Índice de Capítulo

    Em um dos quartos do dormitório do Distrito Azul.

    — Mara, a comida já ficou pronta? — perguntou um jovem, jogado no sofá.

    — Mais alguns minutos e sai, calma aí — respondeu uma voz feminina vindo da cozinha.

    — Boa! Tô ansioso pro jantar de hoje — disse ele, animado.

    — Ah, pelo amor. — Outro garoto, sentado numa cadeira próxima, suspirou enquanto coçava a cabeça. — Você só pensa em comer, cara? Foca aqui! A gente já devia ter pago aquele maníaco!

    — Concordo — acrescentou uma garota, com as mãos apoiadas nas coxas. — Você é o líder, Klaus. Deveria ser o mais responsável!

    — Vocês são um saco. Eu tentei pegar aquele empréstimo no banco, mas eles negaram. Disseram que a gente precisava ter algum bem ou garantia de que podíamos pagar.

    — Klaus! O que vamos fazer agora?! Vamos morrer! — gritou a garota, desesperada.

    — Eu não quero morrer, cara. A gente precisa dar um jeito de fugir daqui!

    — Respirem. — Klaus levantou as mãos, tentando manter o controle. — Oswin vai aceitar se dissermos que vamos pagar o triplo. A gente diz que vai pegar uma missão nível A e, quando ele relaxar, sumimos daqui. Quanto mais longe, melhor. E ainda livramos a nossa pele desse maldito clã.

    — V-você acha mesmo que isso vai funcionar? — sussurrou a garota.

    — É claro. Relaxa. Eu mesmo vou falar com ele. Se algo der errado… — Klaus fez uma pausa, e o seu sorriso continuava brilhando. Se algo der errado, eu vendo vocês. Simples assim. — E se eu não voltar em um dia ou não mandar mensagem, façam o possível para fugir.

    — Você é incrível, Klaus. Nunca me esquecerei da sua coragem — dizia o garoto, levantando-se e pegando na mão de Klaus, que estava no sofá.

    — Não precisa disso. — Klaus se levantou, levando o casal até a porta. — Hannah, Erik, vai ficar tudo bem. Vão descansar.

    — C-certo. — A mão de Hannah foi até a maçaneta, mas, ela ouviu passos e sua mão pousou no ar.

    Que som é esse?! Ela pensou.

    — Por que você não abre a porta, Hannah? — perguntou Erik.

    Ela virou o rosto.

    — É qu—

    BOOM!

    A porta explodiu de fora pra dentro. Uma mão colossal atravessou a madeira e agarrou a cabeça de Hannah. A porta foi estilhaçada como papel, e a criatura entrou.

    Um homem de mais de três metros, com músculos como rocha, cabelos desgrenhados como a juba de um leão e uma barba negra manchada de sangue.

    Klaus e Erik ficaram aterrorizados.

    — Posso matar ela, chefe? — perguntou o gigante, segurando Hannah que berrava e engasgava com o próprio choro sendo segurada pela a cabeça.

    — Claro. não vamos precisar de sangue por um bom tempo.

    Ao ouvir a resposta, o gigante apertou. A cabeça dela implodiu como uma fruta podre. O corpo caiu no chão como um saco de carne.

    Erik gritou desesperado: — HANNAH! HANNAH!!

    Roz caminhou até ele e esmagou-o com um único pisão de seu gigantesco pé. Ossos, carne e sangue explodiram para todos os lados.

    — Inseto irritante — rosnou o sujeito.

    Klaus apenas caiu de joelhos, sem entender nada, em choque absoluto.

    — Então você tem os culhões de me dever uma quantia tão alta — disse uma voz atrás do gigante. Era Oswin, ele estava trajando uma veste azul que cobria toda sua aparência.

    Klaus se curvou tão rápido que bateu a testa no chão de madeira.

    — Perdão!!! E-eu consegui o empréstimo no banco, só falta eu ir pegar e te entregar.

    Vou aproveitar e fugir desse puto. Esse cara é maluco!

    — Sério?

    — É claro! — Ele levantou o rosto com um sorriso. — São apenas 10 moedas de ouro, não é?

    — DEZ MOEDAS DE OURO?! SEU VERME. SE ESQUECEU DOS JUROS, EIN?! VOCÊ ME DEVE 100 MOEDAS DE OURO!

    O rosto de Klaus se empalideceu.

    Mas só se passaram dois dias!! Como aumentou tanto os juros? Esse desgraçado não tá nem aí para o que eu vou dizer! Se é assim, eu vou mostrar pra ele a minha força! Pensava o indivíduo, irritado.

    Klaus se ergueu, cerrando os dentes.

    — Você acha que a líder da Ordem Laranja vai deixar isso barato?

    — Finalmente tirou a máscara — Oswin riu. — Ela também me deve. Mas diferente de você, ela me paga direitinho. Igual uma putinha carente.

    — SEU DESGRAÇADO! — As mãos de Klaus se incendiaram, esferas de fogo cresciam descontroladamente de suas palmas. — VAMOS TODOS MORRER AQUI!

    — Não. — Roz ergueu a mão, e uma rajada de vento consumiu o fogo antes mesmo de ser lançado.

    — O quê?! — Klaus recuou.

    Roz avançou como um touro. Pegou Klaus pelos ombros e o rasgou devagar ao meio, tudo isso, enquanto Klaus gritava de dor. O sangue jorrou nas paredes como uma chuva vermelha.

    Oswin se jogou no sofá, deitando-se.

    — Que cansaço. Quantos ainda faltam?

    O gigante enfiou a mão no bolso traseiro e retirou um caderninho. A cena era cômica, suas mãos eram tão descomunais que ele mal conseguia agarrar o objeto. Acabou segurando o caderno apenas entre o polegar e o indicador, como se fosse uma folha frágil prestes a se rasgar.

    — Ainda faltam quatro, senhor.

    — Que saco. Vamos descansar um pouco por aqui.

    Roz se sentou no chão, e mesmo que quisesse se sentar em algo mais confortável, com certeza nenhum móvel o aguentaria.

    — É… eu esqueci de informar, a turma cinco desafiou a nossa ordem para uma Batalha de Sangue na Arena de Ferro, no Distrito Verde.

    Oswin arqueou a sobrancelha.

    — Não pensei que eles tomariam essa decisão. Então aquelas mercadorias são mesmo importantes, keke. Isso me deu algumas ideias.

    — Ah, senhor, seria interessante usar aquela garota que está escondida na cozinha para limpar essa bagunça, não é? Assim vai diminuir as evidências.

    — Claro.

    Eles me descobriram. Pensava Mara, respirando muito forte enquanto subia por um buraco que tinha feito no teto. Mas não importa, eu vou conseguir fugir! Ela sorria, esperançosa.

    Porém, enquanto ela se rastejava por uma tubulação, sentiu algo prendendo seu pé, mas não conseguia ver nada.

    — Não, não! Por favor, não! — Mara implorava já sabendo o seu futuro.

    Ela começou a ser arrastada de maneira brutal, quebrando tudo ao redor, até que seu corpo estava flutuando próximo ao gigante Roz. Ele havia usado o vento para puxá-la e mana para rastreá-la.

    — Será que posso brincar com ela antes? — pediu Roz, lambendo os beiços.

    — NÃOOOOO!!!! — a garota soltou um grito desesperado.

    No entanto, usando o vento, ele conseguiu tampar a boca dela.

    — Faça o que quiser, só não faz muito barulho. Eu quero dormir um pouco — ordenou ele, se virando de lado pra dormir mais confortavelmente.

    — Sim, senhor.

    Mara chorava com terror puro estampado no rosto.

    Eu imagino como será a reação do leozinho daqui uns dias. Reflitia Owsin, rindo, se referindo a Jaro . Enquanto isso, ele ouvia sons perturbadores de fundo.

    ⧖⧗

    Serena e Jaro estavam no escritório particular de Elise, mergulhados nos estudos sobre o elemento Água e suas vertentes curativas. Serena havia progredido muito desde o início, antes, ela apenas conseguia acessar a magia curativa derivada da Água, mas não dominava o elemento em sua forma plena.

    Elise explicou que esse tipo de evolução era comum. Ela citou o exemplo de ferreiros humanos famosos, capazes de manipular o fogo para forjar lâminas tão poderosas que, segundo as histórias, até uma criança poderia empunhá-las para derrubar um dragão. Claro, era um exagero, mas o ponto era claro, mesmo dominando o fogo para aquele propósito, esses ferreiros não conseguiam lançar sequer uma simples bola de fogo.

    O mesmo acontecia com magos da Água que não possuíam afinidade para as artes curativas. Era perfeitamente normal não manifestar todas as vertentes de um mesmo elemento. O caso de Serena, porém, era raro. Ela possuía afinidade total, dominava a água tanto para fins ofensivos quanto defensivos, além de despertar a essência curativa do elemento.

    Jaro, por outro lado, era diferente. Ele não conjurava a cura a partir de si mesmo, mas sim do poder oculto que carregava dentro de si. Sempre que utilizava a magia curativa, ele sacrificava segundos de sua própria vida, um preço invisível que estava destinado a pagar, e que Elise, felizmente não compreendia, desse jeito, Jaro não precisaria explicar sobre a Chefe.

    Ela apenas acreditava, fielmente, que Jaro era um mago de cura e de raio. Durante as aulas, a Chefe seguia exatamente tudo o que Elise dizia, ficando apenas abaixo de Serena no nível de magias de cura. Dessa maneira, não levantaria suspeitas para Jaro.

    Depois de algumas horas, a aula chegou ao fim. Jaro e Serena caminhavam por um corredor iluminado, comentando sobre a lição do dia.

    — Hoje foi pesado.

    — Foi. Mas acho que você se saiu bem — respondeu Serena, com um sorriso discreto.

    Enquanto andavam, avistaram uma pequena loja no canto da rua, um carrinho simples que vendia sorvete. A placa brilhava em azul e dourado.

    — Jaro… — Serena apontou. — Eu quero um sorvete.

    — Também quero — ele respondeu, sem pensar duas vezes. — Vamos.

    Eles se aproximaram e fizeram o pedido. Depois esperaram, sentados no balcão estreito de madeira.

    — Esse sabor é muito bom — dizia ela, experimentando a primeira colherada.

    Jaro olhou para a casquinha dela, depois para a própria.

    — O meu é melhor. — Ele deu uma mordida exagerada.

    — Quer apostar? — Serena riu.

    — Eu sempre ganho apostas.

    — Oh, então prove. — Ela empurrou o sorvete dela pra ele.

    — É sério? — Jaro arqueou a sobrancelha.

    — Prova logo, antes que eu me arrependa.

    Ele provou e uma onda de sabores explodiu em sua boca.

    — Poxa. é bom mesmo.

    — Falei. — Ela sorriu de canto.

    — Mas ainda prefiro o meu.

    — Ppfftt. Você é impossível.

    Ambos riram.

    Eles ficaram ali por alguns minutos, conversando sobre a aula, sobre Elise e sobre pequenos detalhes da vida.

    Até que Jaro apoiou o braço no balcão, olhou as horas no telefone flip azul-escuro e suspirou: — Eu vou precisar ir a um lugar agora.

    Serena congelou por um segundo.

    — Ah… tá. — respondeu, tentando esconder o desânimo.

    — Ei, não faz essa cara. — Ele se aproximou e a abraçou, ela ficou um pouco surpresa, mas devolveu o braço. — Prometo passar mais tempo com você depois.

    Serena não respondeu. Apenas assentiu, ainda o abraçando forte. Ele se afastou e partiu sem olhar para trás. Serena ficou ali, apoiando a cabeça no balcão.

    Eu não queria ser sua amiga, lorde…

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