CAPÍTULO 15 - CONFLITO
Jonathan avançou sem esperar que Oliver dissesse alguma coisa.
Oliver recuou um passo. Na primeira luta deles, Jonathan mal conseguia sair do lugar. Agora era diferente. O brilho azul ao redor do corpo dele pulsava com força, e os movimentos estavam muito mais rápidos.
Orson e Caramelo se afastaram instintivamente, chocados.
“Ele quer brigar de novo?” Oliver pensou. “Não posso ficar parado e apanhar.”
Jonathan fechou a distância em poucos passos e ergueu o punho.
“Isso basta. Não preciso exagerar e matá-lo,” pensou Jonathan.
Jonathan havia conjurado uma magia de 1º ciclo que havia aprendido recentemente. A magia se chamava [Aprimoramento básico]. Ela aumentava as capacidades físicas por cerca de 10 minutos. Jonathan podia controlar o aspecto reforçado: força, velocidade ou resistência. Naquele momento, reforçava a própria velocidade. A mobilidade era seu maior problema em combate.
O soco veio rápido demais.
Oliver viu o ataque se formar, mas não teve tempo de responder com o corpo. Mesmo com experiência militar na vida passada, ainda tinha o corpo de uma criança. Magro, pequeno, limitado.
O golpe acertou seu rosto com força.
Oliver sentiu o impacto estalar no maxilar. O mundo girou por um instante. Ele cuspiu sangue e rangeu os dentes.
Jonathan era mais alto. Tinha braços mais longos e alcance maior. Antes, sua lentidão era o maior problema. Agora, ele se movia sem limitações.
“Tem relação com o brilho azul?” Oliver pensou, limpando o sangue com o dorso da mão.
Jonathan sorriu e ergueu o punho outra vez.
“Ainda falta mais um soco!”
Oliver firmou os pés no chão.
Ele não venceria pela força. Não venceria pela velocidade. Precisava ler Jonathan antes do golpe acontecer.
Na luta anterior, o garoto sempre atacava do mesmo jeito. O mesmo braço. A mesma trajetória. O mesmo impulso.
Oliver apostou nisso.
Jonathan avançou de novo.
Oliver saltou para o lado no instante em que o ombro do adversário se contraiu. O soco cortou o ar e acertou o vazio.
Jonathan franziu a testa.
“Para de desviar!”
Oliver não respondeu. Continuou movendo-se, levando o corpo ao limite, lendo cada tensão no ombro, cada torção do quadril, cada mudança no peso dos pés.
Jonathan percebeu que Oliver escapava de tudo, mas não percebeu o motivo, seus ataques eram previsíveis demais. Oliver desviava com maestria.
Repentinamente Oliver pode perceber uma diferença de cor na alma de Jonathan, um vermelho intenso tomou conta quando ele gritou:
“Você está me irritando!”
O brilho azul ao redor dele oscilou.
Por um segundo, Jonathan perdeu o controle. Em vez de manter a velocidade, decidiu aumentar a força do golpe.
O fortalecimento disparou de forma violenta, enchendo os músculos com uma pressão absurda. O punho veio com muito mais velocidade do que antes. Muito mais força. Muito mais intenção.
Oliver sentiu o perigo antes mesmo do golpe terminar de nascer.
Se aquilo acertasse, ele morreria. Ou ao menos ficaria gravemente ferido.
O ar ao redor do braço de Jonathan estalou. O soco desceu pesado, rápido e brutal, mirando direto o rosto de Oliver.
Era tarde demais para desviar completamente.
Mas então a magia de Jonathan vacilou.
O brilho azul se desfez em fragmentos curtos, o fluxo de mana dele entrou em colapso no meio do movimento e a energia se dissipou.
Jonathan arregalou os olhos.
“O quê?”
O soco perdeu força no último instante. Ainda assim, a própria aceleração torceu o braço dele e o punho passou raspando por Oliver, atingindo apenas o espaço ao lado do rosto.
Oliver caiu para trás, rolou no chão e se levantou com dificuldade, ainda com gosto de sangue na boca.
Jonathan recuou um passo e olhou para as próprias mãos.
O brilho sumira completamente.
“Não…” ele murmurou. “O que aconteceu?”
Ele tentou puxar a mana de novo, mas não sentiu resposta imediata. O corpo estava quente e pesado, e a energia que o sustentava tinha desaparecido sem aviso.
Oliver encarou o garoto em silêncio, ofegante, com os olhos fixos nele.
“Você estava tentando me matar?” Havia incredulidade na voz de Oliver.
Ele não conseguia acreditar no que tinha acabado de acontecer. Se aquele soco tivesse mantido a energia estranha que Oliver sentira antes, talvez ele estivesse morto.
As duas crianças ficaram em silêncio por alguns instantes, apenas se encarando. Orson ainda estava ali, com uma expressão séria. O bom humor de sempre tinha desaparecido e um olhar de reprovação caiu sobre Jonathan.
Jonathan não soube explicar o motivo, mas sentiu que não era uma boa ideia continuar ali. Virou as costas para ir embora.
Quando deu o primeiro passo, foi surpreendido por algo que agarrou e perfurou seu calcanhar.
Era Caramelo. Depois da dissipação da energia de Jonathan, o cachorro correu até ele e mordeu seu calcanhar.
“Pulguento! Me solta!” Jonathan gritou, chacoalhando a perna.
Não adiantou. O cachorro continuou preso à mordida.
“Merda, me larga!” Jonathan continuou tentando se libertar.
Quando ergueu o braço para ameaçar um soco, Caramelo o soltou e correu de volta para trás de Orson, com o rabo entre as pernas.
Jonathan olhou ao redor e viu Oliver e Orson inexpressivos, olhando diretamente para ele.
“Eu ainda preciso acertar você mais uma vez! Então vamos estar quites!” Jonathan declarou e foi embora.
Oliver fervia de raiva, mas não demonstrava. Preferia evitar Jonathan, se possível. Tudo o que tinha acontecido com sua mãe fora por causa de um conflito com ele. Não queria que aquilo se repetisse.
“Você está bem, garoto?” Orson perguntou, com preocupação.
“Sim… estou vivo”, respondeu Oliver.
Ele estreitou os olhos.
Tudo aquilo era muito estranho.
Oliver não era idiota. Entendeu que Jonathan provavelmente havia avançado na magia. Mais do que Oliver havia avançado nos últimos anos.
Ele parecia ter dominado uma magia poderosa, capaz de eliminar rapidamente o maior defeito dele: a movimentação lenta.
O ritual que fez antes de brigar provavelmente fazia parte do processo de conjuração.
“O mais estranho é a magia ter parado de repente. Talvez ele ainda não a tenha dominado direito”, pensou Oliver, com o olhar ainda em Orson e em Caramelo.
Oliver ficou abalado com aquilo. Se Jonathan tivesse dominado essa magia corretamente, provavelmente estaria morto. Isso era sério demais.
Com a mente em turbilhão, decidiu ir embora, deixando Orson e Caramelo para trás.
Orson observou Oliver se afastar e sentiu alívio.
“Ainda bem que dissipei a magia do garoto loiro a tempo. Seria uma lástima perder alguém com tanto potencial.”

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