Capítulo 132 — Escala global (2)
Firmando os pés no chão, Theo se deu ao luxo de descansar os olhos antes de investir contra o oponente: Nik’Hael havia dado a brecha que ele tanto desejou.
Usando um único túnel vetorial, Theo surgiu nas costas de Nik’Hael.
[Segunda configuração: Garras Triluna]
Os cortes em formato de garra foram unilateralmente definidos nas costas de Hael, alcançando o pequeno anjo desprevenido. O sangue que Nik’Hael tanto priorizou, jorrou no ar por um ataque que, para ele, foi covardemente executado.
— Filho da…
— E aí, a minha luz ofusca tua visão? — Theo interrompeu Nik’Hael com soberania e deboche.
Hael abriu um sorriso largo e sádico.
Empunhando sua espada transformada em chamas, Nik’Hael se virou abruptamente contra Theo. Entretanto, o último bloqueou o avanço com a própria zweihänder e conseguiu sobressair com o peso do golpe, forçando Nik a largar sua espada e agir com um feitiço rápido.
Mas, antes que Hael pudesse reagir com um feitiço súbito, Theo chutou o oponente de baixo para cima, acertando precisamente a mandíbula.
Ainda com a perna levantada, o Jovem Mestre esperou para Nik’Hael retomar a postura e olhar para frente, deixando a nuca vulnerável para um retorno; agindo rapidamente, Theo acertou um chute com o calcanhar na nuca do pequeno anjo.
Com Hael desnorteado, Theo recuperou a postura de combate e desferiu um rotativo de calcanhar na orelha do oponente; onde, portanto, suas asas se originavam e, devido a isso, teve seu membro angelical seriamente danificado.
Após ter a base das asas angelicais machucadas, Hael perdeu os sentidos; sua visão, que se concentrava no futuro, enxergava mil e uma possibilidades, mas não conseguia ver uma realidade em que a incógnita de Theo fizesse sentido.
Em todos os futuros, Malcolm se sacrificaria para vencê-lo e embora conseguisse selar Nik’Hael, não duraria muito.
Agora o pequeno anjo via um novo futuro: a guerra em Kiescrone de fato se iniciaria — o que não deveria acontecer, pois, diante dos Olhos que tudo Vê, Metcroy destruiria todo o reino de Kiescrone e Bvoyna acenderia como o único imperador daquele domínio.
Entretanto, Malcolm estará vivo para chegar em Kiescrone e ajudar o lado da rainha a, supostamente, vencer.
Ele se perdeu, assim como Theo previu, vendo futuros incertos e ficando ansioso pelo que aconteceria. Nik’Hael não sentia o presente, não via o passado diante dos olhos, não escutava os raios de Malcolm cortando sua pele; ele apenas sentiu o amargo gosto da derrota.
“Apareceu.” Malcolm concluiu mentalmente, vendo Nik’Hael desnorteado por um momento.
Este momento, que durou cerca de cinco segundos, forçou o general a concentrar o máximo de energia que pôde num único segundo.
Apenas concentrando a eletricidade da zona — sem aplicar sua própria mana na equação — Malcolm liberou a maior descarga de energia já presenciada em qualquer mundo.
Num único segundo, o general de Alsuhindr liberou 2.2×10³³ joules em uma descarga elétrica. Essa quantidade de energia foi suficiente para quebrar sua zona e, por consequência, estender-se para além do imaginado.
Após o rompimento da barreira, uma onda de eletricidade se proliferou por toda a extensão dos Pilares do Renascimento e, por ventura, alcançaram novos horizontes.
Por todo o território delimitado pelos pilares, a eletricidade tomou de conta: uma explosão energética desintegrou tudo em sua área, permitindo que Malcolm ficasse vivo no centro da destruição.
Uma nuvem luminescente de energia e gás, carregada de radiação, obscureceu o céu, transformando a atmosfera em uma pintura caótica e distorcida.
Em um raio de cento e cinquenta quilômetros, o impacto da explosão foi sentido; no reino de Kiescrone fora presenciado alguns efeitos cataclísmicos como abalos sísmicos. Porém, por todo o mundo, uma onda de energia navegou pela superfície imbuindo o planeta por um véu duradouro de radiação.
O som vagou pela atmosfera do planeta, sendo gradualmente enfraquecido conforme se distanciava da explosão. Alguns chegaram a crer que o mundo estava chorando, afinal, o tremor não se manteve apenas no local da explosão.
Depois de incontáveis minutos, o mundo se acalmou. A nuvem, no entanto, ficaria ali por mais algumas horas até se dissipar na atmosfera.
Paralisado e instável, Malcolm estava de pé mesmo após tanto tempo. A eletricidade rasgou seus músculos e apagou sua mente.
Os raios ainda vagavam pela superfície do que restou dos Pilares do Renascimento, buscando fugir, de alguma forma, da culpa que seu conjurador adotou por uma destruição tão catastrófica.
Malcolm evitou algo do tipo por décadas, mas, embora tivesse certeza da vitória contra Nik’Hael, o general percebeu que era impossível vencê-lo. De alguma forma, o pequeno anjo não aceitava sua derrota, mesmo quando já deveria estar morto.
Ele olhou para onde Theo e Hael estavam lutando e o que restou foram duas manchas negras no chão.
O general se desculpou com Theo pela própria mente, permitindo que seu corpo despencasse contra o chão de pedra.
Eletricidade correu por seu corpo e, quando a ficha caiu, ele se deu conta da destruição que havia causado. Parte do seu cérebro estava colapsando, mas tinha em mente que tomou a decisão certa.
Antes que a descarga atingisse Theo, Malcolm redirecionou parte da energia para o ambiente, o que resultou em tamanha destruição.
Por outro lado, os dois adolescentes ainda receberam uma descarga absoluta de energia, dado isso, só havia um raciocínio lógico para aquele instante: Theo e Nik’Hael haviam sido desintegrados.
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