Índice de Capítulo

    Tap… Tap… Tap…

    Depois de tanto barulho, os únicos sons que restaram à arena foram os passos da mais forte.

    Os punhos encontravam descanso. Seus olhos estavam satisfeitos o suficiente para trazer relaxamento aos ombros, que compartilharam com o restante do corpo.

    O olhar de Ethan estava em um misto de curiosidade com neutralidade. Tudo o que conseguiu fazer foi descrever aquela despreocupação com uma palavra: “Interessante.”

    Essa atenção se desfez quando a palma começou a esquentar.

    Seu foco foi direcionado para esse incômodo na mesma hora. A explicação morava no garoto: o corpo estava se desfazendo em partículas prateadas.

    A mão que o segurava se afastou logo depois e, ainda assim, ele permaneceu em pé, apoiando-se no invisível enquanto era teletransportado aos poucos.

    As pálpebras se ergueram em uma leve surpresa. Antes que pudesse ter o direito de questionar o que estava acontecendo, chegou a sua vez.

    Suas mãos se distorciam como se negassem o próprio corpo. Escuridão deformava o rosto, até que conseguisse conquistar uma parte do corpo.

    “Parece que meu tempo aqui acabou.”

    Os olhos se fecharam em aceitação. Enquanto tudo ao seu redor se transformava em trevas, um pensamento despreocupado foi a última coisa que pôde ter:

    “Mal posso esperar pra ver vocês no meu mundo.”

    E assim se foi.

    POV: Segunda Arquibancada.

    Era lá onde as duas sistemas estavam.

    A Segunda Sistema tinha um brilho bem discreto nos olhos. Nela, havia um vago pensamento: “Por um momento eu pensei que ele ia conseguir vencer…”

    Por outro lado, a Nona mal conseguia manter a boca fechada. Seus olhos estavam brilhantes o bastante para iluminar o próprio sol.

    S9
    Mano!!! Cê viu o quão rápido aquele doidão tava cantando? Um salve a quem que ele falou????

    Risos escaparam da Segunda. Logo ela respondeu que também não tinha entendido nada, mas achou bem legal a sincronia deles.

    Pouco depois, os olhos caminharam em passos lentos em direção a Melinoe.

    Vendo que ela andava em direção ao portão de saída, concluiu que a missão que ela tinha para fazer nesse torneio havia encerrado.

    Sendo assim, levantou-se para se despedir dela por um breve momento.

    S9
    Ué? Tá indo pra onde?

    É claro que o interrogatório protetor não poderia faltar.

    A resposta nem havia chegado para ela ainda, mas seus olhos já estavam afiados para verificarem se o que ela queria fazer requisitava esforço.

    S2
    Ah, não é nada! Vou só dar tchau pra Melinoe. Rapidinho eu volto!

    Sua avaliação interna vibrava nos lábios: “Hum…”. A Segunda aguardava pacientemente para ouvir o veredito de sua companheira.

    S9
    Se eu souber que você se esforçou além disso eu vou puxar sua bochecha de novo, viu?

    Ela respondeu: “Tá bom!” enquanto se aproximava rapidinho da sua amiga. A Nona, por sua vez, levantou-se para ir conversar com os garotos.

    POV: Melinoe.

    Enquanto caminhava, seu pescoço balançava de um lado para o outro ao mesmo tempo em que os lábios ainda vibravam com a música tocada recentemente.

    Bem distante de onde estava, um pontinho escuro se aproximava pelo horizonte. Não demorou muito para a imagem de S2 se formar.

    Um singelo sorriso formou-se em seu rosto, e ela esperou pela chegada da Segunda. Assim que ela a alcançou, formou-se o cumprimento mais amigável e sincero que existe:

    — E aí, rapariga!

    S2
    E aí, piriguete! Bão?

    — Tranquilidade.

    S2
    Aí sim. E aí? Minha promessa de que esse torneio seria divertido até demais se provou verdade? Eu sabia que você ia vencer e, mesmo assim, cogitei por um momento que o garoto podia te vencer.

    Melinoe respondeu na mesma hora: “Pois é, né??? Ele tava todo rapidinho, eu cheguei a esquecer de respirar só pra prestar atenção no que tava acontecendo!”

    Ela já estava rindo sem nem perceber a própria empolgação. Seus punhos golpeavam o ar em uma imitação barata dos golpes de Waraioni.

    — Ele batia: “Pow, Pow!”, e o noia no fundo: “Vida cara que me escuta…”, e eu: “Pá, pá!”, um milhão de coisas acontecendo ao mesmo tempo! Foi legal demais, ave Maria.

    A Segunda, rindo do jeito bobo dela, logo respondeu: “Viu só? Te falei que a diversão prometida era dez vezes maior do que você imaginava.”

    Ainda sorrindo sem se dar conta, disse que teria de admitir o acerto da sistema, mas que seria só dessa vez para nunca mais assumir um “palpite” certeiro.

    S2
    Pois é, pois é… Mas, aí, vai fazer o que agora? Acho que essa era sua última missão para evoluir de mundo, né?

    — Ah, sim! Mas não só isso. Depois de tantas missões, finalmente desbloqueei duas coisas que queria: o segundo mundo e os brincos de Kiam pra comprar na loja de itens.

    Um curto silêncio se ergueu. Nesse tempo curto, os olhos da mais forte ficaram opacos. Seus pensamentos internos a levavam a um lugar distante.

    S2
    Entendi… De pouco a pouco, você fica cada vez mais perto de encontrá-lo, né? Deus Sacrificado: O Mártir do Silêncio.

    As pálpebras de Melinoe se curvaram levemente. Seu coração tropeçava na única coisa que poderia causar-lhe dano naquele mundo: angústia.

    — É…

    Um breve momento ausente de palavras foi criado. Melinoe, em um suspiro duradouro, recomeçou sua caminhada em rumo à saída.

    — A gente se vê depois, meu bem.

    E assim caminhou: cabeça levemente baixa. Os olhos, que ficavam mais e mais transparentes, não tinham nenhuma intenção de olhar para trás.

    S2
    Eu te garanto que vai dar tudo certo, Melinoe. Nunca se esqueça do título que te guarda, Deusa Sentinela: A Ouvinte do Abismo.

    Da parte dela, não houve resposta verbal, apenas uma ação: erguer a mão direita em despedida, um hábito que carrega para não esquecê-lo.

    Pouco depois, a Segunda flutuava lentamente à arquibancada que veio. Seu olhar levemente caído desejava boa sorte a sua amiga que precisava dela.

    POV: Arquibancada dos Participantes.

    No silêncio que não deixou de existir desde o começo da luta de Melinoe e Waraioni, o sussurro do vento era tudo o que eles podiam ouvir.

    Saito ainda estava de olhos fechados, entregue ao refúgio que lhe ofereceram.

    Arthur permaneceu ao seu lado, mantendo o abraço lateral. Luna manteve o cafuné confortável, como se aquela “criança” também fosse sua.

    Douglas estava lá: quieto no seu canto. Os braços cruzados eram o foco dos olhos neutros.

    A ausência de palavras não era um incômodo para eles. Em vez de desconforto, sentiam o coração caloroso. Sem que notassem, cuidar dele virou uma prioridade.

    Foi nesse cenário que a Nona surgiu pouco depois. Seus olhos perspicazes entenderam a situação de imediato. Dadas as circunstâncias, disse em sussurro:

    S9
    Oi, voltei. Melinoe venceu Waraioni, que está desqualificado por derrota. Ela, por um motivo anônimo, desistiu do torneio após sua vitória. Essa foi uma luta sem vencedores. O torneio continuará. Boa sorte.

    Desapareceu logo depois, deixando-os como estavam antes.

    Nenhuma palavra se ergueu.

    O tempo foi se passando, e nada de novo acontecia. Tudo o que sentiam era o ar puro entrar nas narinas e banhar os pulmões em conforto.

    Em uma decisão unânime, todos abraçaram o pesar das pálpebras e se apoiaram uns nos outros, acolhendo o descanso que lhes foi concedido.

    Saito permaneceu inspirando e expirando. Quanto mais seu diafragma se contraía, mais uma inquietação se agravava no peito.

    Era como se existisse uma agulha o perfurando por dentro, mas não machucava, tampouco incomodava, ela só queria ser sentida.

    Foi ficando mais intenso de pouco a pouco. Parecia que um fogo ardente acendia a própria fogueira para abrigar-se em seu coração.

    Seus olhos fechados não percebiam, mas estava inundado em escuridão.

    Aquela estranha sensação começou a arder cada vez mais. Ela, insatisfeita com onde estava, espalhou sua força para o restante do corpo.

    Foi nessa hora que uma luz prateada começou a iluminá-lo de dentro para fora. A inquietação abraçou seu pescoço, caminhou por sua bochecha e alcançou as pálpebras.

    De repente, os pés tocaram em algo gélido. A luz intensa fez os olhos abrirem sem o seu consentimento e, quando se deu conta, estava na arena.

    Por um momento, sua confusão o fez olhar de um lado para o outro, até que encontrasse um garoto não muito distante de onde estava.

    Não houve mistério, bastou uma olhada atenciosa para perceber que era Arthur do outro lado, que também observava seus arredores.

    Os olhos logo se cruzaram, e eles entenderam rápido o que estava acontecendo: o torneio decretou que, agora, eles eram adversários.

    Próximo capítulo: Cem por cento.

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