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    — Porque sabemos que suas amigas foram sequestrada, correto? E… queremos ajudar — respondeu Vitória, com o rosto sereno.

    Einar olhou um pouco irritado pra sua equipe, porque mesmo que precisassem de ajuda, não queria que uma informação tão importante tivesse sido vazada tão facilmente assim, seus companheiros apenas balançaram a cabeça num gesto dizendo que não foram eles, então a única opção era que com relatos das outras equipes, a Equipe Fantasma havia deduzido, o trágico ocorrido.

    — Infelizmente sim. Maisie, número 81 foi sequestrada, desde de tarde perdemos o contato com ela — lamentou Einar, claramente nervoso.

    — Aisha, da minha equipe, tambem foi sequestrada… — comentou Carter.

    — A de vocês também?! — exclamou Estelle, da equipe Pimenta. — Zoe, da nossa equipe, também foi raptada hoje. E estou desconfiada da turma. Eles quase nos mataram da última vez! Só conseguimos sobreviver por causa da ajuda da Equipe Fantasma.

    — Esses malditos querem nos enfraquecer antes da batalha na Arena de Ferro! — gritou Einar, enfurecido. Depois lançou um olhar para a equipe III vendo que ninguém foi raptado. — Já vocês, felizmente, parecem estarem bem.

    — Mais ou menos — respondeu Jaro. — Mas, olha o que conseguimos. Por favor, Peter, traga ela aqui.

    — S-sim.

    Peter se levantou tranquilamente e caminhou até uma parte da sala de treinamento, desamarrou Angela, e a colocou no ombro e a trouxe a roda de jovens, e a colocou no chão. E ele cortou o capuz que ela usava, assim todos puderam ver a aparência dela.

    Era uma jovem mulher que aparentava ter entre vinte e vinte e dois anos. Os cabelos castanhos caíam sobre o rosto de traços delicados e angelicais.

    — E-ela é membro da Ordem do Gelo. Foi ela quem tentou sequestrar nossa amiga — relatou Peter.

    — Com ela podemos conseguir informações essenciais para salvar as garotas — disse Einar, sentindo um leve alívio. Apesar de conhecer Maisie há pouco tempo, havia criado um laço forte com ela. Em seu coração, tinha certeza de que era alguém por quem valia a pena arriscar a própria vida.

    — Exatamente — respondeu Vitória. Ela se levantou e caminhou até Angela, que dormia profundamente no chão. Seus braços e pernas estavam firmemente amarrados.

    A ruiva pegou uma seringa, encontrou a veia da jovem e injetou o conteúdo com precisão.

    — O que você está fazendo? — perguntou Greg, número 88. Seus cabelos e olhos azuis refletiam curiosidade enquanto observava Vitória.

    — Estou aplicando um soro potente, ele vai limpar o organismo dela do Epo e em poucos minutos, ela vai acordar — respondeu, tranquila.

    Toda a Equipe Fantasma observava com surpresa. Sempre imaginaram que Vitória só sabia treinar, treinar e treinar. Não faziam ideia de que ela possuía também conhecimento medicinal tão avançado.

    — Mas como vamos extrair informações dela? — questionou Greg. — Duvido que alguém como ela, fale facilmente sobre a própria Ordem.

    Vitória sorriu de canto.

    — Não se preocupe. Eu sei lidar muito bem com cachorros leais.

    Alguns minutos depois, Angela começou a despertar. Todos ao redor estavam um pouco nervosos com o que aconteceria.

    Angela piscava os olhos; sua visão ainda estava um pouco embaçada, mas ela já estava consciente.

    Tentou reconhecer o lugar, porém tudo lhe parecia desconhecido.

    Vitória se abaixou e, com uma das mãos, segurou a gola da camiseta de Angela, encarando-a nos olhos.

    — Como se sente?

    Angela logo se recordou de Vitória. Olhou de relance para os lados e também reconheceu Alice e Peter, que haviam matado seus colegas e arruinado seus planos.

    Percebeu também que seus braços estavam intactos e que seus ferimentos haviam sido curados.

    Ela entendeu o que seus inimigos queriam. Irritada, Angela cerrou os dentes e cuspiu no rosto de Vitória.

    — Vai se foder, cretina.

    A ruiva limpou o rosto com o dorso da mão. Sorriu. Segurou Angela com as duas mãos pela gola, ergueu-a do chão, suspendendo-a no ar por alguns segundos.

    Angela ficou roxa. Em sequência, Vitória a lançou contra o piso de madeira, rachando as tábuas grossas de madeira sob o impacto.

    O golpe arrancou sangue dos lábios de Angela, que começou a tossir violentamente.

    Vitória sacou um pequeno punhal e o cravou na coxa da prisioneira. Um gemido de dor ecoou pelo salão.

    Alguns dos jovens presentes desviaram o olhar, incapazes de encarar a cena, mas ninguém ousou interferir.

    Vitória apontou o polegar por cima do ombro, indicando o grupo atrás de si.

    — As colegas deles foram sequestradas. E eles estão furiosos. Então é melhor abrir o bico… antes que eu te mate.

    Angela começou a rir, mesmo com a dor.

    — Ha-haha. V-você é surda?! Vai se fu—

    O punhal foi arrancado da primeira coxa e cravado na outra. O grito foi mais alto desta vez. Vitória rapidamente enfiou um pano na boca dela para abafar o som. Esperou até que os espasmos diminuíssem e então retirou o pano.

    — Então?

    Angela, ficou em silêncio, com o rosto em fúria.

    Vitória suspirou.

    — Isso vai demorar um pouco…

    A ruiva voltou a amordaçá-la e continuou a torturá-la, por longos minutos, até que Angela desmaiasse de dor.

    — I-isso é realmente necessário? — murmurou Aisha, número 83, da Equipe IV, conhecida como Equipe Lâmina. A frágil jovem de cabelos e olhos verdes tremia visivelmente. — A-antes de você cortar os dedos das mãos e dos pés dela… parecia que ela ia falar…

    — É — respondeu Vitória, fria, elevando sua mana, ela lançou um olhar hostil breve para Aisha, que imediatamente se calou, intimidada.

    Carter, número 93 e líder da Equipe Lâmina, chegou a considerar reclamar da intimidação de Vitória.

    Mas não apenas ele, todos ali sabiam. Vitória estava no topo da turma cinco. Então, Carter não ousou irritar a fera.

    — Serena pode curá-la?

    — S-sim — respondeu Serena, ainda abalada com a brutalidade da cena.

    O espanto percorreu as outras equipes, como assim Serena iria curá-la? Apenas a Equipe I não demonstrava surpresa, já haviam sido curados por ela e Jaro antes.

    Enquanto Angela era restaurada apenas para suportar mais dor, algo diferente crescia entre os observadores.

    As outras equipes sentiam que estavam ficando para trás. A Equipe Fantasma tornava-se cada vez mais forte e habilidosa, e isso acendeu uma chama silenciosa de competição.

    Quando Serena terminou a cura, Angela recuperou a consciência. Mas, desta vez, havia medo em seus olhos.

    — T-tá! Eu conto! O que vocês querem saber?! — Seu rosto estava tomado pelo desespero.

    Vitória sorriu de forma contida.

    — Agora sinto que você está lúcida.

    Ela segurou Angela pelo ombro e a colocou sentada numa cadeira, ainda amarrada. Depois, puxou outra cadeira e se sentou à sua frente, cara a cara.

    — Para onde a sua Ordem levou as garotas?

    Angela tentou responder, mas a voz falhou. Ela ergueu o olhar e observou todos à sua volta.

    Preciso me acalmar… A jovem mulher, respirou fundo. Vou dizer tudo o que eles querem ouvir. Mas, quando me soltarem com certeza irei matar todos!

    — E-elas estão no nosso prédio, fica perto da Taverna Javali — falou ela, gaguejando.

    Vitória inclinou levemente a cabeça.

    — Muito bem. Você está indo bem. Agora só mais uma pergunta e eu te libertarei. Onde fica a saída de emergência do prédio?

    O nervosismo de Angela aumentou.

    — Espero que não diga que não sabe… ou que não existe. Eu ficaria muito decepcionada — exclamou Vitória, deixando a ameaça implícita.

    Angela sabia, se mentisse, certamente morreria.

    — A-a leste do prédio, há um poço velho. No fundo dele… fica a saída de emergência.

    Vitória bateu uma palma na outra, satisfeita.

    — Perfeito. Agora vou te libertar.

    Finalmente Angela sorriu. Para ela, aqueles jovens eram ingênuos demais. Assim que baixassem a guarda, ela os mataria, garantindo que as informações que havia revelado jamais saíssem daquele lugar.

    Vitória levantou-se e caminhou para trás dela.

    — Fechem os olhos — sussurrou para turma.

    Alguns já desconfiavam desde o início do Vitória ia fazer e obedeceram imediatamente. Outros fecharam os olhos e taparam os ouvidos. Alguns poucos permaneceram olhando, sem se importar com o que estava prestes a acontecer.

    Angela ouviu o sussurro. Pela reação dos outros, compreendeu seu destino. A fúria tomou conta dela, e sua mana se elevou abruptamente. Tentou arrebentar as cordas com pura força.

    Mas, mesmo curada, seu corpo e mente estavam exaustos. A mana não fluía como deveria. Não conseguia concentrá-la o suficiente. No fim, todo seu esforço era inútil.

    — SUA DESGRAÇADA!!!!

    Vitória sacou a espada. Sem pressa.

    A ponta da lâmina tocou as costas de Angela… e começou a penetrar lentamente, a carne foi sendo perfurada, a prisioneira se debatia em pânico.

    Vitória aproximou-se do ouvido dela e sussurrava: — Shhh… já vai acabar.

    Angela gritava em desespero, até que a lâmina atingiu o coração, cessando sua voz.

    Para finalizar, Vitória girou a espada dentro do corpo. Então a retirou. O silêncio caiu sobre o local.

    Vitória sacudiu a lâmina no ar, espalhando o excesso de sangue no chão, limpou o restante na roupa da própria vítima e guardou a espada na bainha.

    — Temos as informações necessárias. Podem abrir os olhos.

    Quando os que estavam de olhos fechados tornaram a olhar, alguns não resistiram e vomitaram ao ver o corpo sem vida de Angela.

    — Vocês vão ter que se acostumar com isso — disse Vitória.

    Einar se aproximou de Jaro.

    — O que ela passou para conseguir matar alguém assim?

    — Não faço ideia…

    Os que haviam assistido à execução estavam chocados com a violência. Mas todos sabiam, se quisessem sobreviver dentro do clã Moong, precisariam se tornar tão fortes quanto ela.

    Vitória começou a desamarrar o corpo.

    — Me ajudem a limpar esse lixo.

    Einar e Greg se ofereceram.

    — E enquanto isso — completou ela —, vão pensando em um plano para resgatarmos as garotas.

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