Capítulo 39: Nathan 2-I.
Um grande mago amava muito sua aprendiz, e quando não tinha mais nada a ensinar, ele a entregou o seu bastão mágico.
Disse a ela:
— Vá e conquiste o mundo, pois ele é seu.
O sorriso dela dizia tudo, e ele fechou os olhos.
Não muito tempo depois, ele soube que diversas criaturas maléficas surgiram ao redor do mundo. As que já existiam foram perturbadas, e saíram do anonimato. A Sociedade da Magia, como era conhecida a comunidade global dos bruxos, passou por muita dificuldade.
Era quase impossível manter o mundo mágico longe do mundo comum.
Ao saber que as pessoas normais, como eu e você, gostávamos de heróis, o grande mago se baseou em um certo grupo de heróis, e criou o seu. Mesmo que fosse loucura, coisa de ficção, a roupagem deles seria palatável.
Ele tomou o espírito de uma fada, e a condensou numa espécie de pílula, bebendo com um chá especial. Seu corpo ardeu um pouco. Sua alma e a da fada se uniram, e dessa união surgiram três espíritos.
Um vermelho, um negro e um azul.
Usando o mesmo material com que engoliu o espírito da fada, ele fixou os pequenos seres em três pílulas. As Power Pills. Não queria testá-las em si mesmo, pois tinha medo de que o poder ficasse consigo.
Por sorte, as pílulas tinham vontade própria. Elas viajaram o mundo todo, e encontraram seus usuários. Em pouco tempo, o grande mago, Sigma Sage, recebeu, em sua mansão, um trio de rapazes:
Allen Hall, o da pílula vermelha;
Mamoru Tateyama, o da pílula negra;
E Ronaldo Conselheiro, o da azul.
Os três engoliram as pílulas, e foram guiados por elas até ali. Sage, animado, lhes ensinou o cântico de invocação dos poderes delas. Allen, ao gritar “Red Pill”, virou o líder, batizado como Alphaman.
Mamoru, gritando “Black Pill!”, virou o Blackman, enquanto Ronaldo, “Blue Pill!”, Betaman. Seus corpos foram vestido por magia. Seus uniformes eram colados, com elmos que lembraram capacetes. Os trajes combinavam com a cor de cada um.
Eles juraram proteger o mundo das forças do mal, que enfim ressurgiram das trevas. Viajavam o mundo inteiro destruindo inimigos.
Certa noite, eles finalmente encontraram.
— O quê? — perguntou o garoto.
Os verdadeiros inimigos. Inimigas, na verdade. No Japão, depois de destruírem o kaiju Kamizira, o trio sofreu um ataque pela retaguarda. Quando se viraram, viram diversas mulheres voando em vassouras.
Não se vestiam como bruxas, no entanto.
Seus trajes variavam, mas as cores predominantes eram preto e branco. A líder se destacou do grupo, apontando um longo cajado contra os Pill Rangers. Era loira, de olhos azuis, envolta num vestido com estampa de triângulos.
— Somos as Femme Fatales, as responsáveis por tudo isso! — declarou ela, irritada. — Queremos que a magia conquiste o mundo!
— Mas os magos juraram…
— Dane-se o Juramento de Merlim! — gritou a mulher, balançando a arma. — Chega de nos escondermos! Somos superiores! Somos seres por excelência! A ralé, que se proliferou no mundo, não o merece! Nós, os magos, é que devemos reinar sobre a Terra!
— É isso mesmo que você quer? — indagou o Alphaman, perplexo.
— Sim, e vamos eliminar os traídores, que se misturam com a gentalha!
A luta foi intensa. Os Pill Rangers resistiram bem.
Em dado momento, o Alphaman duelava com a líder, Mary Rouge. Ele usava a Alphablade, a espada de energia vermelha que a Red Pill lhe conferia, enquanto Mary o enfrentava com o cajado. Faíscas escapavam deles.
— Tome isso! — gritou Alphaman, realizando um corte de cima para baixo.
Mas Mary saltou para o lado, apontando o cajado contra ele.
— Errei?!
— Sim, e será a última coisa que você fez! — O cajado brilhou com uma luz marrom. — Paralyze Flash!
Um jato de luz marrom disparou debaixo do Alphaman, que não pôde se mover. Seu corpo enrijeceu, como se estivesse preso por correntes invisíveis! Ele tentou de tudo, e estava quase aceitando que esse era o seu fim.
De repente, seu corpo foi jogado para o lado.
— Betaman?!
Ronaldo, o usuário da Blue Pill, o empurrou de onde estava. Antes que ele pudesse sorrir, como sempre fazia, foi consumido por uma torrente de chamas, conjurada por Mary.
— BETAMAN!!
A líder das Femme Fatales sorriu, soprando a fumaça da ponta do cajado.
— MALDITA!
— Por hoje, é só — disse ela, chamando a vassoura e subindo nela. — Espero que desista, Pill Ranger.
A vassoura foi ganhando altitude.
— Pobre azulzinho…
— MARY ROUGE!
Com os gritos de um Alphaman furioso, as Femme Fatales deixaram a baía de Nagoya, voando livres pelo céu noturno.
— Droga, droga… DROGA!
Nem mesmo a Blue Pill havia restado.
— Ou era isso que eu acreditava — disse o rapaz, coçando a nuca.
Era um californiano bronzeado, de cabelos ruivos e olhos verdes. Tinha uma vibe de surfista, ainda que estivesse vestindo um moletom da nike.
— Então foi você que ela escolheu.
Ele encarava a palma do garoto, onde jazia uma pílula azul.
— Parabéns, Nathan Yago Dias.
O mesmo garoto que, no dia anterior, incendiou a casa de um vizinho.
— Você é o novo Betaman.
— Tem certeza de que isso não é tadala? — perguntou o garoto, tentando rir. — Tipo, como você sabe que eu não passei por uma farmácia e comprei?
— Porque eu sinto a energia vindo dela.
— Ah.
Contra esse fato, não havia nada que ele pudesse fazer.
— Allen Hall, né?
— Isso — confirmou o ruivo, apertando a mão dele.
O próprio Pill Ranger.
— Somos parceiros, não precisa de formalidades.
— Não, sério, até hoje você era só o pill ranger vermelho, o Alphaman — disse Nathan, pondo as mãos no bolso. — Eu só te via pela televisão. Além de você ser um cara ruivo, é surpreendente que “Allen Hall” seja sua identidade secreta.
— Pois é, né? Ninguém sabe quem é Allen Hall — riu o americano.
Mas todos sabiam dos Pill Rangers e o Alphaman.
— E então? Vai tomar a Blue Pill? Posso buscar um copo d’água, se precisar.
— Não…
Nathan olhou para baixo, piscando bastante.
— Preciso de tempo pra pensar.
Allen deu um suspiro, sabia como era.
— Podemos nos ver amanhã?
— Claro que sim!
O garoto assentiu, franzindo a testa.
— Espero que a resposta seja positiva — disse Hall, já se afastando.
“Eu nem queria ter recebido a proposta, pra começo de conversa!” Pensou Nathan.
Afinal, ele odiava isso.

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