Capítulo 345: Os Dois Lixos (3)
Como você se sentiria se alguém que tinha um sorriso maligno no rosto de repente começasse a franzir a testa?
Essa era exatamente a situação de Cale naquele momento.
Cale estava franzindo a testa para Raon, que dizia que ele deveria sorrir daquele jeito para o Estrela Branca. No entanto, tudo o que o Rei Mercenário e seu amigo mago conseguiam ver era o sorriso maligno se transformando em uma carranca.
“Cale Henituse.”
O Rei Mercenário Bud Illis achou que já tinha ouvido esse nome antes.
*Ph*
Ele virou a cabeça depois de sentir uma cutucada e viu o capuz do mago.
{Conversamos depois.}
“Conversar?”
{Cale Henituse. Já ouvi esse nome antes. Acho que vi no relatório do continente ocidental.}
O continente oriental tinha informações sobre o continente ocidental, de forma semelhante a como o príncipe herdeiro Alberu tinha informações sobre o continente oriental.
Bud Illis assentiu para o amigo antes de se virar para Cale Henituse. Ele então se encolheu.
— …Você está bêbado?
O rosto de Cale estava vermelho.
“Achei que ele só bebeu algumas taças de vinho?”
O rosto de Cale estava mais vermelho que a maioria das maçãs maduras.
{Humano! O Rei Mercenário parece decepcionado!}
“…Esse bêbado louco.”
Cale explicou a situação ao Rei Mercenário, que de repente deixou os ombros caírem.
— Meu rosto sempre acaba assim.
— Ah! Sério? Então, eu não estava errado sobre o cheiro de álcool vindo de você.
“…Haaa….”
Cale zombou internamente da resposta de Bud Illis antes de ficar perplexo ao ver como o rosto do Rei Mercenário voltou ao normal imediatamente.
“Ele é realmente louco. Esse cara está no nível do louco Clopeh.”
Entretanto, Bud Illis, que não tinha como saber o que Cale estava pensando, continuou falando.
— Eu não acredito.
Ele não precisou perguntar em que parte Bud não acreditava. Cale começou a falar.
— Você não pode acreditar em mim ou nas minhas ofertas.
— Sim.
Bud Illis não poderia entregar facilmente sua vida e o futuro da Guilda dos Mercenários, mesmo que houvesse dois Dragões, um mestre espadachim e que aquele que fez a oferta tivesse múltiplos Poderes Ancestrais.
Foi uma reação óbvia.
Foi por isso que Cale deu uma resposta simples.
— Farei com que você acredite em mim.
Ele só precisava convencer Bud.
— Como?
Bud podia ouvir a voz calma de Cale respondendo à sua pergunta.
— Vou mandar alguém entregar algo para você até o final do dia. Dê uma olhada.
Cale apontou a mão para o resto do grupo.
— Então você saberá.
Cale parecia confiante.
O reencarnador, o Estrela Branca. Aquela existência era incrivelmente forte, mas seu grupo, cada um com apenas uma vida, também era forte.
— Você saberá o quão grandes e poderosos somos.
Cale tinha certeza de que seu grupo era forte.
O Estrela Branca não foi o único a ficar mais forte.
— Preciso dar um tapa nas costas dele.
O cruel Kim Rok Soo.
Ele fazia parte da equipe de apoio de retaguarda e foi o primeiro membro da equipe de suporte mental a se tornar um líder de equipe que unificou a primeira equipe da Vanguarda e a primeira equipe de apoio de retaguarda.
Cale Henituse, que na verdade era Kim Rok Soo, começou lentamente a desenhar o futuro, uma peça de cada vez.
O Estrela Branca ainda não tinha equilíbrio com seus poderes ancestrais.
Eles definitivamente tiveram muitas chances de vitória.
***
— …Haaa.
Cale, que havia retornado ao seu quarto após o jantar com o Rei Mercenário, soltou um suspiro.
— Nós somos grandes e poderosos!
— Nós somos grandes e poderosos!
— Grande e poderoso!
Raon, On e Hong. As crianças, com idade média de nove anos, gritavam uma após a outra. Todas pareciam muito animadas. Cale começou a franzir a testa.
— Então você saberá. Você saberá o quão grandes e poderosos somos.
As crianças, com idade média de nove anos, pareciam ter gostado muito do que ele disse ao Rei Mercenário. Os três brincavam uns com os outros, repetindo aquilo sem parar.
— …Haaa.
Entretanto, essa não era a única razão pela qual Cale estava suspirando.
Ele não se importava muito com as crianças, pois elas sempre faziam coisas assim.
— Jovem mestre-nim.
Ele ouviu uma voz gentil e bondosa. Cale entregou o objeto em sua mão a Ron com uma expressão estoica no rosto.
— Não pensei que entregaria isso pessoalmente a outra pessoa.
Cale estava olhando para o item na mão de Ron com uma expressão estranha no rosto.
Era o item que deveria ser entregue a Bud Illis, o Rei Mercenário.
— Humano!
Raon se aproximou dele e começou a gritar.
— Não se preocupe! A Rosalyn fez uma gravação muito nítida! Ele vai conseguir distinguir claramente quem é quem!
Este orbe continha parte das filmagens que Rosalyn e Clopeh gravaram durante suas batalhas até agora.
Essa era a identidade do item na mão de Ron.
— …Não é isso que me preocupa, não importa.
Cale simplesmente decidiu não dizer o que ia dizer. Levantou-se e seguiu Ron, que se dirigia ao Rei Mercenário. Ron olhou para Cale com uma expressão confusa.
— Você virá comigo, jovem mestre-nim?
Cale balançou a cabeça por reflexo após ouvir Ron, que parecia ainda mais benigno do que o normal.
— Não. Vou para outro lugar.
— É mesmo?
Cale saiu da sala com Ron. Ron foi em direção ao quarto do Rei Mercenário enquanto Cale começou a caminhar para outro lugar.
{Humano, eu vou com você!}
— Miauuu!
— Miau!
As crianças, com idade média de nove anos, seguiram Cale.
Cale continuou andando enquanto se lembrava da conversa que teve com Ron um momento atrás.
— Onde?
— Deve estar perto da porta dos fundos da cozinha.
Cale caminhava em direção à porta dos fundos da cozinha da pousada. Ao chegar lá, viu alguém lavando pratos no riacho perto da porta do lado de fora.
*Claque* *Claque*
Talvez os passos de Cale fossem abafados pelo som dos pratos batendo uns nos outros. A pessoa que lavava os pratos não olhou para cima e, em vez disso, continuou concentrada em lavar os pratos enquanto Cale se aproximava.
A expressão de Cale lentamente ficou fria.
Ele se aproximou o suficiente antes de começar a falar.
— Faz um tempo.
*Claque-*
A pessoa que lavava a louça parou de se mover.
Era o meio-sangue de Dragão.
Ele levantou a cabeça. Cale pôde ver o rosto pálido do meio-sangue de dragão.
Seu cabelo, tingido pela magia de Eruhaben, agora estava vermelho.
O meio-sangue de dragão começou a falar lentamente.
— Há quanto tempo, ugh.
Um breve gemido saiu de repente de sua boca.
Cale podia ver o meio-sangue de dragão apertando o peito acima do coração.
Cale viu isso quando se aproximou.
As mãos do meio-sangue de dragão que lavavam os pratos tremiam levemente.
Ele tinha suor no rosto, mesmo estando na sombra.
O coração do meio-sangue de dragão estava lhe causando uma dor significativa a cada poucos segundos.
Ele estava morrendo lentamente, uma morte dolorosa.
— Huuuuuu.
O meio-sangue de dragão soltou um suspiro profundo antes de olhar novamente para Cale e continuar falando.
— Muito tempo sem se ver.
Ele então olhou para baixo e voltou a lavar a louça.
Cale ouviu a voz de Raon em sua mente naquele momento.
{Humano! É e-estranho, mas sinto pena do meio-sangue de dragão!}
“Não sei nada sobre isso.”
Cale se agachou e olhou para os pratos limpos em vez de responder a Raon.
— Se divertindo?
A voz calma de Cale ecoou pelo riacho.
Alguém poderia pensar que Cale estava tentando começar uma briga depois de ouvir essas palavras, no entanto, Cale estava muito calmo quando disse isso.
*Claque* *Claque*
O meio-sangue de dragão continuou olhando para os pratos enquanto respondia.
— É suportável.
Cale soltou uma risada.
Ele viu algo mais além do meio-sangue de dragão sentindo dor enquanto se aproximava.
Ele viu como o meio-sangue de dragão tinha um pequeno sorriso no rosto enquanto movia um prato para a pilha limpa.
Cale riu mais uma vez antes de dizer mais alguma coisa ao meio-sangue de dragão.
— Nós lutamos contra o Estrela Branca.
— …Ouvi.
A conversa mudou lentamente de um lado para o outro.
— Ele era muito forte.
— …Ele é muito forte.
Cale olhou para o meio-sangue de Dragão que foi criado pelo Estrela Branca.
— Você se lembra, certo?
O meio-sangue de dragão se virou para Cale depois de ouvir a pergunta.
Cale estava perguntando se o meio-sangue de dragão se lembrava da conversa que eles tiveram no passado.
Era o começo deste ano.
O meio-sangue de dragão relembrou a conversa que tiveram. Cale havia perguntado sobre a localização da base de Arm. Ele também havia lhe dado uma ordem.
— Descanse um pouco e iremos atacar Arm quando eu chamar você novamente.
Atacar a Arm.
O meio-sangue de dragão lembrou-se do que Cale havia dito depois disso.
— Faça o que quiser. Claro, sob supervisão. Você não terá liberdade total.
— Ah, e não existe coisas de graça.
— Eu sei que você está com dor, mas você ainda pode trabalhar aqui.
— Nada é de graça.
— Você também é adulto e precisa pagar pelas suas refeições.
O meio-sangue de dragão começou a falar lentamente. Seus lábios tremiam, pois ele não estava acostumado à dor que piorava com o passar dos dias.
No entanto, sua voz estava calma quando ele respondeu.
— Sim, eu lembro.
Ele então hesitou por um momento antes de acrescentar.
— …Acho que é um bom lugar para lutar uma última vez com tudo em jogo.
Um campo de batalha final com tudo em jogo. Cale hesitou por um momento antes de responder.
— Você está falando de si mesmo?
— Sim.
*Claque* *Claque*
O meio-sangue de dragão abaixou a cabeça e voltou a lavar a louça.
Cale também não perguntou mais nada. Ele se virou e começou a ir embora.
{Humano! Posso ficar de olho no meio-sangue de dragão por um tempo?}
— Miauuu.
— Miau.
Cale assentiu lentamente com a cabeça.
Ele olhou para a porta dos fundos da cozinha que dava para o jardim dos fundos. Podia ouvir as crianças, de aproximadamente nove anos, conversando com o meio-sangue de dragão, mas não se virou para olhar.
***
Por outro lado, havia pessoas que olhavam apenas para uma coisa e não conseguiam desviar o olhar.
— …isso.
Era o Rei Mercenário Bud Illis. Bud não conseguiu esconder o choque ao olhar para as imagens gravadas dentro do orbe.
Ele sentia calafrios nas costas.
Ele assistiu à filmagem algumas vezes.
Ele observou o grupo de Cale lutando contra magia negra.
Ele também os viu lutando contra o Estrela Branca.
— Eu nunca imaginei que o Estrela Branca fosse tão forte.
O mago da casa dos Poeff esfregou o rosto com as duas mãos.
A verdadeira força do Estrela Branca, sobre a qual ele apenas especulava no passado, o amedrontava. No entanto, as pessoas que estavam vencendo um oponente tão forte também estavam além de sua imaginação, fazendo com que o Rei Mercenário não conseguisse desviar o olhar da filmagem.
— …Patriarca-nim.
Bud Illis virou a cabeça.
Ele viu Ron Molan sentado no sofá, olhando para ele com olhos frios. Ron começou a falar.
— Nenhuma das filmagens é falsa.
Ron Molan.
Ainda havia informações sobre ele no diretório da Guilda dos Mercenários.
Ele era um assassino muito respeitado.
— Pense bem.
Ron deu esse conselho enquanto se afastava do Rei Mercenário e do mago. Ele ouviu a voz de Bud enquanto se dirigia para a porta.
— Patriarca-nim.
Bud Illis começou a perguntar cautelosamente.
— Você está planejando espalhar o nome de sua família no continente oriental novamente?
Bud pôde ver Ron se virando depois de ouvir sua pergunta.
Ele não conseguiu evitar estremecer ao ver o rosto de Ron novamente.
Os cantos dos lábios de Ron se curvaram.
Era um sorriso frio, muito diferente do seu sorriso gentil de sempre.
— Concentre-se apenas na sua vida. Não precisa me perguntar sobre a minha.
Foi uma resposta adequada para o patriarca Molan, que foi descrito como frio no diretório.
Bud Illis lembrou-se do que Cale disse depois que não conseguiu mais ver Ron, que saiu pela porta.
Ele não conseguia dizer se aquele tom direto, porém confiante, era o tom natural de Cale Henituse. No entanto, era a primeira vez que ouvia confiança e orgulho no tom de Cale.
— Então você saberá. Você saberá o quão grandes e poderosos somos.
O Rei Mercenário Bud Illis fechou os olhos.
Era hora de pensar sobre sua vida e o futuro da Guilda dos Mercenários, como Ron aconselhou.
***
Na manhã seguinte, bem cedo.
Cale teve que encarar o Rei Mercenário Bud Illis com o resto do seu grupo.
— Aceito seu pedido.
Cale cerrou levemente o punho e então o abriu rapidamente após ouvir a resposta de Bud.
— Então vamos começar imediatamente.
Cale queria começar imediatamente. Ele não olhou para o Eruhaben pálido ao seu lado enquanto continuava a falar.
— Gostaria de começar com o segundo primeiro.
O Rei Mercenário lembrou que o segundo pedido de Cale era ‘salvar o Dragão’ e assentiu.
— Eu entendo.
Ele tinha visto na filmagem. O Dragão à sua frente foi ferido enquanto lutava contra o Estrela Branca.
Não havia necessidade de explicar mais nada.
No entanto, havia algo que ele precisava discutir. O olhar frio do Rei Mercenário se dirigiu a Cale.
— Você é bem famoso no continente oriental, meu amigo. Dizem que você é muito talentoso.
Ele havia pensado em muitas coisas ontem à noite.
O Rei Mercenário Bud Illis naturalmente havia pesquisado informações sobre Cale Henituse. Ele não podia simplesmente confiar nas imagens do orbe.
Sua investigação lhe disse que Cale Henituse era uma pessoa talentosa.
— Acho que você ouviu falar de algum lugar sobre meu poder de cura?
Cale pensou na conversa com Adin enquanto acenava a cabeça.
— Sim.
Bud começou a sorrir. Tirou uma garrafinha de álcool do bolso do peito e começou a beber.
“…De onde diabos esse desgraçado tirou uma garrafa? Ele carrega álcool no bolso espacial?”
Bud terminou a garrafa e começou a falar enquanto Cale o observava, incrédulo.
— Mas parece que você não tem informações precisas.
“…O que?”
— Eu não tenho poder de cura.
Cale lembrou-se do que Adin havia dito.
— Posso receber o poder quando o Estrela Branca-nim assumir o controle da Guilda dos Mercenários. Então terei um corpo completo.
Agora que pensou nisso, o Príncipe Imperial Adin nunca disse que o poder de cura era um Poder Ancestral. Ele nunca disse que tipo de poder era.
— …Então?
— Eu simplesmente conheço o caminho para onde esse poder deve estar.
Cale começou a sorrir.
— Então só precisamos ir buscá-lo.
— Correto. Meu amigo é inteligente. Sim, só precisamos fazer isso. No entanto…
Os olhos de Bud Illis por trás dos óculos olhavam ao redor de Cale.
Ele apontou para cada um dos membros do grupo de Cale, um por um.
Ron, Choi Han, Beacrox, Eruhaben, On, Hong e até onde o invisível Raon deveria estar.
Ele apontou para todos eles antes de começar a falar novamente.
— Este senhor, aquele senhor, estas crianças-gato e até mesmo o Invisível dragão-nim.
Bud Illis parecia sério.
— Nenhum deles pode ir. Eles não conseguirão obter esse poder, mesmo que saibam o caminho. Definitivamente não conseguirão obtê-lo.
Choi Han estremeceu.
Esse poder era algo que nem ele conseguia obter?
Choi Han olhou para onde o Rei Mercenário estava apontando.
Ele estava apontando para Cale.
— Mas você pode conseguir.
Ele então abaixou a mão e continuou a falar.
— E eu posso conseguir.
Cale começou a pensar no que ele e o Rei Mercenário tinham em comum.
— Você precisa de um poder ancestral do atributo vento?
— Sim.
Foi uma resposta revigorante, mas severa.
O poder de cura que o Rei Mercenário conhecia. Era preciso ter um poder ancestral do atributo vento para obtê-lo.
O antigo e silencioso Dragão começou a falar.
— Que tipo de poder é esse poder de cura?
O que era aquilo que somente aqueles com poderes ancestrais atribuídos ao vento conseguiam obter?
Bud respondeu de volta.
— Um artefato ancestral.
— artefato ancestral?
— Dizem que é um artefato ancestral que veio do continente ocidental.
*Tum!*
O coração de Cale de repente começou a bater descontroladamente.
— Ahhh.
Cale levou as mãos ao peito e respirou fundo.
{Humano fraco!}
— Miau?
— Cale-nim!
Ele podia ouvir os outros chamando por ele. No entanto, Cale se recuperou rapidamente e acenou com a mão para dizer que estava bem.
Ele ouviu uma voz em sua mente.
{Eu encontrei.}
“…Encontrou? Encontrou o quê?”
Era o Som do Vento. Ele ouviu a voz da ladra que outrora foi a dona do Som do Vento.
Era uma voz rouca e extremamente animada.
{Finalmente encontrei.}
“…Esse artefato ancestral pertencia a ladra?”
Cale começou a falar rapidamente após sentir que a ladra estava ficando mais excitada.
— Onde está localizado o artefato ancestral?
Bud Illis respondeu.
— Ilha.
“Ilha?”
— Uma ilha solitária em um lado do oceano do continente oriental.
A expressão de Bud Illis ficou sombria.
— Esta Ilha do Vento tem dezenas de milhares de rajadas de vento fortes que destroem tudo o que entra.
Era um lugar onde nenhum ser vivo podia entrar.
O vento se transformou em lâminas de morte e matou qualquer ser vivo que se aproximasse.
— O artefato ancestral está localizado nas profundezas daquela ilha.
O Rei Mercenário Bud Illis usou aquele artefato ancestral apenas uma vez.
Ele tentou levá-lo consigo, mas não teve escolha a não ser deixá-lo para trás após ser atacado pelo vento mortal.
— Só aquele artefato ancestral servirá para salvar alguém como o Dragão-nim.
Cale ouviu a voz baixa, mas animada, da ladra enquanto a voz pesada de Bud explicava a situação.
{O chicote do pião.}
“O chicote do pião? A coisa usada para girar o pião?”
{Meu chicote está naquela ilha.}
Cale se lembrou do item que viu quando ganhou o Som do Vento.
Foi um pião.
Um pião havia sido preso embaixo da grande pedra.
A dona do Som do Vento, a ladra que teria roubado um item divino do povo da vila costeira do território Ubarr.
Ela não havia roubado um item divino. Ela apenas havia roubado um item de um templo.
Cale pensou no pião que girava sem parar enquanto criava todos aqueles redemoinhos.
O chicote do pião e o pião.
Ele ouviu a voz de Bud Illis novamente.
— A Ilha do Vento. As pessoas também a chamam de Túmulo das Lâminas de Vento. É uma armadilha mortal.
Era o lugar onde as lâminas de vento matavam tudo e transformavam em túmulos.
O artefato ancestral, o poder da ladra, estava naquela ilha.
— E aquela ilha só permite que uma pessoa com o atributo do vento possa entrar por vez.
Choi Han, Eruhaben, Raon e os outros se viraram para Cale quando Bud Illis terminou de falar com uma expressão pesada no rosto.
— Então eu posso ir buscá-lo.
Eles podiam ver um Cale sorridente.

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