Índice de Capítulo

    Porta aqui: ultima side lançada até o momento, aproveitem!

    Não foram fornecidas data e hora para o evento nesta história. Mas foi lançada junto com a versão física do Volume 4 da obra.


    Na proa de um veleiro de três mastros.

    O alto Capitão Norm, com sua barba loiro-clara, virou a cabeça e perguntou ao seu imediato Sigurd: 

    — Tem certeza de que o “Império Espectral” aparecerá nessas águas esta noite?”

    Todos a bordo deste navio são caçadores de tesouros, aceitando apenas trabalhos ocasionais de pirataria quando necessário.

    E o “Império Espectral” era uma das seis lendas de tesouros mais famosas dos Cinco Mares, e também a que tinha mais histórias. Dizia-se que pertencia ao Império Trunsoest da Quarta Época. Eles construíram um navio gigantesco, do tamanho de uma cidade, e transferiram todos os seus tesouros e riquezas para ele. Mas quando o navio repentinamente partiu para o mar por conta própria, seus passageiros e tripulação ainda não haviam chegado ao porto, aparentemente todos mortos antes.

    O navio desapareceu desde então, mas de tempos em tempos, pessoas afirmavam ter visto a enorme embarcação navegando silenciosamente em alguma noite de neblina.

    Assim, o navio passou a ser chamado de “Império Espectral”, e seus locais relatados se espalharam pelo Mar de Sonia.

    Sigurd tinha cabelos longos, cor de bronze, e feições regulares. Contemplando o mar azul à sua frente, ele disse:

    — Só podemos dizer que existe uma possibilidade. Se o “Império Espectral” fosse tão fácil de encontrar, já teria se tornado propriedade privada dos Quatro Reis e dos Almirantes Piratas. Estou apenas especulando, com base em registros das aparições do “Império Espectral” ao longo dos milênios e em alguns documentos históricos, que ele possa aparecer nessas águas durante a lua cheia.

    — Capitão, o senhor sabe que pelo menos metade desses registros são falsos, fabricados por piratas ou mercadores para se gabarem, ou alucinações de suas bebedeiras. Confiar neles para deduzir padrões oferece uma chance muito baixa de se chegar a uma resposta definitiva.

    — Metade é falsa? Pelo menos noventa por cento! — O Capitão Norm riu.

    O jovem imediato Sigurd olhou para Norm. — Capitão, o senhor não parece muito decepcionado?

    Norm deu uma risadinha. — Não somos todos caçadores de tesouros, usando toda a nossa coragem, força e paciência para perseguir uma esperança de um por cento?

    Sigurd não disse mais nada, cerrou o punho direito e bateu no peito esquerdo. — Que a Tempestade esteja com você!

    — Que a Tempestade esteja com você! — O Capitão Norm retribuiu o gesto.

    Aqueles que se aventuram no mar, de uma forma ou de outra, depositam alguma fé no Senhor das Tempestades, mesmo que seja apenas por precaução.

    E assim, tarde da noite, o imediato Sigurd retornou à proa após inspecionar o navio. Ele viu o Capitão Norm encostado na amurada, a cabeça inclinada para trás, olhando com uma concentração incomum para o céu noturno. Ele estava tão imóvel que parecia uma estátua, sem sequer notar a aproximação de Sigurd.

    Sigurd instintivamente olhou para cima, seguindo o olhar do capitão. Ele viu a lua cheia, brilhante e carmesim, sua luz onírica e ligeiramente misteriosa derramando-se do alto, lançando um véu vermelho, nebuloso e encantador, sobre todo o navio, todo o mar… e todo o mundo.

    Sigurd admirou a vista em silêncio por alguns segundos, depois aproximou-se do capitão e perguntou casualmente: — No que você está pensando?

    O Capitão Norm não respondeu. Só depois de um longo tempo falou, como se estivesse falando consigo mesmo. — Eu estava pensando em muito tempo atrás, quando eu estava deitado em um palheiro, a lua cheia que eu vi não era diferente de agora.

    — Há quanto tempo é “muito tempo atrás”? — perguntou Sigurd.

    Norm manteve a postura, olhando para a lua carmesim, seu tom ainda pensativo.

    — Naquela época, meu pai tocava flauta em frente ao palheiro, minha mãe cantarolava baixinho; meu irmão e minha irmã mais novos importunavam o bardo visitante para que contasse outra história emocionante; a garota de quem eu gostava e suas amigas se aconchegavam à sombra de uma árvore, conversando sobre sabe-se lá o quê, às vezes brigando, às vezes rindo…

    Depois de ouvir a história do capitão, Sigurd disse pensativo. — Estou na Casa da Moeda1 há quase dois anos, Capitão. Parece que o senhor nunca tirou férias nem voltou para casa.

    Norm ficou em silêncio por um longo tempo, depois disse com voz calma. — Aquela vila… ela desapareceu em um incidente envolvendo um Beyonder que perdeu o controle.

    O jovem imediato ficou sem palavras.

    Silêncio. Um longo silêncio.

    Após alguns minutos assim, Sigurd franziu a testa de repente. A superfície do mar estava estranhamente coberta por uma névoa escura.

    — Este nevoeiro… — Sigurd se virou para olhar para o capitão.

    Se este fosse o Mar da Névoa, o aparecimento repentino de nevoeiro seria comum, algo sem importância. Mas o clima no Mar de Sonia raramente seria tão bizarro.

    Antes que Norm pudesse falar, suas pupilas dilataram-se subitamente. Ele viu uma forma colossal emergir lentamente da névoa.

    Nas profundezas da névoa.

    Aquele colosso tinha centenas de metros de altura, mesmo sem contar os mastros. Em sua totalidade, era quase como uma montanha com um pico imponente, emanando uma sensação excepcionalmente pesada.

    — Império Espectral… — Sigurd murmurou o nome.

    Eles realmente haviam encontrado o tesouro que era o “Império Espectral”…

    Quase meia hora depois, a Casa da Moeda parou perto do enorme navio coberto de ferrugem de cobre, como uma folha de grama olhando para uma árvore gigantesca.

    — Há uma prancha de embarque abaixada… — disse Sigurd em voz baixa, olhando para o “Império Espectral”.

    — Abaixem o bote. Você, eu, ‘Ousado’ Moss, ‘Canhão’ Thurman e ‘Urso Furioso’ Bento iremos verificar. O resto fica a bordo para evitar acidentes. —  O Capitão Norm tomou a decisão sem hesitar, selecionando membros da tripulação conhecidos por sua coragem.

    Os caçadores de tesouros estavam todos ansiosos. Quando o pequeno barco alcançou a prancha de embarque do “Império Espectral”, “Ousado” Moss, o sujeito destemido, foi o primeiro a pular para cima.

    Sigurd ainda nem havia terminado de observar, muito menos formulado um plano.

    — Volte! — gritou ele com urgência.

    “Ousado” Moss não deu ouvidos e continuou a subir a prancha com destreza e pressa.

    De repente, chamas douradas-alaranjadas semitransparentes irromperam sobre o corpo do “Ousado” Moss.

    Ele rapidamente se transformou em uma tocha humana. Em meio a gritos, caiu da prancha, mergulhando no mar. As chamas em seu corpo se extinguiram logo em seguida.

    Vendo sua cabeça emergir da água, o Capitão Norm perguntou, intrigado. — Você está bem?

    — Algumas queimaduras, mas sem problemas! — gritou o “Ousado” Moss de volta, nadando em direção ao pequeno barco.

    — O que aconteceu agora? — perguntou Sigurd.

    “Ousado” Moss pensou por um instante. — Acho que ouvi uma voz dizendo algo como ‘Ofendendo…’ e ‘Queimando na fogueira’… e então me vi em chamas…

    — Ofendendo… — Sigurd ponderou a palavra.

    Após alguns segundos, seus olhos brilharam. — Entendo.

    Ele então pulou na prancha, ajoelhou-se e fez uma saudação militar. Só depois disso começou a subir. Nenhuma outra anomalia ocorreu durante o trajeto.

    — Viram só? Tenham um pouco de cortesia! — Norm também entendeu e lembrou os outros tripulantes.

    Em seguida, eles saudaram, subiram e, após um tempo considerável, chegaram ao convés.

    À primeira vista, parecia uma praça infinita. No meio dessa “praça”, havia duas longas mesas cobertas com toalhas de mesa brancas. Sobre elas havia pratos feitos de ouro, prata, latão e outros metais. Mas os pratos não continham comida; em vez disso, continham objetos de formatos estranhos, cores variadas, que emanavam uma luz fluida e uma aura perigosa.

    Tudo estava disposto com estrita simetria horizontal.

    — Materiais Beyonders! — Rugiu “Urso Furioso” Bento, avançando alegremente e tentando, com cautela, pegar um dos pratos.

    — Largue isso! — gritou Sigurd com urgência.

    Antes que sua voz se perdesse, “Urso Furioso” Bento foi atingido por um chicote invisível, arremessado para trás, para fora do convés.

    Um instante depois, ouviu-se um respingo.

    O prato, no entanto, não foi levado pelo vento junto com o homem; flutuou de volta à sua posição original.

    Vendo isso, Sigurd disse a “Ousado” Moss e “Canhão” Thurman. — Não toquem nesses materiais Beyonders por enquanto. Se realmente quiserem pegá-los, um de vocês vá para cada lado e pegue o mesmo tipo de placa simultaneamente. Certifiquem-se de que os dois lados permaneçam simétricos.

    — Certo!

    “Ousado” Moss, com sua expressão destemida, esfregou as mãos e chamou “Canhão” Thurman para examinarem as mesas juntos.

    Sigurd então falou com o Capitão Norm. — Vamos verificar as cabines?

    Norm hesitou por alguns segundos antes de concordar. — Certo.

    Tendo finalmente encontrado o “Império Espectral”, é claro que deveriam ir atrás dos itens potencialmente mais valiosos dentro do navio!

    Os dois passaram rapidamente por “Ousado” Moss e “Canhão” Thurman, seguindo em direção à entrada das cabines na parte traseira do navio. Eles mal tinham avançado cem metros quando…

    De repente, uma parede invisível surgiu diante deles. A parede era muito macia, como se tivesse vida própria, envolvendo-os e empurrando-os para trás.

    Vagamente, Norm e Sigurd perceberam que essa parede invisível parecia ser composta por fileiras e mais fileiras de caracteres e frases antigas.

    Norm mal conseguiu distinguir algumas frases:

    “Quando a lua está cheia, matar é proibido…”

    “Quando a lua está cheia, entrar é proibido…”

    Em apenas dois ou três segundos, a parede invisível, aparentemente viva, empurrou Sigurd e Norm para trás mais de dez metros.

    — Entrar é proibido… — Os dois se entreolharam, repetindo as mesmas palavras.

    Após um breve silêncio, Sigurd soltou um suspiro lento. — Parece que não podemos explorar as cabines esta noite.

    — Hum. Não tem jeito. Às vezes, a morte não é necessariamente o pior resultado.

    Norm não considerou a ideia de arriscar uma entrada forçada só por causa da regra que proibia matar durante a lua cheia. Afinal, ninguém podia ter certeza se existiria uma punição que fizesse você desejar a morte, mas que, ao mesmo tempo, não deixasse morrer.

    Sigurd assentiu. — Quero dar uma olhada na proa.

    — Para quê?

    — Afastar-se um pouco e olhar para a área do leme, para ver o que tem lá. — Sigurd respondeu sinceramente.

    — Certo. — Norm decidiu ir com ele.

    O “Império Espectral” era enorme. Mesmo estando relativamente perto da proa, levaram um bom tempo para chegar ao destino.

    Virando-se, ambos olharam para a área do leme, lá no alto. Descobriram que, do ângulo anterior, não conseguiam ver que no topo da área do leme havia uma plataforma de observação elevada. Nessa plataforma, havia uma enorme cadeira de pedra.

    E na cadeira de pedra, sentava-se uma figura ilusória, semitransparente!

    — Isso… — Norm sentiu um medo inexplicável, com vontade de abaixar a cabeça.

    Havia mesmo um espectro no navio?

    Um espectro de uma figura aterradora da Quarta Época?

    Num instante, aquela figura ilusória e semitransparente ficou completamente gravada na mente de Norm.

    Era um jovem digno e imponente, com cabelos curtos cor de bronze, um perfil elegante e um ar um tanto erudito. Naquele momento, o homem inclinava a cabeça para trás, contemplando o céu noturno com extrema concentração e absorção, aparentemente alheio à atividade no convés abaixo.

    Era como se fosse uma mera estátua.

    Sigurd e Norm instintivamente ergueram a cabeça, seguindo o olhar do homem para o céu noturno.

    Imediatamente avistaram a lua cheia, brilhante e carmesim.

    Aquela lua cheia irradiava seu brilho onírico e ligeiramente misterioso, lançando um véu vermelho, nebuloso e encantador, sobre todo o navio, toda a névoa, todo o mar… e todo o mundo. Era assim no passado, é assim agora e será assim no futuro.

    A̷͙ͭͫ̕ḣ̖̻͛̓, é r̴̨̦͕̝ẹ̿͋̒̕ā̤̓̍͘l̙͖̑̾ͣḿ̬̏ͤͅẹ̿͋̒̕ṇ̤͛̒̍t̲̂̓ͩ̑ẹ̿͋̒̕ b̬͖̏́͢ẹ̿͋̒̕l̙͖̑̾ͣā̤̓̍͘.

    Fim


    Bônus de perguntas e respostas de uma seção de comentários do WeChat:

    Leitor:

    Por que o Imperador da Noite Trunsoest, no Império Espectral, estava olhando tão atentamente para a lua carmesim? Ele estava com saudades da sua Imperatriz? Ou havia outro motivo?

    Autor:

    Sempre que vejo a lua cheia, ela me lembra de você.

    1. nome do navio, não literalmente a casa da moeda[]
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