O cheiro de sangue é forte… entro naquela sala de mármore, avistando dezenas, talvez centenas de humanos gravemente feridos.

    Suas túnicas brancas estão banhadas em vermelho, seus rostos contorcidos de dor.

    Alguns sofrem de destinos ainda piores, não apenas estão feridos, mas sofrem de doenças terríveis, causadas pelo Icor de algum herói.

    — Então é assim que mortais sofrem durante uma guerra…

    Se eu soubesse que desafiar meu pai maldito causaria tal sofrimento…

    Não… não importa quanto sofrimento eu cause aos humanos… o sofrimento que meu pai traria seria ainda maior do que isso.

    Pelo menos, eu posso curá-los.

    Transformá-los-ei em Vrykolakas.

    Olho ao redor, farejo, não há nenhum herói aqui, nem mesmo um Vrykolakas.

    — Ó, santa divindade, por favor, nos salve! — Uma mulher cai de joelhos e segura minhas pernas, implorando.

    — Não se preocupe, minha cara seguidora. — Afago gentilmente seu cabelo. — Farei o possível para que tu… não, para que vós viveis.

    — Obrigada, muito obrigada!

    Ela me solta, me permitindo caminhar adiante entre os inúmeros feridos e doentes.

    Vejo vários olhares esperançosos em mim… são pesados, cada vida que estão entregando em minhas mãos pesam como o mundo todo…

    Então, começo a suar frio, minhas mãos tremem.

    Eu disse que os salvaria, mas nunca fui capaz de vampirizar ninguém… em um século inteiro, tentei transformar mais de… quinhentas pessoas? E todas elas falharam, se transformaram em gárgulas que tive que matar.

    Quantas pessoas há aqui agora? Pouco mais de cem?

    Não tem como todas virarem gárgulas… pelo menos uma delas deve conseguir virar um Vrykolakas.

    Respiro profundamente, tentando me acalmar.

    Pego uma jarra grande, corto meu próprio pulso usando minhas garras e derramo o sangue dentro.

    — Vós precisais beber meu sangue. — Me aproximo do humano que está mais próximo da morte. — Isso os curará…

    Aproximo o jarro de sua boca, está desacordado, tenho que abrir seus lábios para que beba.

    Por favor… pelo menos deixe um viver…

    ***

    — Argh, porra! — Minha cabeça dói, levo minha mão até minha testa.

    — Tu estás bem? — Perséfone toca meu braço, preocupada.

    — Sim, vossas… suas memórias estão surgindo na minha mente…

    No topo daquela alta torre, ergo meu olhar e encaro a lua cheia, sua beleza escarlate lentamente se transforma em prata conforme o eclipse passa.

    — Entendo, levará algum tempo até que se acostumes.

    Após ter me transformado, Perséfone me levou para longe e me explicou um pouco sobre vampiros.

    No caminho, invadi uma loja e troquei de roupas, uma um tanto luxuosa que combina mais com minha grandeza.

    — Vejamos se entendi. Vampiros adquirem todas as memórias de um humano ao sugar seu sangue, o oposto também acontece, quando um humano bebe do sangue de um vampiro para se transformar.

    — Exato. Talvez tenhas dificuldade para compreenderes tudo sobre o que é ser um vampiro, porém, conforme tu absorves minhas memórias, este entendimento ocorrerá mais facilmente.

    Parece que Perséfone se transformou há muito tempo, são muitas memórias não apenas dela, como de outras pessoas que ela bebeu o sangue.

    Mesmo assim, as memórias que vi dela foram pouquíssimas, e só isso já é o suficiente para me fazer perder o foco totalmente.

    — A propósito…. Que memória vi-vistes? — Ela hesita, me encara de maneira evasiva.

    — Estiveste… estava em uma sala com vários feridos, estava prestes a dar a eles seu sangue, mas a memória cortou.

    — Compreendo… — Perséfone vira o rosto, sua expressão se torna triste. — Este dia…

    A curiosidade me compele a perguntar o que aconteceu, mas decido não dizer nada, não parece ser uma memória boa.

    Alguns dos ferimentos daquelas pessoas não pareciam ter sido causados por vampiros, mas sim por caçadores, algum poder que desconheço.

    Ainda não entendo muito bem esses caçadores… bem, eles nos caçam, mas não sei muito sobre seus poderes, suas Benções Divinas.

    Como recebem esses poderes? Ou nascem com eles? Bem, talvez com o tempo, conforme as memórias de Perséfone se assimilam, saberei a resposta.

    Tudo que sei é que os desprezo, como ousam importunar, e até nos caçar? Se eu encontrar com eles, me certificarei de matá-los sem piedade.

    — Bem, está na hora de irmos para o nosso próximo destino. — Ela se levanta, estendendo sua mão para mim.

    — Para onde? — Pego sua mão, aceitando sua ajuda.

    — Para uma das residências onde nossa espécie se reúne. — Com nossas mãos ainda unidas, flexionamos nossos joelhos ao mesmo tempo e pulamos.

    — Uou! — Sinto minha espinha gelar quando, em um piscar de olhos, a distância do chão sob meus pés aumentou para algumas dezenas de metros. — Caralho! Isso é muito alto, haha!

    — Nós não podemos voar, contudo, com nossa super força, podemos ter uma experiência bem parecida.

    Perséfone me encara e sorri, seus olhos escarlates capturam a luz prata da lua, tornando-os ainda mais belos.

    — Isso é incrível!

    Olho para baixo e vejo as construções e as poucas pessoas caminhando por aí.

    Graças à nossa força e velocidade, podemos cobrir largas distâncias em pouco tempo, cruzando do bairro pobre até o rico de Vienna.

    Tudo parece igualmente pequeno e insignificante quando visto de cima…

    Essa… essas sensações… Estar acima de todos, o vento batendo em meu rosto, poder respirar profundamente sem tossir sangue, não me cansar… Haha! Isso é o melhor! Ainda bem que não sou mais humano.

    Aqueles abaixo de meus pés sofrerão com doenças e idade, falecendo após algumas décadas, os netos de seus netos sofrerão o mesmo destino, enquanto isso…

    Eu estarei tão saudável como nunca… Nunca mais gastarei dinheiro com algum médico incompetente.

    Ah… que maravilhoso…

    — É muito longe?

    — Um pouco, levará um tempo. — Mesmo com o forte barulho do vento, somos capazes de nos ouvir… As capacidades físicas de um vampiro realmente são muito superiores.

    — Não existe a possibilidade de nos verem?

    — Estamos nos movendo bem rápido, dificilmente seremos…

    Tchunc!

    Quê?! Uma flecha envolta em eletricidade atravessa Perséfone na cabeça.

    — PERSÉ…

    Tchunc!

    Algo atinge minha cabeça, perco um pouco o controle de meus músculos; começamos a cair.

    — Argh! — Bato com tudo contra o chão, sinto alguma dor, mas um humano teria morrido… — Perséfone!

    — Estou bem… — Ela aparece do meu lado, me ajudando a me levantar. — Cuidado, há caçadores aqui.

    Arranco a flecha cravada em meu crânio.

    Caçadores? Só pode estar brincando comigo, esses insetos estão vido atrás de mim no mesmo dia que me transformei?

    Não vou permitir isso… Querem me matar justo quando me curo… Matarei quem for preciso para viver!

    — Este lugar… é um vilarejo abandonado. — Olho ao redor, já estamos longe da cidade, em um vilarejo que provavelmente foi abandonado em alguma das guerras.

    Escuto com atenção, olho ao redor.

    Vejo algo se mover nas ruínas, escuto sons de passos.

    — Sei que estão aqui, apareçam!

    Os vários passos se aproximam, figuras aparecem, quatro delas.

    — Hmpf, essas criaturas demoníacas realmente ouvem bem… como um animal. — Um jovem adulto de cabelo ruivo encaracolado bufa, segurando um escudo de aço e vestindo uma armadura completa. — Você estava certo, chefe Hanz.

    — Eu te disse, Philip… Experiência própria… — Um homem magro por volta dos quarenta, de cabelo escuro curto e barba por fazer tira uma espada de duas mãos das costas com dificuldade, sua voz é arrastada e cansada.

    — Tua pontaria é deveras precisa, Lucas. — Uma jovem de longo cabelo loiro abre um livro, que brilha em várias cores. — Deus deu-te bons olhos.

    — Eu não disse, Cornelia? Ninguém é melhor do que eu quando se trata de pontaria, haha! — Um adolescente, também loiro, coloca outra flecha em seu arco.

    Pelo visto, as Benções deles são de eletricidade, defesa e… cura… ou talvez fortalecimento…

    Mas e esse magrelo? Mal consegue erguer sua espada, que tipo de Benção Divina ele tem? Por que ele é o líder?

    — Insolentes, como ousam nos atacar? Lhes darei uma única chance para irem embora vivos, caso contrário…

    — Haha! Ouviu essa, Hanz? Eles acham que estão na vantagem!

    — São todos assim, mas o resultado é sempre o mesmo…

    — Ora seus…

    — Espere! — Perséfone coloca a mão no meu peito e dá um passo adiante. — Escutem, por favor, não desejamos causar-lhes mal. Ninguém precisa morrer.

    Ela ainda tenta trilhar o caminho da paz? É exatamente como na memória que vi, por que isso acabaria diferente agora?

    — Um vampiro pacifista? Haha! Quem diria!

    — Nenhuma palavra desses demônios deve ser confiada.

    — Não precisa ser assim! Nós…

    — Perséfone, já basta, nós dois sabemos como isso vai acabar. Essa escória só sabe de matança!

    — Quanta hipocrisia, um vampiro dizer isso… Sinto-me até irritada…

    — Mas… — Perséfone tenta segurar meu braço, seu olhar gentil e aflito quase me faz hesitar.

    Quase.

    — Quanto antes acabarmos com isso, melhor! — Afasto seu braço e avanço com tudo contra Cornelia.

    — Não de deixarei tocar nela, sua maldita criatura! Vontade de Aço!

    Philip, o escudeiro, aparece com seu escudo na minha frente.

    — Nesse caso, você morrerá primeiro! — Com minhas garras, rasgo na direção do escudo.

    Um mero escudo de aço é incapaz de resistir aos ataques de um vampiro… tenho quase certeza que vi flashes de memória de Perséfone onde ela atravessou o aço.

    Minhas garras certamente rasgarão esse inseto!

    Tin!

    O quê?! Minha garra refletiu?

    — Você está na minha mira! — Uma flecha elétrica atinge minha perna, me impedindo de me mover.

    — ‘Tudo posso naquele que me fortalece!’ — A sacerdotisa folheia seu livro, sua bíblia, que brilha em um arco-íris.

    — Te peguei… Expansão… — O líder do grupo, com o corpo coberto no mesmo brilho da sacerdotisa, ergue sua espada, que subitamente cresce duas vezes de tamanho.

    Vejo a espada se aproximando, tento desviar.

    Tum!

    Perséfone aparece e chuta o líder, jogando-o para longe.

    Aproveitando a oportunidade, tiro a flecha e me afasto, ela me acompanha.

    — Espere! Não precisa ser assim!

    — Perséfone, não entendo por que insiste nisso… Na verdade entendo? Argh! Que seja! Mas o fato é…

    Swoosh!

    Hanz aparece já no meio de desferir um corte na minha direção.

    — Cuidado! — Perséfone se joga na minha direção, a espada corta um de seus braços.

    — Já que é assim, te matarei primeiro… Vampira…

    — Perséfone!

    Uma fúria e desespero tomam conta de mim. Flexiono minhas pernas e disparo na direção dele.

    — O qu…

    Ele se surpreende, tenta desviar, mas minhas garras deixam um rasgo profundo em seu peito, sangue jorra.

    — Vou acabar com você! — Giro meu corpo na sua direção e tento matá-lo de vez.

    — Vontade de Aço! — O escudeiro, com seu corpo brilhando, aparece na minha frente.

    — Muito lento! — Seu escudo não é grande o suficiente, ainda posso atingir o líder!

    — Expansão… — O líder sussurra com uma voz cansada e encosta no escudo dele.

    Subitamente, o escudo dobra de tamanho e minhas garras ricocheteiam novamente. Uma flecha elétrica perfura meu braço, fazendo-me perder força.

    — Droga! — Agarro Perséfone e nos afastamos.

    Tsc! Esse vampiro barulhento é perigoso. Cornelia, cure Hanz!

    — ‘É ele que perdoa todos os seus pecados…’

    O corpo do líder brilha novamente, suas feridas se fecham.

    — Droga. Perséfone, como está?

    — Não te preocupes, contanto que não cortem vosso pescoço ou perfurem vosso coração…

    Vejo que seu braço começa a crescer novamente.

    — Vou destruí-los! — Me preparo para atacar.

    — Espere! — Ela me segura. — Eu… entendo, não tem como acabar com isso sem lutar, por isso, não ataques sem pensar, descubras como as Benções deles funcionam primeiro.

    — Como funcionam…

    — E por favor, deixe-os vivos…

    Olho cuidadosamente para os quatro.

    O poder de Philip deve ser algo sobre aumentar a resistência do escudo, talvez até mesmo de sua armadura, mas ele é lento.

    Hanz pode aumentar o tamanho de objetos, não parece se aplicar a partes do corpo, porém ele não consegue erguer sua espada sozinho.

    Cornelia provavelmente tem um poder relacionado à bíblia que segura. Toda vez que realiza algum fortalecimento, folheia o livro e recita um versículo.

    Já Lucas… onde ele está? Tsc, não importa, seu poder não parece muito forte.

    — O time deles vai desmoronar sem a sacerdotisa, mas duvido que os outros três deixarão que cheguemos perto.

    — Hm, qual o plano?

    — Hmm… quer saber? Foda-se! Vou matar ela primeiro!

    — Espe… — Avanço novamente, Perséfone me segue.

    — Vontade de Aço!

    — Expansão…

    Como esperado, o escudeiro aparece e o líder o apoia.

    Minha garra certamente ricochetearia novamente, mas esse não é meu plano.

    Ao invés de atacar, agarro o braço do escudeiro firmemente.

    — O quê?!

    — Sua armadura pode ser resistente, mas… — Exercendo toda minha força, pulo dezenas de metros acima no ar, trazendo-o comigo. — Não pode resistir a isso!

    — Maldito! Sua criatura suja! Me solte!

    — Oh? Quer que eu te solte? Muito bem!

    Arremesso-o de volta até o chão. Em apenas um piscar de olhos, ele cai bem onde havia uma casa, desaparecendo no meio da poeira, serragem e escombros.

    Mergulho na sua direção, é melhor ter certeza de que o trabalho está feito.

    — Vontade… de Aço…

    Escuto seu sussurro… Há! vejamos o que ganha, sua Benção Divina ou minha força aliada com a gravidade!

    Acelero com tudo até o chão, então…

    Tum!

    — Argh!

    Meu punho atravessa tanto o escudo quanto a armadura, atingindo seu estômago em cheio e dobrando seu corpo no meio.

    Uma cratera se forma no chão com minha força, a casa desaba.

    — Parece que sua vontade é fraca perante a minha… — Vejo o brilho de seus olhos sumindo e sua boca com sangue.

    — Maldito… Eu posso morrer, mas eles os derrotarão…

    — Sua voz já me deixou irritado. — Ergo meu pé acima de seu rosto. — Também farei questão de desmembrar teus amigos!

    Exercendo minha força suprema, esmago seu crânio, espalhando cérebro e sangue pra todo lado.

    — Ah… até que isso me faz sentir bem… — Encaro seu corpo imóvel, quando me lembro de algo. — Perséfone!

    Me viro e corro imediatamente de volta até ela, que está lutando… não, desviando dos ataques dos três sem revidar.

    — O quê? — Lucas é o primeiro a me notar. — Onde está Philip? Ele não pode ter morrido…

    — Aquele inseto? Me derrotar? HAHAHA! Que piada! — Ergo meu pé, com sangue e partes do cérebro daquele fraco ainda na minha bota. — Esse é o resultado daqueles que me desafiam!

    — FILHO DA PUTA! VOU TE MATAR! — Hanz ergue a voz pela primeira vez, correndo na minha direção com sua espada quase que comicamente grande.

    Uma flecha me atinge, e sinto meu corpo ficar mais lento e fraco… os outros dois também estão me focando.

    Os encaro… O arqueiro, a sacerdotisa, o líder… todos estão com lágrimas em seus rostos.

    Haha, assim que é bom! É isso que ganham quando me perturbam! Farei com que sofram ainda mais!

    Desvio da espada e da segunda flecha, quem devo matar agora? Quem deixar por último?

    Eu poderia deixar o arqueiro por último, fazê-lo se sentir impotente e covarde por atacar de longe enquanto deixa os amigos morrerem.

    Mas, no fim… sim, deixar o “líder” por último é o melhor… A culpa pesará dezenas de vezes mais nele por fracassar.

    Sendo assim, hora de fazer o arqueirinho aprender o que é um combate de verdade.

    Avanço na sua direção. Seu rosto enraivecido imediatamente se transforma em um de terror quando percebe nossa distância.

    — Pare! — Esculto a voz de Perséfone, mas…

    Sinto muito, você pode estar disposta a deixá-los viver, mas eles não nos deixarão ir embora.

    Além disso, EU não quero deixá-los viver.

    São como uma mosca irritante no seu ouvido, vou matá-los para que não nos incomodem depois.

    — Pereça! — Com meu braço esquerdo, enfio minhas garras em seu estômago, fechando meu punho e arrancando parte de seu sistema digestivo.

    Meu corpo é coberto pelo seu sangue, seu rosto se contorce de uma maneira que nunca vi antes.

    — AAARGH! — Seu grito de dor é patético, mas satisfatório.

    — DESGRAÇADO! ME ENFRENTE! — Hanz aparece, balançado sua espada horizontalmente.

    Há! Consigo desviar facilmente disso, eu consigo…

    Não… Merda! Não consigo!

    Tento dar um salto para trás, sua espada corta uma das minhas pernas, me fazendo cair.

    — MORRA! — Ele avança na minha direção, erguendo a espada e pronto para me decepar.

    Merda… Subestimei sua fúria… tenho que dar algum jeito de desviar! Alguma maneira…

    A espada se aproxima, nada que penso parece que vai surtir efeito. Desviar? Não dá tempo… Bloquear? Ele vai arrancar meus braços com facilidade.

    Merda… Não posso morrer aqui! Não agora!

    Sua lâmina está chegando perto, quando… Cornelia é arremessada contra ele, derrubando os dois e me dando a oportunidade de me levantar, minha perna começa a crescer de volta.

    — Já basta, tu já derramaste sangue o suficiente hoje… — Perséfone toca meu braço tentando me parar.

    — Não… uma mensagem precisa ser passada!

    — Espe…

    Seguro a cabeça de Cornelia com firmeza.

    — Nã-Não… Por favor… — Hanz, ao perceber aquilo, chora, implora, o que apenas me faz querer seguir em frente com aquilo.

    Então, arranco a cabeça de seu corpo apenas com minha força bruta, derrubando-a na frente do líder.

    — Isso é o que acontece quando entra no meu caminho. — O agarro pelo cabelo, forçando-o me encarar nos olhos. — E seu destino será igual.

    — Maldito… vou te matar!

    — Ah é? Quero ver tentar! — O solto, abrindo meus braços e me mostrando vulnerável a ele. — Vamos! Vejamos se consegue erguer tua espada.

    — ARGH! — Ele tenta erguer sua espada, mas tudo que consegue é arrastá-la no chão.

    — Haha! Patético. Você realmente era o líder? Como é possível um guerreiro que precisa da ajuda de uma dama para lutar? Você é um fracasso, até mesmo para um humano fraco!

    — CALADO!

    Hanz balança sua espada desajeitadamente contra minha pessoa, que desvia sem problema.

    — Malditos! Assassinos! Monstros… — Ele cai de joelhos e larga a espada, respirando pesadamente.

    — Ora, você é tão patético e inútil… vê-lo assim é maravilhoso! Porém sou alguém piedoso, portanto, acabarei com tua miséria! — Ergo meu braço, pronto para decapitá-lo.

    — Chega! — Perséfone firme, porém gentilmente segura meus braços. — Este cavalheiro está derrotado.

    — Ele tentou nos matar! Precisa morrer!

    — Pense que tu poderias estar no lugar dele… — Seus olhos escarlates penetram minha alma, minha vontade vacila. — Por favor… viste minhas memórias, sabes que detesto fazer isso, meu desejo é salvar, não matar…

    Encaro Hanz, por um tempo.

    Ainda quero matá-lo pelo que fez contra nós, mas…

    Se eu fizer isso, vou magoá-la…

    Mas por que isso importa? Magoá-la ou não… isso não deveria ter nenhuma relação com minhas escolhas.

    Por isso…

    Tsc! É seu dia de sorte, caçador… — Dou as costas para ele. — Vamos?

    Ela me encara profundamente, concordando silenciosamente após um tempo.

    Então, saltamos mais uma vez até os céus, continuando o caminho que seguíamos antes de sermos interrompidos.

    Nos movemos rapidamente pelo ar a grandes pulos, avançando para o norte e adentrando uma área com florestas.

    Perséfone permanece em silêncio, com suas sobrancelhas franzindo.

    — Perséfone, qual o problema? — Decido tentar falar algo, seu silêncio me incomoda.

    — Aqueles caçadores…

    Ah, então é isso, a culpa de seu humor é daqueles insetos.

    — Eu sei, aqueles insetos também tiraram minha paciência, mas…

    — Não é isso, Dracula! — Pousamos no chão, mas ela não dá o próximo pulo e me encara com indignação. — Disse-te para não matares aqueles cavalheiros, mas tu ignoraste meus pedidos e os assassinara a sangue frio! Não era necessário, poderíamos apenas tê-los derrubado e fugido!

    O quê? Por que ela está irritada comigo? Eu a salvei daqueles caçadores!

    Ela realmente se importa com eles? Por quê? Achei que tivesse algum motivo para que me pedisse para deixá-los vivos, mas realmente é por misericórdia?

    — Por que poupar os caçadores da Ordem? Não vejo problema não matar humanos contanto que não nos incomodem, mas eles existem para nos matar!

    — Não precisamos matá-los! Nós vampiros possuímos uma força e velocidade muito superior à deles, mesmo considerando as Benções Divinas! Basta fugirmos deles.

    — Fugir? Eu não fujo, Perséfone! Isso não resolve o problema! Eles continuarão nos importunando como ratos barulhentos, mas mesmo ratos podem ser uma ameaça dependendo de sua quantidade. Devemos exterminá-los o máximo possível!

    — Dracula… — Sua voz carrega tristeza, ela desvia o olhar com uma expressão desapontada. — Por acaso cometi um erro ao transformar-te? Se soubesse que estava salvando um assassino, jamais teria feito tal sugestão…

    — Como? — Me pergunto se ouvi certo, ela estava… arrependida por ter me salvo? Mas por quê? Ela deveria estar feliz, afinal… — Eu sou a primeira pessoa que conseguiste salvar!

    Dou um passo adiante, tentando fazer que ela me olhe, mas ela continua desviando o olhar.

    — Vamos continuar, não estamos muito longe… — Após lançar essas palavras em um tom seco, ela se vira e dá outro grande salto.

    — Espera! — Tento segui-la e ela acelera o ritmo, abrindo uma distância, mas não longe o bastante para que eu a perdesse de vista.

    Na verdade, mesmo se isso acontecesse, ainda seria capaz de sentir seu cheiro, afinal, seu sangue circula misturado nas minhas veias.

    — Perséfone! Me escute!

    Tento chamá-la, falo com ela, mas continua me ignorando, avançando com velocidade e me forçando a dar meu melhor para segui-la.

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