Capítulo 9: Máscara no Rosto da Atriz
Pionla pega a carta dourada e a lança contra a máscara partida.
Assim que o papel toca a superfície, ecoam três batidinhas na porta.
Tok. Tok. Tok.
— Quem é? — Pionla questiona, já em alerta.
— É a polícia federal.
Uma garota jovem atravessa a porta como se ela nem existisse. Cabelos azuis curtos, um chapéu oriental marcado com os dizeres em chinês “Mil Faces”.
Ela sorri.
— Brincadeira. Sou eu mesma.
Ela para diante deles.
— Tia Rimuru — os irmãos dizem ao mesmo tempo.
— É bom ver todos vocês… e seus amiguinhos também — ela responde com um sorriso divertido. — Esse corpo é mais novo do que minha forma normal. Depois de tomar o lugar de Carmesina, dá uma canseira…
— Mas como você está aqui e, ao mesmo tempo, dormindo? — Pionla pergunta, desconfiada.
— Meu poder ainda se manifesta. Então eu tô meio que aqui… e lá — Rimuru explica com naturalidade.
— Se você ainda é você, e não um eco, então pode nos ajudar. Já que você é a atual deusa da maldade — Bauvalier diz, com esperança contida.
— Sorry, mas não dá. Eu meio que ainda tô dormindo. E tem outra coisinha bem pequenininha… eu já meio que sei tudo que vai acontecer no futuro. Então não posso afetar essa parte. É vocês e vocês.
Ela tenta manter uma expressão séria.
**Ênfase no tenta** — O narrador diz
Ela cruza os braços.
— Ênfase é o caramba, escutou?
Roseta se inclina levemente para Pionla.
— Com quem ela tá falando?
— Eu também não sei… ela é meio… — Pionla gira o dedo ao lado da cabeça.
Rimuru vira o rosto para o vazio.
— Eu estava falando com alguém que ninguém vê. Mas ele sabe que eu sei que ele está aí.
E pra você — ela aponta para o nada — **Rimuru segue o roteiro** — disse o narrador
Ela faz uma pausa dramática.
— Eu não obedeço nem minha mãe. Quem é você pra mandar eu seguir roteiro?
Bauvalier olha para Pionla.
— Foi isso que nossa mãe quis dizer quando falou que a tia Rimuru não batia muito bem da cabeça?
Pionla suspira.
— Talvez.
— Depois a gente discute mais, eu tenho que ajudar meus sobrinhos. E lembrei… vocês vieram pegar o artefato, né? — Rimuru fala tranquila.
— Sim… — os gêmeos respondem, sem colocar muita fé nela.
— Ok. Eu podia ser chata que nem a Orfelha, mas eu não sou. Então vou dar a máscara na boassa… — ela diz, mas para por um momento, lembrando de algo.
— Pelo menos vai ser fácil dessa vez, sem ameaça de morte que nem da última — Ré comenta, roçando a nuca.
— Sim! — Rimuru começa animada, mas logo muda o tom. — **O que você está tentando fazer, Rimuru?** — O narrador questiona
*Preciso da Pionla sozinha, preciso falar com ela* — Disse ela a ele
Ela volta ao normal no mesmo segundo.
— Olhem, já que eu estou aqui, vocês podiam conversar mais com a titia, né?
— Senhorita Rimuru, você foi quem deu a máscara que fez o circo existir? — Euphoy pergunta.
— Sim. Mas, na realidade, foi sem querer. Eu não sabia que ele ia explodir. Quem iria imaginar que alguém ia explodir do nada? — Rimuru responde com um risinho leve demais para o assunto.
— Nós até gostaríamos de conversar, mas precisamos realmente ir — Bauvalier diz sério.
— Certo… então podem pegar.
Rimuru segura a máscara e, sem aviso, bate na cara de Pionla.
O mundo some.
A mente de Pionla e a de Rimuru são puxadas para um lugar diferente — vazio, silencioso, distante.
— Onde eu tô, tia?
— Estamos em um lugar privado para eu te dizer algo. Mas não confunda o que vou dizer com maldade.
Rimuru coloca uma pequena caixinha na mão de Pionla.
— O que é isso? — ela pergunta, confusa.
— Isso é um mimo da tia. Aí dentro estão todos os desastres ou chuvas que iriam atrapalhar vocês nas viagens. Mas não se preocupe, isso não vai afetar o clima geral nem causar secas que matem pessoas. É algo direcionado.
Ela respira fundo.
— Sério… me vê dizer tudo isso com quase nada de vírgula…
Pionla olha para a caixa.
— Tá, mas precisava me trazer aqui só pra entregar isso? Não que eu seja mal-agradecida, mas…
— Tem outro motivo.
Rimuru fica séria.
— Eu preciso que você não diga o que realmente tem dentro da caixa. Preciso que diga que isso é uma caixa que revela qualquer mentira.
Pionla franze o cenho.
— Mas por quê?
— Porque sempre é bom saber se tem alguém em quem você não pode confiar. Esse é o único jeito de você levar minha máscara.
Rimuru sorri, mas não parece brincadeira dessa vez.
— Mas se alguém abrir isso, não vai soltar tudo que tá aqui dentro? — Pionla questiona, assustada.
— É alto risco e alta recompensa. Mas por que temer? Se ninguém abrir, vai estar tudo bem.
— Certo…
As mentes das duas retornam.
Para os outros, passou apenas um microssegundo.
Para elas, foram alguns minutos de conversa.
— Adeus, meus sobrinhos. — Rimuru abraça os dois bem forte. — E tchau para vocês outros também.
Ela começa a desaparecer, já que sua missão de entregar o artefato havia sido concluída. Mas algo a faz parar.
Rimuru sente.
Uma máscara surge em sua mão. Ela a coloca no rosto e se transforma em uma donzela de corpo metálico e cabelos loiros, empunhando duas espadas.
Com movimentos rápidos, ela corta as criaturas mascaradas que estavam prestes a capturar todos ali.
Em seguida, se destransforma.
— Tchaaau! — ela acena com a mão, entra pela porta e a máscara bate com força, liberando um brilho intenso que atravessa o portal antes de tudo se fechar.
Silêncio.
— O que é essa caixa? — Ré pergunta, já tentando pegar.
Pionla segura firme.
— Tia Rimuru disse que é uma caixa que revela qualquer mentira. Então aqui dentro estaria qualquer mentira que nós poderíamos contar. Vamos abrir juntos depois, para ver se tem alguém mentindo.
Ela diz com convicção — mesmo sabendo da verdade.
— Que estranho… Tia Rimuru nunca foi de ser tão direta assim. Não é muito do feitio dela — Bauvalier comenta, tentando pegar a caixa, mas Pionla afasta.
— Vamos ver isso no caminho para o próximo destino.
Pionla tira a máscara do rosto e pega um papelzinho, lendo em voz alta:
“Estou onde tudo é conectado, mas nada é real, só uma repetição mal produzida.”
— Não me recordo de nada assim no momento… e você, Euphoy? — Roseta pergunta.
— Sem ideia. Mas tenho uma teoria… só que essa andança toda tá me dando sono.
— Realmente está dando sono — Bauvalier boceja.
— Se quiserem, posso pedir para meus funcionários arrumarem um quarto para vocês dormirem essa noite — Euphoy sugere tranquila.
— Seria ótimo. Um lugar mais confortável que aquele buraco — Pionla sorri levemente.
Eles caminham até os quartos.
Despedem-se e cada um vai para o seu.
No quarto silencioso, Pionla senta na penteadeira.
Começa a escovar o cabelo.
Uma lágrima cai.
Ela seca.
Continua penteando.
Outra lágrima escapa.
Respira fundo.
Escova mais algumas vezes.
Depois vai até a cama, coloca o chapéu sobre o rosto e fecha os olhos.
Uma última lágrima escorre antes do silêncio tomar conta.

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