Capítulo 420: Reunião (1/3)
História Paralela – 10 Reunião
— Candidato número 911, minha avaliação de Rus é… infelizmente, reprovado — disse o cavaleiro de meia-idade, anunciando o veredito.
O rosto de Rus, um garoto de treze anos, se contorceu.
Havia três avaliadores na segunda rodada preliminar. Embora um deles ainda não tivesse dado sua nota, o resultado já estava decidido. Para avançar à fase principal da seleção e participar do campo de treinamento do reino, era necessário receber aprovação de pelo menos dois dos três examinadores.
Porém, como os dois primeiros já haviam declarado reprovação, Rus não tinha mais esperança.
— Eu queria tanto me tornar um cavaleiro…
No fim, aconteceu. Incapaz de controlar as emoções, Rus começou a derramar lágrimas pesadas e abundantes. Seus pais, observando de perto, correram até o filho em choque.
Escondendo o menino atrás de si, o pai se curvou repetidas vezes diante dos avaliadores, dizendo:
— D-Desculpe! Meu filho se comportou tão mal…
— Tsk, apenas saiam. Agora.
— S-Sim, senhor! — Curvando-se mais uma vez, ele segurou a mão do filho e deixou a sala de avaliação.
Assim que a porta se fechou, todos ouviram um choro extremamente angustiado. Que espetáculo.
O examinador, clicando a língua, acariciou o próprio bigode e resmungou:
— Patético.
— Nem me fale — disse o avaliador à sua direita, careca e soltando suspiros frequentes. — A qualidade dos candidatos está realmente…
Os dois cavaleiros de meia-idade eram cavaleiros ativos do Reino de Makan. Embora não pertencessem aos Cavaleiros do Leão Dourado da capital nem aos Cavaleiros da Águia, eram veteranos da espada, com mais de trinta anos de treino. Era inevitável que ficassem decepcionados por terem que avaliar plebeus, especialmente crianças.
Eles continuaram a conversa:
— Eu até entenderia se fosse a primeira rodada preliminar. Com tanta divulgação, aposto que muita gente se inscreveu sem conhecer suas próprias habilidades. Mas essa já é a segunda, não é?
— Exato. Essa fase é pra avaliar talentos que já passaram por um primeiro filtro.
— Ouvi dizer que foram guardas municipais que fizeram a avaliação da primeira fase. Acho que os critérios deles eram bem frouxos.
— Ou talvez a qualidade dos plebeus em geral seja simplesmente inferior… Hmm. Bem, não há o que fazer quanto a isso.
— Eu nem comentaria se o problema fosse só a técnica. O pior é a mentalidade deles.
— Concordo. Tsk, por que a Rainha está desperdiçando os cofres do reino com uma política tão inútil…?
Uma vez que começaram a falar, as reclamações vieram em sequência. Os dois examinadores revezavam críticas à qualidade dos candidatos de Eratria ou, mais precisamente, das crianças plebeias alvo da seleção.
Algumas tremiam e nem conseguiam falar sob pressão. Outras nem sabiam por que queriam se tornar cavaleiros. E algumas, como o garoto de agora, começavam a chorar quando reprovadas. Era impossível não desenvolver preconceito contra sangue comum. Eles estavam certos de que plebeus não serviam para ser cavaleiros. Era ridículo.
Mesmo que a própria Ignet, a rainha que, na prática, liderava Makan, fosse de origem plebeia, e mesmo que muitos Mestres Espadachins vindos de famílias comuns surgissem nas diversas escolas do continente, aquele processo simplesmente não funcionava para eles.
Os cavaleiros de Makan fechavam os olhos e ouvidos, agarrando-se a ideias ultrapassadas. Mais absurdo ainda era o fato de aceitarem suborno para aprovar os filhos de famílias mercantes ricas. Quatro crianças haviam passado dessa forma. Nenhuma delas tinha pais pobres.
— No fim das contas, o sangue fala mais alto. Os ideais nobres de um cavaleiro e o código de conduta que os sustenta… eles simplesmente não têm base para entender essas coisas… Hmm.
O cavaleiro de bigode, que criticava os plebeus com gosto enquanto enchia os bolsos, lançou um olhar à esquerda. A examinadora enviada pela capital mantinha o rosto oculto sob um capuz puxado até baixo. Fora o fato de ser mulher, o cavaleiro de bigode se sentia bastante desconfortável com ela, já que não tinha nenhuma outra informação sobre quem era.
“Se não fosse por essa pessoa, eu teria aprovado ao menos mais três.”
Ele não podia, pois estava sendo observado. Por mais que gostasse de dinheiro, não podia aprovar candidatos claramente sem habilidade diante de uma avaliadora da capital. Era frustrante, e irritante.
Impor critérios especialmente rígidos aos candidatos que faziam o teste sem suborno era uma forma de aliviar o estresse. Não havia risco em rejeitá-los, o problema era aprová-los. O cavaleiro de bigode e o careca não tinham qualquer intenção de aprovar mais ninguém. Apenas os candidatos que não sabiam disso eram realmente dignos de pena.
É claro que eles não sentiam nenhum remorso. Estavam firmemente convencidos de que os talentos e a determinação dos plebeus não se comparavam aos dos verdadeiros nobres.
— Próximo candidato.
Quer soubesse o que pensavam ou não, a examinadora encapuzada chamou o próximo com sua voz monótona de sempre. Ela também não parecia entusiasmada com as entrevistas. O brilho que seus olhos tinham no primeiro dia quase havia desaparecido. Agora, apenas executava seu trabalho mecanicamente, como se estivesse cumprindo um dever rotineiro.
Mas os olhos da examinadora voltaram a brilhar quando a voz do novo candidato ecoou com firmeza pela sala.
— Olá! Sou o candidato número 1001, Kron!
— Candidato número 1001, entre!
— Sim, senhor!
Kron, o garoto de quatorze anos do Orfanato do Amor, caminhou até a sala de avaliação quando chamado pelo soldado. Seu coração batia acelerado e suas mãos estavam suadas. Normalmente não ficava tão nervoso, mas desde que viu o candidato anterior cair em prantos, seu coração não parava de disparar.
Ele sabia como era aquela sensação. Como se o céu desabasse. Sentiu isso na pele apenas dois meses atrás. No dia em que foi reprovado na avaliação final da Academia de Esgrima Krono, Kron chorou com o mesmo desespero que teve quando foi abandonado pelos pais aos sete anos de idade.
Kron franziu o rosto amargamente. “Pelo menos ele tem pais.”
Sabia que pais já não importavam para ele. Na verdade, havia conhecido muitas pessoas preciosas no orfanato que preencheram esse vazio, então não havia razão para sentir inveja. Era o que deveria sentir, mas não conseguia evitar aquele sentimento solitário que subia do fundo do peito.
“Talvez eu não devesse ter recusado quando a Jenny quis vir comigo… Não. Para com isso.” Kron balançou a cabeça, tentando limpar os pensamentos.
Antes ele poderia ter sido diferente, mas agora havia mudado. Passou por muito mais dificuldades do que outras crianças. Fora sequestrado por uma gangue aos nove anos, e aprendera uma técnica de espada misteriosa, a Espada da Terra, com um espadachim de cabelos prateados tão misterioso quanto.
Seu ano na Academia de Krono também havia ajudado muito. Embora não tivesse dado frutos imediatos… o garoto de catorze anos acreditava firmemente que, se continuasse acumulando esforço, um dia o solo geraria um broto, que viraria um caule, e alcançaria o céu como uma árvore robusta.
— Tudo bem. Eu consigo. — Kron respirou fundo. Apertou e soltou os punhos para aliviar a tensão, depois abriu a porta com cuidado e se curvou respeitosamente diante dos três avaliadores.
— Olá! Sou o candidato número 1001, Kron!
— Voz alta.
— Obrigado!
— Não foi um elogio. Fale mais baixo.
— Ah, ele nem entende o que a gente diz…
— E-Eu entendo.
As reações dos avaliadores foram negativas. A tensão, que por um momento havia diminuído, voltou com força total dentro de Kron. Seu coração batia tão alto que achava que os avaliadores conseguiriam ouvir. O sorriso que se esforçara para manter desapareceu, restando apenas uma expressão rígida. Kron engoliu em seco diante daquela atmosfera inesperada.
Os avaliadores não se importavam. Um silêncio desconfortável se instalou na sala por um bom tempo.
— Kron?
— Ah, sim!
— Responda apenas com ‘sim’.
— Sim!
— Seus pais não estão aqui?
— Não…
— Não fique nervoso. Não estou tentando te colocar em maus lençóis. Hmm, veio sozinho, então…
Era mentira. O avaliador dizia que não queria julgá-lo, mas sua expressão claramente demonstrava desaprovação. A boca de Kron secou.
O avaliador careca vasculhou os documentos. Depois de ler brevemente as informações do candidato, ergueu o olhar com uma expressão entediada. Era sufocante.
Enquanto Kron engolia em seco, a voz baixa do avaliador ecoou:
— O grande Rei de Makan, Sua Majestade Elijah Meyers… e Sua Majestade, a Rainha Ignet Meyers, disseram que a Produção de Cavaleiros 21 é uma seleção fora dos padrões. Sangue humilde, pobreza, origem em regiões subdesenvolvidas… Nenhuma dessas coisas deveria ser um obstáculo.
Kron manteve o olhar firme.
O avaliador careca entrelaçou as mãos e se inclinou para frente. Seu olhar afiado pesava ainda mais sobre Kron.
— Além disso… Acredito que essas coisas também não devem ser motivo de orgulho.
Ele continuou:
— Espero que não use sua má sorte como arma. Essa ideia podre de buscar simpatia… é completamente inaceitável para um cavaleiro. Entendeu?
— Entendi!
— Não fale demais.
— Ah, sim!
— Tsk. Aprende devagar.
— O que você espera? É um plebeu, ainda por cima órfão… Só aprende bem quem foi bem educado.
— Bem dito.
O clima na sala ficou ainda mais insuportável. Era inevitável, já que os dois avaliadores faziam questão disso. Eles tinham lido os documentos. Sabiam que o garoto à sua frente havia sido reprovado por pouco na avaliação final da Academia de Krono. Isso significava que Kron tinha habilidade suficiente para passar para a rodada principal da Produção de Cavaleiros 21, mas os avaliadores pensavam diferente.
“Selecionar alguém que fracassou numa outra escola de esgrima como representante do reino…”
“Impossível. Pela honra do reino, jamais.”
“Temos que reprová-lo de qualquer jeito.”
Era um absurdo, mas os dois avaliadores, orgulhosos demais, já haviam decidido. Kron não tinha nenhum apoio. Não tinha pais. E ainda por cima era um reprovado de outra academia.
Com a decisão tomada, o examinador de bigode falou em tom cortante:
— Muito bem. Já percebo que você não tem potencial algum… Mas serei misericordioso e darei uma chance de se redimir. Pense bem antes de responder à minha pergunta.
— Sim!
Será que Kron havia recuperado a compostura nesse meio tempo?
Ao ouvir a voz menos trêmula do garoto, o avaliador de bigode franziu o rosto, insatisfeito. Ainda assim, não importava. As perguntas a seguir eram extremamente abstratas, o que tornava fácil julgá-las de forma arbitrária. Não importava o que o garoto respondesse, planejavam encontrar alguma falha e reprová-lo.
Com a decisão tomada, o examinador liberou um pouco de sua aura. Ainda assim, o garoto não se intimidou.
“Hã?”
Mais irritado ainda, ele enfim fez sua pergunta:
— Candidato número 1001, Kron. Com que propósito… você treinou esgrima? E que esforços fez para isso?
Era uma pergunta simples, mas longe de ser fácil. Era abstrata, proposital, feita para servir à intenção do avaliador. Para respondê-la corretamente, era preciso reflexão, maturidade. E, como não havia resposta certa, era difícil encontrar palavras que agradassem a todos.
— Vamos. Responda. Rápido.
Três pares de olhos se voltaram para ele. A aura que emanava dos dois cavaleiros pressionava o garoto de catorze anos. O coração de Kron voltou a disparar. Suor escorria por suas costas e mãos sem que percebesse. Tensão, frustração, raiva e irritação borbulhavam dentro dele, alimentadas pelas atitudes abertamente hostis dos examinadores.
Mas não era o suficiente para arruinar tudo. Não era suficiente para impedi-lo de responder.
Primeiro, porque a aura de Airen Farreira, o diretor da Academia de Esgrima Krono, era muito mais intensa.
Segundo, porque ele jamais havia esquecido a resposta àquela pergunta. Nem por um instante.
Kron engoliu em seco e se dirigiu aos avaliadores:
— E-Eu…

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