Capítulo 77 - Bandeira
Após limparem o local, pediram para Greg enterrar o corpo em um lugar seguro. Enquanto isso, a Turma Cinco bolava um plano para salvar suas colegas.
— O que acharam? — perguntou Vitória, depois de discutirem o plano.
— Nada mal, mas vai ser bem perigoso para todos — disse Estelle.
— Também acho — assentiu Carter. — Mas não há outro jeito. Vai lá saber o que eles farão com elas… Precisamos agir o mais rápido possível.
Einar, por sua vez, parecia pensativo.
— E você? O que acha? — perguntou Vitória, dirigindo-se ao jovem de cabelos vermelhos.
— Se a Equipe Pimenta e a Equipe Lâmina não derem o seu melhor, vamos todos morrer. Mas eu juro que, se falharem, eu volto dos mortos para amaldiçoá-los — declarou Einar, encarando os líderes de ambas as equipes.
— Hah. Grande coisa ser amaldiçoado por um fracote — retrucou Carter.
— É o quê?!
Carter virou-se para Einar.
— Falo pela minha equipe, nós iremos eliminar vinte por cento dos membros da Ordem do Gelo. Mesmo que a maioria deles esteja no estágio Naka, isso não faz a menor diferença. Minha equipe vai tocar o terror hoje — anunciou Carter, com o rosto sério.
Estelle, não querendo ficar para trás, também fez seu discurso:
— Vocês dois se acham muito. Minha equipe também fará o seu melhor!
Jaro observava tudo com certo otimismo. Eles eram meio malucos, mas pareciam ser bons garotos e garotas. Óbvio, tirando Einar, com ele, Jaro ainda mantinha um pé atrás.
Vitória olhou para todos com um sorriso.
— Está decidido, então. Nos encontramos daqui a duas horas. Creio que é tempo suficiente para todos se prepararem. E… não morram, seus idiotas!
A Turma Cinco se entreolhou e gritaram: — SIM!
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Duas horas depois
Dezessete jovens ocupavam telhados, sombras entre sombras. Todos vestiam preto e mantinham os rostos ocultos sob capuzes negros. Alguns estavam de pé, atentos; outros sentados, economizando energia. Apenas Jaro permanecia deitado, com as mãos atrás da cabeça, como se aquela fosse apenas mais uma noite comum.
Eram exatamente seis horas da noite.
A luz do entardecer ainda tingia o céu de laranja queimado enquanto Jaro encarava o pequeno visor do seu telefone flip azul-escuro, distraído com o velho jogo da cobrinha.
A cerca de trezentos metros dali erguia-se o prédio da Ordem do Gelo, uma construção imponente, mais parecida com uma fortaleza do que com um edifício comum. No topo, uma bandeira colossal ondulava ao vento, o símbolo da ordem era uma flor congelada, visível mesmo à distância.
Ao redor, nas calçadas e ruas do Distrito, a movimentação era intensa. Pessoas entravam e saíam de estabelecimentos, e o local estava muito iluminado por letreiros espalhados pelos prédios comerciais.
— Acho que está na hora — comentou Carter, observando atentamente a movimentação dos guardas que circulavam o prédio da Ordem. Ao que tudo indicava, fariam a troca de turno naquele momento. Seria a oportunidade perfeita para o ataque.
Jaro fechou o celular com um estalo seco e se levantou.
— Ótimo. Estamos contando com vocês.
A Equipe Bramms e a Equipe Fantasma desceram dos telhados. Antes, porém, Jaro puxou Serena pelo braço, deixando que os outros seguissem à frente. Taylor percebeu o gesto e sentiu um aperto de ciúmes, mas continuou andando. Sabia que precisava desistir de Serena.
— Serena… — Jaro a encarou por alguns segundos, olhando-a no fundo dos olhos.
Serena era muito bonita e tinha um bom coração. Jaro ficou feliz ao descobrir que ela gostava dele, e quase perdeu o controle quando a beijou. Mas, assim como ela jurou que ele seria seu lorde, do mesmo modo que os sobreviventes da vila Crim, salvos por ele dos Dollak, também juraram lealdade, Jaro passou a enxergá-la como parte de sua família. Por isso, infelizmente, não sentia amor por ela. Ainda assim, prometeu a si mesmo que cuidaria dela enquanto estivesse ao seu lado.
— Sim? — ela indagou, com um brilho suave nos olhos.
— Soube que você derrotou um dos membros da Ordem do Gelo. — Ele esboçou um leve sorriso. — Você foi incrível.
Serena corou levemente. Não estava acostumada a receber elogios e não sabia muito bem como reagir.
— Foi por sua causa, lorde.
— Minha causa?
Ela inclinou levemente a cabeça.
— Quem faria seus ovos mexidos com iogurte se algo acontecesse comigo?
Por um segundo, houve silêncio.
Então ele riu.
— O quê? Hahaha.
Ela riu também, e por um instante a pressão da missão do resgate deixou de existir.
Jaro se aproximou um pouco mais e sua expressão ficou séria.
— Daqui pra frente vai ser muito perigoso. Fique sempre perto de mim. Ou de alguém da nossa equipe. Não se afaste.
— Claro — ela respondeu, sorrindo com firmeza.
Logo depois, ambos aumentaram o passo, alcançado sua equipe e mais adiante, as Equipes Fantasma e Bramms avançavam pelos becos estreitos do Distrito, movendo-se como vultos entre as luzes da cidade.
— Estamos indo para o poço — comunicou Vitória.
— Entendido, boa sorte… — respondeu Einar, um pouco corado.
— Valeu.
As duas equipes se separaram na encruzilhada, cada grupo correu para um lado diferente.
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— Já se passaram dois minutos desde que eles partiram — disse Estelle.
— Então vamos começar.
As equipes Lâmina e Pimenta começaram a saltar pelos prédios e estruturas à sua frente. Cortavam caminho pelos telhados até o prédio da Ordem e, em poucos segundos, já estavam diante da fortaleza.
Dois guardas saíam do edifício, conversando despreocupados.
— Ontem foi loucura — comentou um homem alto, completamente escondido sob sua armadura e capacete de metal.
— E você lembra de alguma coisa? Porque eu não lembro de nada! Exageramos no hidromel! — respondeu o outro, vestindo a mesma armadura.
Os dois começaram a rir.
Então ouviram um barulho.
Mais à frente, uma figura vestida inteiramente de preto, com um capuz negro cobrindo o rosto.
— Boa noite, cavaleiros… poderiam me dizer onde fica o banheiro? — soou uma voz feminina.
Os dois guardas sacaram as lanças imediatamente.
— Quem é você?! Identifique-se! — gritou um deles.
— Não sou ninguém. — Ela ergueu as mãos lentamente. — Apenas uma garota que precisa ir ao banheiro…
Ela deixou à mostra parte da coxa.
Os guardas trocaram olhares enquanto se aproximavam.
— Ela até que é uma gracinha…
— Concordo… mas tem algo errado.
— Também acho.
As lanças já estavam a centímetros dela.
— Eu posso te mostrar onde fica. Só preciso ver seu rosto — disse o guarda da direita, erguendo a mão em direção ao capuz.
Antes que seus dedos tocassem o tecido, ele sentiu uma dor brutal no estômago.
Olhou para baixo.
Uma espada atravessava sua barriga.
Sangue escorreu por sua boca.
Seus olhos voltaram para a mulher à sua frente, e foi quando ela sacou a própria espada.
— Sua—
A cabeça dele rolou pelo chão antes que terminasse a frase.
O segundo guarda mal teve tempo de reagir. Uma lâmina perfurou seu crânio, e ele caiu morto ao lado do companheiro.
— Se não me engano, a Ordem do Gelo tinha pouco mais de cem membros… — comentou Estelle friamente. — Agora tem dois a menos.
— Às vezes você me dá medo, Estelle… Aliás, suas pernas são um espetáculo — disse Lopez.
Ela respondeu com um soco seco na cabeça dele.
— Cala a boca e entra em posição. Eles já perceberam que matamos os amiguinhos.
Lopez esfregou a cabeça, fazendo uma careta.
— É… eu tô vendo.
Da entrada da fortaleza, homens e mulheres vestidos com mantos azuis começaram a surgir. Todos usavam capuzes que escondiam o rosto.
Estelle e Lopez se posicionaram, erguendo suas espadas.
— Que pena… só saíram uns vinte — disse Estelle, analisando. — E ainda por cima uma mistura de estágios Guerreiro e Naka. Isso facilita.
— Espero que você esteja certa.
Mais à frente, um dos membros da Ordem comentou:
— Ué… só são dois?
— Kekeke… parece que nem vou precisar me esforçar — zombou outro.
Eles avançaram.
Mas antes que alcançassem Estelle e Lopez, centenas de esferas de mana, de tamanhos variados, cortaram o ar e explodiram contra as fileiras dos guerreiros. Muitos foram atingidos em cheio; outros conseguiram se defender.
— Eles não estão sozinhos! Cuidado! — gritou um, cortando uma esfera ao meio.
Aproveitando o caos, Estelle avançou como um raio, sua espada varrendo o campo com ataques rápidos e letais. Cinco caíram em segundos.
Lopez, sozinho, derrubou três.
Logo depois, o restante da Equipe Pimenta surgiu, eliminando mais alguns inimigos. A Equipe Lâmina apareceu por trás, encurralando e finalizando o restante.
Muitos tremiam.
Era a primeira vez que matavam seres humanos.
Mas não havia escolha.
Era matar ou morrer.
— Conseguimos! — gritou Lopez, ofegante.
— Não cante vitória antes da hora — alertou Carter.
Ele apontou para a entrada da fortaleza.
Dezenas… não.
Centenas de membros da Ordem começavam a surgir. Era impossível contar quantos.
— Só conseguimos isso por causa do ataque surpresa — continuou Carter. — Vamos recuar para aumentar a distância. Lutamos o máximo que der… e depois fugimos. Entenderam?
— Sim! — responderam em uníssono.
E então, a verdadeira batalha começou.


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