Capítulo 102: A culpa de um espadachim
Quanto tempo eu fiquei gritando por ajuda?
Vozes distantes de Kim tentavam acalmar ele, mas, nada era escutado, além de um vazio imensurável.
Segundos se passaram anos perdido em lágrimas, sua garganta estava inflamada de tanto gritar. Todos tinham chegado a esse ponto até Kim.
Ele não conseguia ver seus rostos, não conseguia ouvir suas vozes. Eles tentavam segurá-lo, mas, nunca soltaria aquela estava em suas mãos.
Chorou, berrou, cravejou suas unhas naquela que tanto amou. Um amor que não deu tempo de sentir. Um amor que não teve chance de refletir. Quanto ele queria sentir seu amor agora.
Kim sempre teve aquela garota ao seu lado, mas não valorizou ela quando criança. Agora, quando finalmente pode mostrar que amava ela.
Perdeu, perdeu, perdeu.
Era um perdedor.
Um verdadeiro perdedor.
Seus molares quase se racharam com a força que pressionou, ele abraçou seu corpo que aos poucos perdia seu calor. Ninguém conseguia o retirar de Dalia. Todos tentavam afastar ele, mas, suas lágrimas e dores não permitiram isso.
Não podia se afastar de sua amada, talvez pudesse salvar ela. Se levasse ela com ele até sua residência, se levasse até Althea.
— Sim, ela pode salvar Dalia, ela pode.
Levantou sua cabeça, seus olhos frios, como pontos vazios. Um brilho supérfluo que passava por todos e seguiram até uma única pessoa. Achou ele.
Seu senhor.
— Kizimu. Por favor, salva ela! Eu peço tudo, eu dou tudo, eu faço tudo que me pedir. Mas por favor salva ela!
— Kim…
— Vamos levar ela até Althea. Ela consegue curar Dalia, eu sei que ela consegue. Eu sei que consegue…
Sua voz estava estridente, não acreditava que sua voz conseguia ser tão desprezível e deplorável assim. Mas nada disso importava, contanto que Dalia pudesse ser salva.
Amou Dalia, deu tudo de si para ela. Amou ela, aquele aperto no peito, não era possivel. Ele era realmente destinado a sofrer tanto assim? Por que ele tinha que sofrer tanto? Ele matou seus companheiros quando criança. Quando tinha apenas nove anos de idade.
Ele prometeu ter forças para salvar as pessoas e não para matar elas. Treinou até seus ossos falharem. Treinou até desmaiar. Tudo para quê? Ele matou com suas próprias mãos aquela que tanto amava.
Matou. Matou. Matou.
Apenas por um fio de esperança. Se ouvesse um fio de esperança era Kizimu.
Kim sempre serviu Minne, mas em um certo dia, ela chegou e disse para ele.
Disse que de agora em diante Kim seria o cavaleiro pessoal de Kizimu Kuokoa. Disse que aquele garoto em coma, quando acordasse, salvaria a todos, resolveria o problema de todos sem exceção.
Então, se Kizimu era aquele que resolveria o problema de todos, ele precisava salvar Kim agora. Salvar quem Kim amava, quem ele acreditava, quem ele merecia.
Ou será que nem mesmo essa mera felicidade ele merecia.
— Kizimu, por favor, salva ela. Eu peço, eu faço de tudo! Tudooooo. Mas, salva ela!
Vocifeou, sua alma gritou. Chorou tanto, sua voz arranhou. Um sentimento tão nocivo. Segurou o corpo frio mais perto ao corpo, tentando dar o proprio calor do corpo ao dela. Ele via seu rosto belo, seus olhos abertos vidrados, mortos.
— Faz algo, por favor… por favor… eu peço.
Sua voz começava a falhar, ficar fraca, sem forças, a dor dos gritos estavam no seu pináculo.
Kizimu tocou o corpo de Dalia.
Kuzimu, absorva as feridas dela.
“Ela já está morta, não tem o que ser feito, eu não vou absorver.”
Kuzimu… absorva!
Sem resposta.
— Faz algo… — suplicou Kim.
— Kim… não tem nada que…
Um soco jogou Kizimu para trás.
— Por que você é tão inútil?!
Kim gritou algo horrivel. Todos naquela sala estavam vendo o a briga dos dois, sem nem ideia de como lídar. Com esse soco de Kim, ele avançou em Kizimu e segurou ele pelo colarinho, a força usada era tremenda.
— Faz algo, faça algo, salva ela. Eu não sei como, mas por favor. Dâ um jeito, resolve, salva ela, porque se ela não estiver comigo…
A força usada machucou Kizimu, mas o mesmo estava falho em ver essa situação. Kim não se importava com o que fosse acontecer ao seu mestre. Ele não poderia perder aquela que ele tanto amava.
A pessoa em que mais confiava. Quem mais queria proteger. Quem mais amava.
— Por favor, Kizimu… não deixa eu ficar sozinho…
As lágrimas caíram no rosto de seu mestre, e Kizimu ainda estava processando tudo. Ele mesmo estava passando pelo proprio luto. Perder Dalia também afetou Kizimu demais. Ele tinha se aproximado dela o bastante para aquela morte ser brutal.
Entender os proprios sentimentos e entender a situação que se encontrava, ele apenas começou a acariciar os cabelos de Kim. Mesmo que o garoto segurava seu colarinho com tanta força, tanto que Kizimu quase não tinha ar nos pulmões.
Apenas acariciou os cabelos de Kim, puxando para perto de seu peito. As lágrimas tão quentes que de seu cavaleiro caiam, e seus berros não iriam parar, mesmo assim, a dor nunca sumiria, e todos viram isso.
Pandora queria ter impedido Kim de dar aquele soco, mas, ela mesma sabia que era necessário para o próprio cavaleiro.
Aisha caiu e pegou nas mãos de Dalia. Mais uma amiga dela tinha morrido, e ela não pode fazer nada. Nem mesmo seu arbítrio havia funcionado. Ela não sabia o que fazer.
Guto estava em luto, ele também tinha matado companheiros dele, proximos, jovens que lutaram com ele. Guardas que tinham se formado antes dele. E ele matou com as próprias mãos. A dor de Guto não era comparado a Kim, mesmo assim era fatal.
Brielle no canto chorava, mais uma morte ocorreu, e ela não era capaz de mover um dedo, não era capaz de evitar nada. Suas preces não eram atendidas, Deus abandonou ela.
Bianca, ao qual acabara de retirar seus laços, chorava. Ela ajoelhou perto de Dalia, e segurou sua outra mão. Em luto ficou e chorou muito, muito mesmo, não era teatro, era a dor de perder uma amiga. A dor de perder alguém que amava.
Não conseguiu alcançar o medo, e no fim, perdeu mais uma amiga, e dessa vez, uma tão proxima. A dor no peito de Bianca era amarga, intalado estava palavras que nunca pode dizer para sua amiga.
Sua dor era mais real do que tudo que já acreditava. Odiava, odiava tudo, odiava quem pela vida não tinha respeito.
Vicenzo, sentou no canto da parede. Dalia, era uma das poucas que tinha uma leve amizade. Ajudou ela a concertar o campo florido. E tantas conversas tiveram juntos. Uma lágrima caiu de seu rosto.
Talia socou a parede mais proxima. Ela nunca imaginou, o assasino separou eles. Fez Dalia e mais guardas atacarem usando a Submissina de Bellatrix. No fim, por debaixo do nariz deles, a última morte.
Agora, o plano deles iriam se iniciar.
Não impediram nenhuma morte, não conseguiram evitar, e mais do que tudo, teve certeza que o assassino não era nenhum deles.
— Droga, droga, drogaaaaaaa!
Talia socou mais uma vez a parede, com tanta força que seus dedos delgados estralaram.
Kim sofria no peito de seu senhor, chorando, berrando, implorando por uma salvação. Seu implorar, sua dor, era agonizante.
Kizimu falhou em salvar mais uma vez.
A promessa que fez a Pandora pareceu tão distante que agora, quem chorou foi Kizimu, a dor nunca passaria.
E esse foi o começo da culpa de um espadachim.
D—————L—————F
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Hora do chá
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Yahalloi
CaiqueDLF aqui!
Que capítulo pesado. Para começar essa brincadeira, tanta dor está se passando pelos nossos sobrevintes.
Algo está prestes a iniciar, e tudo parece estar perdido. Todos péssimos, tristes e supérfluos.
Essa calmaria antes da tempestade parece tão caótica, não?
Não se preocupem, amanhã tem mais capítulo, então venha aqui 20:15
Bye, bye
Ass: CaiqueDLF

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