Capítulo 48 - Quente
Eles permaneceram alguns segundos em silêncio. Então, Jaro apertou sua cintura de repente, e ela deixou escapar um leve gemido, surpresa com a ousadia.
Seu rosto corou de imediato. Será que a toalha ainda estava firme em seu corpo? Não sabia. Só sabia que, naquele instante, estava completamente entregue ao rapaz diante dela.
Jaro se aproximou mais e mais, inclinando-se como se fosse tomar seus lábios… mas, em vez disso, depositou um beijo suave em sua testa. Depois, segurou seus braços e a ajudou a se levantar. Sem dizer nada, foi até o interruptor, acendeu as luzes e virou-se de costas para ela.
— É… eu não posso.
Isso deixou Serena abalada. Será que ela não fazia o tipo dele? Atordoada, foi até o banheiro, onde se enxugou e vestiu suas roupas.
Do lado de fora, Jaro se encolheu no canto, mãos na cabeça, respirando fundo.
Foi por pouco… Pensou, suspirando. Esse mundo está realmente me mudando… Se fosse o eu de antes…
Ele não havia se afastado por falta de desejo. Pelo contrário. O motivo era outro, o jovem estava em um processo de compreender melhor os sentimentos das pessoas, e os seus próprios. Não queria ter relações com uma mulher sem ter certeza de que a amava. Dessa vez, queria um relacionamento em que houvesse amor de verdade.
Quando a moça saiu, encontrou Jaro esperando à porta. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, ele a empurrou suavemente contra a parede, encarando-a de perto. Serena não entendeu… o que ele queria agora, depois de tê-la negada?
— Eu já cometi muitos erros. Não quero fazer nada de que me arrependa. E, acima de tudo, não quero te machucar.
Serena ficou em silêncio, observando aqueles olhos que tentavam esconder a própria tormenta. No fundo, ela sabia: Jaro era alguém gentil. Mesmo que não demonstrasse sempre, ele se importava. E agora entendia por que ele havia recuado. Isso a deixou triste, sim… mas também fez com que o interesse que já sentia por ele se tornasse ainda mais forte.
— O que eu tô querendo dizer… é que eu não te rejeitei — ele continuou, baixando o tom. — Na verdade, eu te acho muito atraen—
Antes que terminasse, Serena tomou a iniciativa. De súbito, jogou os braços ao redor do pescoço dele, sentindo o calor da pele nua de Jaro contra a ponta dos dedos, e o puxou para si. Seus lábios se encontraram em um beijo rápido, um selinho que durou apenas alguns segundos… mas foi o suficiente para fazê-lo perder o fôlego.
Ela se afastou, com o rosto em chamas.
— Eu sei… não precisa pensar demais — murmurou, desviando o olhar. — Vai logo tomar seu banho, grandão.
— Tá… — respondeu ele, meio sem jeito.
Porque ela torna tudo tão difícil? Reflitiu o jovem, namorando seus desejos mais profundos
— Vou te esperar pra jantarmos juntos — disse ela, lançando um sorriso doce.
No banheiro, Jaro sentou-se diante do espelho com uma tesoura em mãos. Cortou o cabelo, deixando-o mais alinhado. Depois se banhou, tentando apagar da mente a lembrança do beijo, mas sem sucesso.
Em seguida, foi almoçar com Serena.
Eles ligaram o rádio para ouvir alguma coisa e, por incrível que pareça, estava sendo narrado um jogo de futebol. O som da narração fez Jaro gelar por dentro.
— Tá tudo bem, Jaro? Perguntou a jovem de cabelos negros, preocupada.
— Não… não é nada.
Será que só ele havia sido trazido para esse mundo?
De qualquer forma, ele almoçou com sua companheira, e juntos lavaram os pratos, limparam a casa e organizaram suas coisas. Depois, ele estendeu um futon no chão e insistiu que Serena dormisse na cama.
— Você dorme na cama — ordenou ele, decidido.
— De jeito nenhum! É você quem deve dormir nela! — retrucou Serena.
Eles discutiram por longos minutos, até que, resmungando, Serena cedeu e aceitou a cama.
Depois disso, enquanto Jaro limpava suas espadas e equipamentos, Serena falou timidamente, mexendo nos próprios dedos: — Eu… não tenho muitas roupas.
Jaro ergueu os olhos e respondeu: — Sendo assim, quando eu terminar aqui, a gente vai em uma loja de roupas.
— Certo! — assentiu ela, animada.
Meia hora depois, no caminho, passaram por uma barraca que vendia uma sobremesa gelada, muito parecida com sorvete. Jaro comprou uma para ela. Serena provou com curiosidade e seus olhos brilharam, como os de uma criança saboreando algo pela primeira vez. O sorriso dela arrancou de Jaro um leve riso, involuntário.
Logo depois, chegaram à loja, onde Serena escolheu algumas peças simples, mas que a deixaram ainda mais bonita aos olhos dele. Jaro pagou tudo sem dificuldade, sem dar importância ao preço.
Depois, caminharam lado a lado pelas ruas, deixando o tempo passar até que o céu começou a se tingir de laranja. Jaro parou, pensativo, e estendeu a mão para ela.
— Vem comigo.
Ele a guiou até as muralhas gigantes do Distrito Azul. Do alto, a vista era de tirar o fôlego, o horizonte dourado se espalhava diante deles, como se o mundo fosse apenas paz. Serena se sentou ao lado dele, e os dois riram de coisas simples, e falaram sobre o que sonhavam para o futuro.
Por um instante, parecia que o peso da vida havia desaparecido. Encarando o céu e Jaro murmurou, com a voz carregada de sinceridade: — Eu quero construir um lugar… um lar, onde eu possa viver cercado de bons amigos.
Serena ficou em silêncio, observando-o. Aquelas palavras mostravam um lado vulnerável e gentil que ela não esperava. No fundo, ela já desejava fazer parte desse futuro ao lado dele.
Por volta das 19h, eles retornaram ao quarto. Já haviam jantado fora, e apenas se prepararam para dormir. O cansaço os dominou rapidamente, e fazia sentido. Depois de tudo o que havia acontecido, era natural que adormecessem tão rápido, principalmente Jaro, que estava exausto.
No entanto, o descanso não durou muito. Um som estridente e irritante quebrou o silêncio do quarto, era o despertador. Eram 4h30 da manhã. Ele se levantou de imediato, despertando também Serena, e os dois começaram a se arrumar às pressas. Ainda precisavam registrar Serena oficialmente como membro da equipe dele.
Descendo até a recepção dos dormitórios, foram abordados por um funcionário de expressão séria.
— Você é o número 102, certo? — perguntou o recepcionista, confirmando a identidade.
— Sou eu mesmo — respondeu Jaro, firme.
O homem trouxe uma pequena caixa de madeira e a entregou a ele. Dentro, repousavam oito frascos cintilantes, preenchidos por um líquido azul que irradiava um brilho suave.
— Bem na hora — murmurou Jaro, esboçando um sorriso ao receber as poções de mana.
Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.