Capítulo 92: Insuficiente.
Mais vermelho do que o escarlate e também bem maior do que o punho de um homem adulto. Eis esse o tamanho de uma gota de sangue do rei.
Com uma calma comparável a uma folha que flutua, essa gota deixou-se levar pelo vento. Não muito depois, encontrou-se com o chão e teve seu fim.
O sutil som da sua explosão ecoou em todas as direções, como se dissesse: ele pode se ferir, mas isso não significa que é tudo o que tem.
Todos os guerreiros humanos presentes cessaram quaisquer movimentos, e os olhos doavam o máximo de atenção possível ao imperador da floresta.
Ele, por sua vez, observava fixamente o chão a ponto de esquecer que aqueles besouros ainda estavam lá, observando-o, embora estivessem parados.
Pela primeira vez, seus olhos encontraram um pequeno brilho. O que estava no chão não era sangue humano, mas, sim, o dele, e isso era… Fantástico.
Ainda que não estivesse sentindo a angústia da dor, aquela era a prova viva de que seu imenso corpo, pela primeira vez, sentiu um impacto interno grande o bastante para fazê-lo cuspir seu próprio sangue.
Aquilo não era como um golpe no nariz que facilmente pode espirrar incontáveis gotas vermelhas, isso tinha vindo do interno, lábios e garganta cederam para que isso acontecesse.
Assim que notou e entendeu tudo isso, soube que, finalmente, podia se soltar. Essa conquista o fez sorrir sutilmente, não por alegria, mas pura confiança e prazer pela guerra.
Poucos instantes após, o chão começou a tremer. Terremoto? Não, era algo pior: ansiedade pura pelo que estava prestes a surgir.
O ar logo tornou-se gelado, como se, de repente, entrassem em um inverno profundo o bastante para tornar seus suspiros visíveis em névoa.
Um desconforto estranho abraçava a barriga dos presentes e dançava no intestino de cada um deles. Não sabiam o que estava por vir, mas tinham a certeza de que seria perigoso.
Tudo o que narrei foram míseros instantes, e foi o suficiente para começar a notar as mudanças que abraçavam Kong gradualmente.
Os membros de seu corpo aumentavam de tamanho devagar, tanto em tamanho quanto comprimento, e sua altura estava inclusa nisso.
Sua liberdade foi concluída pouquíssimo depois, e a verdade era visível a qualquer um que tem olhos para enxergar: seu tamanho duplicou.
E não foi só isso, tudo, incluindo as suas estatísticas, acompanhou essa evolução; ou seja, agora eles terão que enfrentar e vencer dois reis em um só corpo.
Eis essa a verdadeira força daquele chamado King Kong. Tudo o que eles experimentaram até agora foi somente metade do que ele pode, e vai, ser.
Ainda que não houvesse dica do sistema, todos eles concluíram a mesma coisa: ataques corpo a corpo não vão mais funcionar nessa criatura.
Exageraram, mas não deixa de ser verdade em parte. Kong pode sim sofrer com esses ataques físicos, desde que eles tenham o dobro de força agora.
A paralisia alcançou os desafiantes. Se já estava difícil antes, como diabos vão lidar com dois em um? Essa missão é possível de vencer em primeiro lugar?
Morfius, Waraioni, Luna e Arthur expressavam no olhar o que o semblante não conseguia: desesperança total. Por um momento, pensaram ser impossível.
Os braços levando-se para baixo acompanharam a longa queda do suspiro, e a mente cada vez mais caminhava para a escuridão da desistência.
Até que o som de uma única palma ecoou ao horizonte. Era como um apito que busca atenção, mas o tom era tão agradável quanto o canto dos pássaros.
Todos os presentes olhavam na direção de onde aquele som confortável veio, e seu criador era aquele que carrega a dor dos mortos no peito: Ônix.
Ainda que estivessem a vários metros de distância, seus olhos universais estavam firmes o bastante para seus companheiros o observarem.
Não havia medo no seu olhar, e o corpo não acompanhou a tremedeira do chão. Mesmo no silêncio, tentava dizer: não se preocupem.
A adversidade pode te iludir, e dizer que todos os seus esforços são insuficientes perante a maior dificuldade apresentada; no entanto, se ela foi criada para você, é porque tem um jeito.
Ônix sabia disso melhor do que ninguém, e vocês sabem o motivo, leitores, pois acompanharam as dores que ele sentiu desde o momento em que reviveu.
Sabe quem mais sabe e o acompanhou, sem ser vocês? Saito, e ele foi o primeiro a caminhar em direção ao seu irmão assim que o som da palma explodiu.
Assim que o alcançou, ficou ao seu lado, observando o adversário que dobrou a dificuldade de uma hora para outra. Pouco depois, disse:
— Essa vai ser difícil, em, neguin.
A neutralidade de seu rosto escondia a insegurança que sentia; entretanto, isso de forma alguma o impediria de alcançar um limite acima do céu.
Ônix o observou por um instante e riu brevemente, dizendo que seria. Logo depois, abaixou as mãos enquanto abria ambas as palmas.
Nesse momento, recordou-se das bolhas que a escuridão criou para proteger seus amigos. Dessa forma, ainda que não tivesse certeza, pediu às sombras armas usáveis, uma para ele e outra para o irmão.
Pouco depois, o abismo começou a se concentrar em suas mãos. No começo, eram apenas duas esferas tão escuras quanto tangíveis, e não demorou muito para que assumissem suas formas.
A direita assumiu a aparência de uma foice maior do que o corpo do portador, e a esquerda entregou-se à forma da katana mais afiada que o abismo podia oferecer.
Logo após, Ônix apoiou a foice no trapézio e entregou a outra arma para Saito, que a aceitou com tranquilidade, sem questionar os métodos usados.
Assim, ambos começaram a caminhar em direção ao desafio, mas, claro, alguma mensagem deveria ser dita, e as sombras fizeram esse trabalho.
Uma breve escuridão juntou-se atrás de Ônix. Ela gradualmente se entregava às letras até que formasse a seguinte mensagem:
Nesse tudo ou nada, estamos indo na frente.
Cada um deles leu a mensagem com devida atenção. Quatro deles permaneceram parados, pensando no que podiam fazer para ajudar, no entanto…
… Assim que entenderam a situação, tanto Waraioni quanto Andressa dispararam para atacar. Ambos, ainda que não pensassem no que estavam fazendo, avançaram puramente por instinto.
Pouco depois, Waraioni doou um instante do seu tempo para pensar: “Se não consigo pensar em mais nada, então eu vou só improvisar e ver no que dá.”
Andressa, por sua vez, recordou-se do que aconteceu há pouco tempo, de quando Ônix avançou sozinho pela segurança deles e se feriu no processo.
Dessa forma, pensou consigo: “Não vou cometer o mesmo erro de antes.”. Ainda que não pudesse causar danos significativos, iria, pelo menos, tentar protegê-lo.
Agora, retornaremos à atração principal. Aos olhos de Kong, as duas principais ameaças estavam caminhando em sua direção, enquanto dois besouros corriam alguns metros atrás deles.
Não demorou um instante para que começasse a agir, começando com o fechar dos punhos até levar o braço direito ao céu.
No mesmo instante, Ônix e Saito iniciaram sua corrida. Imediatamente após, o rei lançou o primeiro soco do segundo round em direção a eles.
Saito pulou ligeiramente. Com os pés há poucos centímetros do ar, distribuiu grande parte da sua força à perna esquerda antes de tocar o solo novamente.
Assim que o tocou, saltou com tudo o que tinha para a esquerda enquanto segurava firmemente a katana das sombras feita há pouquíssimo tempo.
Ônix, por sua vez, concentrou força em ambas as pernas e saltou para cima. O que ele desejava não era apenas esquivar, mas sim um contra-ataque.
O punho, por pouco, não atingiu seus pés, mas o desvio foi feito com êxito. Antes de pousar, segurou o cabo da foice com tudo o que tinha e projetou o braço para trás.
Em seguida, lançou-a no braço de Kong e firmou-se no novo terreno, mas ainda não era o suficiente, o resultado tem que ser mais bruto.
No mesmo instante em que a insatisfação o alcançou, firmou os pés no novo chão e disparou logo depois. Moveu seu corpo para trás ainda no ar, para que as pernas ficassem de prontidão.
Pouco depois, a foice fincou-se na pele do rei e começou a se arrastar com a força do arremesso de Ônix, mas não duraria tanto tempo se permanecesse sozinha.
É aí então que ele entra no contexto. Graças ao avanço repentino que fez há pouco tempo, teve impulso o suficiente para dar suporte à arma.
O pé direito apoiou-se no cabo da foice, ajudando-a a continuar avançando. O esquerdo permanecia levemente no chão, garantindo estabilidade.
Assim, Ônix deslizava no braço enorme de Kong enquanto cortava sua pele, trazendo a chuva de sangue que o rei nunca imaginou que um dia teria.
Saito não ficava para trás. Lembra que eu disse que ele saltou para a esquerda? Pois bem, ele fará bom uso dessa movimentação agora.
Pouquíssimo depois, jogou o pé direito no chão enquanto concentrava força tanto no pé esquerdo quanto na mão direita, planejando mais um avanço.
E assim foi feito. Disparou feito um relâmpago em direção ao braço de Kong enquanto usava o elemento fogo na sola dos pés, sem deixar-se levar pela fúria dessa vez.
Dessa forma, alcançou-o em um instante; no entanto, ele queria mais. Assim como Ônix, sua agressividade deve ser a maior possível.
Guiando-se através desse pensamento, fincou sua arma no antebraço do rei e começou a circulá-lo enquanto avançava, atacando da mesma forma que seu irmão.
Esse contra-ataque de Saito e Ônix que narrei aconteceu em pouco menos de um minuto, e foi assim que o primeiro banho de sangue da caverna aconteceu.
Próximo capítulo: (Ainda tô pensando em um título pra ele. Depois atualizo <3)

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.