Capítulo 118: Viviane Uma
A realidade estava em dúvida se deveria ou não interferir.
O destino ousado tentava controlar o fim de uma mulher indomável, e no fim, a fina lâmina destruirá tudo em sua volta. Cada gelo que caia. Cada estocada da Beserker. Até mesmo o destino agora estava contra a perfeição.
Era como se tivesse que cortar o nada, porque os fios da excentricidade tornava o um em zero. Enquanto aquela luz se fazia invisível, era completamente visível para aquela que lia a alma do mundo.
A luta ficava cada vez mais perigosa. Era como ver linhas infinitas se envolvendo em seu corpo, tornando mais pesado. Tudo tentava negar Viviane, e ela teimosa não se deixava corromper.
Mas ela não via literalmente, não era possível ver o nada, mas ela conseguia sentir completamente, de uma forma, que era literalmente visível a ela.
Cortava o nada. Cortava o tudo. Cortava o nulo. Apenas com um estilo de arte perfeito, tão perfeito que traria inveja. Labella estava começando a se irritar, ela estava mostrando o máximo de suas habilidades.
No passado, ela desejou cumprir seus juramentos. Labella jurou muitas coisas em sua vida. Que venceria uma missão. Que orgulharia sua mestra. Que conseguiria se tornar escudo real. No fim, tanto desejou que seus juramentos se tornassem realidade que, no fim, ela alcançou.
Mesmo com um poder que transcendia o destino. Mesmo com um poder de gelo que era inestimável. Mesmo com uma arte de espada tão perfeita. Ela ainda não conseguia se equiparar aquela mulher na sua frente.
Por quê? Por que ele não conseguia ser mais forte que Viviane? Nunca venceu ela, e agora, não venceria? Agora que Labella tinha uma missão tão importante. Ela fez de tudo, ajudou o assassino, ajudou o rei. Ajudou. Ajudou. Ajudou.
No fim, nada era possível, e Labella chorava, ela queria ser mais. Porém, ela só conseguia fazer um juramento por vez. Além disso, o desgaste de cada juramento era enorme.
Por exemplo, se ela jurasse matar seu alvo, provavelmente o desgaste seria comparado à própria morte. Por isso, ela precisaria ter cuidado. Então, como seria possível vencer?
Viviane estava séria, lutando com tudo que tinha, fazendo o impossível, literalmente, e assim, 20 segundos se passaram. O juramento apenas durava um minuto. Se Viviane conseguisse superar o juramento, a vitória estava garantida.
Faz quanto tempo que Viviane se esforçava tanto? Ela realmente criou uma garota problemática. Quando foi que Viviane parou de pensar sobre as dificuldades que aproximavam de si? Ela apenas estava calma sabendo que conseguiria vencer.
Era por experiência? Não… Arrogância? Talvez não.
Quando Viviane se tornou tão…. Prática?
— Quando tudo começou mesmo?
Lutar com alguém que ela mesmo treinou, fez Viviane refletir sobre seu passado, sobre o seu começo.
Quando tudo isso começou?
Quando ela foi tão necessária para lidar com aberrações como Labella….
Sim, foi naquele tempo.
Um tempo muito distante.
✡︎—————✡︎—————✡︎
Para a garota chamada Viviane, o conceito de ser a mais forte viveu com seu coração desde que era uma criança. Sua família era considerada de empregadas que lutariam em situação de perigo.
Se algo acontecesse no castelo, seria dever dos cavaleiros lidar. Mas se os cavaleiros não chegassem a tempo, a primeira reação seria das empregadas de combate. Esse era um termo antigo que por gerações se passou na família Uma.
Na família, homens se tornavam cavaleiros, e mulheres empregadas que lutariam se necessário.
Viviane, desde que completou 3 anos de idade, foi submetida a treinos insanos e completamente eficientes. O objetivo: criar uma arma viva. Não apenas uma empregada, mas alguém necessário para defender os membros do reino.
Treinada para ser uma arma. Criada para ser letal. Gerada para retirar vidas. Aquela criança nunca seria normal.
A família Uma, por ter uma ligação com antigas gerações do reino, conhecia o segredo das maldições e bênçãos. Além de ter o conhecimento de alguns rituais capazes de aumentar a força física humana.
Viviane desde criança treinou aumentando seu poder, força e velocidade excepcionalmente, e desde criança mostrou-se compatível com esses ensinamentos. Foram realmente feitos dignos de admiração.
Aquela criança criada para matar, evoluindo sempre ao seu máximo, tinha apenas um objetivo…
— Viviane, sempre faça o melhor para proteger o reino.
— Certo, eu vou…
✡︎—————✡︎—————✡︎
Tinha uma irmã mais velha e mais nova, mas nunca soube seus nomes, não era necessário para matar e ficar mais forte. Não existiam motivos para ter sentimentos. Claro que ela tinha, mas nunca foi necessário para matar.
Apesar dos laços de sangue, seus pais ainda se mantinham frios em relação a Viviane. E apenas sorriam quando ela matava; quando ela mostrava resultados; quando ela protegia algo do seu reino.
A hostilidade existiu até ela mostrar do que era capaz. Superando a mais velha, superando seu pai, superando mais familiares de sua própria família, Viviane conseguiu provar seu valor, fazendo um sorriso belo no rosto da mãe.
O termo mais preciso para definir Viviane era a palavra “Gênio”. Ela tinha um talento que excedia até mesmo um dos melhores lutadores da sua família. Pessoas as quais passaram pelo mesmo treinamento, estavam usando os mesmo conhecimentos, mesmo assim, Viviane mostrou um resultado mais excepcional ainda.
Perfeição na sua postura. Perfeição em suas técnicas. Perfeita em sua aparência. E sem nenhum desaproveitamento. Todos a admiravam e idolatravam ela com sua perfeição. Seus feitos foram notados até mesmo pelo grande rei Arnaldo Umbral.
A criança era tão forte e nem mesmo mostrava um pingo de arrogância, esse comportamento fazia até mesmo os mais exímios de sua família curvar sua cabeça.
Tal tratamento era excepcional para uma criança que não tinha completado nem mesmo dez anos de idade. Mesmo os pais frios, e uma família sem escrúpulos, todos ficaram sem palavras com as capacidades de Viviane.
Mesmo que fosse tão forte, seu coração era jovem ainda. Manter sua essência era estressante. Ela sempre se questionou se estava fazendo a coisa certa. Era o suficiente o que ela fazia? Ela tinha conseguido cumprir o motivo para o que ela existia?
Diferente do que todos achavam, ela não tinha um pingo de confiança. Sempre se escondendo atrás de sua perfeição, como uma sombra. Foi assim que a jovem Viviane lidou.
Sua irmã mais nova era gentil. Quando ela alcançava algo, a mais nova parabenizava, não o fato dela ter alcançado, mas o fato dela ter se esforçado. A única que reconhecia o esforço, era a mais nova.
Muitos conflitos existiam, uma nação que foi levada pelo poder militar, a força se fez presente em necessidade. Então, Viviane começou a viver missões que seriam destinadas a cavaleiros. Tudo em prol de seu desenvolvimento.
Quanto mais missões ela trazia resultados positivos, mais necessitada ela era.
Viviane era uma jovem criança muito forte, capaz de enfrentar diversos inimigos com uma única espada curta. Fez tantas missões que não conseguia contar nos dedos seus triunfos.
Certo dia, suas irmãs foram requisitadas em uma missão com ela. Como quem espera que jovens ganhem experiência com alguém superior. A missão era invadir um fogueiral inimigo que estavam bolando invadir uma das províncias.
Elas foram juntas, mas Viviane nunca foi treinada para ser uma líder, ela apenas confiou que suas irmãs seriam tão boa quanto ela era, já que foram bem treinadas. Ela fez o plano de ataque, e todas avançaram em cada alvo com qualidade.
No final do dia, elas se reuniram e contaram seus resultados.
Mas para o infortúnio de Viviane, a irmã mais nova nunca retornou, ela morreu em batalha. A mais gentil, foi morta tão jovem.
Viviane achou que seria repreendida por perder sua irmã, então, estava preparada para receber a punição necessária.
— Ela era fraca demais, por isso morreu.
— Eu já imaginava, ela não aguentaria o mundo.
— Até que enfim ela morreu, agora não temos que nos preocupar com ela.
Indo contra o que acreditava, palavras de injúria foram jogadas como veneno sobre sua irmã. A expectativa era alta demais para aguentar, mesmo assim, controlou seu desespero. Ela respirou fundo, já que não precisava de emoções.
✡︎—————✡︎—————✡︎
Sua adolescência foi marcada com algumas guerras políticas e brigas conflitantes. O reino de Insurgia era grande demais, e seu reino vizinho, o reino da patagônia, queria um pouco de seu território. O combate das duas nações do país do Brasil foi manchado de muito sangue.
Os cavaleiros eram fortes, mas não conseguiam se comparar aos cavaleiros de elite do reino vizinho. Seus confrontos traziam resultados cada vez mais problemáticos. Então, a assassina de elite foi requisitada para trazer paz ao reino.
Cada missão que ela ia, mais sangue pingava em suas mãos. Como um tecido que se emaranhava apenas por ter um único propósito. Viviane foi necessária para parar a maior parte da guerra, lutando como a principal arma, ainda que sua força sobrenatural fosse desconhecida.
Sempre foi ensinada que não deveria mostrar seus trunfos, segredos e afeições. Sua força devido aos rituais de sangue sempre se fizeram presente. Além da precisão precisa que ela tinha devido ao grande foco que ela tinha.
Sua força sobrenatural nunca foi descoberta pelos inimigos, mas ela ganhou o título de assassina silenciosa, pois ela nunca proferia nenhuma palavra em seus confrontos mais brutais.
Seus resultados alegraram Arnaldo Umbral, fazendo ele reconhecer ela e condecorar mais de uma vez. Assim foi sua adolescência, até completar seus dezoito anos.
✡︎—————✡︎—————✡︎
Aos dezoito ela ganhou um cargo que era desejado por muitos pelo reino. O cargo de escudo real. Ele além de ser o cargo de secretária, onde cuidaria de papeladas e assuntos internos, era o cargo de mais alta proteção do reino, escolhido para ficar pela pessoa mais forte na atualidade.
Viviane conseguiu superar um grande escudo real, um homem forte que através de sua própria força e inteligência alcançou sua própria patente. Mas em um confronto pedido pelo rei, a jovem assassina conseguiu superar o mais forte no reino daquela atualidade.
A diferença de força que ela tinha em comparação a muitos no reino, provava que ela não era qualquer mulher. Era a mais forte dentre as mulheres, dentre os homens, e dentre os mais diversos cavaleiros que compunha tudo.
Um gênio entre os gênios, a maior dentre os maiores. Tal alcunha não poderia dar mais resultados para ela. E isso requisitava ainda mais seus resultados, como se sempre esperassem mais e mais dela.
Viviane ganhou uma grande maturidade na guerra contra o reino vizinho. Ela conheceu muitas pessoas, e foi vítima de muitas perdas. Mesmo que no fim, ela nunca tenha se conectado totalmente a essas pessoas.
Não existiam motivos para ter emoções, apenas servir o reino e proteger todos. Esse era o motivo de sua existência. Apenas para isso que ela era feita. E esse peso deixava ela sufocada cada vez mais.
Com mais resultados, e feitos acumulados em seu currículo, ao vencer o herói do reino vizinho, ela ganhou a alcunha de herói. Uma alcunha dado aos grandes nomes do reino de Insurgia. Eles eram condecorados em uma galeria, guardados no tempo.
— Eu nomeio você como Lâmina de Aurora. Uma alcunha que criada pela sua própria função. Apenas o mais forte do reino poderá obter tua alcunha, você carregará consigo o dever de proteger o reino e cuidar de todos que estão nele.
Tão forte que uma alcunha inteira foi criada para sua própria pessoa. Ela era considerada o ápice da espada, o ápice do combate corpo a corpo, o ápice do combate silencioso e o ápice da velocidade. Ela conseguiu todos os maiores feitos em cada um dos tipos de confronto possíveis.
Viviane Uma — O escudo do reino — A Lâmina de Aurora — A mais forte.
Todas eram alcunhas que ela tinha alcançado sem nem mesmo resultar seus vinte quatro anos. Ela ainda frágil se manteve, com a cabeça erguida e sem demonstrar emoções. Apenas sofrendo calada pelo fardo que nunca abandonaria ela.
✡︎—————✡︎—————✡︎
O antigo escudo real, também era o chefe de guarnição atual. Um muito poderoso. A guerra tinha acabado, mas então, outro estado começou a entrar em atrito. O reino de Insurgia ficava dentro do estado da Bahia, onde existiam cidades, reinos, e províncias. O estado de Pernambuco iniciou um conflito querendo obter território.
O antigo escudo real foi requisitado na missão de confronto contra o grande exército de Pernambuco. Ele fez uma grande campanha de combate, e venceu diversos inimigos, mas o herói cangaceiro deles conseguiu superar de alguma maneira o chefe de guarnição atual.
Diversos cavaleiros perderam suas forças e motivações quando aquele incrível homem morreu em batalha, algo impensável. Viviane, como Lâmina de Aurora, foi solicitada para enfrentar tal confronto, e mais uma guerra seria decidida por ela.
Conheceu a tropa de elite que lutaria ao seu lado. Dentre eles, um novo chefe de guarnição foi erguido. Ele era um homem de 25 anos, com poucos feitos de poder e combate, mesmo assim foi escolhido pelo antigo chefe como atual.
— Eu ainda não tenho confiança para cumprir com meu cargo atual. Mas eu vou fazer meu melhor, espero que me aceitem como chefe atual!!
Ele abaixou sua cabeça com força demais, era desajeitado demais, era desordenado. Havia muitas falhas, existiam muitos erros. Isso era tudo que Viviane pensava ao ver aquele homem tão novo e determinado. Viviane já tinha completado 35 anos naquele momento, e sua maturidade nunca esteve tão alta.
— Meu nome é Sefu Gulbrand, espero que possa contar com vocês!
Todos os cavaleiros fizeram um barulho intenso de triunfo como se estivessem muito felizes com o novo chefe de guarnição. O mesmo, ainda um pouco tímido, mostrou-se determinado.
— Você é Viviane, certo? Eu sei que você é muito forte, vamos dar o nosso melhor.
Ele estava determinado, mas bem nervoso, ainda era jovem demais.
Então os confrontos se iniciaram. Diversos combates ocorreram, e eles mostraram seu valor. Sefu mostrou-se como um bom líder e comandou os cavaleiros com extrema habilidade. Era até impressionante que ele conseguiu comandar Viviane com tremenda excelência.
Ele não usava ela para todos os combates, apenas se fosse necessário, o que deixava ela estranha.
Não seria mais eficiente mandar ela para todos os combates? Sempre foi assim, então, estava um pouco conflitante. Mas não poderia dizer que não estava satisfeita. Não ser necessária em todos os combates deixou ela um pouco mais aliviada.
Então, os confrontos continuaram.
— Eles são muitos, não vamos conseguir lidar com esse cerco!
Disse um dos cavaleiros que estava na posição de batedor, localizando os inimigos que viriam. Então, reunindo todos do local, Sefu fez um grande planejamento e iniciou um choque de ataque devastador.
Para Viviane era fácil demais. Não importa quantos inimigos eram. Ela poderia ser tão rápida quanto precisa, tomava decisões mais rápido do que qualquer um. Poderiam cercar ela por completo que ela não entraria em desvantagem. Ela era um exército de uma mulher só.
Mas isso não era tudo que tinham necessário. Diversos cavaleiros ainda morriam por falta de habilidade. Não importa quantos ela matasse, não era o suficiente para proteger a todos. Mas no fim, ela conseguiu proteger um deles.
Sefu estava para ser morto, prestes a perder sua vida por ser cercado por diversos inimigos. Ela com seu estilo de arte perfeito se aproximou e cortou os diversos cavaleiros armadurados. Com uma força, precisão, e qualidade de causar inveja.
O novo chefe de guarnição viu a esgrima perfeita — não — ele viu o ápice da espada. Algo que ele estaria longe, tão distante que nunca alcançaria. Então, encantado e desorientado, a guerra continuou.
E graças a Viviane Uma que se fez extremamente necessária, venceram a guerra.
— Viviane, muito obrigado pelos seus serviços. Só conseguimos vencer por sua causa.
— Eu fiz apenas o que me foi pedido.
Indiferente, Viviane respondeu, ela não estava grata ou estava mexida com as palavras de motivações de Sefu. Mas ele achou que precisava agradecer. Mais do que isso, ele queria se tornar mais amigo de Viviane, que sempre se mostrou tão distante e fria.
— Eu já vou indo.
— Não, é… me diz, o que você gosta de fazer?
Ela tentou voltar a seus aposentos para descansar, mas Sefu tentou segurá-la com um papo aleatório.
— O que eu gosto de fazer…?
— Sim, tipo as atividades de lazer que gosta de fazer.
— Eu não tenho tais coisas. Eu luto, faço meu trabalho e sirvo o reino.
Ele ficou espantado demais, totalmente exageradamente.
— O quê? Mas sempre temos que fazer algo que gostamos. Se ficarmos apenas trabalhando vamos enlouquecer.
— Eu não posso enlouquecer, isso atrapalharia meus resultados.
— Que fria!
Ele era totalmente expressivo, enquanto Viviane se mostrava tão eficiente que não demonstrava nenhuma emoção. Assim, aos poucos, eles começaram a conversar.
O tempo se passou e Sefu apareceu em diversos momentos em que Viviane estava sozinha, cuidando de alguma situação interna. Se ela fosse à biblioteca resolver alguma papelada, ele aparecia. Isso estava se tornando inconveniente demais.
— E aí, princesa inexpressiva, como está?
Ele estendeu sua mão para um toque. Mesmo sem compreender o afeto de amizade, ela juntou as mãos em um toque amigável. Ele sempre vinha com um papo completamente ineficiente, sem nada útil a acrescentar.
— Eu já disse, você precisa de algum lazer. Vamos achar algo para você. Eu gosto de todas as quintas jogar bolas com meus amigos. Talvez você goste de sair com suas amigas para fazer compras? O que acha?
— Eu não tenho amigas.
— Claro que não tem, você nunca sorri, ninguém vai querer ser sua amiga assim.
Ela pouco ligava para isso, mesmo assim, ele se fazia bem presente. Em muitos momentos.
— Viviane, você é séria desde criança?
— Eu sempre fui treinada para ser quem sou.
— Por isso se tornou a mais forte? Deve ser exaustivo.
Exaustivo? Bem… claro que Viviane não conseguia compreender esse cansaço, ela já tinha aceitado como normal. Mas sim, o desgaste era enorme. Mesmo assim, ela nunca reclamou antes. Como o assunto assuntou tal coisa, ela se sentiu livre para expressar um pouco do seu cansaço.
— Tudo que fiz, tudo que eu sou, tudo que eu serei é ser uma arma. Eu sou a mais forte do reino e sou aquela que resolverá todos os problemas que surgirem. Quando mais ninguém for capaz de resolver, eu irei aparecer… esse é o fardo que eu carrego.
Sefu ficou impressionado, pois essa foi a primeira vez que ela expressou algo abertamente. Como não querendo perder essa oportunidade, ele se emergiu totalmente no assunto.
— Mas não podemos viver apenas de nossas funções. Somos seres humanos, temos que ter coisas que gostamos.
— Mas eu tenho uma missão muito grande a cumprir. Ser a mais forte do reino é algo que apenas eu posso ser.
Sefu se mostrou um pouco irritado. Não com Viviane, mas como o sistema tornou ela a se tornar. Ela estava desperdiçando a vida dela dessa maneira.
— Vamos sair juntos. Vou te levar para passear e você vai ter um dia de descanso desse ciclo horrível.
— Mas isso seria ineficiente.
— E voltou a princesa séria! Não, me escuta, não é tudo sobre eficiência. É sobre escolher nosso próprio destino. A gente faz as coisas como gostamos de fazer.
Ela pareceu um pouco triste em relação a isso, mesmo que não demonstrasse algum sentimento.
— Então eu vou fazer o seguinte. Olhe para mim — e assim, como pedido, ela olhou nos seus olhos, os quais determinados bradaram — Eu vou retirar seu fardo. Eu vou me tornar tão forte que vou ser necessário para todas as missões, e assim, você não vai precisar carregar o fardo de ser a mais forte.
Uma surpresa genuína surgiu em Viviane, que sentiu um sentimento forte naquele momento. Seu rosto inexpressivo mostrou uma confusão clara. Por que ele queria fazer algo tão ineficiente?
Isso lembrou em sua mente um rosto antigo. Sua irmã mais nova que era tão gentil.
Sim, existem pessoas que são muito gentis no mundo. E Sefu era uma delas.
— Eu vou carregar o seu fardo, então… por favor, vamos passear juntos!
Ela ficou levemente receosa sobre aquele pedido. Fazer algo tão ineficiente, era improvável. Mas algo dentro dela se abalou.
— E-eu… tudo bem, eu vou com você.
— Isso ae!
Com uma felicidade agitada e genuína, Sefu pegou a mão de Viviane, a amizade daqueles jovens se aflorou.
✡︎—————✡︎—————✡︎
O tempo se passou com tranquilidade. Sefu ainda aparecia aleatoriamente para conversar com Viviane, e para mostrar mais do mundo. Além disso, com os anos se passando, ele começou a receber diversas condecorações.
Mesmo que ele não fosse uma pessoa excepcional como Viviane, que tinha um estilo de esgrima perfeita. E mesmo que ele não pudesse usar rituais, que fortaleciam seu corpo. Ele se fez muito presente.
Mesmo sem saber nenhuma dessas coisas, ele era mais forte do que qualquer um. Criando um estilo de esgrima próprio, e cada vez que passava ele ficava mais forte. Viviane ajudou ele no seu treino também, ao qual com seus pedidos insistentes, ele fez o treino rigoroso dela.
Sefu também mostrou uma excelência em treinar cavaleiros. Fazendo eles se tornarem tão fortes quanto os cavaleiros de elite. Seu estilo de treino era algo verdadeiramente eficiente. E uma das tropas mais fortes de cavaleiros surgiu em Insurgia.
Sefu se fez um homem muito digno, e assim, os anos começaram a se passar. Ele foi o primeiro amigo de Viviane, e uma pessoa muito importante para o crescimento emocional dela. Fez ela começar a entender a vida como ela deveria ser vivida.
E aos poucos ele conseguiu cumprir o que disse. Com o crescimento de Sefu, ele foi cada vez mais necessitado em pedidos do reino. Como pedido dele mesmo, ele queria ir às missões que seriam destinadas a Viviane. E sempre voltava com resultados positivos.
E então, em uma das lutas mais intensas, e qualificadas de Sefu, onde ele conseguiu sem nenhum poder chegar a dar trabalho a Viviane, apenas com emoção e desejo de ser mais forte, apenas pela emoção ele conseguiu superar as próprias capacidades humanas. No ápice daquela luta. O grande homem Sefu Gulbrand pediu Viviane Uma em namoro.
E sobre o brilho do luar, eles entraram em um belíssimo relacionamento.
Em tempos de namoro, Sefu ensinava cada vez mais a Viviane o que era amar, o que era sentir emoções e sobre coisas da vida. Tudo que a família não foi capaz de dar a ela, Viviane recebeu com Sefu. Então, depois de dois anos, eles tiveram um filho.
Viviane recebeu uma missão de cuidar de outra criança além do filho que ela concebeu. Sempre sendo necessitada para missões impossíveis. Agora ela deveria cuidar de uma criança problemática que tinha uma maldição.
Ela cuidava dessa outra criança e de seu filho ao mesmo tempo, porém, ela criou ambos de maneiras completamente diferentes. Enquanto tornou um uma arma, o outro, deu a gentileza que apenas sua irmã e Sefu entregaram a si.
Criou Guto com todo o amor que conhecia. O que para o garoto era afeto algum. Ela não conseguia transparecer esse sentimento. E para Labella ensinou todos os segredos da família Uma. Fez ela se tornar uma arma necessária, claro que ainda entregando amor também.
Enquanto Guto foi criado não para ser uma arma, e sim, para seguir o próprio caminho. Ela queria que ele decidisse o que queria se tornar, ainda que, treinou ele para que tivesse a força para trilhar o próprio caminho.
Essa foi a forma que Viviane encontrou de passar seus sentimentos adiante.
8
Os anos se passaram, e aos poucos ela começava a entender o que era felicidade. Ela começou a entender o que era a vida, e ganhou uma experiência de vida necessária para ser mais do que apenas a Lâmina de Aurora.
Sefu disse que um dia retiraria seu fardo, e com os cavaleiros tão bem treinados isso se tornou um pouco realidade. Ele faria a maioria de suas missões e o novo rei, Maxuel usava muito mais o seu fiel cavaleiro Sefu na maioria das missões.
O escudo do rei ficou apenas sendo um escudo que protegia o rei, mas nem isso era necessário. O rei atual ia para missões perigosas sozinho, o coração de Viviane foi salvo.
Mas nem tudo que é bom dura para sempre. Um dia fatídico, Sefu foi dado como morto.
Não sentiu tristeza, estava acostumada com a morte. Apenas absorveu o que aprendeu, e refletiu o amor em seu filho. A frustração não existia. Apenas resultados.
Ela não conseguia transparecer, mas dava carinho levando a comida na porta de seu filho, quando sabia muito bem que ele não tinha ido comer.
Mas a morte de Sefu trouxe um resultado negativo. As missões que agora ele teria que lidar, voltaram a si, passados a Viviane. O trabalho sujo e lamacento voltou de volta à Lâmina de Aurora.
O fardo que carregava voltou como um peso enorme, então, nunca mais poderia abandonar esse peso.
Em alguns anos, ao menos, Labella quem tanto treinou, herdou sua posição de escudo real. Por mais que as missões mais impossíveis ainda eram atribuídas às Viviane.
Finalmente, depois de anos, pode descansar, ficou apenas como a empregada chefe. Pode aproveitar seus últimos anos como apenas a empregada chefe, liderando as empregadas.
Ensinou a jovem Hermione seus trabalhos, ensinou a tantas outras empregadas jovens. No fim, algo horrível começou a acontecer no reino. E agora, mais uma vez.
A Lâmina de Aurora tinha uma missão.
Proteger o reino, de uma nova ameaça.
✡︎—————✡︎—————✡︎
Para Viviane, proteger o reino era sua missão de vida. Mesmo que agora ela estivesse satisfeita com a vida que teve. Ela aprendeu o que era amor, e o que era ter descanso.
E então, esse descanso acabou, e ela deveria proteger o reino mais uma vez.
Como a mais forte.
Como o ápice da espada.
Como a Lâmina de Aurora.
Como Viviane Uma.
Uma mulher que não tinha controle do destino. Ela tinha que ser aquela que resolveria todos os problemas. Isso era um fardo que Sefu nunca conseguiu retirar dela. E então, ela cortou o espaço.
Tudo neste momento estava desafiando sua autoridade. Estacas de gelos, espadas, machados, lanças, os mais diversos tipos de armas afiadas caiam sobre ela com um efeito em cascata cada vez mais horripilante.
Ainda assim, um estilo de arte tão perfeito quanto o dela caia, de uma espada extremamente enorme e pesada. Mesmo que pesada, Labella era brandida com perfeição, jogando todo o estilo de combate na qualidade máxima.
E para desafiar ainda mais, um brilho arcano diluía o ambiente, tentando desacelerar Viviane. Fazendo ela falhar, fazendo ela diminuir sua capacidade. Mas ela cortava até mesmo conceito, ao qual, era a bênção de Labella que controlava o juramento.
Labella tinha jurado vencer, e com esse juramento, o destino estava sendo moldado contra Viviane. Até mesmo o gelo se tornou mais denso e devastador. Era como uma carnificina viva.
E assim, Labella com seus olhos que agora estavam iridescentes, se faziam perfeitos por de trás dos aros finos de seus óculos. Ela estava frustrada, porque depois de tudo, ela ainda não era capaz de superar sua mestra.
Assim se passaram 40 segundos.
Tudo estava se encaminhando para o único resultado possível. Viviane era a mais forte e estava destinada a ser. Aquela que venceria tudo e com sua maior autoridade poderia salvar o reino inteiro. Todas as missões que estavam em seu coração.
— Por Sefu, por Guto, pelo meu reino. Eu vou vencer.
Se pudesse se arrepender de algo, foi não ter dado mais amor para Guto, ou para Labella, a quem tinha tanto carinho. Se pudesse ter sido uma mãe melhor. Se pudesse teria trocado algumas palavras com seu filho essa manhã. Ela queria ter visto ele, sentia que iria se envolver em algo perigoso.
45 segundos.
Pandora e Aisha estavam gerando chamas intensas por que a existência estava se diluindo, era como se tudo tremesse a cada impacto de Viviane. Mas acima disso. O frio glacial era tremendo e surreal, uma névoa densa de gelo e neve caía sobre a sala. Enquanto aquela Beserker criava um calor infernal.
Choques térmicos eram quase visíveis. E Aisha estava quase desmaiando. Ela não tinha forças o suficiente para aguentar tamanha pressão. Pandora era quem tinha que proteger as duas daquela insanidade.
— Não é possíveeeel! Eu não aceito! Eu treinei tanto, eu me esforcei tanto, eu fiz de tudo. Eu treinei por tudo. Tudo que você me ensinou eu aprendi. Fortalecimento corporal, ritual de sangue, controlar minha maldição com excelência. Eu aprendi a usar minha bênção. Mesmo com tudo, mesmo usando meu melhor, meu máximo, eu não aceito, não aceito. Eu desde pequena sacrifiquei meu futuro para fazer o que você me ensinava, eu dei meu melhor para te orgulhar Viviane! Eu fiz de tudo, e no fim, você nunca conseguiu olhar para mim! Eu só queria que você me olhasse, então, eu vou fazer olhar para mim, eu vou fazer o necessário, eu vou alcançar o infinito. — Ela respirou fundo enquanto todas as estalactites caíram em uníssono. — EU JURO SER A MAIS FORTE!
Ultrapassando o limite, ela só poderia fazer um juramento por vez. Ela fez algo que não deveria ser possível. Mas Viviane sempre ensinou a ela que ela deveria fazer o impossível. Então, superar seus limites era o necessário.
Com seu grito, ela cuspiu sangue, seus olhos sangraram, seu corpo entrou em colapso por ultrapassar os limites do destino, era doloroso demais, mesmo assim, ela sorriu, segurou sua Berserk com tremenda força, evoluiu tudo que se faria necessário. E então, ela explodiu em um inverno glacial puro.
Viviane percebeu que aquilo seria problemático, não porque ela não conseguiria sobreviver, mas porque sabia que as duas que estavam presentes do outro lado da sala não conseguiriam suportar. Então, ela correu.
Ela não era mais a mesma Viviane de antes. Ela não deixava mais ninguém morrer, ela faria o necessário para proteger o reino. O mais eficiente possível. Ela correu cruzando o limite da realidade.
O gelo puro do ar se tornou paralisante, era como se tudo tivesse congelado por completo, e Viviane adentrou o mundo congelado, ela avançou e cortou tudo como se cortasse um universo inteiro de neve. Ela conseguiu cortar tudo e em uma devastação ela rompeu o limite onde Aisha e Pandora estavam.
Ela segurou as duas meninas no braço, e avançou, ela correu, e sobrepujou. O destino começou a persegui-la como se quisesse destruir sua existência. Ela viu a luz segurando seu corpo como correntes também iridescentes. Seu corpo foi preso, mas ela cortou as correntes invisíveis, ela cortou o gelo que surgia no próprio corpo — sim — o gelo não surgia mais apenas no ar, ela surgia no corpo diretamente de Viviane, cortando dirimente suas correntes sanguíneas.
Ela fez seu sangue bombear em ardor, fazendo o limite do impossível, correu com as duas em suas mãos, ambas que quase desmaiaram, e então, conseguiu jogar ela em distâncias enormes. Como fugindo do domínio glacial que ainda não tinha corrompido todo o salão.
Aisha e Pandora foram jogadas para fora do salão, e por tal ato de parar de atacar para jogá-las longe, Viviane foi atingida por diversas estacas, espadas, lanças, perfurantes, e então, ela rugiu, cortando tudo à volta. Mostrando que era maior do que tudo aquilo, mostrando que era superior a tudo que estava à sua frente.
Todo o ato de jurar ser a mais forte, congelar todo o ar, paralisando todo o conceito, foi muito menos de um segundo, impregnado todo o salão.
Viviane correu em todo esse feito em milésimos.
50 segundos se passaram e na sua frente uma aberração enorme se formou.
A espada Berserk pulsava viva em chamas intensas, puras, vivas, como uma veia pulsante e devastadora. Viviane defendeu a derrocada daquele imortal ataque, impossível de defender — foi defendido com clareza.
Labella se tornou insana em seus golpes, a perfeição se tornou maculada, quando apenas uma enxurrada de movimentos cada vez mais devastadores e velozes criavam uma desilusão pragmática mal iluminada.
55 segundos.
Cada estocada, um gelo que rompia de dentro do corpo de Viviane, uma força que era necessária para vencer, uma impossibilidade de superar o destino, algo que rasgava o céu. O limite que era mostrado real, tudo estava rompendo.
A espada queimava o ar, o choque térmico fazia batidas no coração de Viviane. Então, algo pulsou no seu corpo. Ela evoluiu tanto seu corpo, ela estipulou tanto a realidade, ela rompeu tanto o destino que seu corpo sangrou.
Ela já tinha lidado com um estado cada vez mais inumano, mas apesar de tudo, ela ainda era humana, e no fim, o resultado de tudo que ela fez chegou agora. Seu corpo sangrou por estar no limite do que o ser humano é capaz de ultrapassar.
Gelo já estava perfurando tudo, perna, braços, torso, pescoço, cabeça, mesmo assim, ela não parava. Os golpes da berseker estava queimando o corpo dela por completo, e mesmo assim, não se importava. O destino já estava estrangulando seu ar e fazendo seu coração parar de funcionar, tudo estava contra si.
E então, depois de 59 segundos, a berserker perfurou o peito de Viviane, enquanto uma avalanche de gelo caiu uma enxurrada de perfurações por todo seu corpo. No fim, tudo voltou ao normal, com a neve desestruturando. A Berserker voltando ao seu tamanho normal, e Labella caindo ajoelhada.
Tudo sangrou em Labella, seu corpo estava no limite do aceitável, ela tinha estipulado o seu máximo poder destrutivo. Ela ainda era forte o suficiente para não desmaiar, porque apesar de tudo, ainda tinha uma missão a cumprir.
— No fim… quem me livrou do meu fardo, foi você Labella, parabéns.
E então, Viviane sorriu lindamente, pois finalmente, alguém tinha livrado ela de seu fardo. O fardo de ser a mais forte.
Com 26 perfurações de gelo. Com seu corpo carbonizado em diversas áreas como mãos, peito e rosto, com seu pescoço e coração amarrados com correntes invisíveis do destino.
Viviane Uma perdeu o confronto contra Labella Cyfer.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.