Capítulo 22 – As Lembranças de Um Herói – Parte 5
O amanhecer trouxe um silêncio pesado ao acampamento. O frio cortante da manhã parecia refletir o estado de espírito dos cavaleiros, enquanto ajustava suas armaduras e afiava as lâminas, carregava no semblante a certeza de que a batalha diante deles seria cruel. Hiroshi, já posicionado no centro do acampamento, observava tudo com um olhar calculista, mas não menos preocupado.
O general, imponente e altivo, subiu em uma plataforma improvisada e começou a discursar.
– Hoje, Kaer Azar cairá! – bradou. – Sob o comando do capitão Jargan Makar, a linha de frente abrirá os portões para nós!
Os soldados trocaram olhares silenciosos. No fundo, todos conheciam a reputação de Makar: um alcoólatra incompetente, mais apto a derramar vinho do que sangue inimigo. Galan um cavaleiro novato se posicionou ao lado de Hiroshi, sussurrou com um sorriso irōnico:
– O general entregou nosso destino a um bêbado. Se Kaer Azar não nos matar, ele matará.
Hiroshi permaneceu em silêncio, mas a tensão em seu maxilar mostrava que ele concordava.
Quando o exército começou a marcha até Kaer Azar, o som das botas esmagando a areia e os escudos batendo em uníssono reverberava como um trovão pela planície. O imenso portão de ferro da fortaleza surgiu no horizonte, protegido por muralhas altas e guarnecido com dezenas de bandeiras de Aethernia. Lá de cima, centenas de arqueiros e lanceiros já estavam posicionados, prontos para defender a posição a qualquer custo.
Os primeiros disparos não demoraram. Uma chuva de flechas cortou o céu, caindo sobre a linha de frente como um enxame mortal. Os escudos erguidos pelos cavaleiros Imperianos formavam uma barreira precária, mas algumas setas encontravam seus alvos, atravessando fendas na defesa ou perfurando armaduras menos reforçadas.
Hiroshi avançava com Reylen e Harland ao seu lado, empurrando o aríete. A madeira reforçada tremia a cada impacto no portão, mas a estrutura massiva parecia impenetrável.
– Mais força! rugiu – Hiroshi, segurando o aríete com uma mão enquanto mantinha o escudo erguido com a outra.
De cima das muralhas, os cavaleiros de Aethernia começaram a despejar óleo fervente, queimando os imperianos que se aproximavam demais. A gritaria dos feridos enchia o campo, e o cheiro de carne queimada misturava-se ao odor metálico de sangue.
– Tirem os feridos daqui! – gritou Reylen, ajudando um companheiro com a armadura parcialmente derretida a recuar.
O ariete, já enfraquecido pelos impactos e pelo calor, partiu-se ao meio com um estalo ensurdecedor.
– Recuar! – ordenou Hiroshi, enquanto arqueiros de Imperion davam cobertura para o grupo que recuava, tentando evitar baixas ainda maiores.
Logo, outro aríete foi trazido. Este era mais reforçado, mas o avanço era lento devido ao peso. Galan e Petar, cavaleiros novatos com quem Hiroshi treinou estavam na linha de frente agora, liderando o grupo que empurrava a estrutura. Hiroshi, recuando ao lado de Reylen, gritou para os arqueiros:
– Concentrem os disparos na muralha acima do portão! Não parem de atirar
As ordens surtiram efeito. Flechas de Imperion passaram a cobrir os companheiros no aríete, afastando os defensores da muralha. Pela primeira vez, parecia que o portão começava a ceder. Uma rachadura abriu-se no centro, revelando o pátio interno da fortaleza.
– Continuem! Estamos perto! – bradou Hiroshi.
Mas o momento de esperança foi interrompido por um grito vindo de cima. Um grande caldeirão foi empurrado sobre o portão, despejando uma torrente de óleo negro sobre os cavaleiros Imperianos.
– Recuem! Recuem agora! gritou Hiroshi, desesperado, enquanto percebia o que estava prestes a acontecer.
Flechas flamejantes foram disparadas em seguida. O óleo pegou fogo instantaneamente, espalhando-se como uma onda mortal. As chamas consumiam tudo em seu caminho. Gritos de agonia ecoavam enquanto homens caíam, queimados vivos. Outros tentavam escapar, apenas para serem abatidos por lanças e flechas disparadas das muralhas.
Petar e Galan estavam entre os mortos. Hiroshi, ajoelhado no chão, segurava a cabeça entre as mãos, tomado por um misto de culpa e desespero.
Foi nesse momento que o capitão Makar apareceu, com um sorriso debochado no rosto.
– Parabéns, Hiroshi. Graças ao seu fracasso, perdemos mais homens. Talvez você devesse deixar o comando para aqueles que sabem o que estão fazendo.
Hiroshi levantou-se lentamente, seus punhos cerrados.
– Seu verme covarde… – murmurou, antes de desferir um soco poderoso no rosto do capitão.
Makar caiu para trás, sangrando. Hiroshi inclinou-se sobre ele, agarrando-o pelo colarinho.
– Bons homens morreram lutando enquanto você se escondia atrás de ordens idiotas. Se tivesse um pingo de honra, você teria morrido junto com eles.
Hiroshi soltou Makar com um empurrão, virando-se para os soldados ao redor.
– Reagrupem-se! Esta guerra ainda não acabou!
O capitão, ainda caído, gritou para que os homens matassem Hiroshi, mas ninguém se moveu. O sargento Terz Eliot deu um passo à frente.
– Eu sigo Hiroshi. O exército de Imperion precisa de um líder, e não de um bêbado ou um general covarde.
Hiroshi subiu em uma elevação e falou alto para todos ouvirem:
– Hoje, não recuaremos. Hoje, Kaer Azar cairá, não por ordens idiotas, mas pela força e pela honra de Imperion!
Os gritos dos soldados ecoaram pela planície. O sangue derramado e as vidas perdidas não seriam em vão.
A fortaleza de Kaer Azar estava imponente acima das areias do deserto quando Hiroshi, ainda jovem, tomou o comando do exército na linha de frente. Seu olhar, firme e sem hesitação, encarava os campos enlameados diante de si, onde a fumaça das últimas escaramuças ainda dançava com o vento. Ao seu lado, o sargento Eliot aguardava em silêncio, atento às ordens que viriam.
— Sargento — disse Hiroshi, a voz carregada de autoridade —, você retornará imediatamente ao acampamento. Leve vinte homens de confiança. Prendam o general Darius e os três oficiais que ainda lhe são leais. Tragam também os sete mil homens que estão no acampamento . Diga a todos que agora estamos sob uma nova liderança.
Eliot concordou sem hesitar.
— Como quiser, senhor.
Partiu a galope, cruzando as areias amareladas de Zarethion por quase meia hora até enxergar o acampamento se desenhar diante de si. Ao as primeiras tendas, sua voz ecoou forte como um trovão:
— Todos que puderem lutar, armem-se! Apressem-se para a linha de frente!
Os cavaleiros pararam o que faziam, encarando-o com expressões de surpresa e confusão. Eliot ergueu a voz mais uma vez.
— O capitão Makar não comanda mais este exército! O general Darius está deposto! Hiroshi e eu assumimos o comando da força de Imperion!
Um cavaleiro novato alto e barbudo aproximou-se, rindo com desdém.
— Ficaram loucos? Uma rebelião? Estão desafiando a coroa? — Mas em seguida, sua expressão suavizou-se. — Seja como for… é bom ver um novo líder. Quais são as ordens, comandante?
Eliot sorriu brevemente.
— Ainda não sou comandante… mas a primeira ordem é: reúnam todos que possam lutar. Os demais, cerquem a tenda do general. Ninguém entra e ninguém sai.
Dez homens partiram em direção às alas do acampamento. Os outros se posicionaram ao redor da tenda central, erguendo lanças e espadas. Eliot se adiantou, a voz firme e impassível:
— General Darius! Saia imediatamente!
A lona foi erguida com fúria. Darius emergiu, os olhos inflamados.
— O que significa isso, sargento? Você enlouqueceu? Homens, prendam este traidor!
Mas nenhum deles se moveu.
O silêncio foi cortado pelo som de espadas sendo embainhadas. Numa ação rápida e sem resistência, os cavaleiros cercaram Darius e os três oficiais. Algemas improvisadas foram colocadas, e logo estavam todos no centro do acampamento, humilhados diante das tropas.
Eliot subiu em uma pedra e falou a todos:
— A tomada do poder foi rápida e pacífica. Mas não se enganem: a coroa verá isso como traição. A não ser que… ninguém saiba que isso aconteceu.
Murmúrios ecoaram entre os soldados.
Eliot continuou dizendo.
— Esta guerra dura há vinte anos. E em vinte anos, o que Imperion teve? Derrotas, perdas, desesperança. Nossos homens são enviados como carne para as bestas de Aethernia, e tudo isso sob uma liderança fraca, arrogante e incompetente. A coroa nomeará outro líder, sim, mas ele estará a milhas da frente de batalha, longe do sangue e da lama, decidindo nossos destinos com base em mapas e relatórios.
Ele olhou nos olhos de cada homem diante dele.
— O novo líder deve ser um guerreiro. Um de nós. Alguém que tenha sangrado ao nosso lado, que tenha perdido amigos neste solo. A guerra não se vence com títulos, mas com coragem, com verdade e com espadas firmes.
Um cavaleiro ergueu a mão, cauteloso.
— E o que fará com o general, sargento? Se ninguém pode saber…
Eliot respirou fundo.
— Isso será um segredo nosso. Mandaremos um corvo a Pyronia, informando que o general Darius, junto aos oficiais, tombaram em um ato de bravura, liderando a linha de frente. Diremos que fui o único oficial de alto escalão a sobreviver. A mensagem encerrará dizendo que, antes de morrer, o general deu sua última ordem a Hiroshi e a mim: tomar a fortaleza de Kaer Azar, custe o que custar.
A multidão se calou por um instante. Depois, como uma chama se espalhando entre palha seca, os sorrisos surgiram. Soldados batiam com as lanças nos escudos. Outros erguiam as espadas ao céu, gritando o nome de Hiroshi.
Eliot, então, ergueu o braço.
— Formem fileiras! Partiremos agora para Kaer Azar. A frente de batalha nos aguarda. E desta vez… sob uma nova bandeira.
As tropas se alinharam, e a marcha começou.
O destino de Imperion já havia sido selado. E começava ali, com uma mentira dita para proteger a verdade e com uma traição feita em nome da esperança.
O sol estava alto quando o Sargento Eliot chegou ao acampamento com os reforços. Sete mil homens marcharam para se juntar aos três mil já posicionados, elevando o exército a uma força de dez mil soldados. Eles estavam exaustos, mas a presença de Hiroshi e o plano que ele traçara reacenderam a chama da determinação.
Diante de seus homens, Hiroshi montou uma mesa de campanha improvisada. Mapas detalhados da fortaleza de Kaer Azar estavam espalhados, com anotações feitas às pressas sobre os pontos vulneráveis da muralha e as posições inimigas observadas durante o cerco.
– Kaer Azar é uma fortaleza formidável, construída para resistir a ataques diretos. Hiroshi iniciou, correndo o dedo pelo mapа. – Mas não é invencível. Hoje à noite, tomaremos esta fortaleza e cortaremos a cabeça da serpente.
O Sargento Eliot cruzou os braços e concordou.
– Como pretende fazer isso?.
Hiroshi olhou para os oficiais ao redor e começou a explicar em detalhes.
– Primeiro, precisamos atrair a atenção deles para a muralha principal. Hiroshi apontou para a frente da fortaleza. Vamos posicionar mil arqueiros aqui. Eles dispararão flechas flamejantes continuamente, criando incêndios e forçando os defensores a focarem sua atenção nesse setor.
Um jovem oficial de infantaria, o Capitão Renard, coçou a barba curta e questionou:
– Eles não simplesmente se abrigarão e esperarão o fogo se extinguir?
Hiroshi sorriu de canto. – Se fossemos apenas atear fogo, sim. Mas nossa verdadeira intenção é eliminar os arqueiros inimigos primeiro. Depois disso, continuaremos a disparar para manté-los acuados e criar a ilusão de um ataque frontal total.
O Sargento Eliot assentiu. – Isso os forçará a redistribuir as tropas.
– Assim que os arqueiros tiverem enfraquecido a defesa, avançaremos com dois arietes aqui. Eles estarão protegidos por grupos de escudeiros, que levantarão uma barreira de escudos para impedir que os defensores joguem óleo fervente ou pedras.
O Capitão Renard franziu a testa. – E se eles usarem lanças longas para empurrar os arietes de volta?
– Eles tentarão, mas nossas fileiras de escudeiros estarão bem coordenadas para repelir esses ataques. Além disso, enquanto o ariete trabalha, as tropas de infantaria leve atacarão as muralhas, impedindo que o inimigo se concentre totalmente no portão.
Hiroshi então deslizou o dedo pelo lado oeste da fortaleza.
Enquanto tudo isso acontece, um grupo de elite de cem soldados escalará a muralha oeste.
Eliot ergueu uma sobrancelha. – Você pretende infiltrar um grupo inteiro sem que percebam?
– Sim, e aqui está o motivo. – Hiroshi explicou. – O comandante inimigo estará focado no portão principal, acreditando que a invasão virá dali. Isso reduzirá a vigilância nos outros setores. Usaremos cordas e ganchos para escalar a muralha, eliminaremos os guardas e tomaremos a torre oeste.
Hiroshi sorriu. A torre oeste abriga o mecanismo que controla os portões principais. Uma vez que a capturarmos, abriremos os portões por dentro.
– E é aqui que a verdadeira investida começa. Hiroshi bateu o punho na mesa. Assim que os portões forem abertos, a cavalaria entrará primeiro. Eles atravessarão o pátio, atropelando qualquer resistência inicial. Em seguida, a infantaria pesada avançará para consolidar nossa posição dentro da fortaleza.
O Sargento Renard deu um leve sorriso.
Hiroshi olhou para o símbolo marcado no mapa que indicava a torre de comando.
– A batalha só termina quando o comandante de Kaer Azar for capturado ou morto. Ele é a chave para garantir que os remanescentes das tropas inimigas se rendam.
– E se ele resistir até o fim? questionou o Sargento Renard.
Hiroshi olhou para ele, frio e determinado.
– Então não sairá vivo desta fortaleza.
A escuridão da noite era quebrada apenas pelo brilho das tochas e pela lua cheia no céu, iluminando os dez mil homens em posição diante da imponente fortaleza de Kaer Azar. Na tenda de comando, Hiroshi reunia os oficiais para dar as ordens finais antes do ataque. O plano estava claro em suas mentes, mas a tensão era palpável.
Hiroshi, com sua presença firme, olhava para o mapa estendido sobre a mesa.
— Homens, lembrem-se: esta não será uma vitória fácil, mas é uma vitória que precisamos conquistar. Kaer Azar é o coração desta campanha inimiga. Sem ela, eles não poderão manter suas linhas de defesa. — Ele levantou os olhos, varrendo os rostos de seus comandantes. — Sigam o plano à risca. Cada passo é crucial para o sucesso.
Os oficiais concordaram. Com isso, Hiroshi ergueu a mão e declarou:
— Que o ataque comece.
A noite estava em completo silêncio até que os primeiros sons de tambores ressoaram pela planície.
Mil arqueiros se posicionaram à frente do exército, suas flechas flamejantes prontas.
— FOGO! — gritou Renard.
As flechas rasgaram o céu, criando uma chuva de fogo que descia sobre as muralhas da fortaleza. As labaredas começaram a consumir as torres de madeira e os depósitos de feno, iluminando o campo de batalha e lançando sombras sobre os defensores.
Os inimigos correram para apagar as chamas, mas os arqueiros continuavam a disparar, forçando os defensores a ficarem acuados.
Enquanto isso, duas equipes avançavam com aríetes cobertos por escudeiros. As grandes portas da fortaleza começaram a estremecer a cada impacto das pesadas madeiras contra elas.
Enquanto o portão principal era atacado, os cavaleiros escalaram as muralhas laterais usando cordas e ganchos. Esses grupos tinham a missão de distrair os arqueiros inimigos, engajando-os em combates corpo a corpo para enfraquecer ainda mais a resistência nas alturas.
Eliot, observando tudo de um ponto elevado, viu que o plano estava funcionando.
— Eles estão se dividindo. — disse ele para Renard. — Está na hora do próximo movimento.
Enquanto o caos consumia as muralhas e o portão principal, Hiroshi liderava pessoalmente o grupo de elite encarregado de tomar a torre oeste.
— Silêncio absoluto. Não podemos alertá-los. — disse Hiroshi, enquanto ele e seus homens atravessavam a sombra da muralha oeste.
Eles começaram a escalar as paredes íngremes usando ganchos e cordas. A subida foi lenta, mas meticulosa. Assim que alcançaram o topo, eliminaram os guardas com golpes precisos.
Quando chegaram à torre, os cavaleiros inimigos que guardavam o mecanismo dos portões os avistaram.
— Alerta! Eles estão aqui! — gritou um deles, puxando a espada.
O combate foi feroz dentro do espaço apertado da torre. Espadas se cruzavam, o som do aço ecoando por todo o ambiente.
— Abram os portões! — ordenou Hiroshi enquanto enfrentava um dos guardas.
Dois de seus homens se apressaram para girar as alavancas do mecanismo, e logo o som estridente dos portões se abrindo foi ouvido.
Quando os portões se abriram, o som de trombetas ecoou no campo de batalha.
— CAVALARIA, AVANCEM! — gritou Eliot, liderando os cavaleiros na investida.
A cavalaria atravessou o portão com velocidade, atropelando qualquer resistência inicial. Em seguida, a infantaria pesada entrou para consolidar a posição no pátio.
Dentro da fortaleza, o caos era absoluto. Cavaleiros inimigos tentavam desesperadamente se reorganizar, mas o ataque foi implacável.
Enquanto seus homens asseguravam a fortaleza, Hiroshi subiu até a torre de comando. Lá, ele encontrou o comandante inimigo, Velrak, um homem alto e musculoso, com cabelos prateados quase brancos presos em um rabo de cavalo. Ele empunhava uma espada longa, a lâmina já manchada de sangue.
Velrak sorriu ao ver Hiroshi.
— Então você é o comandante de Imperion. Esperava mais imponência.
Hiroshi desembainhou sua espada, mantendo-se em guarda.
— E eu achei que você fosse maior.
Velrak atacou primeiro, seu golpe rápido e pesado. Hiroshi mal conseguiu bloquear, sendo empurrado para trás pela força.
O comandante era um mestre espadachim, e cada movimento seu era calculado e mortal. Hiroshi, por outro lado, era hábil, mas claramente inferior em técnica e força. Ele se viu recuando, defendendo-se de uma série de golpes implacáveis.
— É só isso que você tem? — zombou Velrak.
Hiroshi respirava com dificuldade, mas manteve a calma. Ele sabia que não venceria esse duelo apenas com a espada.
Quando Velrak avançou novamente, Hiroshi fez um movimento inesperado. Ele usou sua mão livre para conjurar uma pequena chama e lançou-a nos olhos do comandante.
— O quê?! — gritou Velrak, cambaleando para trás e esfregando os olhos.
Hiroshi aproveitou a abertura. Com um grito feroz, avançou, desarmando Velrak com um golpe rápido e cravando sua espada no peito do comandante.
Enquanto Velrak caía de joelhos, com a lâmina de Hiroshi cravada em seu peito, seus olhos arregalados refletiam mais do que dor havia incredulidade. O sangue escorria pelos lábios do comandante inimigo quando ele olhou para Hiroshi, tentando reunir forças para falar.
— Você… trapaceou…
Hiroshi respirou fundo, sua expressão inabalável, mas seus olhos carregavam o peso da guerra. Ele então murmurou algo que, anos atrás, dissera a um velho general que lhe ensinou sobre batalhas:
— A vitória não pertence ao mais forte ou ao mais habilidoso… mas àquele que entende o momento certo de virar o jogo.
Com isso, ele puxou sua espada do corpo de Velrak, deixando o silêncio e a morte consumirem o comandante.
Ao amanhecer, a bandeira de Imperion tremulava sobre a fortaleza conquistada. Os cavaleiros de Imperion comemoravam a vitória, mas Hiroshi sabia que ainda havia muito a ser feito.
Observando o campo de batalha e os corpos que marcavam o chão, Hiroshi murmurou para si mesmo:
— Que este seja o começo do fim desta guerra.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.