Capítulo 45 - Mentiras
Ao entrarem na mansão, se depararam com enormes colunas cheias de livros. As paredes eram feitas de um material muito belo, vários lustres estavam espalhados e o lugar transmitia imponência.
Jaro e Serena foram até a bancada do recepcionista, onde estava um homem de cabelo brancos e olhos amarelos.
Sua presença era enigmática.
— Sejam bem-vindos.
— Já se esqueceu de mim, Raizen?
Raizen ficou com a pulga atrás da orelha… mas, ao olhar melhor.
— Você é o 102… como cresceu tanto?!
Não é só isso, a mana dele está muito diferente. Antes eu diria que era apenas uma criança talentosa… mas agora… ele me passa a mesma sensação de um guerreiro. Reflitiu Raizen.
— Muitas coisas aconteceram… mas eu preciso enviar o relatório de uma missão. Me envie para a base subterrânea.
— Entendo… — disse Raizen, lançando um olhar breve à linda mulher que se escondia espremida ao lado de Jaro.
— Entrem dentro do círculo — ordenou, apontando para um círculo branco no chão.
Eles obedeceram, posicionando-se no centro. Raizen, de frente para eles, recitou algumas palavras que não compreendiam, e uma luz branca começou a envolvê-los.
Quando abriram os olhos, já estavam dentro de um cabine metálica. No horizonte, era possível ver uma pequena cidade à frente.
— Vamos — falou Jaro.
Caminhando, passaram pelo centro de treinamento que estava vazio e passaram pelos portões da cidade subterrânea do distrito azul. Assim como na superfície, havia muita gente, mas, diferente de lá, todos usavam roupas armaduras metálicas. Jaro percebeu que o lugar estava ainda mais movimentado do que antes.
Algo importante parecia estar acontecendo.
Seguindo adiante, chegaram ao prédio onde ficavam os professores. Lá dentro, Jaro deu de cara com Elise, a secretária.
— Bom dia… como posso ajudá-los? — perguntou desconfiada.
Quantas vezes isso vai acontecer…? Jaro estava cansado e decidiu não explicar nada.
— Não importa. Tenho um relatório de missão para entregar ao senhor Kyle — exclamou, jogando um pergaminho velho sobre a mesa.
Aquilo acendeu uma lembrança em Elise, e ela compreendeu tudo. A única pessoa que tinha aquela missão era Jaro.
— Você! Como ficou desse tamanho? E sua mana também está diferente… — comentou, apertando os braços dele e tocando em seu peitoral.
Serena, que observava tudo, sentiu ciúmes.
Que intimidade eles tem… para ela o tocar assim? Pensava, com um aperto no peito.
Em seguida, os olhos de Elise caíram sobre a jovem ao lado dele.
— E quem é essa? — perguntou, curiosa.
— É uma das provas da minha missão.
— Sério…? Porque não parece ser só isso.
A jovem que encarava Elise, abaixou o rosto, envergonhada.
— Chega, Elise… quero terminar logo isso para ir descansar. Me leve até o senhor Kyle. Tenho certeza de que ele está ansioso para me ver.
— Que chato… — Ela fez bico. — Tá bom, eu te levo lá.
Alguns minutos depois, chegaram à sala onde aconteciam as aulas teóricas da turma cinco.
Antes de entrar, Jaro comentou: — Obrigado, Elise. Se não fosse pelas Gomas de Ouro… eu não estaria vivo.
Ela deu um soco amistoso no braço dele.
— Deixa de bobagem. Vou preparar mais para você. Agora entre lá.
Quando Jaro e Serena pisaram dentro da sala, sentiram um calafrio percorrer o corpo inteiro.
A sala estava bem organizada, assim como as cadeiras dos alunos, dispostas em um arco voltado para um palco abaixo. Ali estavam cinco cadeiras, ocupadas, em ordem, por Jason, Amélia, Olivia, Kyle e o mercador Kao.
A pressão de mana dentro da sala estava tão alta que Serena chegou a desmaiar, e Jaro a pegou nos braços antes que caísse ao chão.
— Jovem, aproxime-se — ordenou Kao.
Todos os professores e o mercador ficaram surpresos. Aquele jovem resistia tão bem à pressão de mana. Não demonstrava nervosismo nem medo. Estava completamente calmo.
Jaro desceu os degraus até o palco, ficando diante de seus superiores. Nesse momento, todos se entreolharam.
— Mas quem é esse? — indagou Kao, sem conseguir reconhecê-lo.
Os outros, comentaram entre si que também não sabiam. A mudança física de Jaro era absurda, a ponto de torná-lo irreconhecível.
— Não é possível que você seja aquele tampinha. Você não chegava nem na minha cintura! — debochou Kao. — Vamos, diga-me, quem é você?!
A mana do mercador Kao o pressionou. Jaro sentiu que a aura dele era dezenas de vezes mais horripilante que a do Rei Dollak. Atacá-lo ou se defender? Nem havia como pensar nessa possibilidade.
Com calma, Jaro retirou sua máscara. Quando viram o cabelo negro e os olhos vermelhos do rapaz, não havia dúvidas. Era mesmo aquele tampinha. Mas como cresceu tanto?
— Hahaha! Você tomou alguma poção de crescimento? Como cresceu assim, seu merdinha? — riu Jason.
De fato, existiam poções de crescimento ósseo, mas elas levavam anos para surtir efeito e precisavam ser tomadas com frequência. Crescer quase vinte centímetros em uma semana? Até o rosto dele parecia envelhecido. Isso deixava todos desconfiados, mas decidiram ouvi-lo.
— Bem… durante o percurso para a vila Crim, entrei em uma caverna para me abrigar. Quando saí de lá, estava assim. Talvez a caverna estivesse enfeitiçada — justificou-se o rapaz.
Kyle bateu o punho na mesa.
— Mentiroso!
O mercador levantou a mão, indicando para Kyle se acalmar.
— Por ora, vamos acreditar nisso.
Quem esse mendigo pensa que é?! Pensou Kyle, irritado com o mercador.
— Recebi relatos de que sua identificação rúnica parou de funcionar por alguns dias. Acreditamos que você havia morrido. Mas, do nada, ela voltou a funcionar… e aqui está você. É como se um morto tivesse ressuscitado. Por isso, quero te dar as boas-vindas. Além disso, o senhor Kyle me disse que você brigou com um guerreiro aqui embaixo, e como punição foi enviado para a vila Crim para matar um Dollak. Então lhe pergunto, se voltou… conseguiu?
— É claro. — Jaro ergueu um saco de pano que parecia conter duas cabeças. Depois, a colocou ao seu lado.
— Mas antes de mostrar, preciso relatar algumas coisas. A vila Crim estava sendo atacada por um Rei Dollak.
Todos ficaram em silêncio, atentos.
— E o rei, dominava muitos dollaks, talvez duzentos. Eles destruíram a vila e devoraram todos os moradores. Apenas essa garota sobreviveu, e eu a salvei por acaso. Resumindo… quando tentava fugir com ela, encontrei o Rei Dollak de costas, devorando humanos. Ele estava ferido, então o peguei desprevenido e cortei sua cabeça.
Todos caíram na gargalhada.
— Conta outra, pirralho! — comentou Olivia.
— Se tiver a cabeça de um rei Dollak aí dentro, eu te dou todo o meu salário! — disse Jason.
— Hahaha, talvez tenha confundido com um Dollak maior, não, jovem? — debochou Kao.
— Se estiver mentindo, vou te matar, seu merda! — ameaçou Kyle.
Já Amélia permaneceu em silêncio, curiosa.
— Bem… vejam com seus próprios olhos. — Jaro jogou o saco aos pés deles.
Kyle se aproximou, abriu o pano e ficou pasmo.
— E-esse merdinha… como…?
O professor levantou as cabeças para todos verem. Os demais começaram a acusar Jaro de ter trapaceado ou recebido ajuda.
Afinal, o Rei Dollak era de estágio Marcial e um simples aprendiz jamais conseguiria tal teito.
Irritado, Jaro respondeu:
— Tenho certeza de que, com a runa de identidade, vocês me monitoravam. Além disso, sabem que os Dollaks não são inteligentes, nem mesmo o rei deles. Apenas o peguei desprevenido e o decapitei.
— Abaixem suas pressões de mana. Quero ouvir da boca dessa mulher! — disse Kao, irritado, mas no fundo satisfeito. Sua “mercadoria” era muito melhor do que imaginava.
Após alguns minutos, Serena recobrou a consciência nos braços de Jaro. Nervoso, ele pediu:
— Responda tudo o que perguntarem. — E apontou para os superiores.
Kyle, com sua aura esmagadora, a interrogou. Serena quase sucumbiu à pressão, mas confirmou que Jaro dizia a verdade. A professora Amélia atestou que ela não estava sob feitiço de controle mental. Ainda assim, Kyle não acreditou e disse que mandaria assassinos investigar.
Nesse momento, Kao se irritou com Kyle e discutiram, já que o mercador queria proteger Jaro. No fim, o rapaz pediu uma compensação. Kyle perguntou o que ele queria.
— Apenas quero essa garota na minha equipe.
Kao tomou a dianteira e murmurou que isso era pouco demais. Disse que o time de Jaro deveria ganhar elixires de mana em compensação. Isso deixou Kyle ainda mais irritado, mas, no final, concordou.
Ainda assim, todos desconfiavam. Acreditavam firmemente que o mercador Kao havia ajudado o jovem Jaro — sua mercadoria.
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