Capítulo 13 - Escola Platus (II)
POV Jacques
O garoto era suspeito. Entretanto, qualquer gracinha que ele tentasse, eu a pararia instantaneamente. Fomos seguindo cautelosamente para um corredor cheio de quadros com um pano os cobrindo. Contudo, um deles estava com o pano solto, revelando uma imagem de belas paisagens feitas em pontilhismo.
Tony demonstrou interesse, observando com cuidado. Notei um arrepio pelo seu corpo enquanto seus olhos ficavam roxos e ele dizia:
— Esse quadro é estranho… É melhor não tocarmos nele
— O que quer dizer, Tony?
— Não sei, mas vejo uma aura ao seu redor. Vamos evitar
— Certo. Entendeu, garoto?
O menino se virou:
— Eu tenho um nome, sabia?
— Ah, é? Qual?
— Pierre Powolski
— Que nome estranho
Ele ficou em silêncio enquanto caminhávamos. Em questão de segundos, o rapaz gritou atrás de nós e vimos um brilho forte. Ele havia desaparecido. Tony prontamente disse:
— Devemos salvar ele!
— Tá de brincadeira? Eu nem conheço esse moleque
— E daí? Se esse quadro for o que eu penso que seja, talvez não só ele esteja lá… Podemos tentar achar algum dos seus irmãos!
— E o que ele seria?
— Uma pequena dimensão dentro da Zona de Risco…
Tony estendia sua mão e encostava no quadro, sumindo enquanto um forte brilho aparecia. Droga, agora, eu teria que ir junto. Encostei minha mão e ouvi minha própria voz ecoar pelo meu cérebro.
[O quarto secreto “Paisagem Bucólica” foi encontrado. Recompensas à altura serão dadas.]
Recompensas à altura? O que tá acontecendo?
Um clarão veio aos meus olhos, me deixando momentaneamente cego. Recuperei minha visão enquanto coçava meus olhos, me deparando com a vista da paisagem do quadro. Isso não poderia ser real. Olhei ao meu redor e vi pedras circulando essa “janela” com uma bela vista. Me virando, vi o que parecia ser um calabouço antigo.
Tony e o garoto estavam lá. Puxei o pirralho pela gola e falei:
— Tá achando que eu sou algum tipo de otário, seu merda?!
Minha tatuagem começou a brilhar e o ouvi implorar:
— P-Por favor! Não foi culpa minha! E-Eu encostei sem querer! Não foi por mal, eu prometo!
— Seu… Bosta!
O joguei no chão com leve força. Tony sinalizou para eu me acalmar. Percebi que fiquei alterado. Estarmos aqui era só um atraso para nosso trabalho. Estávamos no que parecia ser um terraço. Havia uma escada que provavelmente descia entre os andares. Suspirei e me acalmei. Era hora de resolver isso o mais rápido que eu puder.
—————————————————————————————————————————
POV Paul
A porta abria lentamente enquanto puxava minha espada. No silêncio, pude ouvir um barulho diferente dos outros que já ouvi antes. Eram quase como cochichos. Pela escuridão, vi os olhos brilhantes de uma criatura de tamanho humano. De repente, mais olhos ao seu redor. Seu corpo foi contornado por um brilho laranja que apareceu logo atrás, pulsando em símbolos dos quais desconheço.
Era um demônio com vários rostos pelo corpo e braços em formato de lâmina. Ele correu em nossa direção. Defendi graças aos meus reflexos e gritei:
— Milo! Ataque-o e eu o seguro!
Com seu outro braço de lâmina, me desferiu um corte no lado. Não era tão profundo, mas ardia como nunca. Milo estava quase recuperado do corte em seu peito graças ao núcleo por ele absorvido. O monstro começou uma sequência de ataques enquanto Milo desferiu o primeiro corte. Defendi alguns por pouco, contudo, fui acertado mais do que gostaria. Meu amigo cortou-a novamente no estômago, fazendo algumas tripas pularem para fora.
Sua força era abismal. A cada ataque que eu recebia, eu era arrastado para trás cada vez mais. Minha respiração se tornou ofegante e eu comecei a ficar cansado. Olhei para meu corpo ferido enquanto Milo acertava mais um corte. Após esse ataque, ela parou de olhar para mim e se virou para ele.
Com um só chute, Milo foi arremessado próximo ao brilho alaranjado. Me levantei e avancei com dor enquanto dizia o mais alto que podia:
— Solta ele, seu merda!
Ergui minha lâmina e pulei. Fiz todo esse esforço para ser golpeado com as costas das lâminas de carne, sendo jogado para longe e batendo minhas costas no que parecia ser um armário. Tudo estava escuro, mal conseguia ver nada. Minha espada estava um pouco à frente.
A dor que sentia em minhas costas era inimaginável. Queria gritar, mas mal tinha fôlego. Tentei me recompor e deitei no chão para me rastejar até a minha arma. Quando a percebi virando para Milo novamente, gritei:
— Ei! Aqui! Eu tô bem aqui!!
Ela não se importava. Pude ver um brilho de cor laranja sendo refletido em um sorriso diabólico da criatura cinzenta de olhos opacos. Eu estava quase lá. A espada estava na minha frente. Eu só precisava pegá-la e me levantar, mas não daria tempo. Ela estava frente a frente com Milo, que estava se levantando com sua espada em mãos.
Não, não, não, não. De novo, não. Eu perdi muita gente. Não morra. Não o mate!
Tentei levantar minha mão, mas já era tarde demais.
—————————————————————————————————————————
POV Milo
Que droga!
Eu vou morrer!
Vi essa coisa na minha frente. Tentei tomar alguma atitude, mas eu fiquei imóvel. A única coisa que senti foi minha espada tremendo. Não entendia o motivo, mas lá estava ela, trêmula e nervosa, igual a mim. O símbolo laranja agora se mostrava fazer parte de uma coluna de pedra com esculturas das quais não pude reconhecer no topo.
Virando meu olhar para a criatura, ouvi um grito de Paul olhando até mim. Não havia compreendido, até que olhei para baixo. Ah, faz sentido. A criatura abriu um corte no meu estômago. Eu estava escorrendo pela parede ao lado da grande escultura com um brilho laranja emitindo na sua frente.
Enquanto começava a sentir a dor, ouvi minha própria voz me dizendo algo.
[O Caminho que reside Totem Espiritual lhe chama. Você aceita?]
Eu teria alguma outra opção? Bem, eu aceito.
Minha espada em minha mão tremia e levantava meu braço em direção ao brilho alaranjado, encostando sua ponta na fonte luminosa. De repente, senti meu corpo decolar. Vi um brilho inteiro me contaminando com velocidade até eu estar completamente tomado por ela.
A criatura parecia assustada. A via atráves da cortina brilhosa até que pisquei e tudo parecia estar normal. Notei meu corte no estômago não tão profundo quanto antes. Percebi que estava sem minha camisa e minha calça estava com um aspecto queimado. Minha espada, contudo, estava em chamas e ouvi novamente minha voz.
[O Caminho dos Piromantes lhe escolheu e você aceitou.]
Agora, eu sinto que posso matar esse demônio.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.