Capítulo 1 - Chega uma onda de frio - Parte IV
Chega uma onda de frio – Parte IV
Em meio à agitação passiva, as pessoas temiam o que poderia acontecer com elas. Mesmo que fossem orgulhosas demais para se resignarem à vitimização unilateral, os eventos em nível macro estavam sobrepujando sua força de vontade e discrição em nível micro. Era como correr na direção oposta pelo convés de um navio: por mais rápido que se corresse, nunca se chegaria à terra firme.
Boris Konev sentia essa impotência em suas veias. Desde que foi designado para o escritório do alto comissário de Phezzan em Heinessen, ele trabalhava como secretário. Apesar de não ter nenhum desejo de ser um funcionário do governo, ele aceitou o cargo por ordem do mais alto funcionário administrativo de Phezzan, Landesherr Adrian Rubinsky. Boris Konev era um comerciante independente cuja tendência a seguir suas próprias convicções era forte, mesmo para um phezzanês. Seu pai e seu avô navegaram em naves mercantes por todo o universo, superando poderes políticos e militares e vivendo suas vidas com base apenas em sua própria vontade e inteligência. Era uma tradição familiar que Boris ainda esperava continuar e por isso ficar preso na rotina do serviço público era suficiente para ferir sua autoestima.
Não passava um único dia sem que ele pensasse em entregar sua carta de demissão e voltar a ser um cidadão comum, abandonando sua posição e seu título. Agora que sua terra natal, Phezzan, estava ocupada pela Marinha Imperial e o Landesherr Rubinsky havia se escondido, ele pensava em abandonar seu posto e se esconder também. No entanto, ele permaneceu onde estava. Por mais irracional que fosse, abandonar um navio que estava afundando estava abaixo de sua dignidade.
Ele temia por sua nave mercante, Beryozka, que havia deixado em casa junto com uma tripulação de vinte homens. Mas as comunicações com Phezzan estavam, assim como as rotas que poderiam levá-lo até lá, sob rigorosa suspensão da Aliança, tornando o retorno quase impossível. Algo dramático, como a retirada da Marinha Imperial de Phezzan ou a derrota das Forças Armadas da Aliança, precisaria ocorrer antes que ele pudesse sequer pensar em se reunir com sua amada nave e tripulação.
Aos olhos de Boris, a última possibilidade era muito mais provável. Ele rezou a um deus em que não acreditava por isso, mantendo as aparências no escritório do comissário, onde seu trabalho já havia sido reduzido a nada.
Aquele ano, 799 ES, CI 490, entraria para a história como a mais longa marcha da Marinha Imperial Galáctica. No final do ano anterior, após ocupar Phezzan como base de retaguarda, o Império havia colocado todos os mundos habitados do Corredor de Phezzan sob seu controle. Compreendendo a relevância do governo, a ordem em Phezzan estava estável por enquanto. Mas se a ocupação imperial se prolongasse às custas de seus recursos materiais, os phezzaneses, independentes por natureza, rapidamente se cansariam de sua subserviência.
Por enquanto, o dever e as preocupações de Wolfgang Mittermeier não estavam atrás, mas à sua frente. Três dias depois de colocar seu corajoso Vice-Almirante Bayerlein na vanguarda na esperança de detectar atividades da Aliança, ele recebeu notícias de Bayerlein.
“Nenhum sinal do inimigo no final do Corredor de Phezzan.”
Ao receber este relatório, Mittermeier olhou cautelosamente para o seu Chefe de Gabinete, o Vice-Almirante Dickel.
“Bem, eles deixaram-nos entrar no átrio 1. Agora a questão é se chegaremos ao salão de jantar. E mesmo assim, quando me sentar à mesa, a comida que me servirem pode muito bem estar envenenada.”
Em 8 de janeiro de 799 ES, a Primeira Frota Imperial passou pelo Corredor de Phezzan como convidados indesejados da Aliança, navegando em direção a um oceano gigante de estrelas fixas e planetas que nunca haviam visto antes.
Nota do tradutor:
Como de praxe irei lançar uma parte adicional já que esta é muito curta.
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