Capítulo 445 - O Conquistador.
Colin e as garotas retornaram pelo subterrâneo.
Samantha olhou de soslaio para Colin, o rosto dele ainda marcado pelo combate brutal. A lembrança do beijo, mesmo que fosse falsa, voltou com força, e ela teve que desviar o olhar novamente, o coração acelerado.
Morwyna, por sua vez, não conseguia evitar os pensamentos românticos que surgiam em sua mente. Imaginava um futuro ao lado dele, onde juntos poderiam superar todas as adversidades.
A ideia de um casamento, algo que antes parecia distante e impossível, agora parecia ao seu alcance.
Enquanto isso, Colin permanecia focado no presente.
O cenário ao redor era de pura desolação, vísceras de demônios espalhadas por todo lado, todas as residências destruídas.
À medida que avançavam, a luz fraca da lua iluminava parcialmente o caminho através do colossal buraco deixado pelo dragão, revelando o estado de devastação com nitidez.
As pessoas, abatidas e exaustas, se aglomeravam na parte iluminada pela lua, seus rostos marcados pelo medo e pela incerteza.
Todos abriram caminho para Colin passar, e ele se afastou das companheiras, decidindo caminhar sozinho entre a multidão.
Cada passo que dava era um testemunho de sua resistência, afinal, para aqueles que não viram a luta, aquele homem sobreviver a toda destruição só significava uma coisa: ele era verdadeiramente forte.
Enquanto caminhava, os olhares se voltavam para ele, cheios de esperança misturados a desespero. Colin sentiu o peso da responsabilidade em seus ombros, mas ele já estava acostumado a isso.
Ele parou no centro da aglomeração, a lua banhando-o com sua luz prateada. Ergueu a voz, forte e firme, para alcançar todos os presentes.
— Sei que… a escuridão ao nosso redor parece imensa. Sei que muitos de vocês perderam tudo o que conheciam e amavam. As vísceras dos demônios que infestavam este lugar são testemunhas da nossa luta, e o estado de suas casas mostra o preço que pagaram. Mas hoje, neste momento, quero que saibam que isso não é o fim.
Os olhos das pessoas brilharam com lágrimas e esperança, seus rostos levantados em direção a Colin, absorvendo cada palavra.
— Sim, seu lar está em ruínas, suas vidas foram viradas do avesso. — Ele caminhava, a multidão encarando, hipnotizada. — Podemos recomeçar. Podemos reconstruir o que foi destruído. Se tem algo que aprendi, é que não somos definidos pelos obstáculos que enfrentamos, mas pela forma como nos levantamos diante deles, então digo a vocês, isso não foi o fim de nada, foi um novo começo.
Ele fez uma pausa, olhando nos olhos das pessoas ao seu redor, garantindo que cada um sentisse a sinceridade em suas palavras.
— E eu, Colin, rei de Runyra, serei o suporte de todos vocês! — Sua fala ficava mais energética. — Vocês estão sob minha proteção agora, e prometo que estão a salvo. O rei anão abusava de seu poder, aqueles que não conseguiam sobreviver sob suas condições era mandado para apodrecer nas minas.
Colin parou, abrindo os braços e esboçando um sorriso de canto, sua voz poderosa.
— Reúnam seus familiares, juntem-se! — gesticulava com as mãos. — Este é um novo começo para todos nós! Não ficaremos mais escondidos aqui embaixo, nas sombras e no medo. Subiremos, onde seremos banhados pela luz das estrelas, sentiremos a brisa acariciando nossas peles e o calor do sol nos dar força. Lá em cima, garanto a todos vocês um novo lar, um novo futuro.
Ele ergueu o braço, apontando para o alto.
— Tanto lá, na superfície, quanto aqui, eu sou o mais forte, não precisam mais se preocuparem, medo é o que vocês nunca mais vão sentir outra vez.
A multidão murmurou em concordância, seus espíritos renovados pela promessa de um novo amanhecer.
Colin sentiu a energia deles, sentiu a esperança crescendo.
— Vamos em frente, juntos. Nosso futuro começa agora. Partiremos pelo subterrâneo, retornaremos para a prisão e de lá, iremos até Runyra. Vocês terão algumas horas para descansar.
Enquanto a multidão se dispersava, começando a se preparar para a viagem, Colin se sentou pesadamente em uma pedra.
Seu corpo estava exausto, mas sua mente ainda estava alerta, observando o movimento ao seu redor. Morwyna se aproximou, seus olhos cheios de preocupação.
— Você não deveria descansar? — perguntou ela, seria um problema se o mais forte do grupo não estivesse apto para a viagem.
Colin deu um leve sorriso, apesar do cansaço visível em seus olhos.
— Posso fazer isso assim que chegarmos em Runyra — respondeu ele, tentando aliviar a preocupação da companheira.
Três crianças apareceram timidamente, com Ardan logo atrás. Os olhos das crianças brilhavam com admiração.
O garotinho se aproximou primeiro, tirando um medalhão do pescoço e entregando-o a Colin.
— Eu cuidei bem dele, como o senhor pediu! — disse o menino, a voz cheia de orgulho.
Colin bagunçou o cabelo do garoto com um sorriso genuíno.
— Obrigado por isso. — As duas garotinhas, com os olhos arregalados, perguntaram ansiosamente sobre a luta. Antes que Colin pudesse responder, Ardan interveio.
— Senhor Colin precisa descansar, deixem-no um pouco.
O Errante ergueu a mão, acalmando Ardan.
— Assim que chegarmos a Runyra, contarei tudo, detalhe por detalhe, prometo.
Ardan assentiu, pegando seus irmãos e se afastando. Logo depois, o anão, Yllastina e o velho Wenrick se aproximaram.
— Consegue mesmo seguir em frente, Colin? — perguntou o anão.
O rei de Runyra assentiu firmemente.
— Sim, consigo — Ele olhou diretamente para o anão. — Sabe algum atalho até a prisão? Há uma saída por lá?
O anão coçou a barba, pensando por um momento antes de responder.
— Há um caminho mais adiante, mas ficam alguns quilômetros depois da prisão.
Colin assentiu, satisfeito.
— Ótimo. Minhas esposas estão em guerra, não cometerei o erro de deixá-las se virando sozinhas novamente. Teremos outra chance de retornar a Rontes do Sul, pela superfície desta vez, mas precisamos pegar outras pessoas antes de retornar a Runyra.
O velho Wenrick balançou a cabeça lentamente.
— Não será uma tarefa fácil essa peregrinação.
Colin suspirou.
— Sei disso, mas vai ficar tudo bem. Conto com vocês para protegerem o pessoal de qualquer monstro do subterrâneo. — Ele forçou um sorriso. — A verdade é que estou esgotado. Minha maior preocupação é Walorin e a bruxa aparecerem e forçarem uma luta nesse meu estado. Precisamos ser rápidos.
Wenrick, Yllastina e o anão trocaram olhares, compreendendo a seriedade da situação. O anão bateu no peito com o punho.
— Não se preocupe, Colin, o conquistador. Protegeremos todos com nossas vidas!
O rei sorriu agradecido, ele havia gostado da nova alcunha.
— Vamos nos preparar para partir — disse Colin. — Temos uma longa jornada pela frente.
Morwyna e Samantha se aproximaram, ajudando-o a se levantar.
Enquanto se moviam, os preparativos continuavam. As pessoas reuniam suas posses, ajudando umas às outras.
Enquanto caminhavam juntos, Colin percebeu o peso do cansaço nos ombros das companheiras que o sustentavam.
Ele parou por um momento, olhando nos olhos de ambas.
— Vocês não estão cansadas de serem minhas muletas? — perguntou ele.
Morwyna sorriu, seus olhos brilhando com um sentimento profundo.
— Senhor Colin… ser sua muleta não é um fardo. — Ela fez uma pausa, buscando as palavras certas. — É um privilégio. Desde que conheci o senhor, me senti segura… me senti fazendo parte de algo maior… acho que eu… finalmente me sinto fazendo algo útil…
Colin então olhou para Samantha, que sorriu assentindo.
— Como seu braço direito, estou apenas sendo leal ao meu rei… leal a alguém que nunca desiste, mesmo quando tudo parece perdido, né? — Samantha apertou sua mão suavemente. — Meu pai diria que sua força não está apenas em seus músculos, mas em sua alma, e é nisso que acredito. Estar aqui ao seu lado é uma honra, e eu faria isso mil vezes, se necessário.
Sorrindo, ele apenas assentiu.
— Obrigado, de verdade, só preciso de meia hora de descanso, então estarei melhor.
O velho Wenrick e o anão caminhavam lado a lado, observando Colin à distância.
— Você já parou para pensar, Wenrick? — começou o anão, sua voz profunda e rouca. — Esse garoto conseguiu escapar da prisão levando a gente junto, matou demônios e agora nos guia para um novo começo… Será que os deuses o enviaram?
Wenrick, com sua longa barba branca, suspirou e olhou pensativamente para Colin.
— Talvez os deuses tenham mesmo um dedo nisso — respondeu ele, sua voz suave, mas cheia de convicção. — Mas seja qual for o motivo, ele nos libertou. Lutou por nós, por esse povo, quando ninguém mais o faria.
— E você vai segui-lo até o fim? — perguntou o anão, suas sobrancelhas grossas se levantando em curiosidade.
O velho assentiu lentamente, seus olhos cheios de uma firmeza inabalável.
— Sim, vou segui-lo. Seria ingratidão dar as costas ao Conquistador depois de tudo que ele fez por nós, pelo povo de Gheskou.
O anão riu, uma risada grave que ecoou pelos corredores.
— Conquistador, hein? É uma alcunha adequada a ele.
Wenrick sorriu, seu olhar ainda fixo em Colin.
— Talvez ele mereça mais do que isso, mas só o tempo dirá. Vamos ter que segui-lo e ver como essa história termina.
Os dois mantinham os olhos nas costas de Colin, vendo-o apoiar-se em Morwyna e Samantha. Havia uma determinação na postura dele que inspirava todos ao redor.
— É melhor ajudarmos os outros — disse Wenrick, voltando-se para o anão. — Nós não lutamos, então é o mínimo que podemos fazer agora.
O anão assentiu, concordando.
— Vamos lá, então. Temos muito trabalho pela frente.
Com isso, ambos se dirigiram aos outros sobreviventes, oferecendo ajuda e suporte, garantindo que todos estivessem prontos para a jornada que os esperava.

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