Capítulo 176: Humanos Livres Vs Membros do Clã Mamute (Pt. II)
Gudora deixou um corpo para trás para conter Hanya e disparou para fora, retendo o poder dos seus sete corpos restantes. Com um aceno de mão, a região se transformou em um castelo de cristal, concedendo-lhe vantagem territorial.
Uma camada de cristal começou a revestir as pernas de Inala, subindo lentamente. Quanto mais tempo permanecia naquele terreno, mais rápido o cristal alastrava-se pelo seu corpo.
Natureza Secundária — Gravidade Inercial Interna!
Inala contraiu os dedos dos pés, gerando força suficiente para estilhaçar a camada cristalina que o envolvia. A súbita demonstração de poder avassalador chocou Gudora.
Ao encarar as rachaduras deixadas no chão cristalizado pelos passos de Inala, ele percebeu o peso absurdo do oponente e perguntou:
— Você é mesmo um Membro do Clã Mamute?
— Fala sério, você vai perguntar isso agora? — Inala bufou. — Você não devia ter me atacado para começo de conversa.
— É assim, então? — Gudora criou um martelo de cristal, golpeou Inala e grunhiu ao vê-lo defender-se sem vacilar.
“Estou usando a força combinada de sete corpos. Ele está aguentando sem problemas?”
Existia um abismo qualitativo entre as Naturezas das Bestas Prânicas em diferentes Graus. A Gravidade Inercial Interna de Inala era a Natureza Primária de uma Besta Prânica de Grau Ouro. Era o poder supremo abaixo do Grau Místico.
Foi por isso que, no momento em que Inala a ativou, ele conseguiu bater de frente com Gudora. Afinal, a Natureza Primária dele era apenas de Grau Prata.
Certamente, isso se aplicava apenas à força física. Em termos de pura habilidade, Gudora superava Inala vastamente, já que estava fundindo sete de seus corpos em um só. Isso significava que a eficácia de sua Natureza Primária era reforçada sete vezes.
“Preciso mudar meu ataque.” Com isso em mente, Gudora liberou uma névoa, cristalizando tudo o que ela tocava.
Inala criou duas Bombas de Prana e ativou sua Arte Mística Óssea; fundiu-as em uma só, para então moldá-las na forma de um leque gigante. Por meio de sua Natureza Secundária, ele aumentou a densidade do objeto, permitindo-lhe liberar uma força tremenda através dele.
Com um aceno do leque, gerou uma rajada de vento violenta, soprou a névoa de volta para Gudora e a impediu de chegar perto dele. Ademais, direcionou a névoa para Hanya, forçando a formação de uma camada de cristal sobre o corpo dela, imobilizando-a.
Gudora retraiu seu poder às pressas para garantir que ela não sofresse danos.
Sinceramente, se enfrentasse Inala sozinho, ele já teria subjugado o oponente a esta altura. Mas toda vez que atacava, seus sentidos eram roubados, impedindo-o de controlar seus golpes para atingir Inala com precisão.
Para escapar dessa habilidade, ele precisava trocar de corpo, o que levava um instante. E, nesse intervalo, ficava impossibilitado de atacar, abrindo brecha para o contra-ataque de Inala. Tudo isso por causa de Asaeya.
Além disso, mesmo após a troca de corpo, Gudora continuaria vítima do poder dela, já que bastava ela ativá-lo mais uma vez para roubar seus sentidos.
Com Hanya fora de combate e incapaz de contê-la, Asaeya tinha liberdade mais do que suficiente para mirar neles com precisão.
Hanya trocava de corpo repetidamente num esforço para se libertar da privação sensorial. Mas Asaeya cronometrava seus ataques com perfeição, colocando Hanya sob o efeito logo após a troca. Por isso, Hanya acabou incapacitada e não pôde retornar à batalha.
— Renda-se, Gudora — disse Inala, usando três Bombas de Prana para criar um martelo. — O próximo ataque não vai ser nada bonito.
A essa altura, os Zingers Empíreos haviam tomado posição, prontos para bombardear Gudora com uma chuva de Bombas de Prana. Liberaram suas auras em uníssono, fundindo-as em uma pressão única que pesou até mesmo sobre Gudora, fazendo-o grunhir.
— Não temos motivos para ser inimigos. Então, por que não paramos com essa farsa? — Inala perguntou.
— Farsa? — Gudora bufou. — Houve um distúrbio no Rio da Corrente Vermelha desde o dia em que você apareceu no meu Reino. Como resultado, o desastre que enfrentamos uma vez por século cresceu subitamente, tornando-se muito mais forte.
— Rio da Corrente Vermelha? — Inala deixou escapar, chocado. — De que porra você está falando?
— O rio nesta região não se chama Rio Angan?
Inala estava confuso. Com base em todas as informações que obtivera até então, ele confirmara que o rio que cortava o Reino Ganrimb se chamava Rio Angan.
Ele nunca ouvira falar daquele outro nome antes, mas considerando que as Crônicas de Sumatra narravam apenas os locais de uma pequena região do Continente de Sumatra, ele não considerou que houvesse algo errado.
— Originalmente, chamava-se Rio da Corrente Vermelha antes de ser renomeado para Rio Angan — disse Gudora, confuso. — Apenas a realeza deveria saber seu nome anterior. Então, se você reconhece o nome, significa que está envolvido.
“Eles o renomearam?” O rosto de Inala empalideceu. As engrenagens de sua mente giraram freneticamente, recordando tudo o que sabia sobre as Crônicas de Sumatra. “Um desastre que ataca uma vez por século, esgotamento rápido da água antes de sua chegada, e isso acontece no Rio da Corrente Vermelha.”
— A Catástrofe Millinger…
Inala agora entendeu o que estava acontecendo.
“Não é que o Reino Ganrimb permaneceu isolado e conseguiu evitar ser detectado pela manada de Presas Empíreas nas Crônicas de Sumatra. O Rio da Corrente Vermelha fica dentro da rota da manada. O fato de o Reino Ganrimb nunca ter aparecido na história, apesar disso, é óbvio agora.”
Ele encarou Gudora. “O extermínio deles é uma questão de dias.”
— Kieek!
— Kuaak!
De repente, guinchos incessantes ressoaram dos Zingers Empíreos posicionados por toda a Cidade Ellora.
“Droga! Péssima hora.”
— Morra! — Inala rosnou e incinerou metade de suas reservas de Prana, condensando tudo em sua perna direita, cuja densidade aumentou ao extremo. Ele ergueu a perna e golpeou o chão de cristal com violência, provocando um terremoto.
— Você ficou maluco?! — Gudora gritou em pânico enquanto erguia múltiplos pilares por toda a região, escorando os tetos que desabavam nas casas próximas. Gritos ressoaram enquanto muitos entravam em pânico com o colapso das estruturas.
O terremoto propagou-se por mais de cem metros, levando todas as paredes da área ao colapso. Se não fosse pela resposta rápida de Gudora em erguer pilares para sustentar os tetos, muitas pessoas teriam sido esmagadas.
A poeira ondulava pela casa de Inala enquanto ele erguia a perna, encarando a entrada do túnel revelada no fundo. Aquilo levava direto ao depósito onde ele havia estocado todas as suas Bombas de Prana e o excesso de Bombas Vitais.
Estágio 1 — Mandíbula!
Transformando sua mandíbula na de um Zinger Empíreo, Inala abriu bem a boca, observando Zingers Empíreos em miniatura saltarem do túnel e arremessarem minúsculas Bombas de Prana goela abaixo. Eles esvaziavam rapidamente o depósito, despejando tudo no estômago dele.
Inala consumiu Prana vorazmente e transformou seu estômago em um bioma, permitindo armazenar todas aquelas Bombas de Prana.
Nesse meio tempo, ao controlar sua Lanterna de Armazenamento de Quatro Andares e o Zinger de Sumatra como se fossem Armas Espirituais, Inala confiou-os à custódia de Asaeya e informou-a através da Tabuleta Óssea que estava com ela.
[Corra! Agora!]

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