morrer a qualquer dia. Não me aflijo com isso. Só desejo a verdade. Quem é Gannala? E, por extensão…

    Ela encarou Inala:

    — Quem é você, na verdade?

    — Somos Membros do Clã Mamute — revelou Inala. — E Gannala é uma Princesa do Clã Mamute.

    — Entendo… — Erwahllu assentiu, satisfeita. — Todos os Membros do Clã Mamute são espertos como ela?

    — Se isso fosse possível, controlaríamos toda Sumatra. — Inala riu. — Só uma Princesa do Clã Mamute é especial.

    Ele a encarou:

    — Sente repulsa por não sermos Humanos Livres?

    — Talvez eu me importasse quando jovem. — Erwahllu bufou. — Mas, na minha idade, não consigo me prender a essas coisas. Além do mais, sou apenas uma hóspede em sua casa, esperando a morte chegar. Então, não me importo.

    — Gannala é uma menina doce. Um pouco egoísta, mas de coração puro. — Erwahllu levantou-se devagar. — Eu a trato como minha neta. E sabe de uma coisa, Inala?

    Ela sorriu:

    — Ela me chama de vovó de verdade. Vê-la crescer aquece meu coração.

    Olhando para as mãos trêmulas de Inala, ela falou com suavidade:

    — Então, não precisa me olhar assim. Não farei nada para prejudicá-los. A menos, é claro, que planeje nos destruir.

    — Não sou um psicopata — murmurou Inala. — Deixarei este lugar em alguns anos. Só paramos aqui para nos preparar para a jornada ao Império Brimgan.

    — Desejo sucesso a você, então. — Erwahllu bocejou e voltou ao quarto, observando a figura adormecida da pequena Gannala. — Cuidarei bem dela.

    — Haah… — Inala suspirou, dissipando o Prana nas mãos. Se Erwahllu demonstrasse a menor intenção de sabotar seus planos, ele a teria matado. Felizmente, não foi necessário. 

    “Teria pesado na minha consciência se eu a tivesse matado.”

    De volta ao presente, Erwahllu observou dezenas de Zingers Empíreos girando ao redor da pequena Gannala em formação protetora. Asaeya correu para o resgate, desencadeando sons que roubaram os sentidos de Hanya.

    De repente, porém, o corpo de Hanya tremeluziu ao ser substituído por outro. Apenas os sentidos do corpo anterior haviam sido roubados; o novo estava intacto.

    Ela ativou o Avatar Humano com força total, transformando-se em um humanoide pantanoso com propriedades ácidas. Bombas de Prana a atingiram, mas dissolveram-se em segundos. Os fluidos do pântano simplesmente dissiparam o impacto enquanto Hanya avançava sobre a pequena Gannala.

    — Não se atreva a tocar nela! — gritou Erwahllu, sacando uma adaga ancestral, herdada por gerações. Com um rugido, cravou-a em Hanya, congelando a área do impacto.

    — Até que é uma arma decente — murmurou Hanya, enquanto um tentáculo disparava do corpo e atingia a testa de Erwahllu, liquefazendo-a. Num instante, a anciã se transformou em uma poça.

    Quase sem Prana, fraca e totalmente superada, foi abatida com um único golpe por Hanya, uma Cultivadora no Estágio de 4 Vidas.

    Felizmente, o sacrifício de Erwahllu ganhou tempo suficiente para Asaeya se colocar entre a inimiga e a pequena Gannala. Seis Armas Espirituais flutuaram ao redor dela e atacaram Hanya, enquanto ela usava os seus poderes para roubar os sentidos da oponente e de Gudora.

    Mas não pôde fazer mais nada. No momento em que as Armas Espirituais tocaram Hanya, fundiram-se, inutilizadas. Era uma péssima compatibilidade de poderes.

    — Vovó! Não! — gritou a pequena Gannala, desolada, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela fuzilou Hanya com o olhar, inspirou profundamente e soprou, liberando um estrondo sônico que arremessou a inimiga para longe.

    — Que diabos foi isso? — Hanya formou trincheiras profundas no chão ao conter a derrapagem, surpresa com o poder demonstrado pela pequena Gannala. — Como uma criança de três anos pode ser tão forte?

    Hanya uniu as palmas das mãos, expandindo-as para criar uma película de lodo que absorveu os projéteis da Bomba de Prana. Após dissolvê-los, criou um chicote de lodo e atacou Asaeya, tentando incapacitá-la.

    O objetivo era capturar Asaeya e a pequena Gannala para usá-las como moeda de troca contra Inala. Mas, pouco antes de o ataque atingir Asaeya, Hanya perdeu a visão, audição, olfato e tato.

    Aproveitando essa chance, Inala surgiu atrás dela empunhando um remo de osso maior que o corpo da mulher. Golpeou-a com força, ativando a Natureza Secundária e arremessando-a contra Gudora, enquanto o Avatar Humano dela derretia o dele.

    — Hanya! Sou eu! — grunhiu Gudora, vendo a camada de cristais que o cobria derreter. Mas Hanya não conseguia ouvir seus gritos e continuava a feri-lo. Se ele revidasse, ela sofreria ainda mais. Gudora estava em um beco sem saída.


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