A senhora mal conseguia andar com as suas pernas bambas, ela precisava de apoio para chegar no carro, sendo quase que carregada o caminho todo pelo seu filho e pela André, enquanto a Giulia abria o caminho para eles passarem sem dificuldades.

    O fusca não era o mais potente, mas, mesmo assim, André acelerou o máximo que pode.

    — Falta pouco para nós chegarmos ao pronto socorro — avisou Giulia, ao pararem no semáforo vermelho. — Aguenta firme.

    — Ouviu mãe?! Estamos quase lá.

    A mãe dele estava quase desmaiando, mas, mesmo assim, as enfermeiras que atendiam todos que entravam a colocaram na espera como se ela estivesse apenas com uma gripe forte, deixando Noah enfurecido com toda aquela situação, quase fazendo um estardalhaço depois de tanto implorar por conta de todo o desespero.

    Por fim, antes que perdesse a cabeça, a atendente mudou de ideia. Ela não estava comovida com a situação e dava para ver nos seus olhos, tudo o que queria era acabar com o todo aquele barulho que ele estava fazendo.

    Logo passaram pelos procedimentos padrões do hospital, após ultrapassarem a enorme quantidade de pessoas esperando serem atendidas.

    Eles se sentaram em frente a generalista, quem avaliava cada um dos pacientes e fazia o encaminhamento para um certo tipo de especialista, e, Noah, falando por sua mãe, contou o que estava acontecendo, então a médica verificou a pressão, os globos oculares, seus reflexos e o seu tempo de reação.

    A situação estava ainda pior do que ele esperava, por conta disso internaram-na no hospital para que pudesse passar por todos os devidos exames, algo que lhe parecia estar sendo feito na má vontade da maioria dos profissionais dentro daquele pronto atendimento, porém, como se sentia com as mãos atadas, apenas se calou sentado bem ao lado do quarto em que sua mãe estava, enquanto aguardava os resultados.

    — Acalme-se, Noah, vai ficar tudo bem, ela é mais forte do que aparenta e você sabe bem disso. Ela já foi internada antes e no final voltou para casa… — disse Giulia, tentando tranquilizá-lo, enquanto ambas o abraçavam.

    — Quando ela voltar faremos uma festa tão grande que vai entrar no livro dos recordes mundiais — brincou André, na esperança de conseguir tirar um sorriso dele.

    — Obrigado, por isso vocês são as minhas melhores amigas, e eu sei que ela é forte, que a verei igual a todas as manhãs, mas é que ela já lutou tanto por mim, enquanto eu não consigo fazer nada para ajudá-la. Eu me sinto tão… impotente.

    Levou quase três horas para finalmente ter a tão esperada resposta, tudo isso para no fim descobrir que sua mãe tinha câncer no cérebro, no qual era a causa de todos os problemas dela, principalmente a perda de memória que piorava cada vez mais, independentemente dos remédios que ela tomava. Para piorar, o tumor se encontrava no terceiro estágio.

    — Infelizmente não podemos fazer muita coisa por ela, cuidar de um câncer exige um tratamento e cuidado adequado, de equipamentos adequados para a pessoa ter a chance de sobreviver, e nós não contemos os equipamentos necessários para lidar com tal ocasião — contou o médico. — Se você quiser, têm um hospital, numa cidade vizinha, especializado nesse tipo de tratamento, mas vou logo te avisando de que os valores não são nada amigáveis. De qualquer forma, eu anotei o endereço de lá e o telefone nesse cartão — avisou enquanto lhe entregava. — Boa sorte a vocês, isso não é algo fácil de se lidar. E até que você resolva isso, nós cuidaremos dela, apesar de não podermos fazer muita coisa.

    — Entendi, muito obrigado, doutor.

    — Vamos, Noah. Você precisa comer alguma coisa, você sequer tomou café da manhã — avisou André, o apressando.

    Do hospital seguiram direto para uma pastelaria ao ar livre, que ficava entre duas ruas. Era um lugar agradável apesar da localização, já que não havia muito movimento, além do preço ser relativamente baixo.

    O clima não era o mais agradável, nem quem os atendia se sentia confortável de olhar para os olhos tristonhos de Noah, que não havia dado nenhuma mordida sequer em seu pastel e mal tinha tocado no suco, ele estava totalmente perdido em seus próprios pensamentos.

    Com a comida dele esfriando e o gelo derretendo, Giulia não aguentou mais ficar calada só o vendo naquele estado, ela tinha que tentar algo.

    — Noah, se anime, te ajudaremos a arcar com os custos, você sabe disso, né? A sua mãe vai melhorar com os cuidados certos, só precisa ter paciência — disse acenando com a cabeça para que André a ajudasse.

    — Além disso, temos muitos contatos que podem te arranjar algum trabalho temporário e que possa te pagar bem para manter as coisas sob controle, até que você possa se mudar para um lugar melhor — falou André, sem saber o que pensar.

    — Agradeço pela ajuda, mas eu prometi para a minha mãe que não seguiria por esse caminho novamente, nem mesmo para resolver os problemas como este, e não irei, ou melhor, não posso quebrar essa promessa novamente, não para ter que encarar o mesmo olhar de decepção que encarei há alguns anos atrás.

    — E o que mais você pretende fazer? — contestou André, erguendo esporadicamente o tom de voz. — Ainda mais com a alta taxa de desemprego.

    — Irei voltar para o exército…!

    — O que? — suspirou Giulia, espantada. — Vai passar por tudo aquilo outra vez? Você mesmo já disse que é pior do que a prisão em que esteve.

    — Isso não importa, ao menos não terei que pagar por nada, assim eu poderei bancar a diária do hospital e quitar as dívidas com a grana que ganharei. A única coisa que não poderei fazer é ficar de olho na minha mãe. E essa é a única coisa que pedirei a vocês; “cuidem da minha mãe enquanto ela não se recupera”.

    — Eu não posso aceitar isso, vê-lo de vez em quando, sempre com aquela expressão morta, caindo aos pedaços — discordou Giulia, exacerbada.

    — Querida… — chamou André, pela atenção dela — a escolha é dele. Mas não quer dizer que estou de acordo com você, Noah. Nós podemos negociar isso?

    — Sinto muito, mas já tomei minha decisão — disse pondo o dinheiro na mesa. — Eu vou levar o pastel para comer no caminho, obrigado por me ajudarem.

    — Noah… — chamou Giulia, antes de ser interrompida.

    — Ele está muito abalado, vamos dá-lo um tempo para pensar — sussurrou André.

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