Índice de Capítulo

    A mata se fechava ao redor de Danurem conforme ele avançava, deixando a cidade para trás. O cheiro de umidade e terra viva substituía o das muralhas quentes e das forjas fumegantes. Ele caminhava como quem conhece seu espaço. O passo firme, o ombro relaxado, o enorme martelo de guerra apoiado no ombro como se não pesasse mais do que um feixe de lenha.

    — Trabalho chato ficou pra você, Eldrik. — murmurou, sem sombra de culpa. — Boa sorte com aquela papelada.

    Um sorriso torto se formou, breve, quase infantil. Dan vivia para isso não para ordens, relatórios e política, mas para o cheiro da batalha chegando de longe.

    Não precisou esperar muito.

    As folhas se agitaram à sua esquerda rápido, baixo, organizado. Matilha. Seis bestas de pelo escuro, algo entre chacais e homens retorcidos, os olhos brilhando de fome.

    Elas estavam esperando a cidade baixar a guarda.

    Dan ergueu o martelo.

    — Nem pensar.

    A primeira saltou. Dan virou o quadril, um arco suave do ombro, e o martelo esmagou o crânio da criatura contra o chão com impacto seco.

    “Croc”

    Sem pausa, girou o cabo e atingiu a segunda no peito, arremessando-a contra uma árvore. A terceira veio por baixo Dan simplesmente ergueu a perna e pisou, esmagando o pescoço. A quarta tentou circular e ganhou o martelo direto no dorso, dobrando ao meio como um livro.
    O martelo desceu e o chão tremeu. Crânio esmagado, terra e sangue espirrando.

    As duas restantes hesitaram, sentindo o erro.

    Dan sorriu, um sorriso leve, genuíno.

    — Corram.

    E elas correram.

    Dan foi atrás.

    Seu corpo enorme fluía entre as árvores com eficiência. Não era velocidade por uso do ordo simplesmente, era biomecânica perfeita. Peso e técnica.
    Pegou uma pela nuca, torceu “crack”.
    A outra, pela espinha, esmagando-a contra o chão.

    Ele ia respirar… quando o mundo silenciou.

    A mata prendeu o ar e a mana do ambiente vibrou.

    Um canto grave vibrou no tronco das árvores.

    Dan ergueu o olhar.

    Uma besta do tipo coruja, alta como um homem, asas largas, penas negras opacas como carvão molhado, olhos brancos vazios a mana fervendo dentro dela, pronta para ascender. ela estava muito próxima da cidade.

    Se aquela coisa voasse e chegasse à cidade…

    Dan avaliou a distância.
    Se corresse, não chegaria a tempo de impedir o voo.

    Seu peito encheu de ar.

    E circulou o Ordo com mais intensidade.

    Começou nos ossos, uma densidade fria crescente que subiu para os músculos tornando-os firmes como pedra molhada e chegou à pele, negando a mana ao redor.

    O mundo pareceu mais silencioso, como se até o vento tivesse parado.

    Dan girou seu martelo uma vez, e arremessou.

    O ar se dobrou ao redor do projétil.

    A coruja abriu as asas e lançou uma lâmina de mana branca, cortante como vento de inverno.

    Ela atingiu Dan no peito, mas nada aconteceu.

    Não arranhou.
    Não empurrou.
    Como se fosse uma simples miragem.

    O martelo atingiu a besta, fazendo o tronco da besta estourar separando as asas.

    Mas o martelo não parou.

    Abriu um canal na mata, derrubando árvores, quebrando raízes, arrastando folhas, até sumir numa trilha de destruição.

    Dan suspirou, passando a mão no rosto.

    — …Droga. — Estalou o pescoço. — Vou ter que buscar.

    Ele caminhou seguindo o rastro de destruição causado pela energia do martelo.

    Durante o caminho ele encontrou seu martelo próximo de outro grupo de bestas que estavam descendo as colinas que conectavam as montanhas centrais. Bestas de todo tipo. Chacais maiores, lobos deformados, carcaças retorcidas. Todas vindas de uma única direção, mas todas viraram adubo pelas mãos de Dan, após quase uma hora de caminhada, mais um grupo de bestas veio correndo em sua direção.

    Dan sorriu largo.

    — Ah, então é uma daquelas noites.

    E entrou na batalha.

    Não havia graça, só precisão brutal. Dan se movia como um pedregulho com intenção como se uma avalanche estivesse passando morro acima. Era Punho, joelho, cotovelo e martelo contra, dentes quebrando e costelas cedendo. Nada de floreios.

    O chão tremia sob seus passos. Ele seguia o fluxo das criaturas como um rio segue o relevo deixando apenas um rastro de destruição e corpos, até chegar diante de uma caverna, escura. O que era estranho, Dan conhecia muito bem aquela região e nunca houve uma caverna ali… ele se aproximou para investigar a entrada da caverna quando foi atingido por um punho enorme que o arremessou para trás.

    Dan derrapou por alguns metros, o impacto havia sido forte, seu braço esquerdo ficou levemente dormente, o que realmente o surpreendeu. Ele focou na entrada do túnel, mas curiosamente por alguns segundos nada aconteceu até que um som veio primeiro um passo profundo, pesado, vibrando no solo.

    Depois, a figura emergiu.

    A figura emergiu das sombras, uma Grande Besta com corpo de touro erguido em dois pés, ombros largos como muralhas, chifres longos e afiados brilhando à luz da lua. Seus músculos densos pulsavam com veios de mana incandescente, como se o próprio fogo da terra tivesse sido forjado em sua carne. Dan sentiu o sorriso se espalhar por seu rosto, um sorriso selvagem e primitivo que não pôde conter.

    — O que é você, bicho feio? — ele perguntou, a voz rouca de excitação.

    A besta inclinou a cabeça, como se entendesse a pergunta. Dan já havia enfrentado muitas bestas em sua vida, mas essa era diferente. Essa era uma fera de outro nível, era a primeira vez que ele via uma besta assim…
    Nada mais foi dito. A besta abaixou a cabeça apontando os chifres para Dan, e no instante seguinte disparou.

    Sem aviso, a besta abaixou a cabeça e disparou em direção a Dan, seus chifres brilhando como lâminas afiadas. Dan ergueu os braços, segurando os chifres com força, enquanto a besta o golpeava com força bruta.

    IMPACTO.

    O impacto foi como um trovão, sacudindo a terra e fazendo voar pedras e raízes e erguendo uma nuvem de poeira.


    A besta golpeou novamente, desta vez com o punho envolto em chamas vivas. Mas Dan não se moveu, as chamas bateram em seu corpo e sumiram sem causar dano. A besta parou, surpresa, e Dan aproveitou a oportunidade para contra-atacar.

    Ele agarrou os chifres da besta e a jogou para cima, usando toda a sua força para impulsioná-la. A besta voou pelo ar, seu corpo enorme girando em uma espiral descontrolada. Dan preparou seu martelo, pronto para esmagar a besta no chão.

    Mas a besta não caiu como ele esperava. Em vez disso, ela se ajustou no ar, usando sua força incrível para mudar de direção e aterrissar com os pés no chão. Dan sorriu, impressionado. Essa besta era mais do que apenas um animal feroz.

    Dan percebeu.

    “Ele pensa?”

    O minotauro parou.
    Seus olhos estreitaram olhando para o local.
    Ele registrou isso, e atacou com os chifres novamente, mas assim que Dan segurou os chifres, o touro mudou de tática, erguendo-se sobre as patas traseiras e sacudindo a cabeça com força, como um cavalo selvagem. Dan lutou para manter a pegada, sentindo-se como um boneco de pano enquanto o touro o sacudia com violência. Mas antes que pudesse evitar ser arremessado longe, o touro ajustou a postura e fez um balanço para cima usando toda a sua força, impulsionando Dan para o ar com uma força incrível.

    Durante a subida, Dan preparou seu martelo, antecipando o impacto. Ele sabia exatamente o que estava fazendo, e um grande sorriso se espalhou por seu rosto enquanto ele via o chão se aproximando. Mas, para sua surpresa, a besta não se moveu, permanecendo no mesmo lugar e olhando para ele com um olhar desafiador.

    Conforme Dan ganhava velocidade e se aproximava do chão, a besta abriu a boca e soltou uma labareda gigantesca em sua direção. Dan passou pelas chamas sem hesitar, sentindo o calor intenso, mas sem sofrer nenhum dano. A besta aproveitou a oportunidade para atacar, golpeando com os chifres na lateral de Dan. Mas Dan estava preparado e reagiu com velocidade, golpeando com o martelo para cima e quase acertando a cabeça da besta, que recuou no último segundo.

    A besta havia usado as chamas para criar uma brecha, mas Dan não se deixou enganar. Ele sabia que a besta estava tentando criar uma abertura para atacar, e ele estava determinado a não lhe dar essa chance.

    A besta manteve postura mais baixa, pés girando em circunferência, buscando a base de Dan.

    Como um lutador.

    A excitação de Dan cresceu.

    — Você sabe lutar.

    A criatura atacou o joelho, buscando articulação, ponto fraco.
    Dan recuou meio passo.
    O touro desviou o contragolpe no tempo exato.

    Não era instinto.
    Era técnica, a besta estava lutando como um guerreiro o que era bizarro de ver.

    A luta ficou feia muito rápido.

    Corpos se chocando com força bruta. estilhaçando madeira e rochas pegas no meio do confronto. a luta parecia equilibrada quando Dan finalmente acetou um golpe em cheio na besta, que voou até bater com força na parede lateral da entrada da caverna, o impacto foi tão brutal que sacudiu a encosta e a entrada começou a desmoronar.

    a besta caiu cuspindo sangue e uma gosma roxa, seu olhar era de puto ódio enquanto olhava para Dan que se aproximava lentamente, se ele quisesse podia matar a besta agora, mas seria… muito rápido para Dan.

    — Vai ficar no chão quanto tempo mais bicho estranho? — Dan jogou o martelo de guerra para o lado se aproximando com os punhos nus. — Vou ter que te bater para ficar de pé?

    A besta rosnou, mas não cegamente.
    Ela ficou de pé retomou guarda.

    Dan, respirou fundo, riu. Um riso baixo, satisfeito.

    — Vem pra cima.

    A luta a partir desse momento virou um massacre unilateral que durou longos minutos, Dan se esquivava com facilidade dos golpes da besta e contra atacava com cada vez mais força. Suor, sangue, Respirações pesadas e uma risada macabra soavam durante o confronto..


    Poeira cobriu o lugar sendo cortada apenas pelo brilho da lua e das chamas inúteis que batiam no corpo de Dan.

    Até que o touro, exausto, deixou o pescoço exposto por um piscar.

    Dan aproveitou entrou.
    Braço em volta.
    Antebraço travado.
    Peso jogado para trás.

    MATA-LEÃO.

    O minotauro resistiu se debatendo soltando urros enquanto seus músculos continuavam tremendo e as costelas se abrindo.

    Dan apertou com ams força e acabou ouvindo um som foi úmido.

    A traqueia da besta cedeu junto com a cervical.

    Silêncio tomou conta da clareira que havia se formado do confronto dos dois..

    Dan ficou respirando ali, com o corpo morto nos braços, antes de deixá-lo cair.

    A floresta voltou a fazer som vento, folhas, o mundo vivo.

    Ele limpou o suor da testa com o antebraço.

    — Foi uma boa luta coisa feia. — murmurou, olhando em volta para a destruição.
    Uma pausa.
    Um sorriso pequeno, sincero.

    — Mas valeu a pena, foi uma boa noite.

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