Pionla pega a carta dourada e a lança contra a máscara partida.

    Assim que o papel toca a superfície, ecoam três batidinhas na porta.

    Tok. Tok. Tok.

    — Quem é? — Pionla questiona, já em alerta.

    — É a polícia federal.

    Uma garota jovem atravessa a porta como se ela nem existisse. Cabelos azuis curtos, um chapéu oriental marcado com os dizeres em chinês “Mil Faces”.

    Ela sorri.

    — Brincadeira. Sou eu mesma.

    Ela para diante deles.

    — Tia Rimuru — os irmãos dizem ao mesmo tempo.

    — É bom ver todos vocês… e seus amiguinhos também — ela responde com um sorriso divertido. — Esse corpo é mais novo do que minha forma normal. Depois de tomar o lugar de Carmesina, dá uma canseira…

    — Mas como você está aqui e, ao mesmo tempo, dormindo? — Pionla pergunta, desconfiada.

    — Meu poder ainda se manifesta. Então eu tô meio que aqui… e lá — Rimuru explica com naturalidade.

    — Se você ainda é você, e não um eco, então pode nos ajudar. Já que você é a atual deusa da maldade — Bauvalier diz, com esperança contida.

    Sorry, mas não dá. Eu meio que ainda tô dormindo. E tem outra coisinha bem pequenininha… eu já meio que sei tudo que vai acontecer no futuro. Então não posso afetar essa parte. É vocês e vocês.

    Ela tenta manter uma expressão séria.

    **Ênfase no tenta** — O narrador diz

    Ela cruza os braços.

    — Ênfase é o caramba, escutou?

    Roseta se inclina levemente para Pionla.

    — Com quem ela tá falando?

    — Eu também não sei… ela é meio… — Pionla gira o dedo ao lado da cabeça.

    Rimuru vira o rosto para o vazio.

    — Eu estava falando com alguém que ninguém vê. Mas ele sabe que eu sei que ele está aí.
    E pra você — ela aponta para o nada — **Rimuru segue o roteiro** — disse o narrador

    Ela faz uma pausa dramática.

    — Eu não obedeço nem minha mãe. Quem é você pra mandar eu seguir roteiro?

    Bauvalier olha para Pionla.

    — Foi isso que nossa mãe quis dizer quando falou que a tia Rimuru não batia muito bem da cabeça?

    Pionla suspira.

    — Talvez.

    — Depois a gente discute mais, eu tenho que ajudar meus sobrinhos. E lembrei… vocês vieram pegar o artefato, né? — Rimuru fala tranquila.

    — Sim… — os gêmeos respondem, sem colocar muita fé nela.

    — Ok. Eu podia ser chata que nem a Orfelha, mas eu não sou. Então vou dar a máscara na boassa… — ela diz, mas para por um momento, lembrando de algo.

    — Pelo menos vai ser fácil dessa vez, sem ameaça de morte que nem da última — Ré comenta, roçando a nuca.

    — Sim! — Rimuru começa animada, mas logo muda o tom. — **O que você está tentando fazer, Rimuru?** — O narrador questiona
    *Preciso da Pionla sozinha, preciso falar com ela* — Disse ela a ele

    Ela volta ao normal no mesmo segundo.

    — Olhem, já que eu estou aqui, vocês podiam conversar mais com a titia, né?

    — Senhorita Rimuru, você foi quem deu a máscara que fez o circo existir? — Euphoy pergunta.

    — Sim. Mas, na realidade, foi sem querer. Eu não sabia que ele ia explodir. Quem iria imaginar que alguém ia explodir do nada? — Rimuru responde com um risinho leve demais para o assunto.

    — Nós até gostaríamos de conversar, mas precisamos realmente ir — Bauvalier diz sério.

    — Certo… então podem pegar.

    Rimuru segura a máscara e, sem aviso, bate na cara de Pionla.

    O mundo some.

    A mente de Pionla e a de Rimuru são puxadas para um lugar diferente — vazio, silencioso, distante.

    — Onde eu tô, tia?

    — Estamos em um lugar privado para eu te dizer algo. Mas não confunda o que vou dizer com maldade.

    Rimuru coloca uma pequena caixinha na mão de Pionla.

    — O que é isso? — ela pergunta, confusa.

    — Isso é um mimo da tia. Aí dentro estão todos os desastres ou chuvas que iriam atrapalhar vocês nas viagens. Mas não se preocupe, isso não vai afetar o clima geral nem causar secas que matem pessoas. É algo direcionado.

    Ela respira fundo.

    — Sério… me vê dizer tudo isso com quase nada de vírgula…

    Pionla olha para a caixa.

    — Tá, mas precisava me trazer aqui só pra entregar isso? Não que eu seja mal-agradecida, mas…

    — Tem outro motivo.

    Rimuru fica séria.

    — Eu preciso que você não diga o que realmente tem dentro da caixa. Preciso que diga que isso é uma caixa que revela qualquer mentira.

    Pionla franze o cenho.

    — Mas por quê?

    — Porque sempre é bom saber se tem alguém em quem você não pode confiar. Esse é o único jeito de você levar minha máscara.

    Rimuru sorri, mas não parece brincadeira dessa vez.

    — Mas se alguém abrir isso, não vai soltar tudo que tá aqui dentro? — Pionla questiona, assustada.

    — É alto risco e alta recompensa. Mas por que temer? Se ninguém abrir, vai estar tudo bem.

    — Certo…

    As mentes das duas retornam.
    Para os outros, passou apenas um microssegundo.
    Para elas, foram alguns minutos de conversa.

    — Adeus, meus sobrinhos. — Rimuru abraça os dois bem forte. — E tchau para vocês outros também.

    Ela começa a desaparecer, já que sua missão de entregar o artefato havia sido concluída. Mas algo a faz parar.

    Rimuru sente.

    Uma máscara surge em sua mão. Ela a coloca no rosto e se transforma em uma donzela de corpo metálico e cabelos loiros, empunhando duas espadas.

    Com movimentos rápidos, ela corta as criaturas mascaradas que estavam prestes a capturar todos ali.

    Em seguida, se destransforma.

    — Tchaaau! — ela acena com a mão, entra pela porta e a máscara bate com força, liberando um brilho intenso que atravessa o portal antes de tudo se fechar.

    Silêncio.

    — O que é essa caixa? — Ré pergunta, já tentando pegar.

    Pionla segura firme.

    — Tia Rimuru disse que é uma caixa que revela qualquer mentira. Então aqui dentro estaria qualquer mentira que nós poderíamos contar. Vamos abrir juntos depois, para ver se tem alguém mentindo.

    Ela diz com convicção — mesmo sabendo da verdade.

    — Que estranho… Tia Rimuru nunca foi de ser tão direta assim. Não é muito do feitio dela — Bauvalier comenta, tentando pegar a caixa, mas Pionla afasta.

    — Vamos ver isso no caminho para o próximo destino.

    Pionla tira a máscara do rosto e pega um papelzinho, lendo em voz alta:

    “Estou onde tudo é conectado, mas nada é real, só uma repetição mal produzida.”

    — Não me recordo de nada assim no momento… e você, Euphoy? — Roseta pergunta.

    — Sem ideia. Mas tenho uma teoria… só que essa andança toda tá me dando sono.

    — Realmente está dando sono — Bauvalier boceja.

    — Se quiserem, posso pedir para meus funcionários arrumarem um quarto para vocês dormirem essa noite — Euphoy sugere tranquila.

    — Seria ótimo. Um lugar mais confortável que aquele buraco — Pionla sorri levemente.

    Eles caminham até os quartos.

    Despedem-se e cada um vai para o seu.

    No quarto silencioso, Pionla senta na penteadeira.
    Começa a escovar o cabelo.

    Uma lágrima cai.

    Ela seca.

    Continua penteando.

    Outra lágrima escapa.

    Respira fundo.

    Escova mais algumas vezes.

    Depois vai até a cama, coloca o chapéu sobre o rosto e fecha os olhos.

    Uma última lágrima escorre antes do silêncio tomar conta.

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