Índice de Capítulo

    Bump, Bump, Bump, Bump, Bump…

    Grita o coração da presa.

    Carlos1sente o calor do fogo vir de dentro para fora. Aos seus ouvidos, nada existia, senão o som da sua própria respiração ofegante.

    Pouco depois, faíscas escuras começaram a surgir em ambas as mãos, sussurrando estalos. Logo em seguida, serpentearam o braço até que estivesse totalmente consumido.

    O que ele trazia não era simplesmente escuridão, e sim personificação do poder em forma de um dragão ainda mais escuro do que a noite.

    O concreto abaixo de seus pés se quebrou. A temperatura ao seu redor começou a aumentar sem limites. Trovões duelavam entre si em seus próprios olhos.

    Seu ritmo cardíaco ficava cada vez mais rápido. Respirar e expulsar lava da garganta parecia ser a mesma coisa. Todos esses detalhes diziam que essa transformação não vinha de graça.

    Um poder que toma para si cada esforço das células em busca da vitória independente da situação, mesmo que o preço seja a vida. Seu nome: Custe o Que Custar.

    Morfius observou rapidamente os dois predadores à sua frente. Enquanto os pés cravam no chão, seus instintos perguntam: “Quem devo atacar primeiro?”

    De repente, já estava frente a frente com Waraioni. O punho estava rente ao rosto de Waraioni, que, por sua vez, observava sem preocupações no olhar.

    Quando estava a um instante de acertar o alvo, ele desapareceu como névoa que desaparece no vento.

    Sua primeira reação foi olhar para a direita, mas nada havia lá. Antes que olhasse para a esquerda, uma joelhada atravessou seu estômago.

    A dor foi tão aguda quanto formigante. Aquele ataque não vinha com a intenção de nocautear, mas impossibilitá-lo de sair dali com vida.

    Carlos estava há poucos momentos de ser arremessado pelo impacto; no entanto, antes disso, a melhor solução possível seria neutralizar as armas que seus oponentes têm.

    Sabendo disso, sua mão voou com pressa na foice temporal de Waraioni até que pudesse agarrá-la com toda força que seu aperto pôde oferecer.

    Foi arremessado pelo golpe logo em seguida, caindo no chão como uma pedra que é arremessada no lago, mas não demorou para que ficasse de pé.

    Seu objetivo principal foi concluído: a foice estava em sua posse. Passou apenas um instante, e ela estava quebrada devido à ordem do aperto.

    Logo voltou para sua guarda de combate. Sua intenção era avançar novamente, mas Saito fez isso mais rapidamente.

    Quando deu por si, ele estava à sua frente. As lâminas de jade estavam apontadas para o céu. Seu olhar cicatrizado brilhava uma luz amarela intensa.

    Carlos, instantaneamente, pôs os antebraços para defender-se daquele golpe. Imediatamente após, o corte veio de cima para baixo.

    O som foi tão limpo quanto um desembainhar. As lâminas não tiveram força o suficiente para cortá-lo, mas cravaram sem intenções de soltar.

    Os dentes esmagavam a dor no aperto. Carlos distribuiu energia onde o corte foi feito para que as lâminas ficassem presas onde estavam.

    Sua ingenuidade foi pensar que aquela batalha seria justa.

    Não havia percebido, mas Waraioni estava do seu lado, pronto para atacá-lo na costela impiedosamente, e assim foi feito.

    O impacto ecoou como uma explosão abafada. Internamente, os ossos gritavam feito o desembrulhar de uma sacola.

    Isso gerou desespero que se transformou em força repentina.

    Carlos engoliu os próprios gritos e ergueu o antebraço. Saito, que não tinha a intenção de soltar a lâmina, foi levado junto com ela.

    Em seguida, Carlos arremessou ambos no chão, aproveitou-se do impacto para arrancar aquela arma da mão inimiga e afastou-se deles.

    O cenário era perfeito. Lâminas poderosas estavam em sua posse à custa de seu próprio sangue e ambos os seus adversários se encontram desarmados.

    Entretanto, os detalhes não eram os mesmos para o seu corpo.

    Seu peito inflava e murchava no ritmo dos bufos, sangue escorria por ambos os braços, e os dedos não sabiam de onde vinha a força para a pegada.

    A visão estava turva, mal podia distinguir os adversários de vultos; entretanto, uma coisa estava muito bem visível aos seus olhos: partículas esverdeadas.

    Elas apareceram de repente, vindo de baixo para cima. Isso tomou seu foco por apenas um instante e, quando percebeu, suas mãos pareciam mais leves.

    As lâminas de jade não estavam mais lá.

    Seus olhos, por um momento, estremeceram. A pergunta ficou presa na garganta, mas a realidade estava livre: todo o seu esforço não valeu de nada.

    Isso o fez hesitar apenas por um momento, e só isso bastou.

    Saito estava na sua frente. O punho, rente ao abdômen, brilhava em um tom escarlate sutil. Cada dedo estalava em ansiedade crescente.

    boom.

    Sangue foi distribuído no chão. Os olhos não tinham mais cor. Ar fugiu pelos lábios em um instante, deixando para trás apenas os suspiros roucos.

    Pouco depois, Carlos engoliu o sangue que sobrou e cerrou os dentes.

    Saito observou seu adversário projetando o braço para trás em um ataque, mas não se importou em esquivar; pelo contrário, começou a preparar outro golpe.

    Seu punho fechou fortemente mais uma vez. A palma da outra mão o cobriu, fazendo-o brilhar em um tom escarlate que ficava cada vez mais intenso.

    O ataque de Carlos estava prestes a atingi-lo.

    Quando estava a somente um instante da colisão, Waraioni agarrou o punho, esticou o braço à força e deu uma joelhada em seu cotovelo.

    O som do osso se quebrando ecoou como um galho se despedaçando em uma floresta vazia. Seu berro veio logo depois, expulsando o sangue preso na garganta.

    Foi então que o ataque de Saito começou a vir ainda mais brutal.

    Já não havia mais nada cobrindo seu punho. Em seguida, projetou-o para trás como um soco direto, respirou fundo e o lançou.

    BOOM.

    O impacto forçou o vento ondular ao horizonte. A garganta de Carlos não tinha um berro alto o suficiente para descrever a dor. Dessa forma, gritou silêncio.

    Seu corpo foi disparado para trás feito uma bala. Tudo o que o aguardava era ricochetear como uma bola de gude até que as costas encontrassem a parede.

    E lá não ficou fixo, o peito jogou-se no chão. As mãos repousavam na barriga, e o que sentiam era um rombo no próprio abdômen.

    Não havia bufos, suspiros, nada, o ar não conseguia alcançar o pulmão. Nessa situação, Carlos babava o próprio sangue enquanto se contorcia derrotado.

    Segundos após tamanho sofrimento, seu corpo viu-se forçado a vomitar seu próprio sangue para conseguir respirar de volta, e assim foi feito.

    Lágrimas começavam a cair do rosto. Os lábios se contorciam em um misto de dor e desespero. A queda da força ergueu sua completa desistência.

    Os gemidos do pranto, que deveriam ser baixos, foram exaltados pelo silêncio que inundava a arena em que seus pecados eram cobrados.

    tap… tap… tap…

    Passos se aproximavam, tão secos e lentos quanto o caminhar da morte. Carlos não teve coragem o suficiente para erguer o pescoço, mas, as mãos, sim.

    Elas estavam juntas em oração. Os dedos tremiam tanto quanto as mãos. Mantê-las assim fazia o braço quebrado desejar desaparecer, mas era a única forma de sobrevivência.

    — Por… Por favor…

    Terminar essa simples frase era um trabalho pesado demais para a sua garganta.

    Silêncio. Isso foi tudo o que ele teve, até que surgisse coragem para olhar para cima.

    O sol estava mais radiante do que o normal. Era tão brilhante que, Waraioni, na sua frente, se parecia mais como uma sombra do que com uma pessoa.

    Seu olhar ciano brilhava feito uma estrela. O cabelo balançava com o vento, mas os lábios, sem se contentarem com essa história, se contorceram em protesto.

    De uma hora para a outra, virou as costas e começou a caminhar para a arquibancada em passos curtos. Antes de desaparecer, deixou uma última mensagem:

    — Se sente arrependido…?

    Por um momento, o alívio tocou seu coração. A mísera esperança de sobreviver fez seus olhos brilharem como nunca antes….

    … Até Saito aparecer.

    Uma das lâminas estava em sua mão direita. Ela, por sua vez, ergueu-se ao céu e tampou a única luz que impedia Carlos de morrer na escuridão.

    Seus olhos escarlates não demonstravam um único sinal de misericórdia. A única piedade que teve foi falar uma última coisa antes de executá-lo:

    — … Peça perdão a Deus.

    E então, o corte veio.

    Seu barulho foi tão limpo quanto assobiar para o horizonte vazio. Não teve nem tempo de gritos ou desespero antes da morte, sua velocidade não permitiu.

    O corpo decapitado de Carlos começou a desaparecer em faíscas amarelas. Saito fez suas lâminas desaparecerem antes de dar as costas ao defunto.

    Próximo capítulo: Continuação Amarga.

    1. @Maik: Um detalhe importante: lembram que, no capítulo anterior, escrevi que ele se levantou sem o seu consentimento? Isso significa que, ao consumir o item especial, não é ele quem controla o próprio corpo.[]

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