Índice de Capítulo

    Os olhos de Alice se abriram e ela percebeu que estava nos braços de Peter. Assustada, ela deu alguns tapas no peito dele.

    — O-o que você tá fazendo comigo?! — gritou ela.

    — D-desculpa! É que você desmaiou! Eu estou te levando para o recanto ali, para a Serena te curar — respondeu Peter, desesperado. — Eu te solto!

    Ele começou a abaixá-la. Esse bobo… eu não queria afastá-lo, acho que peguei pesado. Refletia ela, arrependida de fazer uma cena. Antes que seus pés tocassem o chão, ela deslizou os braços pelo pescoço dele e se agarrou ainda mais forte. No movimento, seus seios acabaram pressionando o rosto de Peter.

    — Não! Minhas pernas… estão cansadas. Me leva assim mesmo.

    Peter tentou responder, mas só saiu um grunhido abafado. Ela percebeu e ficou ainda mais envergonhada. Assim que se ajeitou nos braços dele, Peter voltou a respirar, e seu rosto ficou vermelho como uma pimenta.

    — C-claro, eu a levo — respondeu, desviando o olhar.

    Alice soltou um risinho.

    — Eu pensei que você fosse gago… mas quando está com muita vergonha, você fala perfeitamente. Pffft! — ela caiu na risada.

    — É… isso é um problema que tenho desde pequeno… mas, quando fui sequestrado pelo clã Moong, esse defeito está se curando — falou ele, com um sorriso caloroso.

    O sorriso gentil dele, pegou Alice desprevenida. Ela nunca tinha reparado como ele era bonito quando sorria daquele jeito. Sem pensar, levantou a franja de tigela dele com a ponta dos dedos.

    Quando foi que ficamos tão próximos? Eu não percebi… Pensava ela, enquanto admirava Peter.

    — O que foi? Tem algo no meu rosto?! — Ele arregalou os olhos, com as bochechas vermelhas.

    Alice retirou a mão rápido, igualmente vermelha.

    — N-não é nada. Esquece.

    — T-tá.

    Peter engoliu seco, retomou o passo e carregou Alice até Serena, depositando-a no chão com todo cuidado.

    — Ela vai ficar bem?

    — Vai sim… logo eu a curo! — exclamou Serena, puxando as mangas da camiseta.

    — Eu e os outros vamos continuar com o treinamento em duelos, e depois vamos pros treinos em equipe. Então… é… boa recuperação.

    — Claro! Vai lutar com aquela monstra, me vinga! Daqui a pouco eu volto — respondeu Alice, sorridente.

    — V-v-vou tentar — assentiu ele, indo lutar com Vitória e deixando as garotas a sós.

    — Você tá bem? — perguntou Serena, preocupada.

    — Quando você me curar, vou ficar bem…

    — Não tô falando disso. É que essa batalha não parecia uma luta qualquer.

    — É… eu não queria ter perdido — Alice respondeu, num tom depressivo. Mas logo abriu um sorriso para Serena. — Porém, me sinto muito mais leve agora. Acho que não odeio tanto a Vitória como imaginei, ela é uma grande guerreira. E sinto que a gente conseguiu se entender com nossos punhos nessa batalha..

    Serena olhou para ela, curiosa, mas logo caiu na risada.

    — Pfft!

    — Do que você tá rindo?

    Serena continuava rindo.

    — Hein?!

    — Não, não é nada… é que você foi tão fofinha e, ao mesmo tempo, parecia um velho falando.

    — Deve ser influência do meu pai. Às vezes, ele falava assim, que se eu quisesse ser uma guerreira, eu precisava ser séria e tentar falar mais grosso, e coisas assim.

    Serena e Alice ainda riam quando ouviram passos se aproximando. Jaro e Taylor pararam diante delas. Taylor tinha o olhar preocupado, já Jaro parecia apenas observar, calado.

    Taylor respirou fundo.

    — Senhorita Alice… você tá bem?

    — Já estou me sentindo melhor.

    — Que bom..

    — Daqui a meia hora ela já vai estar pronta para treinar de novo — comentou Serena, mantendo as mãos sobre Alice. Uma luz verde suave escapava de seus dedos, envolvendo o corpo da garota.

    Taylor assentiu, aliviado. Então, virou-se para Jaro e o clima ficou mais pesado novamente.

    — Sobre antes… Eu falei demais, e de forma presunçosa. Foi injusto. Desculpa. — Ele se curvou.

    Jaro encarou Taylor por longos segundos, sem expressão.

    — Não esquenta — respondeu Jaro, de forma simples, mas séria. — Você só estava preocupado com nossa companheira.

    Taylor concordou, aceitando a resposta sem reclamar.

    — Não vai acontecer de novo.

    — Tudo bem.

    Um pouco mais à frente, Vitória e Peter já estavam com as espadas erguidas. Porém, antes que começassem, Peter percebeu que ela tremia, e sua respiração estava pesada.

    — Não é melhor você pedir para a Serena te curar? — sugeriu ele. — Não vai ser justo lutar com você desse jeito.

    — Não precis… — Vitória começou a responder no reflexo, como a antiga Vitória faria. Mas o pouco tempo que passou com a equipe III parecia tê-la mudado.

    Ela respirou fundo e assentiu: — É verdade, Peter. Obrigada por se preocupar. — Sorriu de forma amigável, guardou a espada e caminhou até os outros, sentando-se ao lado deles.

    Peter então olhou para o lado e levantou a espada outra vez: — T-Taylor, você ainda não lutou, né? Que tal lutar comigo?

    — Claro, pode ser — respondeu Taylor, se levantando.

    Os dois se encararam e, num instante, BANG! lâmina contra lâmina, a força era brutal de uma chocando-se contra a outra. Da espada e do corpo de Peter brotava uma fumaça negra, enquanto de Taylor emanava uma aura branca, e um leve vento escapava ao redor dele e de sua lâmina.

    — Você é bem forte, hein! — disse Taylor, sorrindo.

    — Um pouco!

    As espadas deslizaram e os golpes se multiplicaram por alguns segundos, rápidos demais para serem contados. Então, Peter girou o corpo e lançou um corte horizontal pela direita; Taylor conseguiu bloquear, mas com dificuldade. Peter não recuou, uma chuva de ataques veio logo em seguida. Que velocidade! Taylor defendeu a maioria, mas um golpe passou, deixando-o com um dos joelhos no solo e seus olhos procuraram Peter… até que finalmente o encontrou.

    Porém, Peter estava ao seu lado, com a lâmina já encostada em seu pescoço. Ele podia parecer só um garoto tímido, mas sua força era monstruosa.
    Peter guardou a espada e estendeu a mão, nesse instante, Taylor pôde analisar o antebraço de Peter, que era grosso e musculoso. Entendo agora… ele treinou muito para chegar aqui.

    — Foi uma boa luta!

    — Também aprendi muito.

    Depois disso, todos passaram por várias rodadas de combate individual. Em seguida, treinaram batalhas em grupo, no formato 3 contra 3, para aperfeiçoar o trabalho em equipe.

    Também reforçaram a resistência física, praticaram a manipulação de mana e aprenderam a disparar esferas de mana sob a orientação de Alice, que já estava totalmente recuperada graças aos cuidados de Serena.

    Aquele dia marcou a equipe III, nunca haviam se sentido tão unidos.

    No meio do treinamento, Jaro e Serena se afastaram. Jaro avisou que precisavam ir a um lugar, e o restante apenas assentiu, continuando os exercícios.

    ⧖⧗

    Em um pequeno escritório, cercado por estantes abarrotadas de livros, uma jovem de cabelos castanhos e ondulados escrevia concentrada sobre a mesa. O silêncio foi interrompido por duas batidas na porta.

    — Entrem — pediu ela, sem levantar o olhar.

    A porta se abriu e entraram um jovem de porte mediano, usando uma máscara branca de feições demoníacas, e uma garota graciosa de cabelos negros. Ao reconhecê-los, a mulher largou a caneta e o papel.

    — Boa tarde, mestra…

    — Boa. Tomate, venham, cheguem mais perto e sentem-se.

    O apelido fez Serena franziar o cenho. Não era só o “Tomate”, era o jeito como Elise dizia, com aquela intimidade irritante.

    — Claro — respondeu Jaro, sentando-se ao lado de Serena.

    Elise não parava de sorrir. Apoiada com os cotovelos na mesa, sustentou o rosto entre as mãos, analisando os dois.

    — Então… o que você veio fazer aqui? — perguntou, lançando um olhar rápido para Serena antes de voltar a Jaro.

    — Ué… treinar.

    — Entendo. E por que trouxe ela?

    — Porque quero que treine ela também.

    Os olhos de Elise se arregalaram; ela se levantou num sobressalto.

    — I-isso quer dizer que ela também é uma maga de cura?!

    — Claro… por isso trouxe ela.

    No mesmo instante, Elise praticamente saltou sobre Serena, abraçando-a com força. Os grandes seios esmagaram o rosto da garota, deixando-a atordoada… e, no fundo, sentindo um pouco de inveja.

    — Que maravilha você me trouxe, tomatinho! Agora tenho dois tomates! Eu vou cuidar muito bem de você!

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