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    No meio da arena — agora uma cena saída diretamente do apocalipse — uma jovem de cabelos rosa emaranhados tremia e ofegava, encharcada de suor, com os olhos vidrados e desfocados. Tecnicamente, ela havia vencido, liberando uma magia avassaladora para reivindicar a vitória… mas seu estado era pouco melhor do que o daquele que ela acabara de aniquilar.

    Claro, ao contrário de seu oponente, ela ainda tinha seu corpo voluptuoso e um resquício de charme — mas parecia estar à beira da morte. Se estivesse apenas encharcada de sangue, talvez não tivesse causado tanto alarme. Mas era difícil ignorar o fato de que ela estava literalmente expelindo massa encefálica pelas orelhas — sabe-se lá o que mais escorria do resto do corpo.

    A visão era tão grotesca que fez vários soldados experientes engasgarem na hora. Os mais sensíveis correram para a trincheira mais próxima para vomitar, “batizando” sem querer uma linha defensiva destinada a repelir arqueiros inimigos — que acabou sendo usada primeiro pelos seus próprios aliados. O cheiro metálico de carne queimada e sangue corrompido, misturado com as cinzas pulverulentas da zona da explosão, impregnou as narinas de todos por perto como uma maldição que não se desvanece.

    Esya, completamente indiferente aos vômitos ao seu redor, ainda estava de pé — seu maxilar estava tão cerrado que era um milagre seus dentes não terem se quebrado. Ainda mais surpreendente: ela estava quase inconsciente. Seu corpo balançava na névoa de calor como a chama de uma vela prestes a se apagar ao menor sopro de vento.

    As chamas impressionantes que haviam derrotado seu inimigo já haviam desaparecido, reduzidas a uma tênue auréola de fogo branco com reflexos verdes e dourados — o Éter da Constituição e da Vitalidade trabalhando incansavelmente apenas para mantê-la viva. Honestamente, era um milagre que ainda tivesse lucidez suficiente para realizar os procedimentos de cura mais básicos. Suas pernas cederam levemente enquanto cambaleava para frente, cada passo ecoando um desafio às leis da biologia.

    O custo de seu ataque final foi maior do que qualquer espectador poderia ter imaginado.

    Mesmo assim, não foi o suficiente. Sem a passiva da facção, ela já estaria morta. Se não fizessem nada, ela cairia morta em um ou dois minutos. Cada respiração era superficial e difícil, seus pulmões assobiando como uma forja sem fôlego.

    Jake estava prestes a intervir quando a viu retirar um pequeno frasco com um líquido prateado. Ele o reconheceu imediatamente: Sangue de Digestor.

    Não fazia muito tempo desde que ele havia lutado contra Sinewshades e Metamorfos do Vazio 1 no Ressonador Magnético BX9684. Não havia como confundir aquele fluido — denso em força vital e malevolência. Parecia pulsar dentro de seu recipiente, como se tivesse vontade própria.

    Will e os outros passaram quatro anos repelindo onda após onda de Digestores Espaciais. O número de pragas alienígenas que eles massacraram provavelmente chegava às centenas de milhões — talvez até bilhões. A quantidade de sangue que coletaram era incalculável. E cada gota era uma questão de sorte entre a salvação e a danação.

    Jake estava dolorosamente ciente dos riscos da Corrupção agora e jamais teria ousado beber aquela substância a menos que não tivesse outra escolha. Ainda assim, o aumento na regeneração que ela proporcionava — especialmente vindo de um Digestor de tão alto escalão — era inegável. E o sangue no frasco de Esya era claramente potente.

    Mas assim que ela destampou a garrafa e a levou aos lábios, a avaliação dele mudou.

    Ao contrário da típica malevolência tóxica que emanava do Sangue de Digestor não refinado, este lote era surpreendentemente puro. De alguma forma, o sangue havia sido processado — purificado e fortificado com outras substâncias raras para amplificar seus efeitos e reduzir drasticamente os efeitos colaterais. O cheiro também era diferente — não apenas de ferro e veneno, mas de terra santificada, como os vestígios de um ritual sagrado.

    Não era perfeito, mas o simples fato de tal método existir provava que os cientistas e Eteristas deste mundo não eram completamente indefesos contra a Corrupção. Jake examinou mentalmente o fluido prateado com meticulosa atenção… e não pôde deixar de suspirar baixinho.

    ‘Que pena…’ pensou ele, balançando a cabeça em desapontamento. Não importava o quão sofisticado fosse o processamento mágico e químico, a mácula da Corrupção persistia — como baratas em um apartamento miserável. Podia-se dedetizar o lugar, mas elas sempre voltavam.

    No fim, a Corrupção não era algo que pudesse ser realmente detida. Apenas retardada. Os soldados na linha de frente beberam tantas poções feitas com esse tal Sangue do Digestor “refinado”, que era inevitável que acabassem mudando de lado. Era apenas uma questão de tempo.

    Assim que seus ferimentos foram estabilizados, Esya cambaleou em direção às arquibancadas em uma trajetória irregular, e então desabou no chão diante de Jake e dos outros, em segurança e fora da vista da multidão.

    Envergonhada, ela ergueu os olhos, procurando o olhar de Jake — apenas para congelar no instante em que seus olhares se encontraram.

    Ele está… triste.

    O fato de ele estar triste ou preocupado deveria tê-la confortado. Mas a decepção estampada em seu rosto — e aquele olhar de “quanto mais, melhor” — a magoou mais profundamente do que qualquer lâmina.

    ‘Acabou…’ pensou ela amargamente, com o rosto ficando ainda mais pálido.

    Jake a ajudou a se levantar como um perfeito cavalheiro, chegando a canalizar seu próprio Éter para curar os últimos ferimentos dela. Mas sua gentileza, sua preocupação, só pioraram a dor emocional.

    Naquele instante, ela nem sequer conseguia registrar que ele estava segurando sua mão… ou a rapidez com que seus ferimentos, até mesmo sua alma, estavam se regenerando. O Éter dele parecia a própria vida — capaz de trazer alguém de volta da beira da morte.

    Só não o seu orgulho despedaçado.

    “Pronto”, disse Jake, soltando a mão dela com uma expressão indecifrável. Xi, que tinha acesso direto aos pensamentos dele, sentiu o corpo afundar como uma pedra. As emoções dele não lhe eram ocultas — e o que ela pressentiu a deixou gelada.

    ‘Acabou…’ Convencê-lo a confiar em outros depois dessa confusão será praticamente impossível.

    Ambas as mulheres compartilhavam pensamentos semelhantes… mas os de Xi eram muito mais graves.

    Não jogue fora tudo o que discutimos só por causa desse resultado.

    Ela avisou suavemente, mas a resposta dele despedaçou seu coração.

    ‘Não estou jogando fora. Só não quero arriscar as pessoas de quem gosto quando posso fazer o trabalho sujo eu mesmo.’

    Nenhum líder pode ter sucesso sem aprender a usar sua equipe com sabedoria. E seus amigos nunca crescerão se você os mantiver presos em uma gaiola dourada. Eles não sobreviveram muito bem sem você? Confie neles!

    Por um breve instante, a expressão de Jake se contorceu de raiva, finalmente rompendo a máscara gélida que vinha usando.

    “O passado era passado. O presente é presente”, disse ele friamente, fazendo seus companheiros estremecerem — Esya, principalmente.

    Eles entenderam imediatamente que ele não estava falando com eles, mas com sua IA do Oráculo. Mesmo assim, todos captaram o peso de suas palavras. Um arrepio percorreu suas espinhas, temendo instintivamente a decisão que ele acabara de tomar.

    “A partir de agora, eu vou ditar as regras”, declarou Jake, analisando seus amigos um por um antes de fixar seu olhar cósmico e impassível em Esya e sua irmã. “Eu entendo. Vocês queriam provar seu valor e percorreram um longo caminho. Eu entendo. Vocês não são um fardo. Eu sou. Sou um chefe péssimo. Não nasci para liderar ou dar ordens. Tentei jogar o jogo da estratégia… e claro, eu poderia ganhar, contanto que eu tratasse vocês como peças descartáveis ​​em um tabuleiro.”

    “Uma parte de mim achava que eu poderia vencer sem sacrificar ninguém. Mas essa luta deixou tudo muito claro: eu estava me enganando. Só existe uma parte em que confio plenamente. A única que estou disposto a sacrificar para concluir a missão. E essa parte sou eu.”

    “… Você está dizendo que somos inúteis?” perguntou Asfrid, com a voz tensa de inquietação.

    Jake lançou-lhe um olhar cortante, mas, assim que abriu a boca para responder, a tosse desajeitada de Mani quebrou o clima tenso. Todos se voltaram para o sósia do ídolo do K-pop, colocando-o repentinamente no centro do palco.

    “Então?” perguntou Will com uma cordialidade forçada, agradecendo-lhe silenciosamente pelo momento perfeito. Essa conversa não precisava ir mais longe.

    Infelizmente, o destino tinha outros planos.

    “Desculpe, mas depois da última partida…” Mani hesitou, visivelmente dividido.

    “… Diga logo.”

    Pressionado pelos outros Nerds Mytharianos, Mani se rendeu e confessou:

    “Depois do duelo de Esya… nenhum dos meus homens quer lutar.”

    Will franziu a testa. “Nem mesmo Zelorian Quen ou Kang Jun?”

    “Eles têm medo de revelar demais na frente de todos”, admitiu Mani, passando a mão pelos cabelos e dando uma risada tímida. Seus trejeitos imitavam os de Cho Min Ho com perfeição.

    “Que piada”, zombou Enya, lançando olhares fulminantes para os dois Jogadores. Ela e sua irmã haviam aperfeiçoado aquele olhar — o tipo de olhar que dava vontade de se enfiar num buraco.

    A verdade é que nem mesmo aqueles dois arrogantes tinham certeza de que conseguiriam vencer depois de verem a irmã dela ser massacrada. Arrogantes? Com ​​certeza. Estúpidos? Nem tanto.

    Will, Enya e Asfrid pareciam prontos para torrar Mani vivo, quando Jake disse de repente:

    “Momento perfeito. Se ninguém quer lutar, é hora de acabar com este torneio ridículo.”

    “Mas-“

    Antes que alguém pudesse impedi-lo, Jake desapareceu. Bastou um pensamento — ele se teletransportou para o centro da arena.

    O acampamento das Planícies de Lustra, ainda abalado pela derrota anterior, estava ocupado discutindo entre si quando notaram a figura solitária parada no centro. Então, o silêncio se fez — abrupto e absoluto. Um frio terrível tomou conta de cada alma presente.

    Havia apenas um homem na arena, mas a aura solene e opressiva que emanava dele era como a própria morte encarnada. Os líderes do Conclave Radiante também a sentiram. E temiam o que viria a seguir ainda mais do que seus subordinados.

    Como era de se esperar, a sentença caiu como uma guilhotina:

    “A partir de agora… eu sou seu oponente. Todos vocês. Venham.” 2

    1. sinceridade, nao lembro como traduzi essas coisas antes, mas como nem sei a tradução correta, muito provavel que eu tenha deixado em ingles[]
    2. puta que pariu, o cara vai METER A PIKA EM GERAL AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, O AUTOR FOI PAU NO CU, TERMINOU O CAP AGORA, DROGA, AMANHA SERÁ O APICE DA PIKA DURA[]
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