Noah congelou diante da porta do quarto de sua mãe. Ele estava tão nervoso que não conseguia entrar, a única coisa que lhe passava na cabeça era o quão mal ela poderia estar, em que estado ele a veria depois de todas essas horas que se passaram.

    Kelly tentou tranquilizá-lo, contando-lhe sobre o histórico daquele hospital e de quantas vidas dadas sem esperança já salvaram, contudo, não era o suficiente para acabar com o seu nervosismo, apesar de tê-lo acalmado um pouco, o bastante para fazê-lo voltar a se mexer.

    Ao entrar no quarto e vê-la com a cabeça raspada, repleta de eletrodos espalhados por todo o seu corpo medindo os seus batimentos cardíacos razoavelmente baixos e usando tubos para ajudá-la a respirar, o fez chorar por dentro enquanto aguentava para não desabar, desesperado, não querendo ter que acreditar na grande probabilidade dela não resistir enquanto estivesse longe.

    O soro que recebia na veia a mantinha hidratada, mas o medicamento que tinha misturado naquele líquido a mantinha apagada por causa de toda sonolência que a fazia ter. De acordo com o médico, ela não iria acordar tão cedo, mesmo após o medicamento acabar. Não havia nenhum remédio para dormir misturado no soro, todavia, no estado em que ela se encontrava, o efeito colateral era semelhante ao de um forte sonífero.

    — Bom dia, mãe… — comprimentou esperando que ela reagisse de alguma forma. — Sei que me despedi de você antes, mas, no fim, eu acabei conseguindo vir aqui de novo antes de ir definitivamente embora, então vou atualizá-la da situação. Desde que foi descoberto o seu câncer, eu tive a intenção de largar tudo para conseguir o dinheiro que precisávamos para o seu tratamento, mas aconteceu algumas loucuras depois disso. A partir de agora não sei mais o que vai acontecer e muito menos para onde irei, só sei que você vai ficar sob os cuidados de gente que pode te ajudar quando precisar…! E não consegui pegar o seu presente, foi mal.

    — Noah… — chamou Kelly, desconfortável com a situação — temos que ir, antes que seja tarde, não podemos correr o risco de nos acharem.

    — Eu sei… eu sei — disse enxugando as lágrimas que tentavam escapar e engolindo o choro que era mais forte do que o seu esforço para sorrir. — Vamos logo então.

    WIIIIIIIIIIIIIIIRON—WIIIIIIIIIIIIIIIRON…”

    — Merda… — engasgou Kelly, ao serem surpreendidos com os sons da sirene. — Espero que tenha sido a ambulância — disse correndo para a janela para ver o que era.

    Do quarto em que estavam, ela não conseguia uma boa visão da rua, tornando inútil todo o seu esforço para ver o que estava fazendo aquele som.

    — E então…? — perguntou Noah, apreensivo, querendo saber o que ela viu.

    — Não consigo ver daqui! — afirmou, enquanto tentava olhar mais uma vez pela janela. — Por precaução temos que dar no pé — disse o puxando para fora do quarto —, agora.

    Apesar de toda a pressa, logo em que saíram do quarto se depararam com os policiais os cercando no corredor. E em questão de segundos, Noah se viu sendo jogado de volta para dentro do quarto, como se ele não fosse nada além do que um leve boneco de pano.

    Em seguida, como se tudo estivesse em câmera lenta, Noah viu o momento exato ao qual Kelly foi tomada pelas chamas que vinham à direita do corredor, não sendo capaz de vê-la com todo aquele intenso fogo que a atingia ao longo de vários segundos que pareciam inacabáveis…

    — Kelly… — suspirou Noah.

    Com o cessar das chamas, lá estava ela, protegida por um escudo feito com o seu próprio sangue. Apesar do escudo tê-la protegido, não a impediu de sofrer com os efeitos colaterais de ficar tão próxima e exposta a um calor tão violento.

    Encharcada de suor e completamente vermelha nas áreas em que sua roupa não a cobria, como na cabeça e nas mãos, tinha dificuldades para ficar de pé, parecia que ela desmaiaria a qualquer momento conforme sua respiração parecia ficar cada vez mais pesada e profunda, além disso, os seus sentidos estavam confusos, sendo incapaz de reagir quando ficou cercada por uma cúpula de água.

    Ali a luta parecia que acabaria sem ela ter sido capaz de reagir, pois, em seguida, em um piscar de olhos, foi perfurada de todos os lados por finos e repentinos espetos de água, que não pareciam estarem sólidos enquanto a atravessavam, tanto que, em sequência, tudo aquilo desabou, encharcando boa parte do corredor…

    — Isso é tudo o que vocês tem? — disse Kelly, recuperando o fôlego.

    Só que foi então que a luta começou de verdade, pois, conforme o sangue dela escorria de seu corpo, ele ia pairando no ar, sequer chegava a manchar a roupa toda esburacada de Kelly, aqueles espetos, diferentes das chamas, não pareciam ter causado nada para ela, na verdade parecia tê-la a ajudado a se recompor, nem que só um pouco.

    Contudo, antes que fizesse o seu primeiro movimento, ela voltou a ser coberta pelo fogo, no qual estava ainda mais intenso do que antes, nada parecia suportar tanto calor, as paredes pareciam derreter, as lâmpadas estouraram e o ar-condicionado parou de funcionar.

    Mas, diferente de antes, Kelly saiu praticamente intacta, pois havia se fechando dentro do próprio sangue, no qual estava completamente esburacado e queimado, já que as camadas que a protegeu não eram tão grossas como o escudo anterior. Era uma quantidade insana de sangue gasto por uma única pessoa, mas, para Kelly, não parecia fazer a menor diferença.

    Incomodados, os inimigos começaram a lutar com tudo o que tinham, era uma sequência tão grande de golpes que ambos davam, em total sincronia, que não a deixavam brechas para contra-atacar.

    Tudo o que Kelly conseguia fazer era ficar se protegendo, criando, sem descanso, a maior quantidade de escudos que podia no ritmo em que eram destruídos e desviando o máximo possível dos ataques, ainda assim, não era capaz de evitar totalmente de ser atingida. Toda a adrenalina a impedia de sentir dor, além disso, quanto mais ela sangrava mais fluidas se tornavam suas habilidades com o sangue.

    Apesar de mal terem se passado oito minutos, a luta já estava a se estender para além dos limites de todos, que estavam, claramente, a ficarem cansados.

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