Índice de Capítulo

    As trevas, enfim, ganharam forma

    O céu, antes cinzento e envenenado pela aura maldita que cobria o continente oriental, se partiu ao meio

    Fendas negras como a própria noite se abriram nos céus como se o tecido do mundo estivesse sendo rasgado por mãos invisíveis. Dos céus rachados, uma escuridão profunda, mais densa que qualquer sombra existente, desceu como um manto vivo, engolindo a luz e o ar, espalhando um peso esmagador que forçava até os santos marciais ao chão. 

    Na crista do vento negro, ele chegou

    Caminhando como se cada passo reescrevesse as leis da existência, um homem de olhos que não refletiam absolutamente nada — oclusos, vazios, sem emoção — surgiu como a morte em forma humana. 

    O Rei da Noite Eterna. 

    Seu corpo estava coberto por uma túnica negra cravejada com símbolos de eras esquecidas, e sua presença distorcia a realidade. Mas não era sua aparência que paralisava os corações dos vivos. Era a espada que ele empunhava com uma mão coberta de runas ancestrais. 

    Uma lâmina longa, de fio duplo e estrutura etérea, cuja forma oscilava entre sólido e energia, exalando gritos
    A Espada Divina Céu Caído. 
    Forjada no momento em que uma estrela morreu, banhada no sangue de uma civilização extinta e abençoada por uma entidade do vazio. 

    Ao seu lado, envolto por correntes negras que flutuavam em torno de seu corpo como serpentes vivas, estava um homem encapuzado, cujo semblante era oculto, mas cuja presença se espalhava como uma neblina venenosa: 
    O Senhor do Abismo, seu servo direto, um cultivador no nível Deus Marcial – Fase Inicial

    Ele era o arauto do fim. 
    Onde ele passava, os rios secavam, as montanhas murchavam e os céus choravam sangue. 

    Os Oito Generais das Trevas, até então espalhados ao redor da Flor Negra do Purgatório, ajoelharam-se sem hesitar, suas testas tocando o solo maldito. Mesmo o General Uno, aquele que entre eles tinha a maior autoridade, curvou-se com reverência absoluta

    A voz que se seguiu, embora baixa, ressoou como trovões em todas as direções, viajando como uma ordem da própria realidade. 

    “Cada General Sombrio…” — disse o Rei da Noite Eterna, com um tom frio e sem pressa, como se estivesse ditando o final de uma história já escrita — “…montará acampamento nos portões das Grandes Seitas deste continente.” 

    O chão tremeu. 

    “Sitiem cada uma delas.” 
    “Cortem suas rotas de suprimento.” 
    “Deixem seus discípulos beberem a própria saliva.” 
    “Enterrem a esperança sob o próprio medo.” 

    Suas palavras não eram sugestões. Eram decretos

    E cada general — do Número 8 até o 1 — levantou-se sem emitir som algum. Seus olhos ardiam em roxo profundo e desapareceram em feixes de trevas, cada um em direção às seitas mais poderosas do continente oriental. 

    O céu se calou. 

    A terra se curvou. 

    E então, o Rei da Noite Eterna levantou a Espada Divina Céu Caído. A lâmina pulsava com uma energia ancestral, liberando ondas de destruição latente. Cada batida de seu coração fazia a espada cantar com o eco da aniquilação. 

    Ele apontou para o horizonte, para as últimas regiões onde a luz ainda resistia. Seus lábios se abriram lentamente, e a sentença que saiu de sua boca ecoaria pela eternidade. 

    “Esse mundo… está na palma das minhas mãos.” 

    A energia sombria em torno da espada se intensificou, o céu se iluminou com relâmpagos negros. 
    Raios desceram, rasgando o ar. Montanhas à distância se partiram. 

    “Se o céu tentar me impedir…” — seus olhos vazios se estreitaram — “…eu destruirei o céu.” 

    O Senhor do Abismo deu um passo à frente, cruzando os braços lentamente. 

    — “O céu já treme, meu rei. Basta desejar… e tudo cairá em pedaços.” 

    O Rei da Noite Eterna ergueu a espada ainda mais alto, e ela brilhou como uma estrela negra. 

    “Agora que estou na posse da Céu Caído… eu posso destruir tudo.” 

    Ele não estava blefando. 

    A Espada Divina não era uma arma. Era uma sentença. 
    Uma sentença contra a ordem natural
    Uma sentença contra os deuses e homens
    Uma sentença que dizia, com cada vibração da lâmina: 

    “O Fim Chegou.” 

    … 

    A guerra havia chegado. 
    E não como um trovão à distância ou como sussurros no vento. 
    Ela chegou abrupta, impiedosa, como um grito silencioso que destruía tudo em seu caminho. 
    E no instante em que os Filhos das Trevas pisaram o solo sagrado do mundo murim, o próprio chão gemeu de dor. 

    O continente oriental, antes verdejante e pleno de vida espiritual, começou a se contorcer como um organismo que rejeitava a podridão. 
    Onde os soldados sombrios passavam, a vegetação murchava, as árvores retorciam seus galhos numa dança de agonia, e até mesmo os rios… silenciaram
    O ar ficou pesado. 
    Não pela pressão espiritual. 
    Mas por algo muito mais profundo: a negação da vida

    O céu, que deveria brilhar com a luz da Lua Celestial, se manchava com névoa púrpura e escuridão viva. 
    Aquele que olhasse para cima… só veria um firmamento em luto. 

    No coração do Continente Oriental, a Aliança Justa — uma coalizão de seitas e clãs antigos liderada por um dos mais honrados cultivadores do mundo, o Santo Marcial Hwan Yeong — estava prestes a ser apagada do mapa. 

    Diante de seus portões, o General Número 8 dos Filhos das Trevas, um homem alto e magro como a foice da morte, coberto por um manto negro em farrapos, erguia uma lança feita de ossos e veneno, cujo cabo pulsava com cada batida de seu coração sombrio. 
    Seu rosto era desprovido de carne — uma caveira com olhos roxos flamejantes, e em sua testa, o número “8” em sangue seco e runas antigas. 

    — “Ah… a Aliança Justa… que nome bonito para uma fogueira de justiça prestes a arder,” — ele sibilava, sua voz ecoando como mil agulhas na alma. 

    Ji-Ran, neto de Hwan Yeong, era jovem, corajoso e já havia atingido o auge do Reino Marcial. Seus olhos brilhavam com esperança, e seu espírito, ainda que inexperiente, era puro. 
    Ele se postou à frente das muralhas da Aliança com sua espada longa banhada em luz prateada, os olhos fixos naquele monstro diante de si. 

    — “Vocês não passarão! Enquanto houver vida em meu corpo, defenderei minha casa!” 

    A resposta do General foi um sorriso sinistro. 

    — “Maravilhoso… Então morra com orgulho, jovem chama.” 
    E num instante, a lança negra desapareceu

    O mundo ficou mudo por um segundo. 

    E no segundo seguinte, Ji-Ran foi perfurado

    Sua espada caiu. 
    Sua armadura quebrou como vidro. 
    E seus olhos, que antes brilhavam com bravura, olharam para o céu uma última vez. 

    Do alto das muralhas, Hwan Yeong gritou. 

    — “JI-RAN!!!” — o grito cortou as nuvens. 
    Ele voou para resgatar o neto, mas chegou tarde demais

    Em seus braços, segurava o corpo frio do menino que carregava o seu legado. 

    O General Número 8 girou a lança e apontou para ele. 

    — “Você é o próximo, velho. E então, sua seita. E então, sua memória. Tudo será esquecido.” 

    Os discípulos da Aliança choravam. 
    Alguns tentavam correr para lutar. Outros, desabavam de joelhos
    A esperança, aquela que sustentava mil gerações de cultivadores justos, começou a se desfazer como pó ao vento

    Mesmo com toda a sua força como Santo Marcial, Hwan Yeong tremeu. 
    Não de medo. 
    Mas de impotência. 
    O que ele poderia fazer contra um Semi-Deus? 

    O céu continuava escuro. 
    A lua, escondida pelas nuvens malditas, não apareceu naquela noite

    E Baek Jin, que segurava os gêmeos recém-nascidos em Tianlong, sentiu o mundo estremecer. 
    Ele soube

    Um grande cultivador havia morrido. 
    Uma alma pura havia sido apagada. 

    E a Guerra das Trevas havia começado… 
    na noite em que a Lua Celestial chorou. 

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