Capítulo 112: A Queda da Soberba
Huff… Huff… Huff…
A respiração ofegante do desafiante era o que encobria o silêncio da arena. Vinte por cento do seu progresso estava concluído, mas ainda parecia… Distante demais.
Seus olhos, ainda firmes, tentavam de qualquer forma evitar o desvio da dúvida, mas não tinha mais como; esses questionamentos vinham só de observar seu adversário…
… Intacto. E isso bastou para a dúvida crescer.
“Foco!”
Gritou consigo mesmo, cerrando os olhos enquanto balançava o rosto rapidamente, como se estivesse esquecido a situação em que estava.
Quando percebeu, era quase tarde demais.
Ao abrir os olhos, o punho de Saito estava colado no seu nariz. As pálpebras saltaram no susto, e o corpo empurrou a si mesmo para trás.
Os pés, firmes no solo, impediram-no de cair, mas o permitiram esquivar curvando as costas para trás.
+30% em todos os atributos acumulados!
A próxima ação veio imediatamente: recuar em um salto. Agora ele estava distante, mas não se sentia seguro. Não pela diferença de força, mas pelo que acabou de fazer.
Ele sabia que aquele soco foi diferente dos outros. Não foi forte, nem rápido como era, foi numa velocidade em que ele poderia desviar, mas não deveria.
“Foi um aviso…”
Os punhos de Saito estavam abaixados, mas seus olhos estavam ainda mais penetrantes do que antes, julgando uma ação que, para ele, foi desagradável.
“Não posso me distrair de novo.”
E assim a batalha recomeçou: Arthur, dessa vez, tinha os olhos totalmente voltados para Saito que, por enquanto, ainda estava parado o observando.
Pouco depois, apontou o dedo para o garoto. Em sequência, virou a sua palma e moveu o dedo indicador para frente, como se estivesse chamando algo.
Arthur tentava entender o que estava acontecendo. Primeiro, pensou: “Ele tá me chamando?” ao mesmo tempo em que firmava os pés no chão.
Antes que pudesse pensar em como agir, um pilar no formato de punho fechado ergueu-se rapidamente e o acertou nas costas.
O ar que escapou sussurrou as dores sentidas. Seus olhos quase vacilaram mais uma vez, mas se esforçou para isso não acontecer.
Logo após, o som de chamas se queimando ficava cada vez mais próximo. Com esforço, pôde ver o que estava indo em sua direção: uma bola de fogo.
Não estava tão perto, mas também não tão distante para dar chance para o azar. Agora, pensava em alguma forma de desviar daquilo.
Seu raciocínio levou a um único fim: distribuição de peso. A solução encontrada foi enrijecer o ombro direito e tentar se jogar para lá.
E assim estava sendo feito. Era lento, mas o progresso era naturalmente visível. Quanto mais tempo se passava, maior ficava a dúvida se ele seria acertado ou não.
Aquele ataque passou pela sua bochecha, quase raspando. O calor apalpava a pele, e a orelha ouvia tanto a sua chegada quanto a saída.
+40% em todos os atributos acumulados!
Quando o rosto estava prestes a bater no chão, uma onda de ar empurrava sua bochecha para o lado contrário, fazendo-o retornar para onde estava.
Mal deu tempo de pensar na razão dessa ação, e mais um ataque estava rente ao seu nariz. Dessa vez: um chute frontal à curta distância.
Infelizmente não teve o que ser feito. Sua face enrijeceu antes mesmo dos braços pensarem em levantar-se para que pudessem defendê-lo.
O acerto foi limpo e preciso. Arthur foi arremessado para trás no mesmo instante. Suas costas estavam prestes a colidir com o solo.
E assim aconteceu.
Enquanto derrapava no chão, as mãos se arrastavam numa tentativa de buscar estabilidade no atrito. Não demorou muito para que isso acontecesse.
Antes que pudesse respirar fundo para recomeçar, gotas d’água caíam sobre seu cabelo, fazendo-o olhar para o céu logo em sequência.
E de lá caía uma esfera de gelo recém-formada. O alvo era claro: o topo da cabeça.
A reação veio na mesma hora: “empurrou” o chão da arena. Assim, conseguiu se afastar daquele lugar antes da bola de gelo o acertar.
+50% em todos os atributos acumulados!
Nem teve tempo para prestar atenção nisso. O nariz lacrimejava sangue ao mesmo tempo em que os pulmões clamavam por um pouco de ar.
Limpou as narinas e respirou fundo, pensando que, pelo menos dessa vez, teria tempo de recuperar uma pequena parte da energia que perdeu.
Erro dele.
Nesse mísero tempo de conserto, Saito já estava na sua frente. O punho cerrado encontrava-se na cintura, pronto para disparar a qualquer momento.
Arthur encontrou-se numa encruzilhada: saltar para desviar de um provável ataque, ou abraçar aquela possível oportunidade para golpeá-lo.
O brilho no olhar de Saito ficava mais forte a cada pulsar de hesitação que morava no coração do garoto, pressionando-o para tomar uma decisão…
… Até que o fez.
Ele fechou o punho e o jogou no rosto adversário. Não teve preparo, tampouco o apoio das pernas para dar mais força, apenas velocidade e esperança.
Saito apenas abaixou a cabeça e firmou os pés no chão. O olho fixava-se no alvo tão exposto que parecia pedir para ser acertado: a costela.
Arthur sabia o erro que acabou de cometer, mas não tinha mais conserto. A única coisa que pôde fazer nessa fração de segundos foi cerrar os dentes.
O impacto veio na mesma hora. Seu corpo já estava voando ao horizonte antes mesmo do suspiro de dor escapar dos lábios.
Quando foi se dar conta de algo, já estava rolando no chão até encontrar estabilidade.
A região atingida formigava demais. Respirar a fazia arder como se estivesse jogando sal na ferida, mas ele sabia que não podia perder tempo.
Sem saber de onde tirava forças, ergueu-se contra sua vontade. Em sequência, focou os olhos para frente, tentando encontrar se havia mais ataques vindo.
E tinha. Não só uma, mas três bolas de fogo ainda maiores do que a anterior voavam às pressas em sua direção, e não estava tão distante.
Dessa vez, não deu tempo para o azar. Seus pés imediatamente saltaram para a direita enquanto se esforçavam para mantê-lo em pé.
+80% em todos os atributos acumulados!
Logo depois, o que o ameaçava não era mais o som de um ataque se aproximando, mas de passos que corriam até ele, vindo da esquerda.
Assim que virou-se para observar, Saito cessou a corrida, firmou os pés na arena e golpeou o ar. Houve impacto, como se batesse em um tambor invisível.
Arthur não conseguia ver um ar distorcido se aproximando rapidamente, mas podia sentir seus instintos gritando para que ele fizesse algo.
Infelizmente, naquele momento, ele não tinha mais fôlego para tentar desviar daquilo, e essa foi a resposta que encontrou: entregar-se à fraqueza.
Deu permissão para os joelhos descansarem, e assim eles se jogaram contra o chão enquanto as mãos repousavam no solo para que ele não caísse.
+90% em todos os atributos acumulados!
E essa foi a resposta certa.
Isso o ofereceu alguns segundos de descanso, e era tudo o que ele precisava: apenas um curto momento de fôlego para se levantar.
Saito estava há poucos metros de distância, se pondo em guarda num ritmo lento, anunciando que seu próximo ataque chegaria em breve.
Entretanto, Arthur não estava mais disposto a tentar esquivar ou desviar do que ficava cada vez mais difícil. Nesse pouco tempo que teve, concluiu que ele tinha que atacar de alguma forma.
E assim correu na direção de Saito, até que ficassem frente a frente.
Por um breve instante, ambos se ausentaram de ações. Saito observava fixamente o rosto cansado do garoto enquanto projetava o braço para trás.
Arthur, quase se agarrando ao cansaço, aguardava pacientemente a hora certa de desviar daquele soco, até que ela apareceu.
Quando viu o braço de Saito estagnar no ar, inclinou o pescoço para o lado. O soco quase o acertou, mas, com isso, conseguiu o que tanto desejava:
+100% em todos os atributos acumulados!
Dessa vez, seus punhos eram quem cerravam. Os ombros se moviam para trás pacientemente, preparando o último soco que daria.
Saito abria a palma e a posicionava perto do peito. Em toda essa luta, analisou com cuidado a velocidade máxima que Arthur reagia.
Ele não sabia onde aquele desejava acertar, mas tinha total certeza de que conseguiria reagir a um ataque com o padrão decorado.
Arthur terminou seus preparos. Quando estava prestes a disparar seu golpe, gritou internamente:
“AGORA!”
Todos os seus atributos dobraram!
E assim seu ataque voou na direção do rosto de Saito: com o dobro de força e velocidade, uma informação que ele não tinha como saber.
Seu olhar, em uma situação séria, conseguiria desviar com facilidade de um ataque como esse, mas a soberba, despreocupação e a certeza o deixaram cego.
Quando percebeu, aquele ataque havia o atingido em cheio. O corpo, que estava relaxado, já estava com as costas viradas para o chão.
O semblante estava neutro. Encarava o céu com cara de paisagem, mas sentia a pequena gota de sangue engatinhar pelos seus lábios.
“Eita…”
Poucos segundos bastaram para que ele entendesse o que tinha acontecido.
“Acho que eu perdi.”
Próximo capítulo: Sempre Estive Aqui.

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