Índice de Capítulo

    O sussurro do suspiro daquele gigante escapou pela imensidão de seus lábios. Isso não era o sinal de desconforto ou cansaço, apenas de que ele havia pensado demais.

    As pálpebras abraçaram a escuridão, e o restante do corpo disse “Olá” ao abismo. Talvez agora seja a hora de se soltar, nem que seja um pouco.

    Pouco depois, o pulsar do coração começou no peito e ressoou em todo o corpo, e isso lhe dizia que o aquecimento ainda não havia acabado, embora estivesse próximo.

    Por fim, abriu os olhos e observou o cenário com um pouco mais de cautela, e não demorou para que notasse a organização das formigas.

    Dessa vez, os vermes não estavam juntos como antes, mas sim separados o bastante para tornar precipitado demais tentar atacá-los de uma só vez.

    Sendo assim, basta encontrar a formiga mais fraca e esmagá-la. Foi o que pensou, e assim seus olhos começaram a busca pela presa.

    Não muito tempo depois, identificou um alvo perfeito: a altura estava na média para os humanos, mas o corpo estava longe de ser bem treinado.

    Os olhos ainda estavam arregalados pela situação em que se encontrava, e os dedos finos tremiam sutilmente enquanto tentavam buscar coragem na admiração: Arthur.

    Sua análise foi tão precisa quanto rápida, e logo o rei começou a se mover. Dessa vez, um salto foi necessário para que se aproximasse do alvo.

    A formiga entrou em alerta no mesmo instante, e as pernas se afastaram uma das outras, de prontidão para tentar esquivar do que estava por vir.

    Pouco depois, Kong estava próximo o suficiente para que um ataque seu acertasse a presa, e assim foi feito. Um soco, de cima para baixo, foi disparado.

    Devido ao seu tamanho, primeiro se arrastou pelo solo como uma cobra se aproximando com pressa, e só começaria a se levantar depois que o acertasse.

    Sendo assim, Arthur pôs toda força e desespero em ambos os pés, e apenas aguardava o momento certo para que pudesse saltar. Não demorou para que o momento perfeito chegasse. Não estava nem tão longe para ser precipitado, e nem tão perto para ser atrasado demais.

    E então, saltou com tudo o que tinha. No começo, os olhos arregalados, observando o punho se aproximar cada vez mais, começou a pensar que seria acertado.

    Conforme os instantes se passavam, cada vez mais encontrava-se acima daquele golpe, e não demorou muito para que eles se encontrassem.

    Graças ao seu tempo de reação, apenas a ponta dos dedos de seus pés encostaram de raspão no punho daquele que era incontáveis vezes maior que seu corpo.

    Pouco depois, pousou no antebraço daquele monstro, mas a física não o permitiria ficar apenas parado; se quisesse se manter ali em cima, teria que correr e manter-se daquela forma.

    E assim foi feito. O foco que a adrenalina trouxe só o permitia enxergar aquele ser e nada mais. Agora, seu maior objetivo era continuar avançando até que encontrasse uma brecha de escapar ou atacar.

    Devido à situação, nem percebeu a notificação do sistema com a seguinte mensagem: “Você teve êxito em esquivar de um ataque fatal! Todos os seus atributos aumentaram temporariamente em cem por cento.”

    Entretanto, não tenho tempo para continuar narrando esse detalhe, o perigo de Arthur ainda está tão longe de acabar quando a terra do céu.

    Ao olhar brevemente para o lado direito, percebeu que o outro punho do rei aproximava-se em busca pela sua vida frágil. Aparentemente, havia percebido tarde demais. Se pulasse agora, pelo menos uma das pernas seria acertada, mas hesitar não era uma opção.

    Dessa forma, pôs todas as forças na perna direita, e saltou com o máximo de determinação e esperança que tinha em mais uma tentativa de sobreviver.

    Sem que percebesse, esse pulo teve o dobro de potência do anterior. Graças a isso, pôde esquivar perfeitamente, evitando que uma das pernas fosse quebrada.

    Logo depois, pousou na mão de Kong e não deu um mísero instante para o próprio pulmão respirar, seu desespero não daria esse luxo.

    E então, pôs força em ambos os pés e saltou para trás em direção ao chão em uma busca desesperada por terra firme e um pouco mais de visão.

    Teve êxito na tentativa; entretanto, enquanto caminhava para o solo, os olhos puderam presenciar uma estrela brilhar em tom dourado.

    Tal astro aproximava-se tão rápido quanto um relâmpago do enorme rei, e não foi de demora alguma para que saltasse em direção ao seu rosto.

    O brilho amarelo dissipou-se ao horizonte assim que o pulo foi feito, entretanto, a intenção assassina tingia seus olhos de vermelho.

    Kong rapidamente notou sua presença, e seus instintos o forçaram a dar uma atenção especial a ela. Mal sabia o rei que aquela era a mãe daquele que ele julgou presa.

    Luna, ainda no ar, cerrou tanto os punhos quanto os dentes. A mão fechada brilhava em tom vermelho feito uma estrela errante e implacável.

    Os olhos do gorila entregavam-se ao dilatar do foco. A ameaça era tão visível quanto palpável, e ele tinha uma defesa adequada para isso.

    Assim que a guerreira lançou seu mais forte soco, Kong abaixou o pescoço rápido o suficiente para que o golpe atingisse não seu rosto, mas sim a testa.

    O choque da colisão fez o ar tremer, mas o único ser que saiu danificado dessa disputa entre força e defesa não foi ninguém senão Luna.

    Seus dedos cravavam na palma, induzindo o sangue a escorrer. Os ossos da mão trincaram, mas o rosto não demonstrou nem um sinal de dor.

    Todavia, é uma regra da vida saber que toda ação tem uma reação, e essa regra não será quebrada nem nesse mundo e nem no anterior.

    Sabendo disso, Kong aproveitou-se da desvantagem em que Luna se encontrava: ela estava no ar, e não tinha poderes de voo para escapar dali.

    Dessa forma, um de seus punhos caminhava com pressa em direção ao predador que tornou-se tão vulnerável quanto a mais fraca das presas.

    Ela, nesse contexto e situação, não pôde fazer nada além de proteger o torso e rosto com o antebraço enquanto envolvia a si mesma em uma energia azul.

    No entanto, Kong esqueceu que ela não estava só, havia um dominador elemental entre os oito dos seres que ele considerou formigas.

    Uma rajada de vento encontrou-se com os antebraços de Luna, e foi dessa forma que ela foi lançada para trás pouco antes daquele soco alcançar sua posição anterior.

    Agora, retornaremos ao domínio terrestre. Nesse momento, quem resolveu superar os próprios instintos de sobrevivência foi Douglas.

    Ainda que seu corpo fosse tão grande quanto pesado, as pernas corriam mais rápido do que nunca. Não demorou para que se aproximasse do rei.

    Ele, por sua vez, não os via mais como simples formiga, mas sim como besouros, e isso o permitiu enxergar Douglas avançando no solo.

    Dessa forma, levantou um de seus pés sem pressa, até que estivesse em uma altura boa o bastante para que o pisar fosse fatal. Os olhos de Douglas, tão arregalados quanto atenciosos, identificaram o perigo no mesmo instante e desejaram evitar a morte a todo custo.

    Foi com esse pensamento que seus pés agarraram o chão e saltaram para o lado direito logo após; entretanto, foi precipitado até demais.

    Embora Kong fosse enorme, seu tempo de reação não agia de acordo, e foi assim que, antes de atacá-lo, ajustou a posição de seu pé para que o golpe fosse certeiro.

    Douglas não tinha nenhuma saída, e tudo o que pôde pensar foi em fortalecer o corpo para quem sabe sobreviver; entretanto, a história se repete: ele não estava sozinho.

    Um portal, mais escuro do que o escuro, surgiu de uma hora para a outra na sua frente. Antes que pudesse raciocinar, a voz de Andressa ecoou:

    — ENTRA NO PORTAL!

    Não sobrou espaço ao questionamento, apenas para a confiança e vontade de viver. Assim, juntou a força restante que tinha para jogar-se ao transportador.

    Dessa forma, reapareceu do lado do outro joelho graças ao outro portal que ela havia posicionado lá, e a brecha para o ataque era perfeita.

    Pousou pouco depois, mas não deu tempo para o acaso. Saltou no mesmo instante que seus pés tocaram o chão, rotacionando o corpo.

    Segundos antes, Saito estava avançando justamente para onde Douglas se encontra atualmente, desde o momento em que salvou Luna do contra-ataque.

    Enquanto Douglas se encontra do lado esquerdo, Saito acabou de chegar ao lado direito, e um soco dos dois foi lançado na mesma direção.

    O ataque foi certeiro e forte o bastante para fazer o impacto ressoar pela perna do rei; no entanto, ele não tinha tempo para se preocupar com esses dois.

    Logo à frente, um pouco acima da sua cabeça, estava o líder daqueles besouros, e o seu ataque era mais forte e ameaçador do que todos eles juntos.

    Ele sim merecia uma atenção mais do que especial, e o contra-ataque deveria vir de acordo, e aconteceu antes mesmo de Ônix o alcançar.

    O rei abriu sua boca e rugiu em direção ao garoto, torturando o ar enquanto obrigava-o a atacar o jovem dos olhos universais enquanto o afastava.

    Ônix sentia seus ouvidos tremerem enquanto o vento golpeava sua barriga inúmeras vezes. Tudo o que pôde fazer foi defender-se com os antebraços, no entanto…

    … Havia duas pessoas que estavam apenas esperando essa brecha, onde aquela criatura focava seus olhos em só um lugar. Sem que percebesse, Waraioni e Morfius corriam em direção a sua barriga e, assim que estavam próximos o suficiente, saltaram.

    Ainda no ar, ambos cerravam os punhos com tudo o que tinha, o bastante para causar tremedeira ao braço, mas isso não importava.

    Não demorou muito para que alcançassem o abdômen do rei, que, no momento, estava exposto. Dessa forma, o punho dos dois guerreiros atacaram simultâneamente.

    Os dentes rangiam, mas o grito de guerra impulsionava o soco dos dois, o bastante para tornar aquele ataque o mais forte até então.

    O golpe foi certeiro, e o dano foi o bastante para fazê-lo arregalar os olhos; entretanto, o impacto não estava disposto a ignorar seu trabalho.

    A força do ataque empurrou Kong novamente para trás; no entanto, dessa vez foi diferente: uma gota de sangue estava caindo da boca do imperador.

    Próximo capítulo: Insuficiente.

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