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    Mais de trinta membros da Ordem trotavam na direção de Vitória e dos outros que permaneciam atrás, sendo curados por Serena.

    — Pelo visto, todos os guerreiros deles que estavam no estágio Naka morreram — comentou Vitória, sentindo a mana que emanava dos inimigos.

    Alice mantinha duas bolas de fogo flutuando nas mãos.

    — Isso é maravilhoso!

    — Eu vou na frente — disse Peter.

    Sem esperar resposta, ele disparou em direção à multidão. Seu rosto estava sereno. Era como se tivesse entrado em um novo estado.

    — Não tenham piedade dos invasores! — gritou um guerreiro da Ordem, correndo ao encontro dele.

    Um coro de urros respondeu.
    Peter desembainhou a espada. Da lâmina escorria uma fumaça negra que serpenteava.

    As duas espadas se chocaram.
    O ar assobiou quando as lâminas se cruzaram, mana azul de um lado, mana negra do outro. O impacto espalhou um vento violento ao redor.

    — Oh! Apesar de ser novato, sua força não é brincadeira — zombou o homem.

    — N-não fala tão próximo seu bafo é terrível — respondeu Peter, com uma careta no rosto.

    — O que você disse, moleque?!

    Swish! Swish!

    Eles trocaram golpes rápidos.
    De repente, a espada do inimigo parou a centímetros de Peter.

    — O que… o que está acontecendo?! Eu não consigo me mexer!

    Uma escuridão se arrastava pelo corpo do homem. Começava nos pés, subia pelas pernas, envolvia as costas, o pescoço e finalmente os braços, prendendo-o como correntes vivas.

    — Essa é minha primeira magia. Sepultura da Noite.

    — AAH!

    O homem forçava o corpo, tentando se libertar. Peter não lhe deu tempo. Um único golpe atravessou seu peito e o corpo caiu.

    Todo aquele treinamento com o professor Jason está valendo a pena.

    A Sepultura da Noite era uma magia de curta distância. O usuário fazia uma escuridão densa se infiltrar na própria sombra do inimigo. Em seguida, ela se expandia pelo corpo da vítima, aprisionando-a completamente.

    Outros três inimigos avançaram. Peter desviou do primeiro golpe, ativou novamente a magia e prendeu os três. Um corte. Depois outro. E mais um. Três corpos tombaram.

    Peter olhou rapidamente para trás. Vitória e Alice ainda preparavam aquilo.

    Preciso correr ou vou morrer!

    Ele então avançou ainda mais fundo entre os inimigos.

    Espadas desciam de todos os lados, mas sua agilidade era absurda. Ele desviava por centímetros, girava o corpo e já estava quase no centro da multidão.

    Mais atrás…

    — Ele está longe o suficiente — disse Alice. — Vou começar.

    — Certo — assentiu Vitória.

    Duas gigantescas bolas de fogo flutuavam diante dela, quase um metro de diâmetro cada uma. O calor fazia o ar ondular.

    Alice suava ao mantê-las estáveis.

    — Agora!

    Ela empurrou os braços para frente. As duas esferas de fogo dispararam contra o campo de batalha.

    Ao lado dela, Vitória abriu as mãos. Um vendaval brutal explodiu de suas palmas e atingiu as bolas de fogo.

    Instantaneamente, elas triplicaram de velocidade e cresceram ainda mais. Os guerreiros da Ordem perceberam tarde demais.

    — Barreira de gelo!

    — Bola de água!

    Magias surgiram desesperadamente. Mas as bolas de fogo esmagaram tudo no caminho.

    BOOOOM!

    Uma explosão devastadora sacudiu o campo. Mais de dez guerreiros morreram na explosão. Outros foram arremessados ou ficaram gravemente feridos.

    Peter escapou por pouco. Mas agora estava cercado.

    — Matem ele! — gritou um membro da Ordem.

    Espadas se ergueram ao redor.
    Peter respirou fundo. Mas não recuou, esperou e quando o grupo mais próximo se aproximou: — Sepultura da Noite.

    A escuridão explodiu do chão.
    Vários inimigos congelaram no lugar.

    — Eu não consigo me mexer!

    — É a magia dele! Usem todas suas forças pra se libertarem!!

    Idiotas! Eu só preciso de um segundo.

    Peter reuniu sua mana.

    Não era tão poderosa quanto a dos outros. Mas é o suficiente.

    — Balas da Escuridão! — Ele levantou sua mão direita, enquanto a outra segurava sua espada. Esferas negras do tamanho de bolas de futebol surgiram de sua palma e dispararam.

    BOOM! BOOM! BOOM!

    As magias se chocaram contra cinco homens que morreram instantaneamente.

    Uma fumaça negra e densa se espalhou pelo campo. O cheiro era horrível, queimava a garganta quando tentavam respirar.

    — Cof! Cof!

    — Eu não estou vendo nada!

    — Que fumaça é essa?!

    Gritos começaram a ecoar na escuridão. Mas Peter enxergava. Ele havia tomado uma poção de visão noturna.
    Mesmo que a magia criasse uma escuridão profunda, aquela poção era o suficiente.

    Sombras se moviam e Peter cortava sem remorso. Corpos caíam sem que os outros entendessem o que estava acontecendo. Esses segundos foram o suficiente.

    Vitória e Alice chegaram. Alice tremia levemente, esperando alguém sair da fumaça.

    De repente.

    CLANG!

    Ela sacou a espada no último instante, bloqueando um golpe que vinha direto para seu pescoço.

    Seu coração disparou. Mas, estranhamente… Ela sorriu.

    — Eu consigo!

    Ela seguiu em frente. Era estranho vê-la lutar. Pequena e frágil, enquanto o inimigo tinha o dobro de seu tamanho.

    Mesmo assim, seus golpes eram pesados e rápidos.

    — Como essa garotinha é tão forte?! — pensou o homem, recuando.

    Do outro lado do campo. Vitória era um desastre natural.
    Ela levantou a mão. Um vendaval gigantesco varreu o campo, dissipando completamente a fumaça criada por Peter.

    Para ela, aquela tática era inútil. Ela seguia em frente como um furacão.

    Empunhando sua espada varreu lançando um golpe.

    CLANG!

    A espada do inimigo se partiu e a lâmina desceu cortando seu trapézio até seu coração.

    Cinco guerreiros correram em sua direção. Nenhum conseguiu tocá-la. Em poucos segundos, todos estavam mortos.

    Dos mais de trinta guerreiros da Ordem. Nenhum restava de pé. Peter, Vitória e Alice haviam eliminado todos.

    — Eu achei que fosse morrer. Haha — Peter soltou uma risada nervosa. — Que loucura. Vocês estão bem?

    Vitória inclinou a cabeça para o lado, indicando alguém atrás dele.

    — Eu me preocuparia mais com ela.

    Alice respirava com dificuldade. Havia alguns cortes espalhados pelo corpo, nada profundo, e um hematoma arroxeado na bochecha.

    Peter arregalou os olhos e correu até ela.

    — Alice! Você está bem? — perguntou, segurando os braços dela enquanto a examinava apressado. — Está doendo muito? Quer que a Serena te cure?

    Alice ficou momentaneamente surpresa com a preocupação exagerada. Então tapa! Ela acertou o rosto dele.

    — Para com esse drama! — reclamou.

    Em seguida, colocou a mão na cabeça dele, precisando ficar na ponta dos pés por causa da diferença de altura.

    — Eu estou ótima! Só me machuquei um pouco na luta. Não sou um monstro com espada igual a vocês dois, entendeu? Não precisa entrar em pânico.

    — Ah… entendi. Desculpa… — Peter coçou a cabeça, sem graça.

    Alice desviou o olhar e murmurou baixinho: — Apesar de ser meio fofo quando você está preocupado.

    — O quê? — ele perguntou, sem entender.

    — Nada!

    Antes que ele reagisse, pow!
    Ela acertou um chute certeiro entre as pernas dele. Peter caiu imediatamente no chão, gritando de dor. Vitória observou a cena com certa pena.

    — Não precisava de tudo isso — comentou. — Ainda mais depois de chamar ele de fofo.

    — Aaaah! — Alice gritou, completamente vermelha, tampando os ouvidos. — Eu não estou ouvindo nada!

    Vitória suspirou.

    — Que garota impossível…

    Enquanto a dor lancinante tomava conta do corpo, Peter acabou desmaiando por um instante.

    E, no vazio da consciência, suas memórias começaram a emergir, lembranças do seu treinamento intenso.

    — MAIS FORTE! — rugiu um homem.

    Ele tinha cerca de um metro e noventa, cabelo curto e negro, olhos escuros e uma camiseta apertada que destacava os músculos do braço e tronco. Era Jason, o professor responsável pelas aulas físicas e de esgrima da Turma Cinco.

    — SIM, SENHOR!

    Peter, um garoto de treze anos, com corte de cabelo em tigela e cerca de um metro e sessenta e cinco, vestia roupas leves feitas de peles de feras. Seu corpo ainda parecia frágil para um combatente, exceto pelos antebraços, absurdamente desenvolvidos em comparação ao resto.

    Ele assumia posição de combate, visivelmente exausto. O corpo estava coberto de pequenos cortes e o sangue escorria por alguns deles.

    Mesmo assim, ergueu os braços. Uma leve fumaça negra escapava de seus punhos.

    — Ahhh!

    Peter lançou o soco.

    O golpe encontrou a palma aberta de Jason, criando uma pequena pressão de ar ao redor.

    Em seguida veio um jab.
    Depois um direto. Peter continuou atacando sem parar, uma sequência de socos contra as palmas do professor, cruzados disparando em rápida sucessão, até que lançou um gancho poderoso.

    Jason bloqueou tudo com facilidade. Peter então mudou de estratégia. Girou o corpo e desferiu um chute alto na direção da cabeça do professor.

    Bloqueado. Logo depois, um chute frontal. Jason o segurou com uma única mão. No mesmo movimento, chutou a perna de apoio de Peter. O garoto perdeu o equilíbrio e caiu de costas no chão.

    Antes que pudesse reagir, Jason levantou o punho e desferiu um golpe brutal. Peter instintivamente virou o rosto e fechou os olhos.

    BANG!

    Ele abriu os olhos novamente.

    O soco de Jason havia acertado o piso de madeira, bem ao lado de sua cabeça. Quando o professor ergueu o punho, pequenos pedaços de madeira caíam, e o chão estava afundado onde o impacto havia atingido.

    Jason olhou para ele com expressão dura.

    — Nunca feche os olhos em combate. Se fizer isso de novo, eu acerto você em vez do chão.

    Peter engoliu em seco.

    — …Sim, senhor!

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