Índice de Capítulo

    — Fundamento de aprimoramento concluído… — disse Kyle, acompanhando as etapas do treinamento de Selina.

    Uma hora e trinta minutos foram necessárias para Selina completar as provações dos fundamentos.

    O seguidor de Surya não conseguia acreditar no desempenho de Serach. Uma hora e meia para determinar o quão hábil pode ser um desviante parecia mentira; até para veteranos, era comum que durasse mais de um dia.

    Mas… A diferença é que Selina não quis aproveitar.

    Desviantes comuns buscam aproveitar enquanto são avaliados para buscar maneiras de burlar o sistema e melhorar mais ainda nos fundamentos.

    Porém, Serach decidiu ir direto ao ponto, acreditando no próprio potencial e apostando em sua capacidade.

    Um brilho azul intenso rodeava Selina.

    — Pronto, Nietsz? — indagou Serach.

    — Sim — disse o djinn, alterando algumas informações no sistema de Selina.

    Como sendo um “operador” da Quinta Legião, Nihaya tinha a permissão para alterar as informações de acordo com sua análise.

    Selina não havia melhorado; continuou no mesmo nível desde quando iniciou o treinamento. No entanto, sua vontade estava maior.

    Ao descobrir que Theo estava evoluindo constantemente e buscando maneiras divergentes de avançar, a tenente sentiu-se instigada a desenvolver suas técnicas ao extremo.

    Isso seria possível ao lado de Nihaya e mais que necessário para atingir a constelação interna.

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                                                  [Sobre]

      Nome: Selina [Serach]                               Potencial: 130

      Magia: Ponteiro de Artemísia                 

      Legião: Quinta                                        Ocupação: Tenente

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    “Saí do potencial 110 para 130?” pensou Selina, analisando suas estatísticas.

    — Kyle, sabe por que te designei para acompanhar Serach? — O djinn indagou recolhendo o bracelete de moderador.

    — A missão que a Marelia designou à Selina, né?

    As sobrancelhas de Serach saltaram ao escutar aquilo. Nem ela tinha noção do que estavam falando. A seguidora de Alunne ignorou sua tabela e olhou para os companheiros.

    Nihaya olhou para Selina, cuja esbanjava uma linha consistente de energia acompanhada de seu semblante.

    — Marelia deu permissão à Quinta Legião para iniciar uma investigação contra a Catedral Absolutista de Elohim, no território de Dür. Meu intuito era terminar a sessão de treinamento quanto antes e pegar os mais aptos para investigar, enquanto o restante iria concluir o aprimoramento… Porém, você concluiu todos os fundamentos enquanto a maioria da Legião está na segunda etapa — explicou Nihaya.

    — Hum… — resmungou Selina — O que exatamente Marelia nos enviou?

    — Permissão para investigar a Catedral de Dür e os seguidores de Elohim, no território do rei Pendaculos.

    Praticamente de forma súbita, Selina sentiu-se instigada à medida que esbanjava tua vontade única e primordial de proteção.

    — Então, o que estamos esperando para concluir essa missão? — expressou com um brilho pálido nos olhos.

    Foi a primeira vez, desde que Selina entrou para o Culto de Alunne, que Kyle a viu sorrir com tanta sinceridade e emanar um brilho honesto nos olhos.

    Kyle sentiu-se flutuando.

    “Claro… Você sempre foi assim.” Ele afirmou para si, vendo Selina acompanhar Nihaya para o caminho de pedras que os levariam até a missão “A injustiça praticada contra a crença inofensiva de alguém, a ignorância religiosa culpada pela morte de teu pai… Você odeia o termo Elohim quase como aquele homem…”

    Subúrbio de Kiescrone, Zona Norte

    Região da Família Dür

    Passeando pelas vielas apertadas do subúrbio na região de Pendaculos, os três agentes da Quinta Legião recolheram informações dos moradores com uma certa tranquilidade, pois os próprios civis facilitaram o trabalho.

    Em poucos minutos, antes do meio-dia, Selina conseguiu a informação de que havia dois irmãos, um casal de gêmeos, que presenciaram um evento alarmante e um tanto quanto traumatizante na região.

    O trio se dirigiu até a residência das crianças próximo a um bosque; uma casa com a pintura caindo lentamente, mostrando os tijolos de barro utilizados para erguer a estrutura.

    Uma porta estreita de madeira emitiu um grunhido ao ser movimentada, permitindo a entrada dos três agentes na pequena residência.

    — Por aqui… — disse Kent, um comerciante local, pai dos gêmeos. Ele guiou Selina pela casa, passando uma entrada apertada pelo sofá, indo em direção à cozinha.

    Ao passar pela cozinha, Selina chegou rapidamente ao quintal da residência onde encontrou uma criança sentada no galho de uma árvore, enquanto a outra pegava com balde com água.

    — Assim não, burro! Você vai derrubar isso! 

    — Ei! — Kent exclamou para seus filhos. — Venham aqui.

    No momento em que os olhos das crianças encontraram Selina, eles entenderam do que se tratava. O emblema de Alsuhindr no ombro de Selina entregou a verdade.

    — É sobre os caras da fogueira, né?

    — Talvez… — respondeu Selina, ficando de cócoras na frente do irmão mais velho — Conta para mim, o que vocês denunciaram para seus pais?

    Os dois irmãos se encararam; o rapaz encarou sua irmã que estava na árvore, enquanto ainda carregava um balde com água. A garota desceu rapidamente do galho e recuperou a tampa do balde.

    Tampando a água, os irmãos se sentaram na tampa do balde como se estivesse para contar algo aos seus pais.

    — Basicamente, nós temos a mania de sair correndo pela floresta, sabe? Explorando os lugares, principalmente os mal-assombrados…

    — Sei, sei — Selina concordou a fim de ignorar as histórias prolongadas.

    — Quando estava próximo ao anoitecer, acho que por volta das vinte horas, nós encontramos uma casa abandonada, quase consumida pela natureza. Nós entramos e vimos colchões, dinheiro, garrafas d’água e assim, bastante rastros de pessoas ali…

    — E vocês, gênios, decidiram ficar para explorar mais? — Selina os encarou com cara de tacho.

    Os irmãos deram de ombros e resmungaram.

    — Seguimos em frente… — disse a garota. — Até encontrarmos um cômodo totalmente diferente, coberto por algumas lonas e um cheiro horrivelmente indescritível.

    — Tinha uma luz do lado de fora que chamou nossa atenção.

    — Sim, foi. Era forte e quente. Uma luz assim… Forte mesmo. Nós só afastamos um pouquinho a lona e…

    Selina cerrou os olhos. Sua conclusão estava feita…

    — Era uma fogueira enorme. Provavelmente passando dos…

    — Quase dois metros.

    — Uau, era grande mesmo — comentou Selina.

    — Aí tipo, ao redor da fogueira… — A garota engoliu em seco. — Tinha umas dez pessoas vestindo roupas totalmente pretas. Dos pés à cabeça, não dava nem para vislumbrar a pele deles.

    — Depois… — Selina os encarou fundo — vocês fugiram, né?

    — Sim. Nós fechamos a lona e saímos de fininho… Quando saímos da casa, corremos até chegar em casa.

    — Que horas vocês chegaram?

    — Provavelmente às 20:40… Acabamos nos perdendo e saímos noutro bairro — explicou o garoto.

    — Desespero, né… — comentou Selina.

    Os dois irmãos assentiram para a Tenente da Quinta Legião e esperaram por alguma ação dela, mas Serach se retirou sem dizer uma palavra, deixando os irmãos confusos.

    Em pouco tempo, ela se juntou a Kyle e Nihaya.

    — Pode pedir reforços de Zal. Vamos precisar do Malcolm e de algum outro… — disse Selina, sendo interrompida por Nihaya.

    — Por quê? Qual o nome das crianças? — questionou Kyle.

    — Estamos lidando com Elohistas cultuando de forma abominável. Vamos precisar de reforços.

    — Tá… Qual o nome das crianças? — reforçou a pergunta.

    — Não sei.

    — Não sabe?!

    — Não perguntei. Pulei as formalidades.

    Selina deu um leve empurrão de ombro em Kyle e andou pela casa, tentando voltar até a rua novamente. Enquanto isso, Kyle acompanhou sua colega sair do local…

    Após resmungar e estalar a língua, ele deu um tapa na própria testa.

    “Ainda bem que aqueles irmãos fugiram antes de qualquer coisa…” Selina pensou aliviada enquanto esperava Kyle e Nihaya, que efetuaram as formalidades.

    Ela pensou que as crianças poderiam mentir, mas não gaguejaram, embora tenham precisado um do outro para confirmar a história.

    Mas, o que a fez não cogitar que eles mentisse, foi pelo fato de que Selina esteve acompanhando os Elohistas desde que chegaram à Kiescrone. Investigando seus costumes, suas reuniões, sua cultura…

    Tudo isso levou até àquela floresta; local onde pessoas desaparecem inexplicavelmente, templos são depravados casualmente por mãos humanas, restos mortais são encontrados, mas nunca identificados…

    Selina sabia da veracidade dos eventos, e do provável envolvimento dos Elohistas em todos esses eventos.

    “Desde que cheguei, os Elohistas se provaram piores que os do meu mundo… Com certeza tem influência desses malditos emissários e daquele falso deus…”

    Olhando para o céu, Selina abraçou o próprio tronco conforme acompanhava o vento frio e confortável da tempestade.

    O céu estava limpo, ainda que um pouco escuro. Olhando para esse céu, o símbolo do alvorecer — a casa da Santa União de Elohim — Serach, a seguidora da Lua, expurgadora dos males abaixo do céu, proclamou e, em meio a juramentos, prometeu à sua entidade celestial:

    “Eu irei lançá-los ao rio da morte, onde serão afogados por seus pecados e esquecidos pela eternidade, assim como pelo seu próprio Deus… Prometo ser a luz da lua que limpará esses dias de tormento e substituir pela paz. Em juramento ao sangue… Ao destino… E ao eterno espírito materno… Conceda-me o brilho azul mais cintilante.”

    Selina, ao lado de Kyle e Nihaya, deu o primeiro paço para derrubar a Catedral Elohista, sob posse do rei Pendaculos, sem saber que este era o primeiro passo para o início do Trovejar Final…

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