Capítulo 47 – A queda das 4 facções.
O Continente Draknor era vasto e inóspito, mas ao mesmo tempo fervilhava com vida marcial. Nas profundezas da região nordeste, uma antiga cadeia de montanhas conhecida como Montes Celurianos dividia o território em quatro grandes domínios, cada um dominado por uma Facção Independente — alianças frágeis sustentadas por um tênue equilíbrio de poder.
Facção do Lótus Carmesim, Facção da Lança de Pedra, Facção da Névoa de Sangue e Facção dos Mil Ossos. Cada uma dessas forças se erguia como muralhas em guerra constante pelo domínio espiritual do território, e cada uma era liderada por uma existência no auge do Reino Mestre Marcial — respeitadas, temidas… e orgulhosas demais para se unirem.
Essas facções não compartilhavam fronteiras em paz. Pelo contrário, todos os anos se envolviam em escaramuças, saques, disputas por veios espirituais e territórios de caça de feras sombrias. Paz era um conceito estranho naquela terra, substituído pelo ritmo das espadas e gritos de guerra.
No entanto… isso mudou.
Pela primeira vez em décadas, um novo estandarte foi hasteado. Um estandarte de cor negra, com o símbolo prateado de uma espada atravessando o céu. A Liga da Lâmina Celestial havia fincado sua bandeira no coração de Draknor — e aquilo causou ondas de comoção.
A resposta das quatro facções foi imediata:
Enviaram espiões. Depois, enviados diplomáticos. E agora… estavam debatendo entre si sobre a possibilidade de um ataque conjunto.
Mas, do lado da Liga, o clima era outro.
No centro do Acampamento de Guerra da Espada Silenciosa, o Vice-Capitão Yoojin, com as mãos cruzadas nas costas e olhos semicerrados, ouvia com calma os relatórios de reconhecimento das facções. Seu rosto permanecia impassível até o fim da leitura, quando soltou um leve suspiro de tédio.
— “Quatro facções… quatro anciões no auge do Mestre Marcial,” — murmurou ele, antes de soltar uma risada baixa, como se estivesse ouvindo uma piada.
À sua frente, os três Tenentes da Companhia trocaram olhares, esperando uma ordem ou reação severa. Mas Yoojin continuou:
— “Eles brincam de ser grandes. Mas aqui…” — ergueu o dedo e apontou para o símbolo no próprio peito, — “nós carregamos a vontade da Liga da Lâmina Celestial. Nós temos a Capitã Qian Xue, que já quebrou para o Reino Santo Marcial. E quanto aos outros…”
Ele se virou para sua estante pessoal e pegou dois manuscritos dourados, entregando um a cada um de seus Tenentes.
— “Essas são versões reduzidas das técnicas do nosso Patrono. O ‘Passo Relâmpago’ de Baek Jin se tornou nosso ‘Passo Sinistro’. O ‘Corte do Vazio’ tornou-se o ‘Corte Silencioso’. E o mais importante…”
Ele ergueu um cristal espiritual negro e o ativou.
Do centro do campo de treino, duas espadas negras cruzaram o céu, liberando um disparo em forma de meia-lua que cortou a rocha como tofu e explodiu numa rajada circular de energia negra, gerando um vácuo destrutivo.
— “…o ‘Flash Negro Menor’. Uma habilidade em área inspirada diretamente na técnica de aniquilação espiritual do Semi-Deus. Se lançada com precisão, pode dizimar milhares de cultivadores abaixo do Mestre Marcial em um único golpe.”
Os Tenentes arregalaram os olhos. Eles já haviam ouvido falar sobre isso, mas ver em ação… era diferente.
Yoojin olhou para eles com frieza e completou:
— “Isso não é para exibição. Nós viemos aqui para fincar a influência da Liga neste continente. Nosso objetivo não é apenas subjugar essas facções… mas também absorver as que forem úteis.”
Ele então voltou-se ao mapa detalhado sobre a mesa de pedra espiritual.
— “A Facção do Lótus Carmesim controla uma nascente espiritual. Eles irão cooperar se forem pressionados. A Facção da Lança de Pedra é orgulhosa, mas possui pouca base espiritual. A Facção da Névoa de Sangue tem ligação com cultivadores errantes do Sul… esses precisarão ser esmagados. E os Mil Ossos… são uma praga.”
Yoojin girou a adaga cerimonial da Liga em sua mão, observando o reflexo da luz lunar.
— “Mandem emissários. A Capitã Qian Xue falará com os Lótus e a Lança. Vocês três cuidarão dos Mil Ossos e da Névoa de Sangue. Se não quiserem se submeter, deixem claro que a Liga não é uma seita de segunda categoria.”
Ele se virou para sair, mas parou por um instante e murmurou para si mesmo:
— “Quantos Santos Marciais existem no mundo? Trinta…? Vinte…? Não importa. A Liga tem cinco. E teremos mais.”
Do alto da colina, a Capitã Qian Xue observava tudo. Sua presença silenciosa fazia o ar congelar ao seu redor. Ela sabia… a hora de plantar a nova bandeira da Liga havia chegado.
E o Continente Draknor… jamais seria o mesmo.
…
O céu de Draknor era cinzento quando a bandeira da Liga da Lâmina Celestial foi hasteada ao sul do Vale Carmesim, sede da Facção do Lótus Carmesim. O som do aço espiritual cortando o ar ainda ecoava nos ventos, marcando a queda de uma das mais antigas facções daquele continente.
A Capitã Qian Xue, envolta por sua capa prateada de comando, havia chegado sozinha até os portões da Facção do Lótus. Não levou soldados. Não precisou de declarações.
A líder da facção, Anciã Xialin, uma mulher de cabelos cinzentos trançados e olhos dourados, reconhecida por seu cultivo no auge do Reino Mestre Marcial, foi a primeira a subestimar a visitante. Rodeada por seus dez discípulos de elite, riu da proposta de união.
— “Você ousa vir sozinha, criança? Acha que pode dobrar mil anos de história com apenas palavras?”
Qian Xue não respondeu. Ela apenas deu um passo à frente. Seus olhos, tingidos pela calma imperturbável de um lago congelado, se fixaram na anciã.
O vento espiritual cessou.
Num instante, o chão se estilhaçou com a liberação de sua aura. Reino Santo Marcial, na Fase Intermediária. Sua presença restringiu o movimento dos discípulos ao redor, e os joelhos de três deles tocaram o chão como se a gravidade tivesse triplicado.
Com uma única técnica, Espada Fantasma Celestial, Qian Xue desarmou a Anciã Xialin, sua lâmina espiritual foi lançada a dezenas de metros, cravando-se em uma muralha. A velha cultivadora caiu de joelhos, tossindo sangue, o rosto banhado em suor.
— “Não estou aqui para discutir,” Qian Xue disse, com a voz gélida. “Estou aqui para tomar o que agora pertence à Liga da Lâmina Celestial.”
A facção se rendeu naquele instante. O Lótus Carmesim se dobrou.
Na mesma manhã, a Capitã avançou para o norte, até a Fortaleza de Pedramarga, sede da Facção da Lança de Pedra. O ancião líder, Baelar, conhecido por seu bastão dourado de nove anéis e técnica defensiva quase impenetrável, resistiu.
Mas apenas por dez minutos.
Sua muralha espiritual, respeitada por décadas, foi partida em três golpes diretos de Qian Xue. Com o último, sua lança foi quebrada ao meio. Baelar caiu inconsciente, e sua facção, desorientada, ergueu bandeira branca.
Em um único dia, duas facções milenares haviam sido subjugadas por uma mulher sozinha. A notícia se espalhou como fogo por Draknor.
E no coração do continente… um novo inferno se formava.
Ao sul, as Facções da Névoa de Sangue e dos Mil Ossos, enfurecidas com a queda repentina de suas rivais, firmaram uma aliança. Seus dois líderes, o Ancião Wun e a Anciã Mei-Ha, ambos no auge do Reino Mestre Marcial, convocaram todos os seus guerreiros. Cultivadores errantes e mercenários foram contratados.
— “Não seremos dobrados tão facilmente,” disse Wun. “Essa Liga acha que pode transformar Draknor num celeiro? Vamos mostrar que ainda rugimos como dragões!”
Mas Wun havia subestimado os três Tenentes da Primeira Companhia da Espada Silenciosa.
Tenente Ryung.
Tenente Shao.
Tenente Ji-Yun.
Os três eram cultivadores no auge do Reino Mestre Marcial, herdeiros de técnicas lendárias da Grande Biblioteca Celestial de Tianlong, fornecidas pela Liga.
Na primeira noite da campanha, Ryung matou doze patrulhas de cultivadores em silêncio absoluto. Nenhum som, nenhuma luz, apenas sombras cortadas por sua lâmina.
Na manhã seguinte, Shao, com sua lança infundida com o “Fluxo Rúnico de Impacto”, atravessou toda a linha de frente da Névoa de Sangue, ferindo o próprio Ancião Wun em combate direto. Era apenas um Tenente. Mas parecia um General vindo dos contos antigos.
Ao terceiro dia, Ji-Yun envenenou os principais reservatórios espirituais da Facção dos Mil Ossos. Os cultivadores adoeceram, as bestas espirituais fugiram. Suas técnicas vinham de sua própria criação — mas foram potencializadas pelo Corpo de Mil Venenos de Min Ryo, o Capitão do Departamento Médico.
E então… chegou o Vice-Capitão Yoojin.
Com sua armadura escura de placas leves, e as duas espadas curvas nos quadris, ele entrou no campo de batalha como uma estrela cadente. Seus olhos brilhavam com uma determinação fria, e em sua mão, os símbolos das técnicas de Baek Jin ardiam como tatuagens vivas.
— “Flash Negro Menor.”
Com um giro veloz e um salto nas alturas, um semicírculo de energia negra devastou um batalhão inteiro da Facção dos Mil Ossos. Centenas de cultivadores em fase inicial do Reino Marcial foram nocauteados ou desintegrados.
Wun, agora gravemente ferido, e Mei-Ha, desesperada, recuaram. A resistência ruiu.
Draknor, outrora dividido, dobrou o joelho.
Na noite seguinte, enquanto os soldados da Liga erguem acampamentos reforçados e hasteiam o símbolo da espada prateada em novos territórios, o nome “Primeira Companhia da Espada Silenciosa” se torna um novo pesadelo nas bocas dos anciões locais.
E nas tabernas de Draknor, uma frase se espalha:
— “Eles não são uma seita… São uma Era.”
E a Era da Lâmina Celestial apenas começara.
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