Zarek murmurava baixo, com seu crânio inclinado sobre uma pilha de livros espalhados pela mesa do escritório.

    Após retornar à cabana, ele não encontrou muito o que fazer além de mergulhar novamente nos volumes de Zahara. Ele já havia passado os olhos por alguns de seus estudos antes, mas ainda conseguia encontrar material suficiente para manter-se entretido: tratados de anatomia, bestiários antigos, registros sobre manifestação espiritual e encantamentos, além de alguns relatos de exploração que descreviam terras distantes.

    Àquela altura, ele já havia retornando à sua estrutura disforme, permitindo que seus tentáculos longos se espalhassem pela superfície da mesa, folheando páginas e recolhendo livros. Era uma disposição mais conveniente, algo que tornava sua interação com o ambiente fechado do escritório mais eficiente — e, de certo modo, confortável — do que ficar perambulando de um lado para o outro.

    O tempo passou sem que ele percebesse, até que um ruído do lado de fora chamou sua atenção.

    Ele ergueu a cabeça, com seus olhos vazios se fixando na entrada do escritório, acompanhado de uma atenção quase ansiosa.

    Foi quando a maçaneta começou a se mover e a madeira rangeu ao se abrir, revelando Zahara, que encontrou o olhar dele sobre si no mesmo instante.

    Ela o encarou, observando-o espalhado sobre os seus livros em cima da mesa, até que falou:

    — Zarek… Já está de volta? Cansou de contar as suas folhas?

    Zarek permaneceu em silêncio por um momento, antes de murmurar, assentindo:

    — Hm.

    Ele não queria que Zahara soubesse que ele havia se deparado com outros humanos. Muito menos que ele havia sido visto por um deles. Então apenas agiria naturalmente… o tanto quanto possível.

    Suas brasas voltaram a encarar as páginas abertas à sua frente, e Zahara começou a se desfazer de sua bagagem.

    — Ótimo… pensei que ainda teria que ir atrás de você. Parece que ocorreu tudo bem… — continuou, enquanto colocava a mochila na mesa e começava a se espreguiçar para desenrijecer os ombros.

    — Hm — murmurou Zarek, assentindo.

    Zahara arqueou uma sobrancelha.

    — Aconteceu algo? Você parecia mais animado, horas atrás…

    E agora…? Mesmo com sua tamanha discrição, parecia que Zahara conseguia ver através de sua aura, já que ele sequer tinha expressões. Talvez simplesmente recorrer a um mísero “não”, ainda fosse uma opção.

    Mas enquanto ele demorava alguns segundos pensando em sua próxima resposta, Zahara analisou melhor os livros diante de Zarek, que tanto prendiam a sua atenção. Seus olhos imediatamente pousaram sobre uma folha de papel, dispersa, no meio de vários outros livros.

    Ela se aproximou para pegá-la, e Zarek começou a acompanhá-la com suas orbes.

    Assim que ela olhou para o seu conteúdo, o que estava escrito ali parecia ter gerado algum efeito em Zahara que Zarek não podia compreender.

    Ela fechou os olhos, e aproximou a folha de seu peito, respirando profundamente. Até que ela virou o seu conteúdo para Zarek.

    — Onde isso estava?

    Zarek piscou algumas vezes — ou algo que simulasse o gesto.

    — Hum… estava entre os livros. — Ele respondeu.

    Zahara continuou o encarando nos olhos, e soltou outro suspiro.

    — Ahh… Esqueci de falar, mas… não saia mexendo nas minhas coisas. Você pode acabar perdendo algo importante.

    Zarek inclinou levemente o crânio para o lado, observando a folha que Zahara segurava.

    Ele já havia visto aquilo antes.

    Quando derrubou os livros há tempos atrás, ele havia encontrado aquele papel disperso entre eles, como se tivesse se desprendido. 

    Na época, não lhe despertou interesse. Parecia apenas um desenho desordenado, sem muita nitidez, que tentava retratar algumas figuras humanoides. Então ele apenas a recolheu e a colocou sob a mesa, no meio do restante dos livros.

    Agora, porém, Zahara segurava o papel como se fosse um artefato sagrado. Algo de grande importância…

    Zarek forçou sua percepção sobre a imagem mais uma vez, buscando desvendá-la. As linhas coloridas se cruzavam de maneira instável, algumas mais finas, outras exageradamente grossas. As formas lembravam vagamente figuras humanoides, mas desalinhadas e desproporcionais, com cabeças grandes e corpos pequenos, ou braços esticados de maneira estranha. Entre elas, manchas de cores vibrantes se espalhavam sem um critério aparente.

    Mesmo assim, a intenção por trás da imagem continuava lhe escapando.

    Foi quando Zarek simplesmente vocalizou a sua dúvida.

    — O que são esses seres? — questionou, curioso.

    A expressão de Zahara se fechou assim que ouviu sua questão.

    Sem responder, ela virou o desenho contra o próprio peito, como se quisesse protegê-lo da blasfêmia recém-proferida.

    — Apenas… não… mexa — concluiu, apertando o papel contra si. Sua voz carregava um peso repentino, com uma seriedade que o fez piscar em confusão. — Está proibido de mexer sem permissão. Algumas das coisas que tenho aqui são insubstituíveis. Você me entendeu?

    Zarek hesitou. Nem mesmo quando ele se revelou racional, ou quando zahara o viu se mexendo pela primeira vez havia provocado tal reação.

    Mas aquilo?

    — Hm — Assentiu Zarek, ainda confuso sobre o que poderia ter feito de errado.

    — Então, por favor… organize-os como estavam antes — suspirou Zahara, massageando a testa. — E se quiser ler algo, apenas peça.

    Zarek desviou o olhar para a pilha bagunçada e depois voltando para Zahara, processando suas palavras. E então, sem questionar, começou a empilhar os livros como estavam anteriormente.

    Enquanto isso, Zahara se aproximou mais uma vez da mesa e pegou seu velho caderno de anotações, deslizando com cuidado o desenho entre as páginas, garantindo que ficasse protegido.

    Foi então que outra coisa chamou sua atenção.

    Uma pequena mancha na palma de sua mão.

    Ela franziu o cenho e a abriu completamente, revelando rabiscos que pareciam ter sido feitos com sua própria caligrafia. Sua mente levou alguns segundos para encaixar as peças, mas assim que leu as palavras, sentiu o impacto.

    “Lembre-se de buscar o seu chapéu com a mulher da Vila de Kessan.”

    Por um instante, Zahara ficou imóvel. Não conseguia se lembrar de imediato do que aquilo significava, mas uma sensação incômoda rastejou por sua mente, como se houvesse um vazio que não deveria estar ali.

    Então, tudo voltou.

    A mulher. O pedido de ajuda.

    Seu rosto esboçou um sorriso estranho enquanto Zahara cerrava os dedos sobre a escrita.

    — Ohh… ela realmente é muito esquecível — sussurrou consigo mesma, com um tom de surpresa.

    •••

    Algumas horas atrás.

    A mulher de aparência exausta continuava puxando Zahara pelas ruas de Kessan, enquanto seus passos apressados vacilavam entre tropeços, denunciando seu desespero. Seu aperto firme na roupa de Zahara indicava que não a soltaria tão facilmente.

    Até que Zahara, já impaciente, travou os pés próximos a um beco, obrigando a outra a parar.

    — Aqui já está bom… apenas fale. Qual o seu problema? — disse com frieza, afastando-se ligeiramente para recuperar seu espaço.

    A mulher engoliu seco, com seus olhos inquietos varrendo os arredores, como se algo invisível estivesse prestes a alcançá-la. Então, em um sussurro vacilante, murmurou:

    — Eu… tenho certeza… que tem uma aparição atrás de mim.

    Os olhos arregalados da mulher estavam repletos de medo genuíno, mas Zahara não se impressionou. Apenas arqueou levemente uma sobrancelha, mantendo-se fria e alheia à aflição diante dela. O que a incomodava, no entanto, era o fato de a mulher continuar agarrada à sua roupa com tanta força.

    Soltando um suspiro impaciente, Zahara cruzou os braços.

    — Certo, já entendi essa parte. Mas… como? Onde? Por quê? Você apenas está repetindo o já escrito no papel. Se você não tiver mais nada, além disso… como espera que alguém possa lhe ajudar.

    A mulher vacilou, com seu olhar fugindo para o chão e os lábios entreabrindo-se em busca de uma resposta que não vinha.

    A hesitação a tornou ainda menos convincente.

    Zahara estreitou os olhos.

    “Será que é apenas louca?”, pensou.

    Mas, antes que concluísse seu julgamento, a mulher voltou a falar. Sua voz, agora reduzida a um fio trêmulo, mal escapava de seus lábios.

    — Eu… eu não sei — murmurou, baixando ainda mais o rosto. Seus dedos apertaram o tecido da roupa de Zahara com tanta força que ele rangeu sob a pressão. — Mas as pessoas… elas simplesmente estão esquecendo que eu existo. Como se eu estivesse desaparecendo aos poucos. Como se eu fosse… nada. Passam por mim, esbarram em mim, mas nem ao menos percebem que estou aqui.

    Seu corpo tremeu. Então, como se a constatação de suas próprias palavras a golpeassem por dentro, lágrimas começaram a escorrer de seus olhos.

    Zahara, que até então mantinha sua indiferença intacta, sentiu sua expressão suavizar por um breve instante.

    Seu olhar se desviou por um momento, com sua mente calculando as possibilidades.

    Por fim, exalou um suspiro, ajustando o peso do corpo para um lado da cintura.

    — Hmhum… certo, eu já entendi. Mas ainda assim… eu não vou conseguir lhe ajudar sem nenhuma informação. Você vai precisar me falar um pouco mais…

    Assim que a dama ouviu as palavras de Zahara, ela elevou seu rosto para encará-la. E, enquanto os seus olhos pareciam brilhar com fagulhas de esperança, respondeu:

    — Direi tudo o que precisar…

    A porta rangeu levemente quando Zahara a empurrou, adentrando a casa. E então ela avançou devagar, com seus olhos varrendo cada canto, minuciosamente.

    As velas estavam apagadas, mas a luz que invadia o cômodo pelas janelas era o suficiente para enxergá-lo com certa clareza. Os móveis estavam apenas ligeiramente fora do lugar, o chão parecia limpo e cada objeto repousava onde supostamente deveria estar.

    Para alguém que alegava estar sendo perseguida, a residência parecia estranhamente… normal.

    Zahara inclinou levemente a cabeça, absorvendo cada detalhe, deixando os dedos deslizarem sobre a superfície de uma mesa próxima, observando haver uma fina camada de poeira.

    A mulher, que se mantinha ligeiramente atrás dela, fechou a porta e abraçou os próprios braços, como se buscasse conforto.

    — Eu… eu não consegui manter as coisas muito organizadas — murmurou com a voz hesitante.

    Zahara não respondeu de imediato, fechando os olhos por um breve instante. E quando os abriu novamente, sua visão havia se aguçado.

    Os Zeladores — as pequenas criaturas, quase imperceptíveis — flutuavam pelo ambiente como poeira suspensa na penumbra, como de costume. Porem em uma quantidade um pouco mais numerosa.

    Zahara franziu ligeiramente a testa.

    Seus olhos acompanharam o movimento das criaturas, analisando a forma como vagavam pelo cômodo até, enfim, focar na mulher.

    Alguns estavam ao redor dela, a orbitando.

    Zahara permaneceu em silêncio por alguns segundos.

    “É… talvez ela não seja louca.”

    Foi quando Zahara olhou novamente para o papel enrolado em sua mão, relendo suas informações.

    — Éhh… Como você se chama, mesmo?

    A mulher sobressaltou-se com a pergunta, com os ombros tremendo ligeiramente antes de recuperar a compostura.

    — Eu… não disse. Sinto muito… eu me chamo Marie, Marie Rosa.

    — Certo, Marie… eu me chamo Zahara Alba — Um sorriso de canto surgiu em seus lábios. — Então… quanto disse que pagaria? 

    — Ah… é… o suficiente — respondeu, com a voz mais firme desta vez.

    Com um movimento rápido, deslizou a mão sob a roupa, puxando uma pequena bolsa de couro escondida. Ao abri-la, revelou um brilho discreto de moedas de prata e ouro.

    Zahara observou o conteúdo por um instante, antes de falar:

    — Certo. Você terá a ajuda que precisa.

    Ela permaneceu inerte por um instante, como se estivesse selando mentalmente o acordo, antes de voltar a sua atenção para a mulher à sua frente e retomar a caminhada lentamente pela residência.

    E Marie seguiu o acompanhamento, logo atrás. Silenciosa, como se temesse perturbar a investigação, mas sempre perto o bastante ao alcance de suas mãos.

    A residência era relativamente grande, composta por três cômodos além da sala. O primeiro era um quarto bem mobiliado, com uma cama robusta e móveis esculpidos em madeira polida. O segundo espaço servia como armário, repleto de baús e prateleiras.
    Já o terceiro cômodo, no entanto, destoava dos demais. Era outro quarto, mas parecia abandonado. A cama estava descoberta, sem lençóis ou mantas, o baú de roupas encontrava-se vazio, e o armário, apesar de imponente, não guardava nada em seu interior. Zahara notou também a ausência de poeira nos móveis, como se alguém houvesse esvaziado o espaço recentemente.

    Zahara percorreu o olhar por cada detalhe, avaliando as condições do local. Então, sem se virar, fez a pergunta:

    — Mora sozinha?

    A mulher hesitou por um instante.

    — Ahn?… Sim. Na verdade… eu sou viúva.

    Zahara murmurou um “hmm” quase inaudível, deixando a informação pairar no ar.

    Elas se sentaram à mesa da sala com a luz das velas deslizando suavemente sobre seus rostos. Zahara cruzou os braços sobre a mesa com seu olhar firme sobre a mulher à sua frente.

    — Você vai me responder algumas perguntas.

    A mulher assentiu rapidamente.

    — Certo!

    — O que você tem sentido, além do isolamento social?

    — Eu… me sinto mais fraca. Eee… às vezes… tenho a impressão que tem alguém por perto… me observando.

    Zahara ouviu atentamente e logo partiu para a próxima pergunta:

    — Quando começou a sentir essas coisas?

    Ela franziu a testa, como se tentasse organizar os pensamentos.

    — Percebi há pouco menos de uma semana… Mas só porque ficou mais intenso. Acho que já faz duas ou três…

    — Teve alguma perda de memória?

    — Acho que não… Pelo menos, nada que eu tenha notado.

    — Você foi a algum lugar diferente nesse período? Ou tinha planos de ir para algum lugar antes de tudo isso começar?

    A mulher piscou algumas vezes, refletindo.

    — Não que eu me lembre… — Sua voz vacilou, e então ela ergueu o olhar para Zahara, desconfiada. — Mas… por que essas perguntas?

    Zahara permaneceu em silêncio por um instante, observando-a com atenção antes de responder.

    — Não são muitas aparições que mexem com a mente humana. Estou apenas tentando reduzir a lista de suspeitos para um número mais razoável.

    A mulher engoliu seco, com suas mãos se entrelaçando sobre a mesa.

    — Essa casa é sua? — perguntou Zahara, desviando brevemente o olhar para o ambiente ao redor.

    A mulher hesitou por um momento antes de responder.

    — Sim… Era da família do meu marido. Depois que me casei, fiquei com ela.

    Zahara notou a tensão nos ombros da mulher e decidiu não pressionar mais esse assunto por ora.

    — Entendi. — Ela se recostou levemente na cadeira, tamborilando os dedos sobre a mesa. 

    A mulher engoliu em seco novamente com seus os olhos cheios de expectativa.

    — Você… pode me ajudar, não pode?

    Zahara esboçou um pequeno sorriso no canto dos lábios.

    — Se o pagamento for justo, eu nunca recuso um trabalho — respondeu, esboçando um leve sorriso acalentador. No entanto, sua expressão mudou sutilmente ao franzir as sobrancelhas, como se algo tivesse lhe ocorrido de repente. — Ah, sim! Quase me esqueci… Por que você não pediu ajuda ao reino? Eles são especialistas em lidar com aparições.

    A mulher suspirou, passando a mão pelo próprio braço como se tentasse aquecer a si mesma.

    — Eu tentei… — Sua voz saiu hesitante, como se já tivesse perdido a esperança na resposta que dera. — Mas eles demoram tanto para agir, que também acabam esquecendo.

    Zahara inclinou levemente a cabeça, ponderando por um instante antes de soltar um suspiro discreto.

    — Tudo bem… acho que já tenho uma ideia. Mas antes de começarmos, preciso sair por um momento para verificar algumas coisas.

    A mulher arregalou os olhos, com sua respiração travando no mesmo instante.

    — N-Não! — Sua voz tremeu enquanto ela saltava da cadeira, quase instintivamente. — Você não pode ir agora! Você também vai se esquecer de mim!

    A suas palavras saíram de forma desesperada, carregadas pelo medo genuíno que transparecia no olhar dela. Zahara a observou em silêncio por alguns segundos antes de soltar um leve riso pelo nariz.

    — Eu não sou tão irresponsável assim — respondeu, enquanto retirava o chapéu com um movimento tranquilo e o estendia para a mulher. — Vou deixar isso com você como garantia. Assim, não restam dúvidas de que voltarei para buscá-lo.

    A mulher pegou o chapéu hesitante, segurando-o como se fosse algo frágil.

    — Como pode ter tanta certeza?

    Zahara esboçou um sorriso leve.

    — Porque não consigo me acostumar com outro — Ela então puxou um pequeno frasco de tinta e uma pena, casualmente desenhando algumas palavras na própria mão antes de mostrá-las à mulher. — Isso já deve ser o bastante para me lembrar.

    Mas não parou por aí. Em seguida, pegou dois pequenos papéis e começou a traçar neles símbolos, os alimentando com sua própria energia. E assim que terminou, entregou um deles à mulher.

    — Não largue mão disso. Enquanto você estiver com ele, eu poderei saber onde você está.

    A mulher segurou o papel entre os dedos, ainda relutante, mas já um pouco mais aliviada. No entanto, Zahara manteve sua expressão séria.

    — Se o que está acontecendo com você for causado por uma aparição, não parece ser do tipo que vai lhe atacar fisicamente. Caso contrário, você já estaria morta. Isso significa que deve ser algo parasitário…

    Os olhos da mulher se arregalaram com a suposição.

    — E o que isso significa?

    — Significa que precisamos ser rápidos.

    A mulher apertou o chapéu contra o peito, engolindo seco. Zahara, por sua vez, recolheu o frasco de tinta e a pena, dando um último olhar confiante antes de se virar para a saída.

    — Não se preocupe. Eu volto logo.

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