Capítulo 112: Augusto Uma
— As pessoas não merecem ser julgadas por suas falhas ou por seus erros. Independente de quão cruel elas tinham sido, sempre há um motivo por trás
Esse era Sefu Gulbrand, o chefe de guarnição atual, e pai de Guto Uma. Aquela criança tinha apenas cinco anos de idade e uma tristeza corrompia seu coração.
— Minha mãe não me ama?
Viviane sempre foi muito fria com Guto, mesmo que ela nunca o deixasse faltar nada. Ela era rígida e direta, nunca demonstrando um pingo de afeto. Essa distância entre uma mãe e uma criança o afetou completamente. Sefu abraçou seu filho mais forte do que qualquer pai poderia abraçar.
— Sua mãe se orgulha de você mais do que imagina. Você é o querido dela, e sempre vai ser.
Beijando a testa de seu filho, ele demonstrou todo o afeto que a mãe não demonstrava. Aquele carinho deixava a criança Guto muito feliz e aliviado.
— Pai, por que você luta?
O pai sorriu gentilmente. Ele pareceu olhar um pouco distante quando aquela pergunta foi dita, então, depois de um pouco ponderar, ele tocou no nariz de seu filho.
— Isso será um segredo que vou te contar quando tiver 8 anos.
E assim, a ansiedade daquela criança ficou maior ainda.
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— Augusto! Corpo ereto!
Batendo com uma longa palmatória de madeira, a mulher pulcra de corpete arrumado educa seu filho. Viviane era muito rigorosa e brutal em seu ensinamento. O garoto tinha que aprender os ensinamentos básicos de ser um empregado, mesmo que por ser homem ele não fosse servir de tal coisa.
— Mãe, por que eu tenho que aprender isso? Eu quero brincar.
— Vai me agradecer um dia. Postura é importante, corpo treinado é uma dádiva. Agora faça, posição cinco.
Ele fazia posições complicadas enquanto tinha duas xícaras totalmente cheias nas mãos. Ele tinha que fazer poses específicas, enquanto não poderia derramar o líquido. Era bem difícil, mas depois de tantas falhas, ele começou a pegar o jeito.
— Se você apenas me dizer “Filho você foi muito bem” eu ficaria feliz.
— … — Viviane pareceu interromper os próprios pensamentos. Logo voltou a si — Posição seis.
— Ah…
Quase derramou líquido, mas manteve a postura. E assim, eles continuaram sua sessão de treino.
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— … Cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Isso, mais uma vez.
Diversos cavaleiros jovens entre 15 a 25 anos treinavam com suas espadas. Sefu mostrava o que tinha que fazer, e repetições aconteciam. Guto via aquilo com certa admiração.
— Venha, você.
Um dos mais bem treinados, também um dos mais velhos, foi à frente de Sefu. Eles ergueram suas espadas frente a frente. Uma bela luta se iniciou. Ambos cruzaram espadas em uma bela dança harmoniosa.
— Postura de ataque!
— Certo!
A qualidade da luta de seu pai era tão impressionante que Guto só poderia boquiaberto. No que dizia respeito, seu pai era o mais forte do reino, e por isso, era o que ensinava todos a treinar.
O homem a quem Sefu dava treinamento, era um dos cavaleiros em treino adultos. Tinha 3 classes de cavaleiros em treino. A turma das crianças, os dos adultos, e o dos melhores alunos. Assim, eram classificados todos.
Aquele quem lutava com tanta força e vigor era o jovem Ernesto. A quem Guto ainda não era muito familiarizado. Apenas pode admirar aquela luta tão bela e intensa.
— Há!
— Há!
E os dois golpearam.
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Guto bocejou. Ele não era uma criança muito agitada, se pudesse apenas ficar no seu canto, ele ficaria. Por sorte, ele teve amigos extrovertidos que o adotaram e forçaram ele a brincar como uma criança normal.
Se pudesse considerar, gostaria apenas de ficar dormindo, qualquer coisa que requirisse esforço, era invalido para si. No fim, apenas se esforçava no que era necessário.
— Guto, é verdade que seu pai é o chefe dos cavaleiros?
— É mesmo? Que legal, você luta também?
— Claro que não, ele deve ser tão preguiçoso que nunca tocou em uma espada.
Aquilo certamente era verdade, mas machucou um pouco Guto. Mesmo assim, apenas sorriu e respondeu levemente.
— Eu acho meu pai muito incrível, acontece que meu estilo de guardar energia, seria comprometida com treinos de espada.
Já bastavam os treinos que tinham com a mãe, já era exaustivo demais. Mesmo assim, ele voltou aos seus amigos.
— Que tal brincarmos de cavaleiros?
— Que legal, faremos Maria ser a princesa em apuros, e nós os cavaleiros vamos salvar.
— Ei, não me obriguem a fazer algo tão chato.
Guto observava a conversa que seus amigos faziam, sem sua opinião, já aprendeu que tentar retrucar não adiantava para aqueles três patetas. Ainda assim sorriu. Seria trabalhoso, mas brincaria de ser cavaleiro.
— Por que será que os cavaleiros, escolhem ser cavaleiros…? — ponderou Guto, um pouco, antes de entrar na brincadeira.
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Era 2012. Seu aniversário de oito anos chegou. Alguns amigos da escola, e alguns primos seus estavam consigo. Foi bem divertido, e a festa era até que bem nobre para sua posição. Filho do chefe das empregadas.
Brincou com diversos amigos seus, mas o que mais despertava sua curiosidade ele buscou assim que teve a oportunidade. Achou seu pai conversando com alguns nobres que eram pais dos seus amigos.
— Pai, eu quero te perguntar algo.
Vendo o olhar inseguro do filho, notou que queria falar a sós. Sefu então despediu-se dos nobres e eles foram para um canto do salão.
— E então grandalhão. O que grande vossa excelência deseja?
— Pai, eu… — Ainda estava um pouco inseguro de sua pergunta, mas, o que queria saber nunca sumiu de seu coração. — Eu fiz 8 anos, você pode finalmente me contar por que você luta?
— Isso é uma boa pergunta. Essa é a pergunta que queria tanto fazer a mim?
Guto ficou agitado, ele era uma criança preguiçosa normalmente, mas aquela pergunta era algo que despertava uma curiosidade desde pequeno. E quando ele soube que precisava ter certa idade para aprender, ele ficou ainda mais intrigado.
— Eu apenas… nunca entendi. Você é o chefe dos cavaleiros, e é muito forte.
— Realmente eu sou, mas, quer saber qual meu segredo de ser tão forte?
Aquilo pareceu como um segredo proibido, e agora que tinha idade o suficiente para saber, ficou deveras curioso. Ele não conseguia parar de pensar nisso. Então, agitado como nunca esteve antes, ele balançou a cabeça em afirmação.
— Filho, eu luto para alcançar os sorrisos de todos. Para atingir o ápice da espada. Para que sua mãe possa se orgulhar de mim. E para que no futuro você possa viver em um reino em que possa se orgulhar.
— Alcançar sorrisos?
— Lutar para fazer as pessoas felizes.
Guto pareceu não entender completamente o que ele quis dizer, tentou formular as ideias, mas não chegou tão longe.
— Pessoas ficam felizes porque você é forte?
— Com força, eu posso proteger os sonhos das pessoas. Me diga, você tem algum sonho?
— Eu não sei…
Guto apenas gostava de brincar e descansar o máximo possível. Nunca pensou em algo tão profundo quanto sonhos ou objetivos, apenas…
— Descansar, meu sonho é poder descansar sempre que eu quiser.
— Kakaka, que sonho mais preguiçoso, mas vamos levar em consideração esse sonho. — Sefu pegou seu filho no colo, e mostrou o salão. — Consegue me dizer por que todos podem estar aqui felizes?
Guto olhou todas as pessoas sorrindo, comendo e bebendo, aproveitando o máximo que a festa poderia oferecer.
— Por que elas puderam dormir à noite?
— Kakaka, claro, mas, a resposta certa séria… Todos podem estar aqui, porque é seguro estar aqui.
— Seguro?
Guto ainda era uma criança de 8 anos, então, não conhecia os perigos do mundo. A maldade humana apenas conhecia por desenhos, ou por alguns animes que Eleanor mostrou para ele.
— Um reino protegido, sem presença de pessoas ruins para causar o mal. Apenas pode ser adquirido tendo forças. Nos cavaleiros, sempre que pessoas ruins atacam, somos os primeiros a defender o reino.
— E você treina tanto para poder proteger essas pessoas?
— Sim, porque quando elas estão seguras, elas podem seguir com seus sonhos. Você, por exemplo, poderá viver e descansar o quanto quiser, pois eu sempre vou proteger seu lar.
Guto ficou boquiaberto. Tentou falar algo, mas as palavras não saíram. Levemente, lágrimas escorreram por seu rosto.
— O que foi, esse papo deixou você emocionado.
— Hey, eu não sei.
— Mas, apenas o sorriso das pessoas não é o que me motiva. Eu tenho meu próprio sonho.
Guto ficou interessado, qual era o sonho do pai que era tão forte? Aquele sonho que tornava ele tão forte. Limpou as lágrimas e observou com cuidado.
— Ser o ápice da espada! — Esbravejou Sefu.
— O que é ser o ápice da espada?
A confusão de Guto ficou clara, quando sua cabeça inclinou. A curiosidade se formou em uma bolha entre o não saber e o conhecimento pragmático.
— No passado, diversos heróis existiram no reino. O primeiro rei, o herói Shiroshi Mugen, meu mestre… Sempre foi dito que todos eles alcançaram algo supremo, uma arte divina em suas técnicas máximas. Para isso, eles entregaram-se totalmente ao seu estilo de luta.
— E o senhor sonha em alcançar isso? Para quê?
O sorriso que se formou em Sefu foi gentil e caloroso.
— Para orgulhar sua mãe.
Guto não conseguiu compreender, ou talvez, não quis compreender. Por que ele, um homem tão honrado, iria querer orgulhar uma mulher tão chata e carrancuda?
— Sabia que sua mãe é mais forte que eu na esgrima?
— A mamãe sabe lutar com espadas?
— Sua mãe foi o antigo escudo do rei Arnaldo Umbral , ela era tão forte que recebeu o título de herói também.
Guto ficou sem reação ao saber de tamanho fato. Isso nunca passou por sua cabeça. Bem claro que ela era uma mulher excepcional, e que fazia coisas quase como uma ninja. Era rápida, imprevisível, e fazia tudo com uma perfeição excelente…
Caramba, ela era incrível mesmo!
— Hmpf, o senhor é mais incrível! Mesmo que ela seja mais forte.
— Isso é reconfortante, mas, eu quero alcançar ela. Eu vou me tornar o ápice da espada, e mostrar que ela não precisa carregar tudo sozinha.
— Carregar tudo sozinha?
Os olhos gentis de Sefu cruzaram com o de Guto.
— Quando você for mais velho você vai entender.
Guto ficou chateado, ele já teve que esperar tantos anos para poder aprender sobre isso, e agora não entenderia completamente, inflou as bochechas.
— Mas tem mais um motivo do por que sou tão forte.
— É mesmo… — ainda estava com as bochechas infladas.
— Eu luto para que no futuro você possa viver em um reino em que possa se orgulhar.
O ar escapou da boca de Guto que viu algo extremamente belo. Uma reação tão nobre e digna era seu pai, que com poucas palavras deixaram o coração bem quentinho, um carinho e um amor fora do comum, no qual, mais lágrimas derramaram.
— Não é justo.
— Eu sabia que entenderia… Quando me perguntou quando criança, eu soube que era jovem demais para entender, mas, agora, sei que poderá decidir o que quer fazer com mais facilidade.
— É mesmo?
Guto ficou intrigado com isso. Mas logo…
— Gugu, vamos brincar.
— Guto, vem logo.
— Vem, vem!
Os amigos de Guto vieram. Ele deu um beijo na bochecha do pai, e desceu do seu colo.
— Tchau pai, muito obrigado por me contar.
— Ei, que coisa é essa, você é todo meninão. — Falou Thiago.
— Bebezão, tava sendo carregado pelo pai. — Falou Mario.
— Eu gosto quando meu pai me carrega. — Disse Maria timidamente.
— Ah cara, me deixem. Vamos brincar!
E logo, todos foram se divertir. Sefu sorriu, pois mais do que tudo, seu filho tinha um grande futuro pela frente.
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— Augusto, corpo ereto!
Mesmo que fosse seu aniversário, ele ainda tinha que fazer seu treinamento matinal. Ele estava sendo feito depois da sua festa, então seu corpo estava cansado de tanto brincar.
— Posição 12!
Ele se esforçou bastante, hoje em especial, ele queria mostrar responsabilidade. Como era seu aniversário, queria fazer algo que pudesse até mesmo orgulhar seu pai, e então, motivado, ele continuou.
Fez cada posição com perfeição, mostrando sua evolução. A admiração que tinha por seu pai o motivou a ser cada vez mais. Contanto que pudesse sorrir e alcançar seu pai…
— Filho…
Como um eco de algo que nunca foi pronunciado antes, Guto arregalou os olhos. Ouvir aquilo era muito diferente de tudo. Olhou para a mulher rígida que tanto o machucou nesses anos. Ela continha um sorriso delicado, como se tudo fosse ocultado por aquele sorriso.
— Você foi muito bem… parabéns.
O coração de Guto palpitou, aquele sorriso. Dar o seu melhor gerou um sorriso perfeito em sua mãe. Ele começou a lacrimejar. Aquilo nunca poderia ser pensado antes, nunca quis se esforçar tanto, e no dia que deixou a preguiça de lado e se esforçou como nunca antes, ele alcançou um sorriso.
Guto não poderia estar mais feliz. Era como seu pai tinha dito, alcançar sorrisos era demais. Ele queria alcançar mais sorrisos daquela maneira. Ele ficou determinado.
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— Pai, eu quero me tornar um cavaleiro!
— Kakaka, não me diga. E o que te motivou?
— Eu quero alcançar sorrisos, assim como o senhor.
Seu pai ficou extremamente feliz, talvez o filho não tivesse percebido, mas um grande sorriso foi alcançado.
— Pois então, iremos começar a treinar. Você vai entrar no treino dos mais jovens.
— Certo!
Estava mais animado do que nunca. E assim ele começou.
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— Ah cara. Que cansaço.
Sua motivação não era algo muito grandioso. Treinar todos os dias era completamente chato e exaustivo. Por muitos dias, faltava às aulas, por muitas vezes apenas ia. Seu esforço não foi tão bem recompensado.
Treinava, treinava, e quando se cansava, deitava nos bancos da arquibancada, nos quais ficou bem apegado. Eles eram seu local sagrado de descanso.
Seu pai era chamado de irretocável cavaleiro, um homem que era perfeito em sua forma de lutar. Admirava isso, e lembrava sua mãe muitas vezes, isso dava uma risada no coração.
Tinha diversos colegas, amigos, treinos eram totalmente animadores, mas, era exaustivo demais. Para alguém com o estilo de economizar energia, fazer esforço e treinar era totalmente indiferente.
Mesmo que não quisesse treinar, de alguma maneira, já se movia mais rápido que todos, era o melhor dos cavaleiros. Pois o treino que teve com sua mãe, mostrou a verdadeira qualidade naquele momento.
Só que ser o melhor no começo, não era ser o melhor para sempre. Aos poucos, seus colegas conseguiram superar ele.
O treino que tinha com sua mãe se intensificou para o lado da espada, já que quando ela soube, ela ficou muito orgulhosa, e mostrou seus raros sorrisos.
Sem querer treinar, mas sendo obrigado. Sua evolução se veio, um treino incansável, somado a uma treinadora de elite. Que coisa intensa. Quando não tinha com sua mãe, tinha treino com seu pai, ao qual era mais fácil de lidar.
Então, os anos passaram com qualidade.
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Mais um dia foi para seu treino habitual. Em seu treino, lutou contra alguns cavaleiros, venceu uns, perdeu para outros. Sempre se mantendo entre a média. Geralmente todo dia era normal, mas, naquele dia, algo estava diferente.
Uma garota sentava em um dos bancos da arquibancada. Ela não era uma cavaleira, então estranhou, apenas se sentou um pouco distante, e bebeu água em sua garrafa.
— Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir.
Guto estranhou a fala determinada da garota. Por mais claro que foi dito, não conseguiu assimilar o que ela quis dizer com clareza.
— Desculpa, o que disse?
— Ah, não, nada.
Timidamente a garota balançou as mãos agitada. Seu rosto ficou vermelho quase como seus cabelos vinho. Ela olhou para baixo e pareceu começar a recitar um mantra. Guto achou aquilo trabalhoso demais, mesmo assim, uma curiosidade despertou em si.
— Você é amiga de algum dos cavaleiros?
— Hã? Bem… n-não é nada disso, eu… apenas… não é nada. — A garota não estava nem um pouco confortável, de alguma forma Guto riu com essa situação.
Mas nesse caso, por que ela estava ali? Ela gostava de ver os cavaleiros? A curiosidade nasceu em Guto e ele se aproximou, sentando-se ao lado dela.
— Qual é o seu nome?
— M-meu nome é Brielle… Guto, você não se lembra de mim?
Os olhos dela pareciam duas joias grandes, quando o observaram de perto. Ela sabia seu nome, e isso deixou ele confuso, porque ele não fazia ideia de quem ela era. Pensou um pouco, ponderou alguns segundos, e tentou, mas não chegou em conclusão alguma.
— Desculpa, mas eu não lembro de você… — falou meio preocupado.
— Não tem problema. É que… eu já fui em uma festa de aniversário sua. Eu sou Brielle Roxana.
— Roxana… é… acho que conheço sua família. Ela é da linha da família Umbral, certo?
Brielle balançou a cabeça.
— Minha mãe é irmã do esposo da irmã do rei.
— Então a ligação familiar é distinta. Não, mesmo assim, os Roxana vivem no castelo. Eu sei disso por que eu já servi alguns quartos separados, eu já vi seu sobrenome em uma das portas… só não lembro qual. Hmmm.
Enquanto Guto tentava se lembrar, Brielle riu. Era muito fofo como a criança, Guto ficava entretido e curioso, sempre buscando a resposta. Quando algo despertava sua curiosidade, era algo bem divertido para ele.
— Neste caso, vivemos no mesmo castelo. Me diz, quando você fizer 12 anos, vai querer morar sozinha também?
— Hã… bem… eu não tenho certeza.
— Ah cara, eu quero distância de minha mãe. Eu tenho que me esforçar muito nos treinos dela.
Brielle ficou um pouco incomodada com o que Guto disse. Ela tentou falar, mas as palavras embolaram na garganta dela, quando guto em dúvida questionou, ela respirou fundo e proferiu:
— Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Porque Deus ordenou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, certamente morrerá.
— …! Bem… deixa eu pensar, isso é da bíblia, certo?
Ela assentiu.
— Eu nunca li a bíblia, mas minha mãe já disse para eu ler. Você gosta muito da bíblia?
— Minha mãe está muito doente… eu fiquei pensando em como poderia fazer algo para proteger ela. Então, eu descobri Deus. Eu venho rezando todos os dias para ela melhorar.
— Eu não acredito muito em Deus…
Guto percebeu que Brielle iria começar a chorar e entrou em pânico.
— N-não calma, não significa que ele não exista! Tenho certeza que ele vai salvar sua mãe! Sabe, ele sempre ajuda quem cedo madruga, certo? Ou algo assim.
— Mas… por que minha mãe não fica bem logo?
— Olha… minha mãe sempre diz que o esforço sempre recompensa a gente, então… eu acredito que se você mostrar todo seu esforço para Deus, ele vai te ouvir e logo sua mãe vai ficar melhor.
Brielle soluçava, entre lágrimas, ainda não sabendo o que fazer, o garoto ficou confuso.
— Que tal rezarmos juntos? Eu vou rezar com você para aumentar a eficácia.
— Você faria isso?
— Claro, claro. Agora, como é que fazemos isso mesmo?
Brielle ficou boquiaberta por um momento, mas deu uma risada leve.
— Bobo, eu te ensino.
E assim, uma grande amizade havia nascido.
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Guto completou 12 anos. Nessa idade, os jovens que morava no castelo poderiam ir para ala oeste, morar sozinho.
Mesmo que ainda estivesse sobre o mesmo teto, ele ficou feliz. Agora não precisaria passar pelos treinos abusivos de Viviane, sua mãe.
— Aaaaaaaa — espreguiçou.
Caindo na cama, ele começou a pensar. Tempo isolado, agora dormia muito.
Ele acordava, ia para escola, voltava, dormia, se decidia se iria para o treino dos cavaleiros, fazia suas atividades, e depois descansava mais.
A liberdade que ele tinha agora longe de sua mãe era incrível, poderia descansar tanto, mas tanto…
Que isso se tornou chato.
— Que tédio… acho que vou andar por aí.
Rodando pelos intermináveis corredores do castelo, um pouco sem rumo, ele encontrou uma bifurcação que nunca tinha visto.
— Uni, duni, te, eu vou… ah cansei, vou por aqui mesmo.
Foi pela esquerda e desceu algumas escadas, chegando no andar. Encontrou uma pequena capela.
— Nós tínhamos isso, que curioso.
Algumas empregadas estavam lá, rezando. Notou em meio a alguns pais, um ponto roxo.
— Oh.
Aproximou-se sorrateiramente, quase como um ninja. Os treinos com sua mãe foram úteis. Ele tocou no ombro dela.
— Opa.
— AAAAAA.
A garota de tranças roxas ficou vermelha como um tomate, ao perceber gritar no meio da capela. Guto riu, e sentou ao lado dela.
— Está rezando?
— Sim, estou agradecendo a Deus. Minha mãe finalmente está curada. Minhas preces foram atendidas.
Ela estava lacrimejante, muito feliz. Então Guto bateu as mãos e iniciou um reza.
— Obrigado Deus por cuidar da mãe da Bri, você é um homem incrível.
— Chame-o de senhor… falar você é falta de educação.
— Opsie, me esqueci.
Brielle já tinha aprendido a conversar tranquilamente com Guto, estava confortável com ele. E constantemente eles ficavam juntos conversando.
— Bri, eu estou morando sozinho agora. Eu finalmente estou livre.
— Ah, por isso que tem faltado aos treinos?
— É… eu fico com preguiça de ir. Antes eu ia para fugir dos pedidos de minha mãe, mas agora eu sou livre.
Brielle ficou meio chateada, ela emburrada, dá forma mais fofa possível, repreendeu ele.
— Me disse uma vez que todo esforço é recompensado.
— Você tem razão. Que tal você vir me buscar para o treino?
— Mas eu não vou sempre… eu apenas vou algumas vezes.
Guto riu e fez carinho na cabeça dela, um toque que já tinha se tornado comum.
— Melhor ainda, dessa forma eu não preciso treinar sempre.
— Poxa… mas tudo bem. Eu não me importo.
— Vem, eu vou te mostrar meu quarto. Ele tá incrível!
E seus dias continuaram com cada vez mais alegria… até, aquele dia fatídico.
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Nove de julho de 2017.
— O que está me dizendo…?
Um dia depois da tragédia.
Inexplicável sentimento que existia no próprio peito. O que lhe foi dito parecia um falso eco distante.
Parou, refletiu, e respirou fundo.
— A senhora… Tem razão?
Não duvidava dela. Viviane, sua mãe, nunca mentiria algo tão sério quanto isso. Mesmo assim, suplicou por certeza. Não elevou a voz, não houve desrespeito, apenas, tristeza absoluta.
Por culpa do filho do meio do rei, um dos cavaleiros em treinamento, quase toda turma infantil morreu. Sefu Gulbrand morreu, junto a 22 alunos jovens, bem treinados. Todos morreram de uma doença estranha onde seus corpos definharam.
O evidente culpado era o segundo filho. Mesmo que não fossem capazes de correlacionar o crime ou como ele fez. É fato que ele estava lá, e foi o único que voltou vivo do ocorrido.
— As pessoas não merecem ser julgadas por suas falhas ou por seus erros. Independente de quão cruel elas tinham sido, sempre há um motivo por trás.
— Isso certamente era algo que seu pai diria.
Guto não culpava a criança. Treinou com ela, seu nome era Kim Umbral. Era um colega assertivo que enfrentou algumas vezes. O louro era gentil, muito amigável, e divertido. Nunca que ele causaria algo ao mestre que tanto admirava.
— Mesmo assim todos os pais julgam ele e o culpam. Eles precisam achar o que culpar, então, ele receberá a dor dos pecados que os demônios cometeram.
Essa foi a fala gentil de Viviane, para ambos, Kim não passava da vítima da história.
— Eu não tenho mais motivos…
— Então essa será sua escolha?
— Não quero mais ser um cavaleiro.
Sua mãe passou por si. Séria, como sempre foi. Ela não confortou seu filho, não o abraçou, ao menos ficou meramente abalada ou em dúvida. Apenas passou, e gentilmente se despediu.
— Não vou interferir mais nas suas escolhas, tem idade o suficiente para decidir seu futuro. Se quiser falar comigo, sabe onde me encontrar.
E a porta se fechou. Uma lágrima vazia caiu.
— Ah cara.
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A rotina de Guto mudou.
Não iria mais para escola. Não tinha energia para isso.
Não iria treinar mais. Não tinha necessidade nenhuma de fazer isso.
Não iria se alimentar… para que? Ele pensava.
Para o bem ou para o mau, um toque ecoava, e suas refeições apareciam em sua porta. Não tinha ideia quem era, mas sempre agradecia internamente.
Estava definhando, apenas usou aquele incidente como desculpa para poder tranquilamente descansar. Finalmente estava fazendo o que tanto sonhava. Passava o dia deitado, assistindo filmes, séries e animes do seu celular.
Não demorou nem mesmo 5 dias inteiros para sua porta ecoar de maneira diferente. Diferente dos toques firmes, era um fraco, sem confiança. A capacidade de Guto em analisar um mero toque era impressionante. O treino que teve com sua mãe o assustava cada vez mais.
— Guto… você está aí?
Essa voz…
Aceleradamente atendeu a porta, agitado, como se aquela voz fosse o que mais queria sentir. Guto sorriu, gentilmente ele sorriu para ela. Brielle pareceu um pouco envergonhada.
Ela entrou como o de costume.
— E então, como está Bri?
— Eu estou bem… e você? Eu não vi você no café da manhã ou almoço geral.
Guto e Brielle começaram a comer juntos, nos almoços gerais. Ao invés de comerem nos seus próprios apartamentos. Ele ter sumido claramente preocupou a garota.
O garoto não queria falar sobre isso, então mudou de assunto.
— Você… não veio aqui nos últimos dias…
— Ah, eu estava em viagem com minha mãe. Eu cheguei hoje de manhã. Eu não te contei.
— Ah sim… você tinha contado que iria viajar.
Um passeio para o centro de Insurgia, para atrações turísticas. Um grande valor cultural. Guto mal conseguia lembrar tudo que Brielle falou. Provavelmente ela deve ter mandado mensagem, mas não entrou no seu ChatZap por medo de interagir com pessoas.
— Você está bem…? Parece meio fraco…
Ela passou sua mão pelo rosto dele. A expressão cansada não era tão visível em uma expressão tão dura. Mas para Brielle era totalmente visível. Ela conseguia entender suas expressões como se fosse a própria mãe de Guto.
— Você andou chorando? O que aconteceu?
Perguntas…
Não queria responder às perguntas, e pelo visto ela não sabia. Uma hora iria saber sobre tudo, mas, por que Guto deveria contar sobre isso? Ele fez uma dura expressão de dor, ao qual deixou Brielle ainda mais preocupada.
— Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte.
— Hã?
Ela tocou nas bochechas dele, olhando profundamente em seus olhos. A preocupação dela era palpável, e com um sentimento materno, ela puxou seu rosto para perto. Ele sentiu o aproximar de seus rostos e travou completamente.
Confuso, tudo que pode fazer foi aceitar e fechar os olhos. Até que, um sentimento macio passou pela sua cabeça. Ele foi puxado para os seios um pouco desenvolvidos dela. Aquela maciez era confortável, poderia relaxar completamente naquele estado.
Ou era o que gostaria de acreditar. A tristeza não some, apenas a máscara se mantinha. Para não preocupá-la. Um esforço em vão.
— Pode me contar como se sente… somos amigos afinal.
Brielle tinha sua idade. Era uma jovem adolescente assim como ele. Ambos tinham apenas treze anos. Como ela era tão madura? Como ela conseguia passar um sentimento tão bom e acolhedor? Em meio a carícias no cabelo bagunçado de Guto, ele sentia seu coração palpitar.
Tanto conforto feminino era estranho. Ele nunca recebeu tanto afeto assim, sua mãe era fria. Então… era novo para ele. Somado a tristeza e o vazio de perder o pai. Ele queria ser forte e não preocupar Brielle, mas não era capaz.
Não era capaz.
Não era…
Caiu em prantos. Ele começou a chorar, enquanto ela abraçou ele mais forte, abraçou sua cabeça em seu peito, confortando ele completamente. Acariciou, e acolheu, como uma verdadeira amiga — mais que isso — melhor amiga.
— Ah cara, que droga, eu odeio chorar.
— Não tem problema. Chorar faz bem para a alma. Agora, me conte, o que aconteceu?
— M—
Queria contar, queria contar, queria contar, queria, chorou, chorou, derramou, e enfim cedeu. A voz fraca se iniciou.
— Meu pai… está morto.
Brielle sentiu seu corpo congelar. Os pelos dela se arrepiaram com tamanho fato. O forte homem Sefu Gulbrand estava morto? Como isso era meramente possível? Não conseguindo encontrar palavras, ela ficou em silêncio, e se aproveitando do gentil silêncio, Guto continuou.
— Além de meu pai. 22 colegas meus de treino morreram… uma turma de 27 alunos jovens. Apenas os que não foram a aula no dia, e Kim Umbral, permanecem vivos.
Brielle não demorou muito para entender, que Guto apenas estava vivo, pois ela não tinha levado ele para o treino. Guto apenas ia treinar quando Brielle o buscava, e como ela estava fora da província Eco, ele sobreviveu.
— Pecadora…
Brielle se xingou, quando agradeceu por Guto não ter se envolvido no acidente. Ela agradeceu, quando por pior de tudo, uma tragédia que tinha matado, não apenas o pai de Guto como diversos cavaleiros jovens.
Crianças, adolescentes, todos eles mortos, de maneira ainda desconhecida para ela.
— O que… aconteceu?
— Ao que parece, uma espécie de doença assolou todos. Mas o suspeito é que Kim Umbral, presente no local, permaneceu vivo. Atualmente ele é acusado de todos de cometar assassinato de todos os cavaleiros.
— Isso é…
— Impossível! E mesmo que fosse… não seria culpa dele. Kim nunca mataria seu mestre, ou seus amigos. Ele não… — gritou insatisfeito.
Guto chorava em culpa. Defendia aquele que provavelmente deu fim ao seu pai, apenas por ter um caráter puro demais. Brielle sentiu uma culpa enorme no peito dela, pois ela tinha um grande carinho por Sefu.
Então, ela abraçou ainda mais aquele em seus braços.
— Conte para mim… como você se sente.
— Como eu me sinto…?
Guto não conseguia dizer. Apenas sentia muita tristeza, mas não conseguia colocar em palavras o que era essa sensação. Essa tristeza que tinha dentro de si, era apenas… culpa.
Era preguiçoso demais para pensar muito.
Mas a dor não fugia dele, pois ela, teimosa, persistia em agonizar em si.
— Meu pai… era tudo para mim. Ele brincava comigo quando criança. Ele me abraçava. Ele me treinava. Quando eu falhava, ele me confortava com minha comida favorita. Eu amava tanto ele…
— Sim… eu lembro…
— E agora eu nunca mais vou ver ele. Eu não consigo mais fazer nada. Eu não tenho forças para continuar. Eu apenas treinava por que isso fazia ele sorrir. Apenas para ficar forte e fazê-lo sorrir. Alcançar sorrisos.
Cada palavra de Guto vinha com muita dor, a tristeza de tudo que ele não consiga falar sozinho. Ele estava desabafando toda a dor que não conseguiu falar para sua mãe, para nenhum amigo, para ninguém.
Apenas para aquela que dava conforto no seu coração.
— Mas do que adianta alcançar sorrisos agora. Eu não tenho motivos para continuar treinando. Eu apenas sou uma criança mimada para ter atenção. Eu não faço nada direito. E nem me esforço direito. Eu só sou… preguiçoso….
— Nã—
— Ele tinha um sonho tão nobre. Ele queria alcançar sorrisos, queria se tornar o ápice da espada. Queria orgulhar minha mãe e criar um reino que eu pudesse me orgulhar. E no fim, o que eu sou? Qual meu sonho?
Cada palavra, uma dor inteira. Brielle abraçava ele com força, não queria desgrudar, não queria abandonar ele. Então, ela começou a falar.
— Eu sei que está doendo. Eu sei mais do que qualquer um a dor de sentir um vazio enorme, por medo. Eu via minha mãe acamada, sem conseguir se mover, sem conseguir falar. Eu entendo sua dor.
— …
— Por isso eu digo, devemos nos esforçar por aqueles que amamos. Você ama seu pai, e mais do que isso, você lutava por ele. Eu sempre via que não se esforçava o suficiente, mesmo assim, você nunca parou de treinar. Sua paixão ardia no seu peito, todo esse esforço um dia vai recompensar você. Por você, por seu pai, e pelo que você acredita.
As lágrimas duras de um garoto que se sentia tão fraco. Ele soluçava.
— Eu não gosto de lutar
— Mas você quer orgulhar ele, não quer.
— Eu sou apenas um preguiçoso.
— Mas nunca desistiu de lutar.
Guto sentiu o abraço fraquejar e confuso, olhou para cima. Ele estava tão perto, travou. Ela observou ele com grandes olhos vinhos. Eles cheios de carinhos, e meio lacrimejantes. Ela sorriu.
Um sorriso tão singelo. Belíssimo, pulcro. Guto viu um sorriso em meio a sua dor. Ele ficou sem forças, boquiaberto, permaneceu. Seu coração bateu mais forte do que o normal.
— Você deve honrar os sonhos de seu pai. Se ele queria alcançar sorrisos, você deve fazer isso. Se ele queria ser o ápice da espada, se o amava, pode alcançar isso por ele. Se ele queria orgulhar sua mãe, fazer isso poder ele é algo necessário…
— E criar um reino que eu posso me orgulhar…
— Eu sei que é capaz disso, com sua força.
— Mas eu apenas sou um preguiçoso… eu não tenho forças….
— Guto, fique firme! — como um eco de como sua mãe era, ela determinada falou. Mas como um sorriso que não sumiu, ele apenas arrumou sua postura. — Eu sei que consegue, afinal de contas, mesmo com preguiça, você nunca desistiu. Sempre se esforçou, fez de tudo para continuar, e sei que consegue continuar. Agora vamos, para o treino.
Brielle era forte demais, era muito melhor que ele. Muito mais madura, muito mais que ele um dia poderia ser…
— … E— — Queria falar algo, mas não conseguia. Ele afirmou, aceitando o pedido dela.
Se fosse para orgulhar aquele sorriso, ele se esforçaria.
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Guto junto a Brielle foram para o campo de treino. Lá, ele continuaria a treinar. Era tão incomum ver aquele local tão vazio. Era até um eufemismo. A dor em Guto aumentou mais. Ele queria embora, mas sua melhor amiga deu forças. Segurando sua mão, eles andaram até as espadas.
Lá, um homem estava golpeando o ar. Era um dos alunos mais velho, Guto conhecia ele, já tinha visto ele treinar com seu pai.
— O-oi, você era aluno de meu pai, certo?
— Oh, vejo te que tu eres o filho de meu amado mentor, fico feliz que sobreviveu ao incidente.
— Obrigado…
Um leve silêncio passou por ali, e então Guto soltou a mão de Brielle e andou até as espadas. Ergueu uma e começou a brandear.
— Vai voltar a treinar?
— Sim! Eu não posso ficar para trás.
E assim continuou a atacar o ar.
— Todos os pais retiraram seus filhos do treino do reino. Dizem que se o filho do rei permanecer aqui, eles não vão treinar mais. Por isso não temos mais turma.
— Não me importo com o filho do rei. Eu vou continuar treinando.
Ernesto sorriu.
— Eu me tornei o atual chefe de guarnição.
Os olhos de Guto se arregalaram.
— Como?
— Parece que Sefu tinha um testamento, caso acontece algo com ele. O seu melhor aluno, era eu. Então, eu me tornei seu atual sucessor… mas… eu nunca consegui vencer ele. Eu estou tão frustrado.
Guto ainda estava sem reação, mas sorriu e ficou frente a frente a Ernesto.
— Então você é meu novo mestre. Eu confio na decisão e meu pai.
Aquelas palavras foram as mais sinceras que tinham no seu coração. Ambos ficaram felizes um para o outro, determinado, Guto estava com a espada apontada para o chão.
— Então vamos para sua primeira lição. Fiquei em postura de ataque.
— Certo.
E ali, eles iniciaram o primeiro treino de muitos.
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Guto lutava com Ernesto, mas não conseguia manter a concentração. A sua espada estava nublada com toda a dor da morte de seu pai. Sua mente não conseguia desviar dessa dor.
— Certo, eu consigo ver qual sua fraqueza.
— Eu sou fraco… eu sei disso.
— Muito pelo contrário, é muito forte mesmo depois de seu pai ter morrido. Sua fraqueza é sua mente.
O corte fraquejou, falhou de alcançar seu novo mestre, então, ele recuou.
— Guto. Para você o que é ser um cavaleiro?
— Eu… não sei.
— Ser um cavaleiro é ser forte para proteger as pessoas, se estamos mal para um combate, não podemos proteger. Imagine, se estivesse lutando para salvar a pessoa mais importante para você, como se sentiria?
Lutar pela pessoa mais importante? Mas quem poderia ser— sua mente refletiu um singelo sorriso. Lutar para alcançar sorrisos, era o que ele já fazia. Então, para conseguir manter sua espada erguida.
— Sempre lute como se estivesse protegendo a pessoa mais importante para você, assim, sua espada nunca vai fraquejar.
Guto apertou o cabo de sua espada. Ele estava feliz em adorar o sorriso de Brielle, até porque…
— Porque tu livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágrimas, e os meus pés da queda1.
Repetiu uma das passagens que leu da bíblia que agora tanto se esforçava para conhecer.
— Ernesto! Mais uma vez, agora eu vou ficar mais forte do que nunca!
E assim, eles acertaram as espadas mais uma vez.
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A porta da cozinha principal se abriu. Lá uma mulher muito madura liderava todos. Ela parou e olhou para a sua cria no centro do local.
— O que veio fazer aqui?
— Eu… — apertou as roupas em seu peito, já que sentia uma falta de ar presente. — Mãe, eu quero que me treine, eu não vou desistir de ser cavaleiro!
Um sentimento confuso apareceu quando conseguiu falar. E com medo, olhou para a expressão da sua progenitora. E então, viu algo belo. O raro sorriso daquela mulher tão pulcra. O sentimento de amor que tinha no peito, sempre era preenchido por aqueles sorrisos.
— Eu ficarei muito feliz se puder treiná-lo.
— Por favor!
E assim, sessões de treinos intensos começaram. Guto foi chamado para treinar na turma avançada depois de alguns meses. Lá conheceu tantos amigos corajosos e poderosos. A melhor turma de Sefu.
Aprendeu sobre precisão com Tatiane.
Aprendeu sobre defesa com Edmund
Aprendeu contra ataque com Adalgisa
Aprendeu a nunca desistir com “Son Goku”
Aprendeu sobre a arte da dança com Ismael
Aprendeu sobre estilo de luta agressivo com César
Aprendeu a planejar sua luta e melhorar cada vez mais com Wilma
Aprendeu tanto com suas amigas Amara e Bellatrix, tantas lutas que teve com elas. Mesmo que sua preguiça nunca tenha sumido, ele conseguiu conhecer tantos alunos, eles se formaram.
E foi com Ernesto que mais aprendeu, ele ensinou as principais técnicas de Ernesto, as suas preciosas posturas. Aprendeu, e sempre se esforçou para refletir suas amigas mais próximas.
Tanto tempo de esforço, tanto tempo… para que agora.
— Há.
Sua espada cortou Leonardo com vigor.
Tudo para alcançar seu ápice.
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— Defenda no centro do peito, curve para cima, devolva com um corte direto na altura da boca, e quando suas espadas se baterem, gire elas e devolva com tudo.
O comando de Absalom era preciso e direto, mesmo com seu corpo no limite, precisava se esforçar. Sua força queria desaparecer, mas.
Augusto, corpo ereto!
Então sua espada defendeu seu centro, curvou ela no mesmo momento, devolveu com um corte direto e as espadas se chocaram, no giro preciso, ele recuou Leonardo. O garoto sorrindo não queria parar, e devolveu com uma declive brutal.
Guto recuou naquele instante.
— Use sua sexta postura e dance refletindo com um golpe diagonal, com essa abertura de um golpe fincado direto!
Assim foi feito, o golpe defletiu o brutal declive, a espada de Leonardo ficou aberta para cima, e ele ficou com a guarda baixa, nessa oportunidade Guto avançou sua arma rapidamente, e—
— Nona postura, rápido!
Cortando seu ataque pela metade, ele defendeu com um grito de sua alma. Sua força fraquejou pela dor, mas cuspindo sangue ele defendeu.
— Ele mudou seu estilo de combate muito rápido, cuidado vem agora 5 ataques. Defenda por cima, esquerda acima do ombro, peito lado direito, perna, ambas, começando pela esquerda.
Guto continuava a fazer os comandos. Cada um cada vez mais preciso.
— Droga… — sua visão aos poucos voltava a ficar turva.
No fim, eu sempre lutei apenas porque queria orgulhar meu pai, e para ter força para proteger o carinho dela. Esforço sempre esteve no seu mínimo.
Com tanto tempo de treino, algumas vezes eu superei Amara e Bellatrix na espada. Para logo então, elas ficarem muito melhores e me superar de novo. Sempre para ver o sorriso de Brielle. Sempre para orgulhar meu pai.
Absalom guiava ele, e aos poucos, sua mente refletia sobre sue passado. Sua espada ficava cada vez mais intensa e quente, com cada golpe que Leonardo dava nele. Guto percebeu o ecoar da lâmina.
Sempre lute como se estivesse protegendo a pessoa mais importante para você, assim, sua espada nunca vai fraquejar.
E assim ficava mais forte.
— Pule avançando com um corte horizontal! Pule para o lado e faça um corte puxando para defender! Use a oitava postura!
Guto precisava de alguma coisa para conseguir superar Leonardo.
Sentimento de querer proteger, ele tinha, o que aprendeu com seu mestre.
Sentimento de querer honrar o sonho de seu pai, que aceitou com Brielle.
Sentimento de querer os sorrisos dos que amava, ele herdou.
Mas isso não era o suficiente ainda. Mesmo com todas essas coisas, sua visão ficava turva, voltando apenas com um grande grito de sua mãe em sua alma. Aquela que sempre foi tão rígorosa.
— Vamos Augusto, fique Ereto! — disse para si, para se motivar.
Isso tinha sido o suficiente, com apenas isso, conseguiu se guiar, conseguiu aprender com Ernesto suas técnicas, conseguiu aprender com Bellatrix suas técnicas, conseguiu aprender com Amara suas técnicas. Aprendeu com todos os seus amigos.
Venceu muitos, e no fim, perdeu muitos. Tantas coisas que aprendeu, tantos carinhos que se fez, mas, apenas uma pessoa nunca venceu.
Aquele que estava a sua frente.
— O estilo de luta de Leonardo é imprevisível demais.
Falou Guto, na primeira vez que enfrentou Leonardo. O cavaleiro jovem tinha se graduado a treinar e em apenas um mês era melhor que todos ali, superando Bellatrix e Amara em muito, em velocidade
Sua técnica não era impecável como Ernesto
Ele não se adaptava ao oponente como Bellatrix
Seu estilo de luta não se mostrava destruitivo e direto, ou até mesmo pensando como um predador.
Ele tinha algo diferente.
Algo que ele nunca iria alcançar, e no fim…
— Eu não sei o que nos difere.
Aprender seu estilo de luta era impossivel, se não era capaz de entender ele.
— Genios são realmente impossiveis.
Disse no passado e no presente. Sempre que enfrentou Leonardo, sempre percebeu a diferença gritante de nivel de poder.
— Agora gire pelo flanco! Ele vai atacar por cima! Meio ataque aos quarenta e cinco graus! Ele vai fintar, recue!
Absalom não parava de instruir, seus comandos eram sempre perfeitos e acertivos, como se prevesse o futuro. Guto apenas refletia seus comandos enquanto sua mente se perdia em devaneio.
Como Absalom conseguia prever todos os comandos? Como ele pensava tão a frente assim? O quão genial era aquele garoto? Não fazia sentido, queria entender como ele pensava.
Além disso…
— Kim conseguiu vencer ele… mas como?
Kim conseguiu vencer o irmão mais velho em uma batalha tão intensa quanto aquele que eles tinham agora. De alguma forma aqueles irmãos conseguiam entender a forma de lutar do Leonardo.
— Ah cara, que saco.
Os golpes se cruzaram e recuaram com força brutal.
— Guto Uma! Preste atenção no que eu vou lhe contar! A diferença entre você e Leonardo…
Tudo pareceu ficar em câmera lenta, então, proferiu simples palavras, que mudariam tudo para Guto. Absalom estava vendo como aquele preguiçoso estava e conseguia prever o que ele estava pensando. Conseguia visualizar com sua própria visão. Então, ele gritou.
— Você luta com um desejo ardente de necessidade, você luta pelos outros e sua força sempre será atingida para alcançar a expectativa alheia. Para alcançar o ápice e orgulhar os outros. Leonardo não, ele luta por ele mesmo, seu desejo mais puro e tudo é alcançar seu ápice e evoluir cada vez mais. Ele ama lutar, enquanto você usa a luta para alcançar quem você ama.
Guto ficou sem palavras, aquilo até que fazia sentido, mas essa mera diferença não…
— Isso seria uma diferença pequena, mas, se você lutar apenas pelos outros, seu limite será o que você pode fazer pelos outros. Seu orgulho, sue limite. Mas se você lutar por si, querendo não apenas ser milhares de vezes melhor, você alcançará um limite ainda maior.
‘Mesmo assim, a capacidade de evolução humana se limita ao limite humano. Então, como ultrapassar esse limite? Isso é bem simples. Paixão. Se você amar, lutar e desejar do fundo da sua alma corresponder esse sentimento. Não lutar para proteger quem ama, mas lutar pela paixão ardente em si, vai alcançar limites cada vez maiores.
Isso era conto de fada belo contado por um garoto jovem. Claro que essa poderia ser a diferença deles, e Guto aceitava isso. Mesmo assim, Guto nunca poderia ter paixão a luta, ele nunca sentiria isso com a luta.
— Paixão é…
Seu amor nunca seria lutar, sendo que ele nunca amou lutar. Mas poderia compreender, os sentimentos quando impostos na luta poderia tornar Guto mais forte, isso era verdade. Se apenas os sentimentos de querer proteger já deixavam ele mais intensos, como ele colocaria sua própria paixão em jogo.
— Eu apenas tenho que lutar por paixão, não é… é assim que Leonardo luta?
Se Leonardo sempre lutou por paixão, e seus sentimentos evoluíram cada vez mais, quer dizer que existe uma regra no mundo que é capaz de fazer suas capacidades evoluírem por causa dessa pequena regra.
Isso faria sentido do porquê Amara, Son goku, César, “Ismael”, Tatiane, sempre ficavam mais fortes. Por uma paixão ardente que tinham neles. O sentimento era capaz de fortalecer o corpo, e isso poderia ser a verdade
Paixão
Guto tinha três paixões
Seu pai quem tanto admirava, aquele homem certo, digno, perfeito, irretocável, um homem tão digno e perfeito, um dos mais fortes cavaleiros, o antigo mestre de guarnição, um homem tão digno. Queria um dia ser tão incrível quanto seu pai
Sua mãe, ao qual sempre foi fria, mas sempre fez de tudo por ele, conseguia compreender o amor que sua mãe sentia, e o sentimento de querer orgulhar ela. Conseguia querer orgulhá-la assim como seu pai.
E aquela que era sua amada. Gentil, ouvinte, fofa, querida, sempre cuidava de todos os guardas, eles estavam feridos, para baixo, ou tristes, ela sempre iria lá e guiava eles, rezava por eles. Queria ser tão digno quanto ela
A paixão ardente do irretocável cavaleiro
A paixão ardente da fria perfeição.
A paixão ardente da amável santa
Se ele poderia ser digno de cuidar, e honrado de lutar por todos.
Se ele pudesse alcançar a paixão mais ardente e unificar seu amor
Ele gritaria do fundo de sua alma
— Eu vou lutar por vocês três!
Um eco remanescente das palavras de Absalom não chegaram nele. Guto estava em um estado tão extremo de seus próprios pensamentos, que nada mais o alcançava. Apenas a voz de sua alma.
Ele sentiu como se algo o empurrasse, como se alguém estivesse o guiando, e segurando sua lâmina junto a si. Poderia ser a sua paixão ardendo, mas como sempre esteve ao lado de uma religiosa nata, ele não poderia pensar algo diferente.
— Pai, você está me guiando, certo?
O trunfo de Guto sempre foi a capacidade de se aprimorar e aprender tudo que lhe foi ensinado, usar a essência de tudo que lhe ensinaram. Então, usaria tudo que aprendeu.
Guto avançou com uma precisão eminente, Leonardo fez sua tempestade flamejante de ataques, então precisamento conseguiu guiar ataques por entre eles. Perfeitamente, irretocavelmente, um golpe tentou acertar e defendeu brutalmente, contra atacou puramente, dançou e gritou como se estivesse ficando mais forte. Imaginou todas as possibilidades dos golpes que viriam e conseguiu com um magnificante ataque quase assassino ferir o braço de Leonardo. Foi como sentir sua presa, a sua frente, foi como fluir o pensamento do próximo ataque, e se adaptou completamente aos mais de quase 50 golpes que não podem o atingir, pela luta que se tornava cada vez mais irreal.
Não entendia o que estava acontecendo, apenas lutava com todas as 9 posturas juntas, alcançando um estilo de luta perfeito. Mas sua mente tinha algo a mais. Sua visão, seus olhos, uma paixão. Agora acima do que poderia ser chamado de estilo de luta de Leonardo.
Talvez estivesse compreendendo o estilo de luta do primeiro mais forte, porém, conseguiu mais do que isso. Ele estava conseguindo entender como Absalom pensava.
Quando Guto lutava, Absalom não olhava para o combate, ou para a forma que Leonardo fazia seus movimentos. Mas ele não focava nessas coisas fúteis.
Guiando sua lâmina na paixão máxima, Leonardo está usando sua velocidade excedente, cada vez mais rápido, mais evoluindo.
Absalom enxergava tudo em volta sem parar, para pensar, observar, analisar, o que normalmente todos ignoram com uma simples visão. Por que enquanto todos veem em 3D…
Aprendeu também, entendeu também, e seu olhar ficou mais aguçado.
Golpe por golpe, estocada, gancho, tudo, tudo junto, no fim, ele aprendeu.
Essa visão perfeita de Absalom, era incrível, não era apenas ver, sentir, ele poderia imaginar todo o futuro.
A visão de Absalom…
— Amara fazia algo assim, certo? Ela também tinha a capacidade de prever o futuro de seus inimigos, era como uma visão de ataque perfeito. Conseguir usar uma capacidade de visão, como de Amara, e evoluir isso. Eu estou vendo tudo de uma forma totalmente diferente, eu estou vendo tudo de uma quarta dimensão!
Com sua visão aprimorada, com seu cérebro latejando de tanto desejo, com sua emoção em seu ápice. Seu corpo pegava fogo. Estava tão quente, que era como se ele estivesse em uma febre de quarenta graus. Seu corpo não ficou mais mole, ficou sim mais intenso, sobrenatural
Nunca se moveu tão rápido
Nunca pensou tão rápido
Visão dimensional, visão de caça, postura de adaptação, paixão, todas as coisas que ele aprendeu até hoje. Então, sua esgrima atingiu seu ápice.
— Finalmente entendi. Com tudo isso, eu serei quase um Deus.
Naquele reino, apenas Absalom pode presenciar, o homem que se movia acima da velocidade humana. Se o homem mais rápido do mundo se movia a 45km/h, era irônico que o que estava na sua frente acontecia, pois ambos estavam a quase 120km/h
Os golpes se cruzavam irraizando fogo. Guto ao qual ferido parecia mais inerte quando sua paixão evoluiu mais ainda sua vontade de lutar.
Leonardo não apenas estava na mesma velocidade de Guto, como parecia ficar mais intenso. O garoto que estava sendo controlado pelo pesadelo, sorria, era insano o que estava vendo, era como se mesmo com sua mente controlada, seu desejo era mais importante do que a ordem.
— Eu vou me tornar a espada mais afiada do reino! Eu vou ser o ápice da espada!
100 golpes consecutivos contraguiaram dentro de um segundo. Algo paranormal acontecia quando eles não estavam mais sendo meros humanos, golpes, estocadas, afiadas, tudo, no fim, a arma de Guto começava a se rachar
Mesmo que a espada de Guto fosse extremamente afiada, extremamente perfeita, ela não estava aguentando a pressão daquela luta, era irreal demais. No instante que se passou, Guto concentrado ao seu ápice, soprou ar
Quente, as brasas dos golpes deles chamuscavam para todos os lados.
Todo amor que sentia pelo pai.
Todo amor que sentia pela sua mãe.
Todo amor que sentia por Brielle
Era maior do que tudo isso. Seu corpo fervia ainda mais.
Naquele momento, paixão era a única coisa que pulsava, fazendo seu coração ecoar, e ecoar, e ecoar, e ecoar. As frestas do reino, todo aquele grande saguão, aquele lugar que criou lendas, pessoas tão geniais
E guto era apenas… ele.
A criança preguiçosa que queria a admiração do pai
A criança preguiçosa que queria proteger um sorriso
Um garoto que amava…
— Lutar!
Não poderia mais esconder de si.
Sempre que lutava, sempre que se esforçava pelo pai, pela mãe, por Brielle, o motivo de nunca soltar a espada, mesmo que sentisse preguiça.
A verdade
— Eu amo lutar!
Uma energia sobrenatural apousou pelo sangue de Guto, seu sangue fervia, borbulhava, não era negociável. E acima de tudo. Seus olhos tão concentrados que pareciam ter um brilho opaco.
Seu corpo começou a ter uma energia fora do comum, uma aura densa, qual afiou sua própria espada. Naquele instante, ela ficou mais afiada do que tudo naquele reino. Guto tinha atingido o ápice da espada, o segredo oculto do sangue.
Ele usou um ritual sem ao menos saber. Apenas por querer aprimorar.
— Há!
Ele se tornou a espada mais afiada do reino e sendo ela — ele cortou a espada e a armadura de Leonardo, com um corte tão devastador, que todo o cômodo tremeu. Um reverberar tão intenso e brutal, que era como se trovões estivessem sendo sobreforjados ali.
Um corte tão digno da perfeição, que a arma não aguentou tamanha intensidade, e quebrou por completo. Uma devastação sem igual, chão rachou por completo, janelas foram todas destruídas para fora, lustres dizimados com o ar, vento rompido, armadura, espada, peito, tudo foi devastado, essa foi a verdadeira devastação, uma verdadeira『Decadência』um catalisador natural.
Guto estava na posição do corte, ofegando, com seu corpo fervendo ao limite. A sua frente, com uma espada pela metade, e com um corte interinamente profundo no peito, estava Leonardo.
Ele sorriu gentilmente, e colocou sua mão no ombro de Guto.
— Você me venceu.
Paixão.
Uma paixão tão intensa e densa que foi capaz de cortar a ligação do projeto Erythrofina. Leonardo estava liberto, mas, o corte no peito era tão profundo, que alcançou o coração.
Mesmo assim, ele continuou em pé, vivo, gritante, como se recusasse a morrer. Guto apenas ficou sem forças, agora que parou de lutar com tudo, e seu corpo esfriou, toda a dor de sobrecarregar o corpo veio.
Guto então gritou: — Haaaaaaa, isso foi por vocês, mãe, pai, Ernesto e Brielle! Esse corte foi por vocês!
Imediatamente Guto desmaiou, caindo ajoelhado, e logo ao chão, sem forças e sangrando tanto que provavelmente morreria por falta de sangue. E em pé, estava ele, Leonardo. O derrotado da vez.
- Salmos 116:8 ↩︎

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