Capítulo 9 - Phezzan Ocupada - Parte V
Phezzan Ocupada – Parte V
Em 30 de dezembro, às 16h50, horário padrão de Phezzan, Reinhard von Lohengramm pisou em solo phezzenês junto com seus assessores mais próximos.
O Almirante Sênior Mittermeier e o Almirante Müller, acompanhados por quarenta mil guardas, deram as boas-vindas ao Marechal Imperial. Era o momento em que o dia entregava sua soberania à noite. Escurecia rapidamente e, sob o céu, em que um azul profundo dava lugar a uma faixa rosada, a jovem figura loira parecia saída de um poema.
Mesmo aqueles que o desprezavam não podiam deixar de reconhecer sua magnificência avassaladora. Até o dia em que morressem em batalha ou de velhice, os soldados que observavam Reinhard em pé e no porto espacial se gabariam para suas esposas, filhos e netos sobre o momento em que viram aquele jovem de cabelos dourados se erguendo no crepúsculo. Os soldados se levantaram em júbilo, cantando, seu fervor e poder se fortalecendo a cada grito.
“Viva o Imperador! Viva o Império!”
Mittermeier inclinou-se para o jovem marechal.
“Estão o chamando de Imperador.”
“Estão ansiosos.”
Os oficiais de Reinhard entenderam exatamente o que ele queria dizer. Ele não estava negando ser chamado de imperador. Enquanto acenava para os soldados, outra salva de vivas irrompeu no céu noturno.
“Viva o Imperador! Viva o Império!”
Reinhard só seria coroado imperador no ano seguinte. Mas no planeta Phezzan, este dia seria lembrado como o primeiro em que ele passou a ser oficialmente conhecido entre os seus soldados como “o nosso Imperador Reinhard.
Reinhard montou um escritório improvisado de marechal num hotel de luxo requisitado. A sua primeira declaração foi que a ocupação imperial não prejudicaria de forma alguma os muitos direitos civis que o povo de Phezzan sempre desfrutara. Ele afirmou ainda a sua esperança de ver o continente imperial e o domínio autônomo de Phezzan numa unificação hermética e isso não era mentira. Ele simplesmente não mencionou que esse era um passo em direção à sua ambição final de conquistar a Aliança dos Planetas Livres e que tudo seria realizado sob a sua liderança rigorosa.
Mittermeier pediu desculpas a Reinhard por ter falhado em três pontos: não ter conseguido prender o Landesherr Rubinsky, ter falhado igualmente com o Comissário Henslow da Aliança e, finalmente, não ter conseguido extrair quaisquer dados úteis do computador do Gabinete do Comissário. Reinhard encolheu os ombros, com uma expressão calma.
“Não existe perfeição total. Se você não conseguiu, então duvido que alguém conseguisse. Não precisa se desculpar.”
Reinhard pouco se importava com o que aconteceria a alguém como o Comissário Henslow. E, por enquanto, até Julian Mintz estava longe de seus pensamentos. Embora o incidente envolvendo o computador do escritório do comissário fosse realmente lamentável, eles conseguiram obter todos os dados do Departamento de Navegação, então estava longe de ser um fracasso irrecuperável. O que ele não podia ignorar, no entanto, era o paradeiro desconhecido de Rubinsky.
“O que acha, Fräulein von Mariendorf, das intenções da Raposa Negra?”
“Neste momento, acho que ele aceitou a derrota e voltou para o seu buraco. Por outro lado, ele provavelmente prevê que o Comissário Boltec nunca controlará Phezzan. Ele pode muito bem acreditar que a sua vez chegará novamente quando Boltec falhar miseravelmente. Seja Vossa Excelência ou o povo de Phezzan, não importa quem ele corteja.”
“Então chegou a este ponto, não é?”
Reinhard aceitou a análise de Hilda. Rubinsky passou algum tempo tentando atrair Reinhard com o rapto do imperador e a passagem pelo Corredor de Phezzan, mas isso acabou por se virar contra ele.
Reinhard detectou algo além da vitória total espreitando em seus neurônios. Por enquanto, era apenas uma semente de suspeita, mas se alimentada com o tempo, poderia florescer em uma flor de ansiedade. Boltec e Rubinsky estavam escondendo algo. Fosse o que fosse, ficaria claro mais cedo ou mais tarde.
Depois de terminar o jantar com os seus oficiais, Reinhard dirigiu-se ao Departamento de Navegação com os seus guardas imperiais seguindo-o. Quando foi conduzido à sala de computadores pelo Comodoro Klapf, Chefe das Operações de Defesa, Reinhard deixou até mesmo o seu guarda pessoal, o Capitão Kissling, à espera do lado de fora e entrou sozinho na sala.
A sala de computadores vazia era tão mecânica que até o ar cheirava a eletricidade. Reinhard caminhou silenciosamente entre as máquinas e parou diante de uma tela, olhando para a sua superfície gigante e brilhante.
“Sim, é isto que eu queria.”
A sua voz tinha o tom de alguém sonhando. Colocou as mãos no console e, sem hesitar, começou a ligar o computador.
Os seus movimentos eram mais do que deliberados, como os de um pianista inspirado a tocar uma improvisação. Mas o que ele tocava não era, obviamente, música. Ele trouxe um mapa estelar para o ecrã — um sistema galáctico de duzentos bilhões de estrelas fixas. Ele ampliou-o. O território da Aliança dos Planetas Livres apareceu diante dele. O nome de cada sistema estelar fixo apareceu, juntamente com as rotas que os ligavam: o Planeta Capital da Aliança, Heinessen; a Região Estelar Astarte, onde ele já havia enviado para o esquecimento uma frota inimiga duas vezes maior que a sua; a Região Estelar Dagon, onde, 158 anos atrás, a Marinha Imperial havia sofrido uma derrota esmagadora; e inúmeros outros sistemas estelares fixos, regiões estelares e campos de batalha. Ele ansiava pelo dia em que conquistaria todos eles.
Reinhard tornou-se uma escultura viva diante do ecrã. Depois de algum tempo, pegou no pingente de prata pendurado no pescoço, abriu-o e ficou olhando para a pequena mecha de cabelo ruivo escondida no seu interior.
“Vamos, Kircheis. O universo é nosso.”
Mesmo após a morte de Siegfried, Reinhard continuou a falar com o seu amigo ruivo. Reinhard afastou os cabelos dourados, ergueu os ombros com orgulho e, com um andar que ninguém conseguia imitar, saiu da sala de informática.
798 ES, ano 489 do Calendário Imperial, havia se livrado do jugo do passado em meio à confusão e à turbulência. A humanidade estava ciente do que deveria fazer e que tipo de pedestal ocuparia no grande museu da história. Seria possível contar alguns entre os quarenta bilhões de pessoas?
Gritos de “Viva o Imperador Reinhard!” agora dominavam todo o universo. Apenas o tempo fluía imparcialmente para aqueles que os ouviam como bons ou maus presságios.
799 da ES, 490 do CI, batia à sua porta…
Nota do tradutor:
Aqui termina mais um volume desta magnífica obra, vejo-os todos novamente no próximo volume: “Mobilização”.
Atenciosamente,

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