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    Após limparem o local, pediram para Greg enterrar o corpo em um lugar seguro. Enquanto isso, a Turma Cinco bolava um plano para salvar suas colegas.

    — O que acharam? — perguntou Vitória, depois de discutirem o plano.

    — Nada mal, mas vai ser bem perigoso para todos — disse Estelle.

    — Também acho — assentiu Carter. — Mas não há outro jeito. Vai lá saber o que eles farão com elas… Precisamos agir o mais rápido possível.

    Einar, por sua vez, parecia pensativo.

    — E você? O que acha? — perguntou Vitória, dirigindo-se ao jovem de cabelos vermelhos.

    — Se a Equipe Pimenta e a Equipe Lâmina não derem o seu melhor, vamos todos morrer. Mas eu juro que, se falharem, eu volto dos mortos para amaldiçoá-los — declarou Einar, encarando os líderes de ambas as equipes.

    — Hah. Grande coisa ser amaldiçoado por um fracote — retrucou Carter.

    — É o quê?!

    Carter virou-se para Einar.

    — Falo pela minha equipe, nós iremos eliminar vinte por cento dos membros da Ordem do Gelo. Mesmo que a maioria deles esteja no estágio Naka, isso não faz a menor diferença. Minha equipe vai tocar o terror hoje — anunciou Carter, com o rosto sério.

    Estelle, não querendo ficar para trás, também fez seu discurso:
    — Vocês dois se acham muito. Minha equipe também fará o seu melhor!

    Jaro observava tudo com certo otimismo. Eles eram meio malucos, mas pareciam ser bons garotos e garotas. Óbvio, tirando Einar, com ele, Jaro ainda mantinha um pé atrás.

    Vitória olhou para todos com um sorriso.

    — Está decidido, então. Nos encontramos daqui a duas horas. Creio que é tempo suficiente para todos se prepararem. E… não morram, seus idiotas!

    A Turma Cinco se entreolhou e gritaram: — SIM!

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    Duas horas depois

    Dezessete jovens ocupavam telhados, sombras entre sombras. Todos vestiam preto e mantinham os rostos ocultos sob capuzes negros. Alguns estavam de pé, atentos; outros sentados, economizando energia. Apenas Jaro permanecia deitado, com as mãos atrás da cabeça, como se aquela fosse apenas mais uma noite comum.

    Eram exatamente seis horas da noite.

    A luz do entardecer ainda tingia o céu de laranja queimado enquanto Jaro encarava o pequeno visor do seu telefone flip azul-escuro, distraído com o velho jogo da cobrinha.

    A cerca de trezentos metros dali erguia-se o prédio da Ordem do Gelo, uma construção imponente, mais parecida com uma fortaleza do que com um edifício comum. No topo, uma bandeira colossal ondulava ao vento, o símbolo da ordem era uma flor congelada, visível mesmo à distância.

    Ao redor, nas calçadas e ruas do Distrito, a movimentação era intensa. Pessoas entravam e saíam de estabelecimentos, e o local estava muito iluminado por letreiros espalhados pelos prédios comerciais.

    — Acho que está na hora — comentou Carter, observando atentamente a movimentação dos guardas que circulavam o prédio da Ordem. Ao que tudo indicava, fariam a troca de turno naquele momento. Seria a oportunidade perfeita para o ataque.

    Jaro fechou o celular com um estalo seco e se levantou.

    — Ótimo. Estamos contando com vocês.

    A Equipe Bramms e a Equipe Fantasma desceram dos telhados. Antes, porém, Jaro puxou Serena pelo braço, deixando que os outros seguissem à frente. Taylor percebeu o gesto e sentiu um aperto de ciúmes, mas continuou andando. Sabia que precisava desistir de Serena.

    — Serena… — Jaro a encarou por alguns segundos, olhando-a no fundo dos olhos.

    Serena era muito bonita e tinha um bom coração. Jaro ficou feliz ao descobrir que ela gostava dele, e quase perdeu o controle quando a beijou. Mas, assim como ela jurou que ele seria seu lorde, do mesmo modo que os sobreviventes da vila Crim, salvos por ele dos Dollak, também juraram lealdade, Jaro passou a enxergá-la como parte de sua família. Por isso, infelizmente, não sentia amor por ela. Ainda assim, prometeu a si mesmo que cuidaria dela enquanto estivesse ao seu lado.

    — Sim? — ela indagou, com um brilho suave nos olhos.

    — Soube que você derrotou um dos membros da Ordem do Gelo. — Ele esboçou um leve sorriso. — Você foi incrível.

    Serena corou levemente. Não estava acostumada a receber elogios e não sabia muito bem como reagir.

    — Foi por sua causa, lorde.

    — Minha causa?

    Ela inclinou levemente a cabeça.

    — Quem faria seus ovos mexidos com iogurte se algo acontecesse comigo?

    Por um segundo, houve silêncio.

    Então ele riu.

    — O quê? Hahaha.

    Ela riu também, e por um instante a pressão da missão do resgate deixou de existir.

    Jaro se aproximou um pouco mais e sua expressão ficou séria.

    — Daqui pra frente vai ser muito perigoso. Fique sempre perto de mim. Ou de alguém da nossa equipe. Não se afaste.

    — Claro — ela respondeu, sorrindo com firmeza.

    Logo depois, ambos aumentaram o passo, alcançado sua equipe e mais adiante, as Equipes Fantasma e Bramms avançavam pelos becos estreitos do Distrito, movendo-se como vultos entre as luzes da cidade.

    — Estamos indo para o poço — comunicou Vitória.

    — Entendido, boa sorte… — respondeu Einar, um pouco corado.

    — Valeu.

    As duas equipes se separaram na encruzilhada, cada grupo correu para um lado diferente.

    — Já se passaram dois minutos desde que eles partiram — disse Estelle.

    — Então vamos começar.

    As equipes Lâmina e Pimenta começaram a saltar pelos prédios e estruturas à sua frente. Cortavam caminho pelos telhados até o prédio da Ordem e, em poucos segundos, já estavam diante da fortaleza.

    Dois guardas saíam do edifício, conversando despreocupados.

    — Ontem foi loucura — comentou um homem alto, completamente escondido sob sua armadura e capacete de metal.

    — E você lembra de alguma coisa? Porque eu não lembro de nada! Exageramos no hidromel! — respondeu o outro, vestindo a mesma armadura.

    Os dois começaram a rir.

    Então ouviram um barulho.

    Mais à frente, uma figura vestida inteiramente de preto, com um capuz negro cobrindo o rosto.

    — Boa noite, cavaleiros… poderiam me dizer onde fica o banheiro? — soou uma voz feminina.

    Os dois guardas sacaram as lanças imediatamente.

    — Quem é você?! Identifique-se! — gritou um deles.

    — Não sou ninguém. — Ela ergueu as mãos lentamente. — Apenas uma garota que precisa ir ao banheiro…

    Ela deixou à mostra parte da coxa.

    Os guardas trocaram olhares enquanto se aproximavam.

    — Ela até que é uma gracinha…

    — Concordo… mas tem algo errado.

    — Também acho.

    As lanças já estavam a centímetros dela.

    — Eu posso te mostrar onde fica. Só preciso ver seu rosto — disse o guarda da direita, erguendo a mão em direção ao capuz.

    Antes que seus dedos tocassem o tecido, ele sentiu uma dor brutal no estômago.

    Olhou para baixo.

    Uma espada atravessava sua barriga.

    Sangue escorreu por sua boca.

    Seus olhos voltaram para a mulher à sua frente, e foi quando ela sacou a própria espada.

    — Sua—

    A cabeça dele rolou pelo chão antes que terminasse a frase.

    O segundo guarda mal teve tempo de reagir. Uma lâmina perfurou seu crânio, e ele caiu morto ao lado do companheiro.

    — Se não me engano, a Ordem do Gelo tinha pouco mais de cem membros… — comentou Estelle friamente. — Agora tem dois a menos.

    — Às vezes você me dá medo, Estelle… Aliás, suas pernas são um espetáculo — disse Lopez.

    Ela respondeu com um soco seco na cabeça dele.

    — Cala a boca e entra em posição. Eles já perceberam que matamos os amiguinhos.

    Lopez esfregou a cabeça, fazendo uma careta.

    — É… eu tô vendo.

    Da entrada da fortaleza, homens e mulheres vestidos com mantos azuis começaram a surgir. Todos usavam capuzes que escondiam o rosto.

    Estelle e Lopez se posicionaram, erguendo suas espadas.

    — Que pena… só saíram uns vinte — disse Estelle, analisando. — E ainda por cima uma mistura de estágios Guerreiro e Naka. Isso facilita.

    — Espero que você esteja certa.

    Mais à frente, um dos membros da Ordem comentou:

    — Ué… só são dois?

    — Kekeke… parece que nem vou precisar me esforçar — zombou outro.

    Eles avançaram.

    Mas antes que alcançassem Estelle e Lopez, centenas de esferas de mana, de tamanhos variados, cortaram o ar e explodiram contra as fileiras dos guerreiros. Muitos foram atingidos em cheio; outros conseguiram se defender.

    — Eles não estão sozinhos! Cuidado! — gritou um, cortando uma esfera ao meio.

    Aproveitando o caos, Estelle avançou como um raio, sua espada varrendo o campo com ataques rápidos e letais. Cinco caíram em segundos.

    Lopez, sozinho, derrubou três.

    Logo depois, o restante da Equipe Pimenta surgiu, eliminando mais alguns inimigos. A Equipe Lâmina apareceu por trás, encurralando e finalizando o restante.

    Muitos tremiam.

    Era a primeira vez que matavam seres humanos.

    Mas não havia escolha.

    Era matar ou morrer.

    — Conseguimos! — gritou Lopez, ofegante.

    — Não cante vitória antes da hora — alertou Carter.

    Ele apontou para a entrada da fortaleza.

    Dezenas… não.

    Centenas de membros da Ordem começavam a surgir. Era impossível contar quantos.

    — Só conseguimos isso por causa do ataque surpresa — continuou Carter. — Vamos recuar para aumentar a distância. Lutamos o máximo que der… e depois fugimos. Entenderam?

    — Sim! — responderam em uníssono.

    E então, a verdadeira batalha começou.

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