Índice de Capítulo

    Foosh…

    O vento caminha pelo horizonte como se estivesse no velho oeste.

    Na arena, duas pessoas retornavam para a arquibancada. Seus olhos eram tão secos quanto desconfortáveis. A vitória nem parecia os rodear.

    Mais presente do que eles era o silêncio. Nada vinha de canto algum. Graças a isso, seus passos podiam ser ouvidos sem dificuldades.

    Estavam frente à parede pouco tempo depois. As mãos encostaram nela, e isso bastou; o corpo começou a se dissipar feito névoa.

    Dessa forma, os dois irmãos estavam bem próximos de Andressa e Ônix. Waraioni abriu a boca para falar algo, mas logo fechou-a de volta.

    Saito o observava fixamente. Seus olhos encolhidos e opacos mal podiam esconder seus sentimentos. A mente tinha uma única pergunta: “Por que?”

    O coração apertou. Nas suas costas, parecia que incontáveis agulhas estivessem o perfurando, e as indagações não cessavam nem um pouco:

    “Por que você tem que sofrer tanto?”

    Andressa abriu as pálpebras lentamente pouco depois. Seu olhar encarava os irmãos com neutralidade. Os lábios desejavam falar, mas não era a hora certa.

    Dessa forma, ergueu uma das mãos e calou a própria boca com o dedo indicador.

    Os olhos dos irmãos inclinaram em confusão por um momento, mas entenderam o recado assim que observaram Ônix com um pouco mais de atenção.

    Seus olhos ainda estavam fechados.

    Saito permaneceu parado por alguns instantes, mas logo se moveu. Seus pés, em passos cuidadosos, caminhavam para a direita, onde seus amigos estavam.

    Waraioni encontrou um impasse. Uma parte de si desejava sair com medo de incomodá-lo, e a outra queria dar mais um abraço para ter certeza de que estava tudo bem.

    Lá no fundo, sabia que seu peito iria doer independente da escolha que tomasse. Tudo o que pôde fazer foi torcer os lábios e fechar os olhos.

    Pouco depois, respirou fundo e suspirou o mais silenciosamente possível. Os olhos se abriram um pouquinho, e só após isso ele agiu.

    Começou a caminhar para a direita, afastou-se minimamente dos dois e sentou-se de onde estava.

    Essa foi a resposta que encontrou. Sair de lá e fingir que nada aconteceu para que Ônix pudesse descansar doeria demais, mas também não queria incomodar com contato físico.

    O desagrado dessas duas opções o forçou a criar uma terceira: ficar distante, mas, ao mesmo tempo, presente.

    Ônix podia até não ver que Waraioni estava há poucos centímetros do seu lado, mas isso não importava. Para ele, ainda que estivesse invisível, teria feito a mesma coisa.

    Andressa viu essa ação por completo. Um sorriso discreto floresceu em seu rosto.

    “Você tem bons irmãos.”

    Fechou os olhos logo depois, retornando à escuridão para acompanhá-lo.


    Saito permaneceu caminhando durante alguns minutos, não porque a distância era grande, mas por causa dos passos que estavam lentos demais.

    Nada conseguiu falar quando chegou, apenas sentou-se ao lado deles.

    Silêncio imperou sobre todos eles, forjando um clima de desconforto que pulsava em todos os corações. Felicidade estava ausente no olhar de todos.

    Saito tentou se abrir com eles pela primeira vez.

    — Eu…

    E logo foi interrompido por Luna.

    — Tá tudo bem, não precisa explicar nada.

    Ele levantou a cabeça e observou o rosto de quem falava. Lá morava um sorriso que tentava transparecer segurança, mas o olhar não estava de acordo.

    — A gente entendeu assim que vimos as máscaras e a mudança na sua aparência. Ele não era a pessoa que achávamos que era, né?

    Logo após sua pergunta, virou o rosto para encontrar alguma resposta nos olhos do garoto. As pupilas podiam ser escarlates, mas as trevas da tristeza eram escuras demais.

    — Pelo visto é isso mesmo…

    Desviou o olhar pouco depois.

    Silêncio ergueu-se novamente por alguns segundos. Saito permaneceu de cabeça baixa. Os olhos encontravam-se num misto entre opaco e lacrimejante.

    Passos caminhavam em sua direção. Logo depois, alguém sentou-se do seu lado e permaneceu quieto por alguns poucos instantes.

    Quando menos esperou, um abraço de um lado só se ofereceu para confortá-lo. Seus olhos confusos caminharam para ver quem era, e logo percebeu que era Arthur.

    — Para de ficar parado aí todo bobo. Chorar também é uma forma de se abrir, sabia?

    Saito não sabia o que dizer a respeito. Seus lábios se espremeram o máximo que podiam, mas não foi o suficiente para impedir as lágrimas de descerem.

    Luna também não ficou parada. Sua mão repousou sobre o cabelo do garoto para um cafuné. Seus instintos de mãe fizeram-na dizer sem pensar:

    — Tá tudo bem, filho.

    As pálpebras dele pesaram como se estivessem com sono. Seu ombro encolheu sem consentimento, e seu pescoço buscou apoio nos ombros da mãe.

    Vergonha e timidez abraçaram o coração e, ainda assim, os olhos fecharam. Pela primeira vez em muito tempo, descobriu o refúgio.


    Minutos se passaram.

    A Segunda Sistema observava a situação atual da arena: destruída. Seus olhos opacos pareciam estar em um lugar distante.

    A Nona Sistema passou do seu lado e até chamou pelo seu nome, mas nada adiantou. Em um suspiro breve, resolveu esse problema dando-lhe um abraço.

    Os olhos da segunda voltaram ao seu brilho normal. Seus diziam: “Desculpa, me perdi.”, mas isso não era o suficiente para cessar o abraço.

    S9 desfez seu carinho pouco depois.

    Assim que o fez, olhou no fundo dos olhos de sua parceira e perguntou: “Por que você não vai descansar? Eu consigo cuidar do resto.”

    S2

    Não posso, desculpa.

    O motivo não veio incluso, mas a compreensão nos olhos da nona respondia que isso não era necessário.

    S2 suspirou profundamente. Logo em seguida, retribuiu o abraço que recebeu ao mesmo tempo em que agradecia o apoio que foi-lhe dado.

    S9 sorriu discretamente, sem dizer mais nada sobre. Dessa forma, a Segunda Sistema encontrou-se estável o suficiente para voar à arquibancada.

    Quando chegou lá, deparou-se com todos em silêncio.

    Saito ainda estava descansando no conforto de seus amigos presentes. Cada um deles observou os olhos da Sistema, como se pedissem algo que ela sabia o que era.

    Névoa escura caminhou em direção a eles. Quando estavam perto o bastante, moldaram-se para que ficassem semelhantes às letras.

    — O torneio terá que recomeçar em breve. Até lá, descansem o quanto puderem.

    Colapsou em sua última palavra, e logo foi embora. S2 retirou-se no mesmo ritmo.

    Ambos os grupos continuaram em silêncio. Um cuidava do protetor que não protegeu a si mesmo, e o outro cuidava, ou pelo menos tentava, confortar o universo.

    Próximo capítulo: O Mais Fraco vs A Mais Forte.

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