Capítulo 17: Conexões Conectadas #LV
Nosso grupinho, agora sem Pionla, tenta pensar em uma forma de encontrá-la. Enquanto isso, eles ficam escondidos em um canto de um beco para não serem vistos pelos guardas.
— Se tivermos que achar ela, suponho que devemos encontrar um método melhor do que apenas fugir — Roseta se encosta na parede e olha para a entrada do beco para ver se não há ninguém vindo.
— Não dá pra pensar em algo diferente quando estamos nos escondendo das autoridades — Ré olha de canto de olho para Bauvalier, irritada. — O que foi, Bauvalier?
— Não é nada… é que ficar sem meus poderes é tão estranho — ele cruza os braços. — E minha maior pergunta é: como ela fez para tirar nossos poderes? Alguém mortal não deveria ter essa força.
Ele suspira.
— Além disso, sem meus poderes, mesmo sendo mais forte que todos aqui, eu não aguentaria a quantidade de autoridades que aquela louca da Opala mandou atrás da gente.
Roseta sorri levemente.
— Você aprende mais sobre suas habilidades com a espada quando não tem seus poderes divinos. Mesmo que você já seja bom com ela.
Ela olha para ele e depois para Ré.
— Então, junto comigo e com a Ré, nós não vamos abaixar a cabeça. Não é, senhor Bauvalier?
— É exatamente…
Ele abre um sorriso largo, já que não esperava um elogio vindo da Roseta.
De repente, a orelha de Ré se ergue em alerta.
Ela olha para o lado e vê uma pessoa tirando fotos. Uma câmera digital aponta diretamente para eles.
Ré dá um toque rápido nos outros e dispara em direção à pessoa.
Uma janela digital se abre atrás da pessoa, e ela flutua até lá.
Todos correm e entram também.
Eles caem no topo de um prédio e continuam correndo atrás dela.
— Ré, pela esquerda! — Bauvalier pega ela e a joga contra uma parede, onde ela usa o impacto para se impulsionar ainda mais perto da pessoa.
A pessoa cria uma janela na frente dela.
Mas Ré para antes de entrar.
Ela salta por cima da janela e dá uma voadora, derrubando a pessoa no chão.
Quando a pessoa tenta se levantar, vê Bauvalier e Roseta com as armas apontadas para ela.
Ré se aproxima e puxa o capuz que cobria o rosto da pessoa.
Era uma garota jovem, tremendo de medo.
— Não me matem, por favor… — a voz dela treme. — Eu juro, é minha primeira vez aqui fora… eu não posso morrer no meu aniversário, né?
O olhar dela parece completamente perdido.
Bauvalier guarda a espada.
— Não vamos te matar… a menos que você não colabore. Ou seja algum espião daquela Opala.
Ele cruza os braços.
— Ré viu você tirando fotos. Queremos ver se você não tirou nenhuma nossa.
— Claro… toma aqui.
Ela abre a galeria da câmera digital, criando uma pequena janela de imagens ao lado.
Eles conferem.
As fotos são apagadas.
— Já resolvemos. Então vamos voltar para o nosso canto — Ré se alonga, debochada. — Não tô afim de morrer em praça pública. Vamos.
— Esperem…
A jovem se levanta, batendo a poeira das roupas.
— Vocês falaram da Opala?
— Sim — Bauvalier responde, começando a se irritar. — Provavelmente você conhece. Ela meio que está passando um vídeo dizendo que somos super perigosos.
— Claro que eu conheço ela. Ela é minha mãe… quer dizer, minha mãe é a Charmomilla. Mas desde que ela perdeu a cabeça, ela ganhou esse vulgo. Eu sou Locista Amaurobius — ela diz olhando para baixo. — E suponho que vocês sejam nosso rei, uma Rose e uma guarda da cavalaria de nossa rainha Pionla. Suas aventuras correm pela internet.
— Que reviravolta… não que surpreenda alguém como a presidente de Simulacrum ser forte — Roseta diz guardando a rapieira.
— Independente de quem ela é, ninguém a não ser um deus acima de nós poderia fazer isso — Bauvalier responde.
— Oh… então aquele carretel era isso… droga — a menina diz com a voz baixa.
— Carretel? — Ré pergunta, curiosa.
— Hm…
— Desembucha, garota. Que carretel? — Bauvalier diz, estressado.
— Há pouco tempo voltamos… mais ou menos um ano e pouco. Minha mãe encontrou esse carretel. Ele tinha uma energia infinita… infinita para manter Simulacrum. Mas uma dama de vermelho veio e disse algo à minha mãe. Eu não lembro o que ela falou… mas depois disso minha mãe começou a usar o poder do próprio carretel. E aí ela começou a ficar assim…
A voz dela sai quase como um sussurro — algo do passado que ela claramente não gostaria de relembrar.
— Sinto muito pela sua mãe… mas provavelmente esse é o artefato. Como conseguiremos pegar dela? Locista, você sabe onde ela fica com o carretel? — Roseta pergunta.
A menina aponta para a própria cintura.
— Certo… não será nada fácil.
— Estamos enfrentando alguém com o poder de uma deusa, Pionla se perdeu e estamos sem magia. O que mais pode piorar agora? — Bauvalier diz, incrédulo.
Um barulho alto começa.
Fios começam a surgir por várias partes.
— Tá aí o pior, Bauvalier, que você falou — Ré anda um pouco para ficar longe dos fios.
Vários fios começam a formar quase um círculo em volta deles.
— Acho melhor reagirmos! — Roseta, com um golpe rápido, corta os fios.
Mas eles se multiplicam e começam a avançar em direção a eles.
Locista bate a palma no chão.
Uma janela digital se abre e todos entram rapidamente. Ela fecha logo em seguida para os fios não seguirem.
Todos caem no chão de um quarto com um carpete peludinho.
— Foi por pouco… valeu, garotinha — Ré diz se levantando do chão.
— Mas por que você fez isso? — Roseta se aproxima da jovem. — Por que nos salvar?
Locista passa a mão por um painel, e as luzes do quartinho se acendem.
— Ajudei porque queremos coisas semelhantes. Vocês querem o artefato… e eu quero minha mãe normal.
Ela se senta em uma cadeira giratória.
— Não virei adulta hoje para desperdiçar uma oportunidade tão boa como essa.
— E por que você acha que vamos deixar você ajudar nessa missão? — Bauvalier diz enquanto se senta em um sofá de energia.
— Porque recusar ajuda, principalmente quando eu ouvi você dizendo que estão sem magia, não parece muito inteligente. Mais ajuda é sempre bem-vinda… ou não?
Ela diz isso com um sorriso gentil.
Roseta se senta ao lado de Bauvalier e coloca a espada ao seu lado.
— Infelizmente ela está certa. Negar ajuda nessa situação é bem negativo… e pode até atrasar a resolução disso.
— Certo, você está certa, Roseta — ele dá um sorrisinho quando Roseta se senta ao lado dele. — Mas como você vai nos ajudar, garotinha?
— Que bom que perguntou — Locista sorri passando a mão no ar, criando uma janela eletrônica com várias imagens de vários lugares. — Eu também escutei que perderam nossa rainha Pionla, então é bom começar a procurar.
Todos se aproximam para ver.
— Não tô vendo ela… e vocês viram? — Ré se aproxima mais para conferir se não estava se enganando.
— Receio que também não vi madame Pionla. Provavelmente ela se escondeu, como nós fizemos — Roseta se afasta um pouco para pensar em algo.
— Essas câmeras são só das ruas. Seria muito imprudente ela andar por aí sendo procurada como nós — Bauvalier olha ao redor. — E outra coisa… onde exatamente você trouxe a gente? Parece tão… como minha irmã diria… brega.
— Eu decorei isso quando tinha 12 anos. É óbvio que seria brega — ela responde. — Mas eu trouxe vocês para o meu esconderijo. Minha mãe nunca me deixou sozinha por medo de algo acontecer, então eu achei esse lugar para ficar sozinha. Depois virou meio que minha base de pesquisa e meu laboratório de baixo custo.
Ré anda pelo lugarzinho.
— Você também gosta das músicas da Tulipán?
Ela aponta para um cartaz de uma bailarina de brinquedo cantando com um microfone de lapela.
— É claro! Como não gostar da melhor cantora de Ort Jouet… e de todo o País Cenográfico! — Locista diz animada.
— Acho que esse não é o assunto, meninas. Vamos focar — Bauvalier comenta.
— Não seja tão chatão, Bauvalier. Pensa aí em um plano, e eu vou falar com essa aqui. Ela atingiu meu ponto de fã — Ré se encosta perto de Locista. — Então vamos tirar o elefante da sala: Lua do Amanhã ou Terras de Brincadeira?
— Óbvio, Terras de Brincadeira — Locista sorri.
Ré sorri ainda mais.
Bauvalier se aproxima de Roseta.
— Pelo jeito perdemos a Ré… mas e você, Roseta? Já pensou em algo?
— Tive uma ideia. Vocês ainda são deuses, então devem manter a mesma aura de energia. Então, com certeza, se essa menina for tão inteligente quanto eu suspeito que seja, ela vai conseguir construir algo do tipo facilmente.
— Realmente… mas acho que por agora nem Locista nem Ré vão parar de falar dessa cantora. Talvez devêssemos relaxar enquanto isso.
Bauvalier chega perto da TV e liga.
O jornal estava passando.
— Notícia de última hora: alguém jogou um coquetel molotov no centro, especificamente nas placas de procurados. As autoridades disseram que vão encontrar quem fez tal ato de terrorismo.
O jornal estava em edição especial.
— Que estranho… quem faria isso? — Roseta se senta para ver a notícia.
— Para mim pouco importa, já que isso tira a atenção de nós — Bauvalier responde.
— Não fale assim, Bauvalier… mas de certo modo você tem razão. Mesmo assim eu me preocupo. Se for alguém louco, pode fazer algo pior.
— Isso deve ser só coisa da Opala para aumentar o medo na população — Bauvalier se senta ao lado dela.
— Não sei… (bocejo)… espero que não seja nada ruim…
Os olhos dela se forçam a ficar abertos.
— Pelo jeito você também está cansada…
Bauvalier toma um susto quando ela se encosta no ombro dele e adormece.
— Ro… tudo bem…
Ele treme nervoso e sorri.
— Durma bem… meu bem.
a voz é calma.

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