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Capítulo 9: Pesadelo.
Finalmente cheguei em casa. Cansado que só, pensava em apenas me jogar no sofá e descansar.
Quando passei pela entrada, a primeira coisa que visei foi a sala. Perto do centro, lá estava o famigerado sofá; sendo preto, combinava com o tapete largo. Pouco medi esforços e logo caminhei até ele, me jogando sem hesitar.
— Urff…! — Suspirei de cara no estofado, como se ele pudesse absorver toda minha fadiga.
— Oi, querido… o dia foi cheio hoje? — Era a voz de Natasha.
Ainda largado, apenas virei a cabeça para fora do sofá, vendo Natasha se aproximando.
— Sim. Um combo de trabalho, o estresse de ônibus lotado… — Eu não pretendia explicar por inteiro, então recai ao descanso.
— Oh, coitado… deixa que eu resolvo isso rapidinho. — Sua voz parecia mais próxima.
Resolver? Fiquei curioso sobre isso.
— Como? — questionei com a voz abafada pelo estofado.
— Apenas fique do jeito que estava.
Continuei incompreendido, mas alguns segundos depois, pude entender do que se tratava… ah, sim; aquelas mãos delicadas sobre meus ombros suavizavam meus músculos. A sensação massageadora era incrível! Seus dedos eram movidos de uma maneira que deixava o toque forte, mas ao mesmo tempo leve e com uma profundidade agradável.
Aquela maravilhosa massagem era uma de suas especialidades. Fazia tempo desde a última vez que tive uma. O momento não podia ser melhor.
— Muito bom… — Eu adorava.
Só por isso, meu estresse fora dissolvido em segundos! Isso me animou.
— Mais um pouquinho pro lado direito — instrui — Aí mesmo.
A adorável massagem perdurou por minutos, mas infelizmente, logo fora interrompida.
— Pronto. Satisfeito? — indagou ela.
— Perfeito! Me sinto até mais vivo. — Sentava-me, relaxando.
— Ótimo. Então… agora vai logo tomar um banho — ordenou com um sorriso franco.
— Sim, senhora — obedeci com outro sorriso.
Enquanto me deslocava para o corredor, tive de fazer uma pergunta antes:
— Aliás, cadê a Sophia? — Virei o rosto de leve.
— Deixei ela no berço — Natasha respondeu, pegando a vassoura.
Aparentemente ela estava arrumando a casa, compreendi na hora o porquê; deixou ela no berço para limpar a casa, provavelmente.
— Vou lá vê-la um pouco. — Recobrei a caminhada.
Chegando à porta, cuidei para que minha entrada fosse silenciosa, pois não sabia se Sophia estava dormindo. Porém, com a porta entre aberta, olhei de soslaio, vendo-a acordada e olhando para o nada.
Num sorriso, aliviei os movimentos.
— Oi, pequena… — Caminhava até ela.
No berço, pude ver aquela coisinha fofa recebendo minha pessoa com um olhar encantador.
— Ehrg! — grunhia, remexendo-se como uma tartaruga. O sorriso dela após, me desconcertou de vez… tão fofa!
— Também estou feliz em te ver! — Alarguei ainda mais o sorriso.
Mas, perante ao conforto, uma brisa gelada invadiu o quarto, adjacente da janela pouco aberta. Nisso, fui até ela para fechá-la. Foi aí que…
Quando afastei as cortinas para fechar a janela, meus olhos fitaram a rua e na penumbra do final de tarde, perto de um poste da equina, lá estava ele: aquele gato outra vez! Encarando minha casa.
Me arrepiei na hora. O desgraçado parecia me encarar no fundo dos meus olhos, mesmo distante. Eu tremia, engolindo seco. Ele achou minha casa! Rapidamente fechei a janela e puxei as cortinas num movimento bruto.
— Calma… — Suspirei fundo, aflito — Ele não pode me fazer mal, é só uma alucinação.
Agitado, virei meus olhos para o berço enquanto caminhava até Sophia. Olhei para ela, preocupado.
Eu temia estar enlouquecendo… não, já estava. Não queria que isso afetasse minha família, que afetasse ela.
Depois de ficar boiando em devaneios, peguei o chocalho pendurado no berço, dando-o a ela.
— Papai já volta, filha. — Sorri de canto.
Sim, eu precisava tomar um banho, jogar todo esse estresse e energia estranha por água abaixo.
Alguns minutos depois do banho, já me encontrava na sala, assistindo algum canal aleatório. Ah, nada de interessante passava, então deixei num noticiário.
Queria ficar um pouco mais de tempo com Sophia, mas quando saí do banheiro, ela já estava dormindo; ah, quem dera se eu tivesse essa mesma facilidade de cair no sono…
Não sabia o porquê, mas meu humor parecia mais estagnado naquela hora, e relaxado no sofá, o cansaço não saia. Talvez eu pudesse fazer algo…
— Will, o jantar está pronto — chamou Natasha, direto da cozinha.
Isso! Comida, isso poderia resolver meus problemas! Até fiquei mais animado. Sem delongas, fui ao seu encontro.
Como sempre, a mesa estava farta e não demorou muito para devorarmos tudo. Era exatamente daquilo que eu precisava! Estava mais disposto, energizado.
E como sempre, começamos a lavar a louça. E enquanto guardávamos os pratos, uma proposta interessante viera de Natasha:
— Amor, que tal vermos um filme? — Virou-se para mim.
— Hm… — Olhei pro relógio — É uma boa, ainda é oito horas mesmo.
Ela contentou-se, virando-se de voltar para lavar os copos.
E assim foi: depois de terminarmos tudo, fomos direto para a sala. Abrindo o aplicativo de streaming, fiquei indeciso.
— O que vamos assistir? — indaguei.
— Um dorama, talvez.
— Que? Muito chato…
— Ah, é? O que você sugere então? — Ela estava visivelmente inconformada.
— Hmmm, algum filme de ação ou aventura… ou até um anime.
— Anime? Meu deus, Will. E depois diz que dorama que é chato. — Olhei para ela, sentada ao meu lado.
— Como fica então, se nossos gostos são tão diferentes? — Ela parecia pensativa.
— Vamos no pedra, papel e tesoura então. Quem ganhar bota o que quiser.
— Heh — Sorri — Beleza.
Hah! Eu ganhei!
— Aff! — Ela cruzou os braços, bufando.
Mas não havia escapatória, agora ela teria de encarar meus gostos alheios! Então, pus logo um anime do bom para vermos: one piece! Oh, anime bom, viu. Certamente o meu favorito.
— Você vai ver, é muito bom e engraçado — avisei, animado.
Eu gostava tanto desse anime, que estava quase nos semanais. Entretanto, em respeito a minha esposa e a fim de a converter, recomecei pelo primeiro episódio.
E lá vamos nós… minutos se passaram e uma surpresa me veio à tona: ela gostou!
Hahaha! Mais uma convertida para o mundo do pirata que estica! Lembro que fiz a mesma coisa com o Michael; ele também não via animes, mas foi só o mostrar one piece que mudou de ideia rapidinho. E agora, chegou a vez da minha esposa.
— Por que não me mostrou esse desenho antes?
Não respondi, apenas sorri, erguendo os ombros.
Rimos e nos divertimos muito com a série, me deu até uma certa nostalgia rever os episódios. Contudo, infelizmente, a diversão tivera de ser interrompida, pois o soar do meu smartwatch indicara a hora de dormir.
Bem, nós dois podemos perceber o sono nos atingir também, então ouve concordância sobre desligar a TV e irmos, enfim, descansar.
— Vou escovar os dentes e já volto — disse Natasha, tomando um rumo diferente do meu no corredor.
Eu já tinha escovado os dentes antes dela, então fui direto pro quarto, bocejando.
Não evitei de me jogar naquela cama box toda velada por um forro branco, assim como os travesseiros. A textura macia era de tirar o fôlego, literalmente, já que grudei meu rosto no travesseiro.
Virei-me, encarando o teto cinza naquele silêncio da noite. Uma sinfonia peculiar passara por meus ouvidos: era o roncar de Sophia. Tão baixo, mas tão confortante… que eu… dormi?!
Estando bem esgotado, não esperava dormir tão rápido… ah, esqueci de apagar luz. Mas não importava, Natasha poderia fazer isso quando voltar.
De qualquer forma, não foi só o sono repentino que viera, como também um sonho repentino. Não… não era um sonho e sim um pesadelo!
Absorto pelo espaço infinito, nada vi além do escuro desconcertante. Porém, nesse escuro, uma luz acetinada pulsava fracamente… parecia longínqua, mas tão brilhante que podia me cegar se olhar diretamente, então a tampei com a mão. Seria aquilo, o sol?
Mas, espera… aquilo na minha frente era… Júpiter?! Tão bonito.
Meu corpo parecia estar em órbita, claro. Entretanto, bruscamente comecei a ser puxado por sua gravidade numa velocidade anormal. Eu estava em queda livre, certamente. Como pode?
A aflição tomou conta de mim, a cada metro até o gigante, aumentava meu receio. Só de ver aqueles gases densos mais próximos me faziam arrepiar, tremer de aflição e me debater numa fracassada tentativa de escapar da gravidade.
Não adiantava. Minha respiração quase parara. Passei pelas nuvens de gases e barulhos ensurdecedores vinham por todos os lados. Só o que passava por meus olhos, eram borrões cegantes.
Mas, do fundo daquelas nuvens caóticas, uma voz distorcida chegara até mim:
— William, a refeição de hoje foi uma delícia — falava a voz do sonho.
Como é que é? Refeição? Quem estava falando? De onde vinha a voz? Mesmo naquele ambiente insalubre, ela ecoava por todos os lados.
— Espero por mais amanhã…
— Que-m… — Tentava falar, mas a pressão do ar me impedia até de abrir a boca, e as rajadas de gases acompanhada pela queda, obstruía tudo.
Foi aí que, do alto das nuvens, uma figura medonha se formou pelas nuvens. Não podia ser! Era o rosto daquele gato!
Queria questioná-lo, mas não dava. Meu coração disparou e comecei a ficar desmedidamente ofegante, não tinha ar, a sensação era horrível e um arrepio me consumia. Um medo incondicional, iminente. Um zumbido chiava de forma instável, e a cada segundo aumentando mais e mais, até se tornar ensurdecedor… impossível de tolerar aquilo; minha visão apagou de vez, junto a consciência.
E então…
— Ahhhh! — Acordei a gritos.
Tudo que eu via agora era os objetos que preenchiam meu quarto; desde dos quadros nas paredes, até o berço de Sophia. Suava muito, como se estivesse acabado de sair debaixo de um chuveiro; minha respiração voltava, mas tão ofegante quanto de alguém que acabara de sair duma maratona.
— O que foi isso… — Pus a mão no rosto, sentindo uma leve dor de cabeça, e o pior: esgotado, com um peso nas costas.
Sophia e Natasha estavam dormindo ainda, por sorte não acordaram com o grito.
Suspirei, percebendo ser apenas um pesadelo. Infelizmente, já era a hora de se levantar, pois o maldito alarme tocou logo em seguida; 5:30 da manhã.
— TSK!

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