O céu escureceu.

      Era como se a própria luz do mundo tivesse sido sugada para dentro do vazio. O guerreiro negro ergueu as mãos e, acima deles, um portal imenso se abriu, girando como um redemoinho de sombras.

      Hiroshi observou em silêncio enquanto centenas de criaturas monstruosas emergiam da escuridão. Ele as reconhecia.

    — Besouros Gigantes.

      Insetos colossais, do tamanho de cavalos de guerra, suas carapaças brilhando com um tom esverdeado metálico. Seus olhos vermelhos brilhavam com um brilho sinistro, e suas mandíbulas rangiam com um som ameaçador.

    — Você já enfrentou esses antes, não é? — o guerreiro negro disse, sua voz carregada de ironia. — Vamos ver como você se sai contra centenas deles.

    Hiroshi ficou em silêncio por um momento.

    Então, ele riu.

    — Só isso? Eu esperava mais.

    O guerreiro negro estreitou os olhos.

      Hiroshi fechou os punhos. O ar ao seu redor começou a vibrar. O calor aumentou tanto que o próprio chão abaixo dele começou a rachar. Ele baixou a cabeça por um instante e concentrou sua magia.

    Chamas azuis irromperam de suas costas.

      Mas essas não eram simples labaredas. As chamas tomaram forma, se expandindo em um brilho incandescente até assumirem a aparência de asas. Não eram asas comuns, como as de um pássaro ou uma borboleta. Eram asas de uma fênix.

    O guerreiro negro franziu a testa.

    — O que é isso…?

    Hiroshi abriu os olhos.

    — Faz muitos anos que não uso essa magia… mas acho que é uma boa ocasião para trazê-la de volta.

    Ele ergueu o queixo, um sorriso desafiador nos lábios.

    — Asas da Pira Celestial.

    Com um bater de asas, ele disparou para o alto.

      Seu corpo cortou o ar como um cometa, deixando um rastro de fogo azul enquanto subia em direção aos besouros gigantes. Eles tentaram reagir, cuspindo jatos de ácido em sua direção, mas Hiroshi era rápido demais.

      Ele desviava no último instante, desaparecendo e reaparecendo como um raio azul em meio ao céu escuro.

    E então ele começou a atacar.

      Suas mãos se envolveram em chamas. Com um golpe certeiro, ele socou o primeiro besouro, e a criatura explodiu em uma bola de fogo, seus restos carbonizados se desfazendo no ar.

    Ele girou no ar, abrindo os braços.

    — Tempestade de Chamas!

      Do seu corpo, rajadas de fogo azul foram lançadas em todas as direções, atingindo múltiplos alvos ao mesmo tempo. Os besouros começaram a cair em chamas, seus corpos sendo consumidos pela temperatura insuportável.

    Mas Hiroshi não parou.

      Ele acelerou, sua silhueta se tornando apenas um borrão brilhante. Ele cortava o céu como uma lança flamejante, atravessando as criaturas e as deixando em cinzas antes que pudessem reagir.

    Em poucos minutos, tudo havia acabado.

    O guerreiro negro observou do chão, sua expressão séria.

    — Mas como…

      Hiroshi pairava no alto, suas asas de chamas ainda ardendo, iluminando a escuridão. Seus olhos âmbar se voltaram para o céu, onde o dragão ainda voava, seu corpo titânico serpenteando entre as nuvens.

    Hiroshi sorriu.

    — Agora é a sua vez.

    Ele disparou.

    O dragão rugiu, abrindo suas mandíbulas. Uma torrente de fogo negro foi cuspida em sua direção.

    Mas Hiroshi não desviou.

    Ele avançou direto contra as chamas.

    O calor era sufocante, mas ele não sentia dor. Sua própria magia o envolvia, tornando-o imune ao fogo comum.

    Com um grito de guerra, Hiroshi atacou.

    O dragão ergueu uma das garras para golpeá-lo, mas Hiroshi girou no ar, desviando no último instante e socando a lateral da criatura com força total.

    A explosão de chamas azuis iluminou o céu como um segundo sol.

    O rugido do dragão reverberou pelo céu.

      Hiroshi disparou em sua direção, as Asas da Pira Celestial ardendo em um azul incandescente enquanto cortava o vento como uma flecha flamejante. O monstro tentou atingi-lo com sua garra colossal, mas Hiroshi desviou no último instante, girando no ar e disparando rajadas de chamas diretamente nos olhos da fera.

    O dragão rugiu e lançou sua baforada negra.

    O fogo das trevas engoliu Hiroshi.

    Mas quando as chamas se dissiparam, ele ainda estava lá. Intacto.

      Seu corpo estava envolto pelo brilho azul de sua magia, as asas vibrando em um espetáculo de chamas vivas. Hiroshi elevou as mãos, reunindo toda a energia flamejante que corria pelo seu corpo. O calor era tão intenso que o próprio ar começou a ondular, e o céu se tingiu de azul.

    — Inferno Celestial!

    Ele trouxe as mãos à frente e disparou.

      A energia se concentrou em um único ponto antes de explodir em um feixe devastador. A rajada de chamas perfurou o peito do dragão, atravessando ossos e carne como se fossem papel.

      A criatura tremeu, soltando um último rugido de agonia antes de começar a cair, sua carcaça negra envolvida em fogo azul.

    Hiroshi respirou fundo. Seu corpo tremia de exaustão.

      Ele sabia que suas asas exigiam um consumo absurdo de energia mágica, e já estava sentindo os efeitos disso. Mas ainda não era hora de descansar.

    Seu olhar caiu sobre o guerreiro negro.

    — Agora é sua vez.

    O guerreiro percebeu o perigo.

    Sem pensar duas vezes, ele virou-se e começou a correr na direção oposta.

    — Ei, ei, me deixa em paz, velho maluco! — ele gritou, sua voz carregada de desespero.

    Hiroshi avançou em um instante.

      O punho dele se acendeu em chamas e, com um golpe devastador, acertou as costas do guerreiro, lançando-o pelos ares. Mas antes que ele pudesse cair, Hiroshi já estava lá, esperando no ponto exato onde ele aterrissaria.

    Outro soco.

    O guerreiro foi jogado para trás novamente.

    E mais uma vez, Hiroshi já estava lá para o próximo golpe.

    Foi um massacre.

      Cada golpe de Hiroshi era envolto em chamas, cada impacto fazia o solo tremer, cada soco deixava o guerreiro mais fraco, mais lento, mais indefeso. O homem tentava contra-atacar, mas Hiroshi desviava com facilidade, revidando com um chute ardente ou uma sequência de golpes que o faziam cuspir sangue.

    Por fim, o guerreiro caiu no chão, ofegante, ensanguentado e sem forças para se levantar.

      Hiroshi ficou sobre ele, sua sombra imensa sob a luz azul de suas asas. Ele ergueu a mão, concentrando a mesma magia que havia aniquilado o dragão.

    O guerreiro abriu os olhos, sua expressão transbordando medo puro.

    Então, ele sorriu.

    — Hahaha… você queria saber quem eu sou, não é?

    Hiroshi não se mexeu.

    — Eu posso te contar… se me poupar.

    O olhar de Hiroshi era impassível.

    — Isso não importa mais. Você vai morrer sem nome.

    Ele moveu as mãos para liberar a magia final.

    O guerreiro riu baixo.

    — Brincadeira.

    Um rugido ensurdecedor ecoou.

    Antes que Hiroshi percebesse, dentes colossais se fecharam ao redor dele.

    O dragão que ele havia matado momentos antes estava vivo.

      As presas afundaram em sua armadura, imobilizando-o completamente. O guerreiro negro se levantou e riu alto ao ver Hiroshi sendo arrastado pelo céu.

    O herói das chamas foi levado para as alturas, preso entre as mandíbulas do monstro renascido.

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