— Meu codinome é Megamix, a Grande Alquimista das Misturas! — Ela pôs uma mão na cintura, e a outra apontou a varinha contra Nathan. — E com essa humanidade sofrida, de seus pecados arrependida, farei uma grande… 

    E louca… 

    — Batida!

    “Não tinha uma vilã menos imbecil, não?”

    Ele se lançou contra a esfera de vácuo, caindo em pé na plataforma de Megamix. A mulher ainda apontava a varinha de um jeito imperativo, como se estivesse dizendo “xô, xô!” ao garoto. 

    — Você é mais baixinho que o outro — disse ela.

    O olhou de baixo a cima, como se procurasse alguma coisa.

    — Foram rápidos em escolher outro.

    — Alguém tem que assumir o manto, né? — riu ele, fazendo uma pose que pensou ser de batalha.

    Ela sorriu com o canto da boca.

    — Que foi?

    — Será que vou te matar por acidente outra vez, Betaman?

    Ele congelou.

    “Então foi você?”

    Nathan fingiu estar calmo, pois era o único que poderia detê-la.

    — Muito bem, eu vou… 

    Pah!

    Um punho limpo atingiu o rosto de Megamix, tirando boa parte da maquiagem.

    — Mas que… 

    Pah!

    Outro soco, agora pela esquerda.

    — DESGRA… 

    Pow! SOCK! PAW, POW! PAH, PAH, PAH, POW!

    Era um atrás do outro, todos no rosto dela. Nathan ficou surpreso com a própria velocidade. A Blue Pill dava tanto poder assim? Se era isso, estava feliz.

    Ele girou o tronco, disparando um uppercut que a fez voar uns metros e cair na borda da plataforma. Ele andou até ela, que via estrelas diante dos olhos. Ele tomou a varinha dela, segurando-a nas extremidades.

    — Ei… 

    Ela arregalou os olhos, quando entendeu o que ele estava prestes a fazer.

    — Não faz isso, sério, não faz… 

    Crack!

    Ele partiu a varinha ao meio.

    — O QUE VOCÊ FEZ?!

    Antes que ela tivesse uma resposta, as coisas mudaram de figura.

    Foi como ver o replay de um vídeo. O mundo estava rebobinando em alta velocidade. Em menos que um piscar de olhos, eles estavam no céu, em cima da plataforma de Megamix.

    Em queda livre… 

    — GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

    Herói e vilã viam as nuvens subirem, feito mastros de vapor no azul profundo. Não importava quem, ambos morreriam se chegassem ao chão. 

    — Ei, é a minha primeira vez! — gritou Nathan.

    — Ah, JURA?!

    — Você sabe se os Pill Rangers… 

    Ele pensou um pouco. Não sabia como fazer aquela pergunta.

    — Tem power ups?

    — Power…?

    O cérebro dela, trabalhou a mil. Enfrentou esses malditos diversas vezes, e sentia que tinha escutado algo assim. Qunado lembrou, gritou:

    — Cor e “Power”!!

    “Cor e…?”

    — Power… ah, espera, entendi!

    Ele estufou os pulmões.

    — BLUE POWER!

    Nathan pegou fogo. Chamas azuladas o envolveram por completo. Sentiu que poderia sobreviver. Ele olhou para Megamix, que estava assustada. 

    Mesmo que ela fosse o inimigo, não seria nada heróico deixá-la para morrer!

    Ele se inclinou, e a gravidade fez o favor de aproximá-lo da bruxa. Ele a pegou pelos ombros, a envolvendo em um abraço troncho. Afinal, ele era menor que ela. 

    “Tomara que eu absorva todo o impacto…”

    CABAM!

    No meio da rua que cruzava a orla de Itacoatiara, uma rocha caiu do espaço. Asfalto, terra e poeira foram levantados, e as pessoas, atordoadas, foram jogadas em diferentes direções. 

    Algum tempo depois, os primeiros a levantarem fitaram o meteorito. Foram umas cinco pessoas que, vencidas pela curiosidade, superaram a dor e foram ver de perto. Quando conseguiram, tomaram um susto.

    No meio da grande rocha, em uma cratera, um rapaz vestido de ranger azul abraçava uma gótica, que estava tentando se erguer. Dois homens, entre os curiosos, a ajudaram, a levantando pelos ombros.

    — Menina do céu! — gritou uma senhora, que fazia parte do grupo. — Como que tu tá viva?!

    — Como vocês foram parar aí?

    — Eles tão gravando um filme?

    — Não tem fundo verde!

    — Que porra tá acontecendo?!

    Megamix estabilizou a mente, e logo entendeu que a situação ia ficar ruim. As pessoas, preocupadas, começaram a chamar a polícia. Alguém mencionou que um webjornalista estava a caminho, para cobrir a reportagem, e ela se desesperou.

    — Puta merda, vão me descobrir… puta merda!

    Ela pensou em fugir. Se fosse pega, seria demitida das Femme Fatales e teria de voltar a procurar subempregos. Aquela vida ingrata seria a sua outra vez. No entanto, sua consciência não permitia.

    Aquele garoto quis salvá-la, mesmo sendo inimigos. Ela tentou se convencer de que a culpa era dele, por querer pagar de herói. É isso que os idiotas merecem. Mas ela sabia que estava mentindo.

    Quando foi a última vez que alguém fez algo por ela? Resposta: Nunca. Ela vivia por si mesma desde que se entendia por gente, tanto que nem tinha figuras que pudesse chamar de paternas.

    As Femme Fatales eram apenas um bando de bruxas em uma empresa de magia. Ninguém se importava com ninguém ali. Era cada um por si, tentando avançar na hierarquia. O mundo mágico acreditava que elas eram unidas por um propósito, pelo sonho de dominar o mundo.

    Mas era o desejo da chefe delas.

    Ela não queria saber de dominação mundial. Mal cuidava de si mesma, imagine dos outros! Ela só queria dinheiro suficiente para não ter que viver de sobreviver. Já havia brigado com porcos para comer restos… 

    Ela sabia o que era passar fome. Sendo uma bruxa, era forçada pelo Tratado Mágico a não se misturar com as pessoas normais. Não enquanto não tivesse permissão. Não pôde ter empregos normais.

    Cresceu de furtos e alguns bicos. Ter roubado a varinha de Zyra Vornadra de Lasombra foi o que atirou dessa vida. A bruxa que queria reinar sobre a Terra lhe deu um emprego, um manto sob as Femme Fatales.

    Mas Zyra não era sua mãe, e as outras bruxas não eram suas irmãs. Enquanto via as luzes da polícia se aproximando, Megamix tomou sua decisão. Ela pegou o garoto em seus braços, ignorou a multidão e correu.

    Para onde? Não fazia ideia.

    As pessoas, que estavam recebendo o webjornalista, ávidas pelos cinco minutos de fama, não perceberam quando a dupla desapareceu. 

    Megamix desceu a ladeira, chegando ao fim da rua. À direita, barcos e lanchas atracados em estacas de madeira, e à esquerda, um armazém e um prédio abandonados. Ela entrou no prédio, escorregando atrás de uma coluna.

    Escorou-se nela, ainda segurando o garoto.

    “Eu devo ser idiota!” Ela pensou.

    Mas sorriu. Ele estava bem.

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