Nosso grupinho, agora sem Pionla, tenta pensar em uma forma de encontrá-la. Enquanto isso, eles ficam escondidos em um canto de um beco para não serem vistos pelos guardas.

    — Se tivermos que achar ela, suponho que devemos encontrar um método melhor do que apenas fugir — Roseta se encosta na parede e olha para a entrada do beco para ver se não há ninguém vindo.

    — Não dá pra pensar em algo diferente quando estamos nos escondendo das autoridades — Ré olha de canto de olho para Bauvalier, irritada. — O que foi, Bauvalier?

    — Não é nada… é que ficar sem meus poderes é tão estranho — ele cruza os braços. — E minha maior pergunta é: como ela fez para tirar nossos poderes? Alguém mortal não deveria ter essa força.

    Ele suspira.

    — Além disso, sem meus poderes, mesmo sendo mais forte que todos aqui, eu não aguentaria a quantidade de autoridades que aquela louca da Opala mandou atrás da gente.

    Roseta sorri levemente.

    — Você aprende mais sobre suas habilidades com a espada quando não tem seus poderes divinos. Mesmo que você já seja bom com ela.

    Ela olha para ele e depois para Ré.

    — Então, junto comigo e com a Ré, nós não vamos abaixar a cabeça. Não é, senhor Bauvalier?

    — É exatamente…

    Ele abre um sorriso largo, já que não esperava um elogio vindo da Roseta.

    De repente, a orelha de Ré se ergue em alerta.

    Ela olha para o lado e vê uma pessoa tirando fotos. Uma câmera digital aponta diretamente para eles.

    Ré dá um toque rápido nos outros e dispara em direção à pessoa.

    Uma janela digital se abre atrás da pessoa, e ela flutua até lá.

    Todos correm e entram também.

    Eles caem no topo de um prédio e continuam correndo atrás dela.

    — Ré, pela esquerda! — Bauvalier pega ela e a joga contra uma parede, onde ela usa o impacto para se impulsionar ainda mais perto da pessoa.

    A pessoa cria uma janela na frente dela.

    Mas Ré para antes de entrar.

    Ela salta por cima da janela e dá uma voadora, derrubando a pessoa no chão.

    Quando a pessoa tenta se levantar, vê Bauvalier e Roseta com as armas apontadas para ela.

    Ré se aproxima e puxa o capuz que cobria o rosto da pessoa.

    Era uma garota jovem, tremendo de medo.

    — Não me matem, por favor… — a voz dela treme. — Eu juro, é minha primeira vez aqui fora… eu não posso morrer no meu aniversário, né?

    O olhar dela parece completamente perdido.

    Bauvalier guarda a espada.

    — Não vamos te matar… a menos que você não colabore. Ou seja algum espião daquela Opala.

    Ele cruza os braços.

    — Ré viu você tirando fotos. Queremos ver se você não tirou nenhuma nossa.

    — Claro… toma aqui.

    Ela abre a galeria da câmera digital, criando uma pequena janela de imagens ao lado.

    Eles conferem.

    As fotos são apagadas.

    — Já resolvemos. Então vamos voltar para o nosso canto — Ré se alonga, debochada. — Não tô afim de morrer em praça pública. Vamos.

    — Esperem…

    A jovem se levanta, batendo a poeira das roupas.

    — Vocês falaram da Opala?

    — Sim — Bauvalier responde, começando a se irritar. — Provavelmente você conhece. Ela meio que está passando um vídeo dizendo que somos super perigosos.

    — Claro que eu conheço ela. Ela é minha mãe… quer dizer, minha mãe é a Charmomilla. Mas desde que ela perdeu a cabeça, ela ganhou esse vulgo. Eu sou Locista Amaurobius — ela diz olhando para baixo. — E suponho que vocês sejam nosso rei, uma Rose e uma guarda da cavalaria de nossa rainha Pionla. Suas aventuras correm pela internet.

    — Que reviravolta… não que surpreenda alguém como a presidente de Simulacrum ser forte — Roseta diz guardando a rapieira.

    — Independente de quem ela é, ninguém a não ser um deus acima de nós poderia fazer isso — Bauvalier responde.

    — Oh… então aquele carretel era isso… droga — a menina diz com a voz baixa.

    — Carretel? — Ré pergunta, curiosa.

    — Hm…

    — Desembucha, garota. Que carretel? — Bauvalier diz, estressado.

    — Há pouco tempo voltamos… mais ou menos um ano e pouco. Minha mãe encontrou esse carretel. Ele tinha uma energia infinita… infinita para manter Simulacrum. Mas uma dama de vermelho veio e disse algo à minha mãe. Eu não lembro o que ela falou… mas depois disso minha mãe começou a usar o poder do próprio carretel. E aí ela começou a ficar assim…

    A voz dela sai quase como um sussurro — algo do passado que ela claramente não gostaria de relembrar.

    — Sinto muito pela sua mãe… mas provavelmente esse é o artefato. Como conseguiremos pegar dela? Locista, você sabe onde ela fica com o carretel? — Roseta pergunta.

    A menina aponta para a própria cintura.

    — Certo… não será nada fácil.

    — Estamos enfrentando alguém com o poder de uma deusa, Pionla se perdeu e estamos sem magia. O que mais pode piorar agora? — Bauvalier diz, incrédulo.

    Um barulho alto começa.

    Fios começam a surgir por várias partes.

    — Tá aí o pior, Bauvalier, que você falou — Ré anda um pouco para ficar longe dos fios.

    Vários fios começam a formar quase um círculo em volta deles.

    — Acho melhor reagirmos! — Roseta, com um golpe rápido, corta os fios.

    Mas eles se multiplicam e começam a avançar em direção a eles.

    Locista bate a palma no chão.

    Uma janela digital se abre e todos entram rapidamente. Ela fecha logo em seguida para os fios não seguirem.

    Todos caem no chão de um quarto com um carpete peludinho.

    — Foi por pouco… valeu, garotinha — Ré diz se levantando do chão.

    — Mas por que você fez isso? — Roseta se aproxima da jovem. — Por que nos salvar?

    Locista passa a mão por um painel, e as luzes do quartinho se acendem.

    — Ajudei porque queremos coisas semelhantes. Vocês querem o artefato… e eu quero minha mãe normal.

    Ela se senta em uma cadeira giratória.

    — Não virei adulta hoje para desperdiçar uma oportunidade tão boa como essa.

    — E por que você acha que vamos deixar você ajudar nessa missão? — Bauvalier diz enquanto se senta em um sofá de energia.

    — Porque recusar ajuda, principalmente quando eu ouvi você dizendo que estão sem magia, não parece muito inteligente. Mais ajuda é sempre bem-vinda… ou não?

    Ela diz isso com um sorriso gentil.

    Roseta se senta ao lado de Bauvalier e coloca a espada ao seu lado.

    — Infelizmente ela está certa. Negar ajuda nessa situação é bem negativo… e pode até atrasar a resolução disso.

    — Certo, você está certa, Roseta — ele dá um sorrisinho quando Roseta se senta ao lado dele. — Mas como você vai nos ajudar, garotinha?

    — Que bom que perguntou — Locista sorri passando a mão no ar, criando uma janela eletrônica com várias imagens de vários lugares. — Eu também escutei que perderam nossa rainha Pionla, então é bom começar a procurar.

    Todos se aproximam para ver.

    — Não tô vendo ela… e vocês viram? — Ré se aproxima mais para conferir se não estava se enganando.

    — Receio que também não vi madame Pionla. Provavelmente ela se escondeu, como nós fizemos — Roseta se afasta um pouco para pensar em algo.

    — Essas câmeras são só das ruas. Seria muito imprudente ela andar por aí sendo procurada como nós — Bauvalier olha ao redor. — E outra coisa… onde exatamente você trouxe a gente? Parece tão… como minha irmã diria… brega.

    — Eu decorei isso quando tinha 12 anos. É óbvio que seria brega — ela responde. — Mas eu trouxe vocês para o meu esconderijo. Minha mãe nunca me deixou sozinha por medo de algo acontecer, então eu achei esse lugar para ficar sozinha. Depois virou meio que minha base de pesquisa e meu laboratório de baixo custo.

    Ré anda pelo lugarzinho.

    — Você também gosta das músicas da Tulipán?

    Ela aponta para um cartaz de uma bailarina de brinquedo cantando com um microfone de lapela.

    — É claro! Como não gostar da melhor cantora de Ort Jouet… e de todo o País Cenográfico! — Locista diz animada.

    — Acho que esse não é o assunto, meninas. Vamos focar — Bauvalier comenta.

    — Não seja tão chatão, Bauvalier. Pensa aí em um plano, e eu vou falar com essa aqui. Ela atingiu meu ponto de fã — Ré se encosta perto de Locista. — Então vamos tirar o elefante da sala: Lua do Amanhã ou Terras de Brincadeira?

    — Óbvio, Terras de Brincadeira — Locista sorri.

    Ré sorri ainda mais.

    Bauvalier se aproxima de Roseta.

    — Pelo jeito perdemos a Ré… mas e você, Roseta? Já pensou em algo?

    — Tive uma ideia. Vocês ainda são deuses, então devem manter a mesma aura de energia. Então, com certeza, se essa menina for tão inteligente quanto eu suspeito que seja, ela vai conseguir construir algo do tipo facilmente.

    — Realmente… mas acho que por agora nem Locista nem Ré vão parar de falar dessa cantora. Talvez devêssemos relaxar enquanto isso.

    Bauvalier chega perto da TV e liga.

    O jornal estava passando.

    — Notícia de última hora: alguém jogou um coquetel molotov no centro, especificamente nas placas de procurados. As autoridades disseram que vão encontrar quem fez tal ato de terrorismo.

    O jornal estava em edição especial.

    — Que estranho… quem faria isso? — Roseta se senta para ver a notícia.

    — Para mim pouco importa, já que isso tira a atenção de nós — Bauvalier responde.

    — Não fale assim, Bauvalier… mas de certo modo você tem razão. Mesmo assim eu me preocupo. Se for alguém louco, pode fazer algo pior.

    — Isso deve ser só coisa da Opala para aumentar o medo na população — Bauvalier se senta ao lado dela.

    — Não sei… (bocejo)… espero que não seja nada ruim…

    Os olhos dela se forçam a ficar abertos.

    — Pelo jeito você também está cansada…

    Bauvalier toma um susto quando ela se encosta no ombro dele e adormece.

    — Ro… tudo bem…

    Ele treme nervoso e sorri.

    — Durma bem… meu bem.

    a voz é calma.

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